Radioactive

5 Chapter V: "Welcome to Atlanta"


Chapter V — "Welcome to Atlanta"

Merida

A sensação de ter meus cabelos chicoteando o ar era indescritível. Naquela estrada, montada na moto, eu me sentia livre, como um cavalo selvagem na floresta. A aljarva e a besta era chacoalhadas pra todos os lados, o que me obrigou a desacelerar bastante. Parei debaixo de uma placa quando minha pistola ricocheteou pelo asfalto, parando debaixo de um carro. Quando me inclinei pra pegá-la, um demônio abriu a porta, me jogando com tudo no chão. Cai por cima da aljarva, e um ruído de dor escapou dos meus lábios quando senti a ponta da flecha atravessar o lado esquerdo da minha coxa. Consegui atirar no errante, o jogando pra longe de mim por ser um tiro a queima roupa. Apertei minha perna, que jorrava sangue e manchava o asfalto cinzento.

– Filho da puta!

Arrastei-me até a moto e por algum milagre, consegui montar nela. Acelerei o máximo que a flecha permitia, e em alguns minutos vi a circuferência da cidade brotar na minha visão. Mas não parecia com a mesma cidade que eu e Jack havíamos achado a Cidadel, esta era maior e mais "prediarizada". Havia uma grande placa na entrada, dizendo "Bem Vindo a Atlanta!". Desci da moto, com minha sobrancelha erguida. Sério? Havíamos ido tão longe assim de Albany? Trinquei o maxilar quando uma pontada aguda atingiu-me na coxa aberta. Merda, eu não podia ir lá assim, os demônios viriam atrás de mim por causa do maldito cheiro! Estava prestes a montar de novo na moto quando um carro freiou bruscamente do meu lado. Que cargas d'água foi isso, os demônios sabem dirigir agora?!

– Ei ruivinha! Caralho, o que aconteceu?!

Dentro do carro havia duas pessoas: um garoto ruivo com um gorro verde e uma garota loira de olhos azuis curiosos. Instintivamente armei a besta, no segundo que o ruivo apontava sua Ruger pra mim. A loira olhou pra minha perna e sussurrou algo no ouvido do outro, que vagarosamente baixou sua arma, porém minha flecha continuava apontada pra sua cabeça. Devagar, ela saltou do carro e começou a me rondar, como se eu fosse um animal ferido.

E bem, talvez eu seja mesmo.

– Alice...

– Quieto Peter! Não vê que ela está ferida? Será que eu posso...?

– Ah...

A besta escapou das minhas mãos, e meu corpo caiu de encontro ao chão. Alice correu até mim e pude ouvir o barulho de uma porta se fechando com um estrondo. Peter entregou-lhe um rolo de ataduras e alguns esparadrapos. Ela agarrou minha mão e os dois estranhos contaram até três. Antes que eu percebesse o que iam fazer, a flecha havia sido jogada longe da minha perna. Rapidamente, a loira enrolou e pressionou a ferida, que ardia em chamas, enquanto o ruivo colocava os esparadrapos no lugar.

– N-na estrada. R-rodovia 72.

Pude ver um último aceno de Alice antes da minha visão se apagar por completo.

~XxX~

Abri os olhos devagar, esperando que a claridade me deixasse cega. O que estranhamente, não aconteceu. Estava escuro e paredes de pano se erguiam a minha frente. Com muito esforço e gemidos de dor que invejariam um demônio, consegui me sentar, no segundo que o zíper da tenda era aberto. Uma figura escura entrou e fechou a barraca, me abraçando logo em seguida. Retrubui com uma careta de dor mas logo tratei de escondê-la quando a figura voltou-se na minha direção. E de todas as cores do mundo, eu não imaginava que olhos tão verdes viriam me encarar naquela noite e eles transbordavam aflição, medo, preocupação.

– Acho que é a minha vez de cuidar de você.

– Não exagera. Foi só uma...

Tossi com força e voltei a deitar, sentindo-me fraca e como se estivesse mergulhada em gelo. Hiccup enrolou-me num lençol e saiu da barraca, chamando por alguém lá fora. Não pude deixar de dar um minúsculo sorriso ao ver que Alice ainda estava ali, e provavelmente, Peter também. A loira colocou a mão na minha testa, tirando-a logo em seguida. A expressão no seu rosto era no mínimo assustadora.

– Sua febre aumentou. Peter vai voltar logo com os remédios.

– Quanto tempo eu apaguei?

– Dois dias. — arregalei os olhos, a fazendo rir — Nenhum Soldado de Copas é pálio pra você, ruiva.

– Soldado de Copas?

– É o nome que eu e Peter demos aos zumbis.

– Alice?

– Hum?

– Vocês... ficaram o tempo inteiro aqui?

– Claro! Inicialmente, Jack nos culpou, dizendo que tínhamos atirado em você, mas depois que ele viu a flecha, nos deixou ficar pra cuidar dos seus machucados. Mas ruivinha...

– Merida. Merida Dunbroch.

– Alice Kingsleigh, muito prazer. O que você fazia em Atlanta?

– Procurando por velas de ignição.

– Porra, você quase morreu por umas velas de ignição?!

Ri fraco com o desespero raivoso de Alice. Ela era uma boa pessoa. Levantei-me devagar, e quando percebeu o que eu queria, a loura ajudou-me a andar até lá fora. Hiccup, Jack, Rapunzel e Peter estavam sentados em volta de uma fogueira improvisada. Com um salto, o albino correu até mim e me segurou num abraço apertado, me fazendo soltar um gemido involuntário de dor.

– Eu disse que voltaria viva, não disse Quione?

***

Eu, Jack, Hick e Punzie estávamos reunidos em volta do jipe. Alice e Peter estavam de fora da nossa pequena "reunião". Eles insistiram pra que eu ficasse na tenda, mas é lógico que não ficaria de fora. Levei uma quase flechada não fiquei retardada.

– Deveríamos deixá-los ficar?

– Pelo amor de Deus, se reuniram pra isso? Eu devo minha vida a eles e ainda pensam se vão deixá-los ficar?!

– Não podemos sair confiando em todos por aí.

– Jack. Eles não tinha obrigação nenhuma comigo. Poderiam ter me deixado em Atlanta pra morrer. Mas fizeram isso? NÃO! Não podemos simplesmente deixá-los a mercê daquela cidade. Por Deus, ainda precisam pensar nisso?! Aqueles dois são bons samaritanos, gente do bem. Pessoas assim nós acolhemos, e tratamos como família! Alice poderia ter cuidado de mim que qualquer maneira, mas ela não fez nada disso. Se depender de mim, eles vão morar dentro do meu bolso, mas ficarão comigo.

– Algum de vocês é contra?

– Está óbvio que não, albino.

– Quieto, Soluço. — o moreno fechou a cara — Certo, os dois podem ficar.