Radioactive
9 Chapter IX: We Have an Artisan
Chapter IX: We Have an Artisan
Alice
Rapunzel abraçou a mim e a Merida, entrando no carro, seguida de Jane e Jasmine. Um aperto em meu peito cresceu, mas rapidamente desapareceu. Sabia que Punzie ficaria bem, afinal, estava com as mais valentes atiradoras do Castelo Branco. Caminhei devegar até Peter, que cochilava como um anjo no canto da Ala Médica. Ele, como sempre, estava a murmurar coisas intangíveis e que eu nunca conseguia entender. Agachei-me ao seu lado e aproximei meu ouvido dos seus lábios.
– Alice... por favor, fica... fica comigo.
Uma careta de surpresa e felicidade nasceu em meu rosto. Peter sonhava comigo? Me levantei, e com um sorriso no rosto, balancei levemente suas costas com o peito do pé, tentando acordá-lo.
– Bom dia. — ele bocejou e sorriu — Já amanheceu a algum tempo?
– É, umas três horas.
– Por que não me acordou antes?
– Nah. — balancei a mão no ar — Você estava dormindo tão profundamente que me deu pena.
– Alice Kingsleigh com pena? — ele riu, se levantando, estralando os braços e o pescoço — Essa é boa.
– Calado Pan. Ah sim, Eric passou aqui mais cedo e pediu que quando você e Hick acordassem fossem pros muros.
– Ok, eu e Peter cuidamos dessa. — Hiccup deu um tapinha no ombro do ruivo. Ele estava molhado, olhei sugestivamente para Merida, que escondia a boca nas mãos.
Os dois saíram, deixando a mim e a ruiva sozinhas novamente. Ela bufou, irritadiça, e deitou (lê-se se jogou) na maca, a fazendo soltar um rangido idêntico a um grito de dor. Dei uma risadinha e lhe mandei um beijinho no ar, saindo da Ala Médica. Pelo fato da ferida de Meri ser na perna, ela deveria ficar de cama por pelos menos duas semanas, evitando forçar a coxa e abrir os pontos refeitos por Pocahontas. Já eu poderia sair livremente pelo acampamento, desde que não esforçasse os braços por, também, duas semanas.
Caminhei até a pequena roda em volta de uma fogueira precária, onde Ariel, Mégara, Pocahontas e Lilo conversavam alegremente. O cachorro azul de Lilo estava deitado aos seus pés, e um leve tremor correu pelo meu corpo, lembrando dos acontecimentos de dois dias atrás. A morena, ao ver minha reação, segurou seu cão no colo e o prendeu em uma coleira, colocando a guia debaixo de uma grande e — aparentemente — pesada pedra. Ela sorriu docemente e deu batidinhas na terra ao seu lado, me convidando para sentar.
– Tudo bem Alice, Stitch não é violento. Ao menos que seja um alienígena.
– Hein? Ah sim, fala dos Soldados de Copas.
– Uau, que nome estranho você dá pra eles.
– Por que vocês simplesmente — Mégara comentou, abanando a mão casualmente — não os chamam de walkers? Eles são errantes não?
– Walkers... — murmurei — Sim, parece um bom nome Mégara.
– Me chame de Meg, por favor.
Assenti e elas continuaram a conversar normalmente. Saí de fininho da pequena roda, começando a caminhar pelo Castelo. A maioria das pessoas dali eu acabara por conhecer. Pocahontas me descrevera todos eles, de modo que pude reconhecê-los ao mais simples bater de olho.
Hércules é um jovem, chuto 26 anos, com cabelos castanhos encaracolados e pele morena, além de uma força incrível. Eric é outro, de cabelos negros como carvão e olhos azuis como o céu, um ótimo navegador e experiente com navios. Há também o mais novo do grupo, Joshua, mas todos o chamam de Linguado. Tem olhos azuis claros como o fundo de um rio e a pele amarelada, além de cabelos azuis inconfundíveis. Ele é primo de Ariel.
Jasmine é uma das mais belas do Castelo Branco. Sua pele é um moreno escuro perfeito, em seus olhos um castanho claro hipnotizante e suas belas feições arabianas, como uma Princesa do Deserto. Jane é uma das mais brutais, diria eu. Seus cabelos vivem presos em um rabo de cavalo baixo, dando-lhe ondas precisas. Sua pele branca tem vários hematomas graças as suas missões fora do Castelo. Seus olhos são de um castanho forte, encantador.
– Alice!
Virei o pescoço rapidamente e encarei a figura loira que vinha na minha direção. Os fios dourados de Tinker e seus olhos azuis celestes são tão idênticos aos meus que facilmente podemos nos passar como irmãs. Ela tinha um olhar baixo, e pela vermelhidão em seu rosto, ou correra uma maratona, ou estava tremendamente envergonhada. Sorri docemente para ela e caminhei ao seu encontro.
– Hey Tink. O que foi, correu por todo o Castelo?
– Eu, ahn, quero te mostrar uma coisa.
~XxX~
Caminhamos por, pelo menos, uma hora até o Bunker 10, onde Tinker queria mostrar-me algo. Ela andava animada, matando um ou dois walkers que apareciam pelo caminho com uma machadinha. Ela parou numa porta grossa de aço, um pouco inferrujada, e deu-lhe três toquinhos. Com um rangido igual aquele dos filmes de terror, a porta se abriu e imediatamente meu queixo caiu.
Dentro do bunker havia dezenas e dezenas de invenções, todas elas bem elaboradas e claramente mortais. Havia armadilhas, armas, canos de tanques, motores de carros e algumas outras engenhocas que não consegui distinguir. Tink me puxou pra dentro, com um sorriso maior que a cara, e trancou a porta atrás de si. Tinha medo de me cortar em alguma daquelas coisas, pois todas eram de metal e estavam enferrujadas. E a última coisa que eu desejava pegar naquele momento era tétano. Agradeço eternamente ao Hiccup por ter encontrado aquela vacina antirábica, pois caso o contrário eu seria mais uma walker nesse mundo.
– Tinker, você... você criou tudo isso?
– É. Sabe, quando eu era mais nova, morava num orfanato onde a diretora nos dividia em categorias. Ela costumava nos chamar de "fadas" e designar nossas funções. Eu virei fada-artesã. No começo, me sentia excluída, uma inútil por ser artesã, enquanto as outras meninas sabiam controlar animais, manipular água, pintar e etc. Mas certo dia, essa diretora me chamou na sua sala. Até hoje me lembro das suas palavras: "Sem artesãos, não há mundo. Sem alguém que construa nossas coisas, não há país que se desenvolva. Você é a fada mais importante, pequena Tinker Bell."
– E ela está certa. Isso tudo é incrível Tink! — ela estava realmente orgulhosa e agradecida pelos meus elogios. Algo então estalou na minha mente — Por que você contou justamente para mim?
– Ah, pode parecer besteira mas... eu sinto como se nos conhecéssemos à anos. Sabe, antes de achar o Castelo, vagava sozinha pelas cidades, procurando o que comer. Eu conheci pessoas ruins, Alice. Mas eu senti como se pudesse confiar minha vida nas suas mãos. — ela escondeu o rosto, claramente envergonhada.
– Ei, você pode confiar em mim. Agora que estamos todos aqui, devemos acreditar uns nos outros. Eu fiquei com receio de deixar Punzie ir com Jane, mas precisei confiar nelas. — dei um sorriso — Se não confiarmos em com quem vivemos todos os dias, nós não podemos viver em sociedade.
– Uau... obrigada Alice. Sério mesmo.
– Agora, — brinquei, a levantando para cima — o que acha de mostrar essas coisas todas pro resto do pessoal?
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