Radioactive

10 Chapter X: Everything Isn't What Appears To Be


Chapter X — Everything Isn't What Appears To Be

Peter

Encarei o horizonte alaranjado que pintava o céu azul, indicando que a noite estava chegando. Hiccup estava ao meu lado direito e Eric ao esquerdo, com sua inseparável escopeta no colo. Vez ou outra dava pisões no muro de madeira, testando sua resistência. Na ponta leste, Hércules dava cabo em alguns Soldados de Copas. Na oeste, Linguado estava sentado, com a cabeça entre os joelhos.

– Quando será que Jane e os outros voltam?

– Ah, às vezes levam uma semana pra chegar. — Eric deu um gole na sua cerveja, o olhar fixo em um ponto qualquer do outro lado da cerca — Mas quando chegam, trazem coisas maravilhosas. O posto de vocês acabou, caras. Chamem aquele branquelo pra mim, é a vez dele.

Assenti com a cabeça e pulei o muro, arrumando o machado no cinto, ao lado da Ruger 22. Hick seguiu por um lado e eu pelo outro, indo diretamente para a Ala Médica. Coloquei minha cabeça lá dentro e vi apenas Merida limpando o pus restante do seu corte, sozinha. Franzi o cenho, olhando em volta.

– Procurando sua donzela, Pan? — ela deu um sorriso malicioso, sem olhar pra mim — Saiu faz uma hora, eu acho. Me largou aqui, sozinha, no frio e na dor.

– Uau, ruivas são tão dramáticas.

– Você também é ruivo, otário. — dei língua e ela me devolveu. Sim, somos extremamente maduros.

Sai dali e comecei a caminhar pelo Castelo, reparando em pequenos detalhes como latas de ervilhas vazias e jornais velhos voando pelo chão. Chutei algumas pedrinhas que estavam no caminho, muito entediado. Quero dizer, não há absolutamente nada pra se fazer quando se está no apocalipse. Vi um vulto branco correr na direção oposta a minha, e deduzi ser Jack. Vislumbrei outras pessoas aqui e ali e decidi me enturmar. Duas mulheres limpavam peixes próximas a uma fogueira, jogando as escamas e órgãos ruins fogo à dentro. Me aproximei devagar e a de olhos violetas sorriu pra mim.

– Ei garoto, quer nos ajudar aqui?

– Hm, claro, por que não?

Sentei ao lado da mulher de cabelos negros. Ela deu um sorrisinho e voltou sua atenção ao peixe, me passando um juntamente com a faca. Um silêncio entediante caiu sobre nós, sendo as escamas raspadas as únicas coisas que se ouviam naquela pequena roda, além do crepitar da fogueira.

– Então... à quanto tempo estão aqui?

– Acho que uns seis ou sete meses, não é Pocahontas?

– Não tenho certeza. Já fazem muitas luas que estamos aqui.

– Perdão mas... você é indígena?

– Uhum. Faço parte da tribo dos Americanos do Norte. Muitos dos meus irmãos morreram, mas enquanto eu estiver viva, a tribo estará viva também. E você, garoto?

– Eu sou londrino. — dei de ombros — Estava de passagem aqui nos Estados Unidos quando essa merda toda começou.

– Sou grega. Hércules e eu estávamos de lua de mel em Louisiana quando a praga estourou.

– Vocês são casados?

– Somos. Ahn, Peter não é? — assenti com a cabeça — Você e aquela menina loira, Alice, tem alguma coisa?

Engasguei com uma saliva que nem eu sabia que existia. Tossi com força, obrigando Pocahontas a me dar tapinhas nas costas. A de olhos violetas gargalhou, levantando o espartilho que escorregava do seu corpo.

– Caramba Mégara, pare de fazer essas perguntas!

– Ah qual é Poc! Eles são jovens e vivem juntos a muito tempo. Vamos lá garoto, pode contar pra titia Meg.

– Meu Deus. Nós...

Um grito cortou o ar, interrompendo-me no ato. Tirei a Ruger do cinto, Pocahontas ergueu seu machado, Mégara segurou sua AK-47 e corremos juntos até o portão para a Área Vermelha. Todos os outros haviam se juntado a nós, incluindo o Chapeleiro, e seguimos até o Salão 2. Alice e Tinker Bell estavam ali, com suas armas e manchadas de sangue, porém tinham um sorriso brando em seu rosto.

– Céus! O que aconteceu com vocês?!

– Calma Ariel, iremos lhes explicar tudo. — Alice deu um passo para trás, impurrando Tinker para a frente — Pode falar.

– Bom, eu... tenho um arsenal lá dentro. Venho criando armas e armadilhas desde que cheguei aqui e encontrei o Bunker 10.

Três segundos de silêncio se permaneceram, Johnny resolveu o quebrar, andando até as meninas loiras com suas passadas gloriosas. Agachou-se na frente de Bell — visto que ele era bem maior que ela — e segurou uma das suas mãos.

– Por que escondeu isso da gente?

– Eu estava com medo. Se soubessem, iriam me expulsar daqui, pensar que eu iria matar a todos com minhas invenções. — ela abaixou o olhar, envergonhada — Desculpe Chapeleiro.

– Certo, vamos dar uma olhada nessas invenções. Hércules, Eric, venham comigo e com a senhorita Bell.

Os quatro sumiram pelos corredores escuros do Salão 1. Alice caminhou na minha direção com o mais maroto dos sorrisos, e cruzei meus braços em frente a ela. Seus lábios vermelhos e extremamente convidativos se formaram em um biquinho fofo e um sorrisinho de lado surgiu no meu rosto. A pergunta de Meg retumbou nos meus ouvidos: "Você e aquela garota loira, Alice, tem alguma coisa?"

– Vamos até a Ala Médica, Pan. Eu te explico tudo.

~XxX~

A loira trocou suas bandagens enquanto sentava-se na maca de colchão amarelado, com um pequeno frasco de álcool nas mãos. Mergulhou um chumaço de algodão no mesmo e passou vagarosamente pela ferida, fazendo uma careta de dor a cada toque.

– Bom, ela confia em mim. Me chamou e disse que tinha algo para mostrar, e me levou até o Bunker 10.

– Não sei Lice. — me sentei no chão, no estilo índio, a sua frente — Ela me parece... desconfiável.

– Ah qual é Peter! A garota se abriu pra mim e explicou tudo!

– Sei lá, ela tem um jeito estranho. Não fala com ninguém, além de ti, e vive murmurando coisas estranhas. Não sei se devemos confiar nela.

– Pelo amor de Deus, Peter Pan! Será que dá pra confiar em mim pelo menos mais de uma vez na vida?! Que merda, nem todas as pessoas são ruins, cacete!

Alice pulou da maca e caminhou a passos pesados pra fora da Ala Médica. Ariel, que passava ali fora, entrou e se sentou ao meu lado, segurando uma das minhas mãos.

– Eu, ahn, meio que escutei a conversa de vocês. Desculpe.

– Tudo bem, Ari.

– E sabe, eu concordo plenamente com você.

– Mesmo?!

– É! Sabe, quando eu, Eric e Linguado ainda estávamos lá fora — me sentei de frente para ela — conhecemos um outro grupo, que se auto-intitulavam de Guerreiros. O líder deles, Hades, é parente de Hércules, se não me engano tio dele.

"Eu e Eric carregávamos Joshua ferido nos braços quando este nos parou na estrada e ofereceu ajuda. Apesar de desconfiados, precisávamos salvar meu primo. Entramos na caminhonete dele e seguimos até o leste de Atlanta, onde uma prisão enorme, de várias celas, se estendia.

Nos dois primeiros dias, fora simplesmente perfeito. Tínhamos comida, remédios, abrigo, armamentos e munições. Linguado começava a melhorar dos seus ferimentos. Até que um dia Hades me chamou na sua cela, e eu, ingênua, fui. Assim que entrei, ele disse que precisava recolher os impostos pela nossa estadia na prisão e então recebi um golpe na minha cabeça. Quando acordei, estava nua, no chão da cela e ele dormia em sua cama.

E claro, você deve estar se perguntando o que isso tudo tem a ver com Tinker não é? Bem, ela é a informante dos Guerreiros. Eu a vi construir armas e dizimar outros grupos como nós. Temos de tomar cuidado com ela."

Notas finais
E aí? O que acham da Tinker agora? E do passado da Ariel? Ah, dou um doce pra quem adivinhar os três novos personagens que vou acrescentar no próximo capítulo. Dica: são da Disney e do Cartoon Network. Küsse da GH ♡