Radioactive
2 Chapter II: We Are Save Now
Chapter II — We Are Save Now
Hiccup
Um segundo a mais e eu teria virado um deles. Puxei Rapunzel pra um pequeno beco, onde pudemos nos esconder dos mortos vivos. Estávamos a quase duas semanas fugindo dos dragões, como eu e ela apelidamos os zumbis, e não achávamos um único barraco de papelão pra nos escondermos. Punzie soluçava alto em meu peito e eu a apertava com força num abraço abafado. Ela estava em pânico. Meu braço ardia em chamas graças ao tiro que meu próprio pai havia me dado a alguns dias antes e estava perdendo muito sangue. Mal tinha forças pra correr.
– Hiccup... a-ali é u-um bom lugar pra nos e-escondermos.
Ela ergueu o dedo trêmulo em direção a um casebre velho, mas escondido dos dragões. Quando a barra estava limpa, corremos até lá. Era um lugar simples, com alguns móveis e um carpete encardido. Assim que a loira fechou a porta, me soltei no sofá, sentindo minha visão embaçar. Estava fraco demais e o braço latejava a cada cinco segundos.
– Quem são os dois?!
Ergui o pescoço debilmente pra ver um belo anjo. Cabelos ruivos cheios e cacheados, o rosto com um Band-Aid, alguns machucados, um corpo esbelto e esguio e seus belos olhos azuis, tão hipnotizantes quanto as nuvens do céu. A besta em suas mãos a deixava mais feroz do que já aparentava ser. Ela parecia um anjo caído. Tossi e algumas gotas de sangue voaram da minha boca, respingando na blusa branca.
– Olha, não queremos problema, por favor. Eu só preciso ajudá-lo com o braço, por favor.
Com a flecha apontada para a cabeça da loira, ela fez um sinal e outro garoto, de cabelos brancos, pele clara, olhos azuis gélidos e opacos como o próprio gelo, desceu pelas escadas. A última coisa que me lembro antes de desmaiar era Punzie agradecendo aos dois por nos deixarem ficar.
~XxX~
Abri meus olhos lentamente, sentindo as pálpebras pesadas como pedras. Cachos ruivos dançavam em meu rosto, fazendo cócegas em meu nariz. O anjo caído limpava alguns dos meus arranhões nas minhas bochechas e queixo, o que a deixava incrivelmente próxima de mim. Seus olhos azuis eram tão cristalinos e brilhantes, pareciam o céu azul de uma tarde quente de verão. Assim que percebeu que eu estava acordado, sorriu e terminou o curativo que fazia em meu braço.
E aquele fora um dos mais belos sorrisos que eu já vi em toda a minha vida.
– Prontinho, seu braço está novinho em folha.
– Obrigado por ter nos deixado ficar.
– Qual é, eu e meu parceiro não seríamos ruins a ponto de deixá-los por aí. A sua amiga está comendo lá embaixo.
Sentei debilmente na cama, minha mochila e arma estava ao meu lado. A ruiva colocou a besta nas costas e caminhou até a porta, quando algo a fez parar e dar meia volta.
– Ainda não sei o seu nome.
– Desculpe. Sou Hiccup Horrendus Haddock II. E você?
– Merida Dunbroch. Seja bem vindo a Cidadel.
– Cidadel?
Pus me de pé, apoiando na parede. Ainda me sentia extremamente fraco graças a perda de sangue. Merida passou meu braço por seus ombros e juntos, descemos de encontro a Rapunzel e o garoto albino que estava na sala de estar.
– É o nome que demos ao casebre.
– Está melhor, moreno?
– Vou sobreviver, albino.
– Hiccup Haddock, Jack Frost.
Passamos mais alguns minutos conversando, até que aquele cara era um bom companheiro. Punzie parecia deslocada, e não era pra menos, ela estava traumatizada por causa da mãe. Eu e Jack nos entreolhamos, e ele parecia pensar como eu.
– Por que vocês duas não preparam um sopa pra gente?
– Você é um idiota machista Frost. Vamos loirinha, vou precisar de ajuda.
As duas saíram pelo corredor. Jack avisou que iria tomar um banho e sumiu escada a cima. Aproveitei o momento sozinho e peguei as fotos que estavam amassadas no meu bolso. Na primeira, eu, minha mãe, meu pai e meu cachorro Banguela estávamos no parque da cidade, num piquenique. Na outra, estava tomando sorvete com Astrid. Imediatamente lágrimas vieram aos meus olhos, e senti ódio por parecer tão fraco. Vi minha mãe e minha namorada serem mordidas por eles, e morrerem na minha frente. Meu pai enlouqueceu e me deu um tiro, logo depois atirando na própria cabeça. Achei Rapunzel na rua, perdida e assustada, vagando por aí atrás de um abrigo e logo me apeguei a ela.
Balancei a cabeça, espantando a vontade ridícula de chorar, afinal não adiantaria de nada mesmo. Apoiado nas paredes, voltei ao quarto de onde estava e peguei minha mochila, verificando se tudo ainda estava ali. Havia apenas alguns remédios, umas poucas mudas de roupa, meu caderno de desenhos, um estojo, as munições da minha pistola e a mesma. Folheei o caderno, sentindo as lembranças me atingindo tão doloridas quanto uma machadada nas costas. Antes dessa merda acontecer e o mundo ruir, eu fazia faculdade de engenharia aérea. Fazia os mais criativos e mirabolantes aviões e os dava nomes mais criativos ainda. Punzie, uma vez, folheou este caderno e, depois de tantos dias, dera algumas risadas com os nomes malucos que dava aos meus aviões. Era uma sensação boa vê-la feliz pelo menos uma vez na vida.
Guardei novamente a mochila, e não reparei que a ruiva me observava da porta, o que me fez corar tão forte quanto a cor de seus próprios cabelos. Ela deu uma risadinha e entrou no quarto, se sentando ao meu lado. Estranhei o fato de ela não estar com a sua besta, afinal desde que chegara aqui, ela não havia a largado um segundo sequer.
– Eu vim te avisar que o rango estava pronto, mas parecia tão concentrado que não quis atrapalhar.
– Bem, — levantei, oferecendo minha mão a ela — ainda sobrou alguma coisa pra mim?
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