Rachel Black
11 Lobo
Notas iniciais
Fiquei uns trinta minutos ainda deitada no sofá tentando entender o que aconteceu. Aquela aparição do meu irmão na sala justo quando o Paul iria me dizer algo que, pela sua expressão séria parecia ser importante, e ainda depois simplesmente foram embora. Parecia que eles estavam querendo, propositalmente, reforça a ideia de que estavam me escondendo alguma coisa.
Pouco mais tarde ouço um ronco de motor e minutos depois meu pai e Jacob entram na sala.
― Oh! Você está em casa. ― Meu pai diz com uma falsa surpresa enquanto arrasta sua cadeira pela sala.
―É claro que estou, aonde mais estaria? ― Pergunto de mal humor.
―Em algum lugar por aí grudada com aquele rapaz. ― Eu sabia que ele estava se referindo ao Paul.
―Ele estava aqui mais cedo, até seu filho praticamente o arrancar porta a fora. ― Me sento e aponto meu dedo para o Jacob que estava fazendo cara de paisagem encostado na parede.
Meu pai não responde apenas franze a testa e lança um olhar questionador para o meu irmão que com a cara mais sonsa dá de ombros e diz:
―A gente precisava se encontrar com os caras, só isso.
―Mentira! ― Digo já irritada. Será que ele acha que eu sou cega? Que eu não percebi o quanto estavam estranhos?
―Por que estaria mentindo?
― Me responde você! Eu quero dizer vocês dois, os dois estão escondendo alguma coisa e não adianta negar. Jacob você está estranho, está agindo estranho e você.― Aponto para meu pai que está calado só ouvindo.― Fica encobrindo ele. Jake você nunca para em casa e estou desconfiando que não passa a noite em casa também, porque já foram duas vezes que vi sua cama vazia de madrugada e você vive com essas olheiras enormes debaixo dos olhos!
Explodi e disse tudo de uma vez sem dar chance para eles me interromperem, eu estava casada disso eu só queria que eles me dissessem o que estava acontecendo, mas eles estavam mentindo para mim. Se tem uma coisa que eu realmente repudio e mentira.
Meu pai parecia estar pensando no que falar, seu rosto continuava sereno como se eu tivesse acabado de lhe contar como uma história sem graça.
Jacob que foi o primeiro a quebrar o silencio, seu rosto se contorceu em um sorriso e ele caiu na gargalhada.
―Eu acho que você está com TPM e está vendo coisa onde não tem.
Mais gargalhada.
O que?! TPM! E ainda ri da minha cara!
―Pai? ― Digo em busca de ajuda, mais ele apenas dá de ombros.
O que? Você está concordando com o Jacob!
Grito em pensamento. Sem dizer uma palavra levanto do sofá e saio da sala e vou para meu quarto batendo a porta como o Jacob fez hoje mais cedo.
Me joguei na minha cama e encarei o teto enquanto tentava me acalmar. Amanhã eu iria resolver isso eu vou descobrir o que estão me escondendo e já sei como.
No dia seguinte acordei e me juntei ao meu pai e Jacob para o café da manhã e não toquei não assunto da noite passada nem eles, conversei normalmente como se nada tivesse acontecido percebi que eles estranharam, mas não disseram nada.
Não saí de casa a manhã toda, fiquei quieta no meu canto lendo um livro, vendo tevê ou no meu notebook. Jacob também não saiu ficou mais de cinco horas direto em casa pela primeira vez desde que voltei, almoçamos os três juntos ainda sem tocar no assunto de ontem. Meia hora depois de comemos fui tomar um banho e me arrumei para sair, como hoje como estava fresquinho resolvi colocar um short jeans e um moletom cinza de malha fininha, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo frouxo e calcei uma sandália baixa. Estava pronta para colocar meu plano em ação.
―Vai sair? ― Meu pai perguntou levantando os olhos do livros ao me ver abrir a porta da frente.
―Sim.
―Posso saber aonde vai? ― Eu sabia que ele iria me perguntar. Sempre me tratando como se eu tivesse dez anos.
―Na casa de uma amiga ou na Tia Connie ou nos dois, não sei. ― Digo dando de ombros.
―Bom passeio.
Dito isso saio e ando a passos determinados para chegar ao meu destino, a casa do Paul. Em menos de dez minutos paro em frente à pequena casa amarela subo os degraus da varanda bato na porta e espero, espero. Mas ninguém vem abrir, bato mais uma vez e mais uma vez com mais força até que escuto a voz do Paul soar de lá de dentro.
―Já estou indo! Droga, calma!
Ele abre a porta de cara amarrada esfregando os olhos, mas quando me vê abre um sorriso mostrando todos os dentes.
―Rachel.
―Desculpe se te acordei.― Lhe devolvo o sorriso e ele abre caminho para que eu entre.
―Não precisa se desculpar, fico feliz por ter sido acordado.
Fico parada no meio de sua pequena, mas aconchegante sala de estar. Tinha um sofá preto e uma poltrona também preta que combinava com o reque de mesma cor que tinha uma grande televisão em cima, na parede ao lado da porta tinha fotos de família emoldurados.
―Por que você não me avisou que iria vir? ― diz com a voz ainda um pouco rouca por ter acabado de acordar.
―Quis te fazer uma surpresa, gostou?
―Claro, vem senta aqui. ― Ele me chama indo para o sofá, ele estava sem camisa, seus músculos bem definidos da barriga estavam expostos, vestido apenas com uma calça de moletom preta que estava caindo na cintura, era uma bela visão. O segui me sentando do seu lado.
Logo ele me puxou para um beijo, sua boca pressionava com força contra a minha, abri minha boca e quando nossas línguas se encontraram ele soltou um gemido baixo, nosso beijo continuou ainda mais urgente e eu senti mais uma vez um estranho alivio como se estivesse todo esse tempo prendendo o ar e finalmente voltado a respirar.
―Droga eu senti sua falta. ― Paul murmurou quando finalmente nos separamos.
Eu também.
―Mas a gente não se vê desde de ontem. ― Digo sorrindo para ele que alisava meu rosto com uma da mãos.
―É muito tempo para mim. ― Ele me olha com aquela intensidade mais uma vez e sinto meu rosto esquentar sob o seu olhar e minha pulsação acelera, quero mais uma vez me inclinar sobre ele e beija-lo.
Foco, Rachel, foco.
―Vamos para o meu quarto. ― Ele diz enquanto pega minha mão para me levantar do sofá
―Já? Rápido você. ― Falo maliciosamente com um sorriso no rosto e me levanto.
Ele não me responde apenas balança a cabeça para os lados seus olhos escurecem de desejo enquanto ele que tira de cima a baixo e seus lábios se suspendem em um sorriso torto.
― Que mente maldosa você tem, Rachel. Eu quero te levar lá para dentro por que daqui a pouco meu pai chega e eu estou cansado de pessoas nos interrompendo.
―Sei... ― Tento fazer cara séria, mas não consigo conter o estupido sorriso no meu rosto.
Ele me conduz pelo corredor enquanto fala.
― Nós não vamos fazer nada de mais− abre a porta do quarto e me dá passagem―nada que você não queira.
Entro e ele fecha a porta. Sinto que corpo todo esquentar com o que ele acabou de dizer e também uma enorme vontade de me aproximar dele como se fossemos imas.
Como pode ele pode dizer uma coisa dessas, como se já não bastasse ele estar sem camisa com todo aquele peitoral a mostra, ainda sai dizendo essas coisas para me desestabilizar mais.
Foco, Rachel, foco.
Percebo que eu estou encarando seu peito descoberto então desvio rapidamente o olhar observando seu quarto.
O quarto não era muito grande menor do que o meu e um pouco estreito enquanto o meu era mais largo, a direita tinha uma cama de solteiro bagunçada na outra parede havia uma estante preta com muitos livros e também um armário e uma mesa com cadeira e uma luminária. O seu quarto era todo preto e branco, as paredes eram brancas e os moveis pretos. O quadro em pendurado em cima de sua cama era abstrato e adivinha, em preto e branco.
Me pergunto se a casa inteira era assim. Era tudo muito arrumado para o quarto de um adolescente, mas o que mais me impressionou foi sua estante de livros.
―Você leu todos esses livros? ― Perguntei me voltando para ele boquiaberta.
―Não todos, mas a maioria, sim. ― Respondeu seus olhos nunca deixando meu rosto.
Me aproximo da sua estante e reparo que os que os livros estão organizados em ordem alfabética. A mesa estava ocupada de papéis de anotações e apostilas perfeitamente empilhados e separados por matéria.
Hun... ele é organizado.
Peguei uma pilha de anotações, uma mistura de números e letras parecia ser álgebra.
―Você não veio aqui para ver minhas anotações.― Paul disse zangado tomando os papéis das minhas mãos e colocando-as na ordem correta antes de por de volta na mesa.
― Você tem mania de arrumação? ― rio da maneira neurótica que ele arrumou tudo de novo.
―O que? Não!
― Tem sim.― Rio ainda mais.
Paul fica sério e balança a cabeça.
Ando até a estante de livros.
― Ah então você não se importa se eu fizer isso? ― olhando nos seus olhos, pego um livro da prateleira A e coloco na B―
Ele não diz nada seus olhos se arregalam um pouco e seus lábios se contraem.
Ando até onde ele está, nosso olhar nunca se quebrando, com as mãos espalho os papéis pela mesa deixando alguns caírem no chão e antes que eu possa pega as apostilas ele segura os meus dois pulsos.
Seus olhos estão escuros e duros, sua boca ainda contraída.
―Eu acho que você se importa. ― Sorrio e coloco o meu lábio inferior entre os dentes. Seus olhos descem até minha boca e seu olhar amolece, ele balança a cabeça de um lado para o outro.
―Você é um maníaco por arru― Ele me corta pressionando sua boca contra a minha que se se encaixam perfeitamente. Paul solta meus pulsos e me suspende com facilidade, coloco minha perna envolta da sua cintura e um gemido escapa dos seus lábios. Minhas mãos passeiam pelos seus braços. Ele caminha até sua cama e senta.
― Oh Rachel. ― Sussurra no me ouvido e me beija no pescoço, me fazendo o mundo lá fora desaparecer e só existir nos dois. Nos separamos os dois ofegantes e ele encosta a sua testa contra minha me fazendo sorri como uma adolescente.
―O que você está fazendo comigo? ― Murmuro baixinho.
―Me responde você. ― Paul abre seu lindo sorriso torto.
Me levanto para sair de seu colo e com relutância, ele me deixar ir. Sento na cama e empurro meu corpo até encostar na parede criando um espaço entre nós. Preciso desta distancia para tentar ter pelo menos um pouco de contração no que vim fazer aqui, mesmo isso sendo quase impossível com ele sem camisa a pouco centímetro das minhas mãos gananciosas.
―Olha só a bagunça que você fez. ― Seus olhos passam pelos papeis no chão e depois para em mim.
Dou de ombros inocentemente e reprimo um sorriso.
―Você vai arrumar isso. ―Diz todo autoritário.
―Há! Eu não vim aqui para arrumar seu quarto.
―Mas veio para bagunçar.
― Também. ― Passo meu cabelo entre meus dedos penteando-os.
―Você é impossível senhorita Black. ― Ele balança a cabeça em diversão.
―Com o tempo, as pessoas tendem a se acostumar. ― Falo com desinteresse.
Ele ri alto e deita de costas na cama, seus olhos fixamente em mim com admiração.
Tirei o momento como minha deixa. Me inclinei ficando sobre ele, seus olhos se arregalam e seu peito subia e descia mais rápido conforme sua respiração acelerava, foi uma massagem no meu ego ver que eu o afetava tanto quanto ele fazia comigo. Apoiei meu queixo no seu peito e provocadoramente passei minha mão por toda a extensão bem definida, quando me voltei para o seu rosto ele apertou o os seus escuros olhos castanhos perguntando silenciosamente para onde eu queria levar aquilo. Sinto sua pele quente sobre minha mão.
―Você está quente. ― Aviso preocupada.
―Você também. ―Paul sorri, os olhos escuros brilhando.
― Eu to falando sério. Você está com febre, devia tomar um remédio.− Ele estava pelando. Coloquei minha mão sobre sua testa.
― Deixa disso, eu estou bem. ― Continuei a encara-lo com preocupação.― Sério eu to legal.
― Okay, se vocês diz. ― Suspiro― O que foi você ontem saindo lá de casa daquele jeito.
Digo finalmente tocando no assunto que me levou até ali.
― Seu irmão e eu tínhamos umas coisa para resolver. ―
Ele se mexe debaixo de mim desconfortável.
― Que coisas? ― Insisto, ele não pode me manter no escuro por muito tempo quero saber o que está acontecendo.
― Racheel...
Ah não! Nem vem com esse ‘Racheeel’.
― Não Paul. Você está mentindo e eu estou cansada de todos mentindo e escondendo coisas de mim!
Saio de cima dele me sentando novamente, ele se levanta e senta também. Fito seu rosto e ele parece estar em um debate interno, sua sobrancelhas franzidas quase se unido, a boca pressionada em uma linha fina, Paul passa as duas mãos pelo seu curto cabelo em um ato exasperado e então solta um longo suspiro virando o rosto para mim.
― Você quer saber o que está acontecendo, certo? ―Pergunta, seu tom sério me deixa um pouco vacilante mas, logo me recupero e aceno com a cabeça.
― Diz. ― Manda o seu rosto sério me assustando. Será que é tão grave assim?
― Q-quero eu quero saber, por favor me diz o que é.
― Vamos lá fora eu vou te mostrar.
Pau se levanta e pega minha mão, que está quente, suas esferas castanha escura nunca deixando meu rosto, me levou para fora do seu quarto para os fundos da sua casa.
Lá fora eu já não me aguentava de tanta ansiedade e Paul estava quieto muito quieto eu nunca o vi assim desde que o encontrei na praia semana passada.
― Fica aqui. ― Ele finalmente diz se virando para mim e em seguida se afastando e se afastando abrindo uma grande distância me fazendo sentir pior do que já estava, não quero ele longe quero ele perto de mim.
― Rachel, eu disse para você ficar. ―Me repreende, demoro uns segundo para perceber que tinha avançado em sua direção.
Paul toma mais distancia. Por que ele me quer longe?
Se abaixando tira seus tênis e fica descalço.
―Por favor tente não sair correndo. ― Seus olhos me suplicam.
―Como assim?
― Você se lembra das lendas?
Lendas?
―Sim todas elas, mas o que isso tem haver ? ― Não entendo para onde ele quer levar isso.
―Tudo. Se lembra mais especificamente da lenda dos lobos e dos frios?
Lobos? Frios?
Eu lembro a lenda que diz que descendemos de lobos e a dos frios que são bebedores de sangue. Lembro de quando meu pai contava para mim e meus irmãos das lendas da tribo quando éramos pequenos. A dos frios me apavorava, mas são apenas lendas.
―Sim, eu sei de todas elas.
―É verdade. ―Diz me deixando confusa.
Do que você está falando?
―O que a lenda diz é verdade― Ele responde aos meus pensamentos.
―Não é lenda, Rachel, é real.
Paul para de falar e me avalia com preocupação. O que ele acha que eu estou levando aquilo a sério?
―Eu não acredito que você esta brincando comigo desta maneira. Eu pensei que você iria realmente me diz a verdade e você esta tirando onda com a minha cara! ―Grito perdendo a paciência, me viro para ir embora.
―Rachel! Eu ainda não terminei. ―Ele grita de volta.
―Mas eu já terminei seu idiota. ― Rosno com raiva.
―Porra Rachel olha pra mim, por favor, me da só mais um minuto e depois se quiser pode ir embora.
Paro e me volto para ele que está no mesmo lugar, suas mãos fechadas em punho.
―Um minuto. ― Resmungo cruzando os braços.
Paul da três longos suspiros e abaixa a calça de moletom chutando a para o lado. Sua atitude me pega de surpresa e não consigo evitar de lhe checar por completo; ele está usando uma cueca preta box, suas coxas são groças e definidas como sua barriga, braços e ombros. Ele tem um corpo de atleta e fica lá parado em toda sua gloria.
―Não vou tirar a cueca não quero afetar seus olhos, não agora. ―Ele me da um sorrisinho quebrando sua expressão séria e então fecha os olhos. De repente um tremor corre pelo seu corpo descendo dos ombros até a coluna, preocupada eu dou uma passo para frente.
―Nã-ã-o― Ele diz entre os dentes com olhos ainda fechados me paralisando.
Como?
Outro tremor dessa vez mais violento e ele joga a cabeça para frente enquanto seu corpo convulsiona mais e mais. Escuto um rugido e o som de algo rasgando, é perturbador, o corpo de Paul cai para frente e em um piscar de olhos ao invés de seu corpo jogado no chão surgem patas, patas gigantes. Um lobo enorme de pelo prata escuro surgiu no lugar do Paul.
―Ha.Meu.Deus. ― Murmuro horrorizada.
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