Rachel Black

8 Castanho Escuro


Notas iniciais
Olá leitores!!! Sumi eu sei, eu sei, mas eu voltei e com um capitulo longo. HAA vão lá no TUMBLR da fic: http://fanficrachelblack.tumblr.com/ Eu coloquei umas fotos da atriz que faz a Rachel em amanhecer part 1, então se você quer ver como é a protagonista da fic vai la e vê.

Tomo um banho rápido e lavo meu cabelo para tirar toda a poeira por causa da arrumação que tinha feito no quarto. Saio correndo do banheiro e vou até o quarto do Jacob, que já tinha saído com meu pai para o jantar com Sue. Eu estava muito atrasada já era quase sete e meia e eu ainda estava enrolada em uma toalha, peguei a minha mala de dentro do armário e coloquei em cima da cama, comecei a procurar o que vestir. Odeio estar atrasada e não poder fazer as coisas com calma. Depois de muito procurar e de quase desfazer todas as minhas malas, acabo optando por usar meia calça com bolinhas pretas com um vestido floral de decotem em V preto e branco que vai até metade das minhas coxas, mesmo sendo verão, aqui a noite a temperatura tende a cair então resolvo colocar minha jaqueta de coro marrom claro; por fim ponho saltos baixos no mesmo tom da jaqueta. Me olho no espelho do quarto de Jacob e me avalio, o espelho não é de corpo inteiro, mas é grande o suficiente. Chego à conclusão de que estou bem, a roupa talvez seja um pouco demais, mas foi o máximo que consegui com toda a minha pressa. Seco o meu cabelo ainda molhado com o secador em seguida consigo fazer ondas com ele com a minha prancha, o prendo em quanto passo a maquiagem, nada muito pesado apenas contorno os olhos com um delineador preto e aplico bastante mascara nos meus cílios que faz meus olhos se destacarem, para finalizar passa um batom num tom nude e um pouco de gloss então solto o cabelo. Me avalio novamente no espelho.

Perfeita.

Penso comigo mesma no momento em que batem na porta, é ele. Saio do quarto atravesso a cozinha e sigo pelo pequeno corredor em direção a porta da frente na sala. É dada mais duas batidas na porta antes de eu abri-la.

– Apressadinho. – Digo ao abrir a porta e o vejo parado na varanda e engasgo por causa da sua aparência. Ele usava uma calça jeans escura com uma camisa branca e um casaco preto por cima e botas pretas com cadarços brancos, seu cabelo estava inclinado em um pequeno topete. A roupa era simples, porém perfeita, o deu um ar bad boy que eu não tinha percebido antes. Ele estava sexy.

Seus olhos saltaram um pouco enquanto ele me avaliava de cima a baixo e eu gostei disso.

― Oi. ― Ele deu uma risada nervosa quando eu o flagrei me avaliando.- Você está linda. ― Diz abrindo o seu sorriso torto. Sabia que estava sendo sincero pelo estranho brilho nos seus olhos.

― Obrigada, você também não está nada mal. ― Digo enquanto sorrio.

― Você acha ? ― Pergunta levando o lábio inferior entre os dentes chamando toda a minha atenção para sua boca ligeiramente corada.

― Vou pegar minha bolsa e nós podemos ir. ― Me viro e entro ignorando a sua pergunta. Pego minha bolsa pequena preta com detalhes prata me olho no espelho mais uma vez e dou uma olhada no quarto.

Jacob vai me matar.

Penso ao sair do quarto deixando toda a minha bagunça espalhada na sua cama.

― Então aonde quer ir ? ― Pergunta enquanto conduz o carro para fora de Lah Pus. Não havia bagunça no carro e até tinha um cheiro gostoso de aromatizante, ele disse que era um Nissan esportivo 2008 que seus pais o deram de presente de dezesseis anos, era usado e a tinta cinza estava lascada, mas ele não parecia se importar.

― Vamos para Por Angeles de lá a gente pensa em algo.

― Como quiser. ― diz e sorri. Durante o caminho eu o percebo me olhando pelo canto dos olhos várias vezes enquanto conversávamos.

Uma música está tocando em som baixo na rádio, logo reconheço.

― Adoro essa banda. ― Digo

― Green Day ?

― Você conhece ?― Me inclino para frente e sorrio.

― Sim. ― Responde, me olhando novamente.

― Então gosta deles ? ― estendo o assunto.

Ele franziu a testa nega com a cabeça como se aquela ideia fosse absurda.

― Não gosta deles. ― Fico chocada, eles são a minha banda favorita.

― Não curto muito o som. ― Ele encolhe os ombros.

― Como não? Ouve essa música. ― Continuo, estava tocando 21 Guns.

― Seu gosto não é muito bom. ― Ele diz tentando segurar o riso.

― Não é verdade. ― Digo lhe dando um empurrão de leve nos ombros.

― Ei. ― Ele começa a rir e eu também.

― Retira o que disse. ― Mando.

― Mandona você.

― Retira. ― Repito.

― Okay, você tem razão seu gosto não é ruim, você sabe fazer boas escolhas. Uma prova disso é você estar saindo comigo. ― Diz e desvia sua atenção por um segundo da estrada para me encarar com um olhar convencido.

― Não seja tão convencido que eu desço do carro e volto para casa agora mesmo.- digo ameaçadoramente fechando meus olhos em fendas, não sei se ele acha que sou capaz de fazer isso, mas espero que sim.

― Está bem. ― Ele ergue as mãos sob o volante, não sorri, mas eu posso ver a diversão dançando no brilho dos seus olhos, o que me faz sorri. Eu não tenho me divertido assim o que parece fazer anos e a noite está apenas começando.

― Estaciona aqui.- Digo quando chegamos em Por Ageles. ― Eu quero andar um pouco.

Ele estaciona em uma vaga em frente à um prédio comercial fechado. O lugar é um pouco escuro, desço do carro e ele também.

― Vamos. ― Digo ansiosa para passear pela cidade em que passava praticamente todos os meus fins de semana com minhas amigas, parecia que não vinha aqui a muito tempo.

― Okay, aonde vamos? ― Pergunta enfiando as mãos nos bolsos de seu casaco.

― Bem, primeiro vamos andar por aí, depois vemos um lugar qualquer. ― Disse enquanto andávamos por uma rua cheia de lojas abertas e com pessoas caminhando, o que eu mais gosto de Por Angeles é o quão viva fica durante a noite nos finais de semana.

― Então, me fala sobre você. ― Chego mais perto dele.

― Huun... O que você quer saber? ― Perguntou parecendo pela primeira vez desconfortável.

― O que você achar que eu preciso saber. ― Digo o olhando sobre meus cílios, flertando com ele descaradamente.

Ele sorri de lado e chega mais perto de mim, nossos braços se tocam enquanto caminhamos e eu não me afasto.

― Tá legal, eu moro em Lah Push. ― Diz e eu rolo os olhos, e ele ri.- Moro com meu pai, meus pais são separados, e tenho dezesseis anos.

― Não me disse nada do que eu já não soubesse.

― Você pode saber mais se nós continuarmos saindo. ― Ele sorri aquele seu sorriso e percebo que ele é muito bonito.

Levanto a sobrancelha e seu sorriso abre mais ainda. Seu olhar sobre mim é tão intenso que eu o corto e procuro algo para nos distrair deste momento.

― Ali. ― Digo apontando para um bar um pouco a nossa frente.- Nossa primeira parada da noite.

Eu costumava a ir naquele bar com a Vanessa, a fachada era horrível como sempre foi, a tinta estava velha e o letreiro estava apagado, as janelas estavam escuras e se não fosse pelos carros e motos estacionadas do lado de fora e por eu já conhecer o lugar, acharia que estava fechado ou abandonado.

― Tem certeza? Pergunta com a testa franzida.

― Não é tão ruim quanto parece. ― Digo e pego sua mão e dou um leve puxão, ele olha para baixo surpreso com a minha atitude e solto sua mão num gesto rápido, sem pensar.

― Vamos logo.― Começo a andar em direção do bar não ouço ele me seguir, mas logo percebo que está ao meu lado.

― Tenho que admitir que por dentro até que não é tão ruim assim. ― Ele diz quando nos sentamos no balcão, preferimos não pegar uma mesa.

Seus olhos varriam todo o bar.

O lugar não era realmente ruim, sua fachada escondia o que ele era por dentro. Quem o decorou tentou dar ao lugar um ar rustico, o balcão e as cadeiras eram de madeira gasta mais ainda em boas condições assim como as mesas, as cadeiras que acompanhavam as mesas eram todas vermelhas, havia uns barris no canto e uma mesa de sinuca no outro, a iluminação era amarela que combinava com o lugar e o deixava confortável.

― Eu te falei.

― Rachel! ― alguém me chama tirando minha atenção do Paul. Era o Rick, o dono do lugar que estava atrás do balcão.

― Fala aí, Rick. ― digo lhe dando um High-Five. Rick era um homem grande da forma de um lutador de sumô, ele tinha os braços fechados de tatuagens e seu rosto estava sempre suado como estivesse acabado de terminar uma corrida.

― Você e suas amigas me abandonaram. ― acusa e tira uma toalhinha do bolso e enxuga o rosto.

― É verdade, mas estou aqui para te perturbar de novo.- Digo sorrindo e ele dá uma risada em resposta.

― Quem é este seu amigo? ― Pergunta olhando de relance para o Paul, que estava calado apenas nos observando.

― Este é Paul, Paul este é Rick dono de toda está porcaria. ― Digo gesticulando para o lugar.

― Prazer. ― Paul diz e Rick dá um pequeno sorriso.

― Agora chega de conversa e vai trabalhar, traz a bebida de sempre para mim― me viro para o lado voltando minha atenção para o Paul e dou um sorriso fechado- o mesmo para o meu amigo aqui.

Rick olha entre eu e Paul e eu bato palmas dizendo para se apressar, ele se vira para buscar nossa bebida.

― Então vamos ficar aqui nesse bar a noite toda ?― Paul pergunta, suas sobrancelhas franzidas quase se unindo.

― Você já quer ir? ― Eu não queria ir, não agora, precisava beber um pouco sentir o álcool nas minhas veias, só assim vou conseguir realmente aproveitar a noite.

― Não, só não quero ter que ficar aqui a noite inteira. ― Diz e eu percebo ele arrastar de leve o seu banco para mais próximo do meu.

É eu vou precisar de uma bebida.

Rick finalmente coloca dois copos pequenos na nossa frente e entorna o liquido marrom bem claro dentro deles.

― Não se preocupe, como eu disse está é apenas a nossa primeira parada.- Digo olhando nos seus olhos, devolvendo seu olhar intenso. Ele pega seu copo e arqueia sua sobrancelha em questionamento.

― É licor― respondo me referindo à bebida e rolo os olhos.

― Vamos lá não me diga que você só bebe refrigerante. ― Minha voz era puro deboche.

― É claro que não, eu pego bebida do meu pai como qualquer adolescente normal. ― Ele se gaba e depois volta seu olha para o Rick que ainda estava lá parado prestando atenção na nossa conversa.

Sempre enxerido.

― Não se preocupe com esse aí. ― Digo mal olhando para o cara corpulento atrás do balcão. ― Ele não se importa se nós ainda não temos vinte e um, o que importa para ele é o lucro que vamos lhe dar, porque outro motivo você acha que eu viria a essa espelunca. ― Continuo mal me importando de estar menosprezando o lugar na frente do dono. Me viro para Rick e lhe dou um sorriso rápido fechado.

― Você pode ir por agora. ― Falo e ele saiu resmungando algo como ‘’não mudou nada’’ e ‘’afiada como sempre’’.

― Você tem razão― Paul diz e levanta o seu copo. ― Um brinde.

Franzo o a testa em questionamento, mas levanto o meu copo também.

― A nossa noite. ― Disse prolongando a palavra nossa como se houvesse um maior significado. Seu olhar cada vez mais intenso me deixando desconfortável.

― Que está apenas começando. ― Completo sua frase e nossos copos se colidem antes de entornarmos nas nossas bocas, o sabor é doce a bebida é forte e desce queimando de leve, mas a sensação é bem-vinda e logo anseio por mais.

― Mais uma rodada! ― Grito para o Rick ouvir.

Me viro para o Paul e ele estar sorrindo, o sorriso é largo e seus olhos se fecham um pouco, ele aproximou seu banco mais ainda, antes que eu possa controlar sorrio igualmente de volta.

...

Quatro rodadas de licor depois eu e Paul estamos na mesa de sinuca tentando jogar, o que não está dando muito certo porque nenhum de nós dois sabe jogar e o álcool já tomou conta do meu sistema, ele, no entanto ainda está sóbrio. Nós conversamos e rimos enquanto tentávamos encaçapar as bolas nos buracos.

― Aí chega! ― Grito em meio a uma gargalhada enquanto cento em cima da mesa depois de uma última tentativa furtiva de colocar uma bola no buraco.

― Desisto.

― Vou deixar você desistir porque é péssima na sinuca. ― Diz se encostando na mesa ao meu lado.

― Não vai achando que você é bom, só ganhou de mim porque eu estou um pouco bêbada.

― Da próxima vez vai ser eu e você sóbria, e eu vou provar o que estou dizendo. ― Diz e se movendo para ficar de frente para mim.

― Okay, Okay. Mas agora vamos embora eu não aguento mais ficar aqui e escutar essa música country horrível. ― Reclamo da música que tem tocado desde que resolvemos jogar sinuca.

― Tá legal, eu vou pagar as bebidas e já volto. ― Ele diz, sorri e vai apressado em direção ao balcão onde está o Rick e os seus funcionários.

Desço da mesa e caminho em direção a porta de saída e aguardo o Paul voltar. Percebo alguns olhares sobre mim de uns homens sentados em uma mesa próxima, mas não me incomodo, eu me acostumei com esse tipo de atenção. Um deles, com cabelo castanho escarolado e barba por fazer, está me encarando fixamente me tirando de cima abaixo mesmo depois de eu ter flagrado seu olhar ele não desviou os olhos de mim.

Não vi o Paul se aproximar, apenas sinto suas mãos em torno da base minhas costas.

― Vamos embora. ― Sua voz está um pouco tensa, quando olho para ele percebo que ele está olhando na direção do cara de cabelo encaracolado que logo devia o olhar até se vira um pouco para o lado em sua cadeira.

Seu rosto está sério sem nenhum sorriso. Mesmo estranhando seu gesto íntimo não me afasto apenas concordo com a cabeça e saímos do bar.

Caminhamos por alguns minutos sem um rumo certo quando ele quebra o silencio.

― Aquele cara estava de olho em você. ― Ele começa sua voz não estava tensa como antes, mas não havia traço de brincadeira e humor mais.― não só ele, uns outros também.

― Eu sei eu, percebi. ― Eu disse observando para seu rosto tentando entender sua mudança de humor repentina.

A cada rua que passávamos a cada esquina que virávamos estava ainda mais lotada de gente do que a outra.

― Eu não os culpo no seu lugar eu olharia também, eu estava olhando... ― Ele diz e observa com aquele seu olhar de novo.

― Eu só não gostei. ― Ele completa baixinho tão baixinho que por um momento eu me pergunto se eu não tivesse imaginado e depois corta contato visual comigo.

''Eu só não gostei''. Ele disse. Será que ele tá... Ele tá com ciúmes... De mim? Cheguei a essa conclusão somando sua frase com e sua repentina mudança de humor.

Eu começo a rir e ele me pergunta o porquê eu apenas balanço com a cabeça e continuamos a andar.

― Você está com fome? ― Ele pergunta enquanto passamos por uma rua cheia de restaurantes e lanchonetes.

― Sim, eu não como nada há horas.

― Vamos ali então. ― Ele diz apontando para um pequeno restaurante com letreiro em neon vermelho. ― Comida mexicana que tal ?

― Tudo bem. ― Caminhamos pela calçada em direção ao restaurante que tinha um grande cartaz prometendo o vender o melhor taco da região, o local era simples e não estava muito cheio. Fizemos os nossos pedidos e pedimos para embrulhar pois tínhamos decido não comer ali. Sentamos em uma mesa enquanto esperamos a comida chegar, Paul puxou a cadeira para sentar ao meu lado ao invés de ficar em frente a mim. Conversamos amenidades como sobre o restaurante, as pessoas ali, Lah Push, a faculdade. Todo esse tempo ele não tirava os olhos de mim nem quando um barulho alto de panelas caindo veio do que parecia ser a cozinha do lugar. Sempre que eu perguntava alguma coisa sobre ele, ele rapidamente respondia e desviava o foco dele e voltava com perguntas sobre mim; teve momentos em que me encontrei tão entretida na conversa que esquecia que estava em um restaurante e na presença de outras pessoas só era lembrada disso quando ouvia passos das pessoas caminhando ou quando as vozes ficavam muito altas. Eu esqueci que alguns dias atrás a presença dele me irritava, mas agora era um diferente, o modo como me olhava, como sempre procurava um jeito de preencher o silêncio querendo que eu dissesse algo, quando sorria, o seu sorriso de lado, seus olhos se fechavam um pouco e o dava um ar infantil e brincalhão, sempre esbarrando em mim propositalmente.

Quando os nossos pedidos chegaram pegamos as sacolas com os nossos tacos e saímos para a rua movimentava de Port Angles.

― Sei um lugar onde podemos ir agora, é perfeito com certeza não deve ter ninguém lá, melhor do que ficar aqui cheio de gente.- Disse e ele, assenti com a cabeça.

― Onde é este lugar? ― Pergunta enquanto andamos pela calçada.

― É um cais, é um pouco longe daqui, mas quando você chegar lá a caminhada vai ter valido a pena. Podemos ir de carro se quiser.

― Não, se você prefere ir de andando por mim tudo bem. ― Diz e dá de ombros.

Continuamos andando e passamos por uma loja de bebidas e comprei um vinho com certa relutância do vendedor por eu ser menor de idade, mas foi só eu dar um sorriso malicioso e pagar um pouco a mais e ele se convenceu em me vender.

― Você viu a cara do babaca ? ― Paul falou parecendo um pouco chateado. ― Tava quase babando em cima de você, nem me percebeu do seu lado, não sei porque demorou tanto para te vender o vinho na verdade sei sim queria sua atenção. ― seu rosto mostrava todo a irritação que sua voz transmitia e sua mão fazia gestos no ar enquanto falava.

― Calma aí não é pra tanto. ― Digo rindo dele.

Ele olha para mim ainda chateado.

― Para de rir de mim.

Ri mais uma vez só porque me pediu para parar.

Ele solta um longo suspiro olha para frente e passa os dedos nos cabelos da nuca.

― Estamos chegando? ― Pergunta minutos depois, sua voz agora era neutra.

― Sim. ― Digo enquanto entramos em uma rua um pouco escura e com ninguém nela, andamos mais um pouco e conseguimos avistar o mar aberto e algumas sombras ao longe que eu imaginei ser barcos na água. Por todo o cais tinha postes com luzes que o iluminava até o seu final ele era um pouco alto e todo de madeira. Chegamos mais perto e caminhamos por ele.

― Ual! ― Paul exclamou ao meu lado e não foi atoa o, o céu estava lindo sem nenhuma nuvem e cheio de estrelas dando a certeza de que amanhã o tempo seria bom de novo. Era por isso que eu amava o verão.

― Valeu a caminhada? ― Rio olhando para ele.

― É claro que valeu. ― Ele sorriu de volta.

Andamos até quase o final do cais quando paramos e sentamos, me encostei na proteção de madeira ele ficou de frente para mim e tirou os tacos da embalagem e me deu um, logo dei uma grande mordida e ele também.

― Huun.. ― Disse enquanto mastigava e depois engoli. ― Ou eu estou com muita fome ou aquele restaurante vende o melhor taco da região.

― Você está com muita fome. ― Paul responde e dá mais uma mordida e acaba com o seu primeiro taco enquanto o meu ainda estava na metade.

― Sendo um taco ruim você até que está comendo com bastante vontade né? ― Digo quando ele pega mais um taco.

Ele mastiga e engole.

― Eu não disse que é ruim, só disse que não é o melhor. ― Responde e deu, mas uma mordida e eu fiz o mesmo.

Peguei a garrafa de vinho tirei o lacre e o Paul me ajudou a tirar a rosca. Peguei a garrafa e dei um gole e o ofereci.

― Acho melhor não eu já bebi o suficiente e tenho que voltar dirigindo.

― É verdade. ― Respondi e dei mais um gole. O sabor era bom doce, o cheiro era forte e gostoso.

― Então... ― Paul começou a dizer.― você tem namorado?

A pergunta dele me fez engasgar com a bebida e eu tossi um pouco. Lembrei do Ethan e meu bom humor foi embora.

― Se eu tivesse namorando eu não estaria saindo com você.

Respondi secamente.

― Desculpa eu não queria te ofender . ― Ele disse, com um olhar para o seu rosto eu vi que ele estava realmente arrependido pela pergunta e eu me senti mal pelo o jeito que o tratei.

Ficamos em silêncio por um tempo.

― Você está brava comigo ?― Pergunta e eu nego com a cabeça e ele pede desculpa outra vez.

― Eu sei que você não queria ter me ofendido, desculpa por ter te respondido daquela maneira. Eu não estou brava com você só estou chateada. ― Digo e dou mais um longo gole de vinho, quando ele abre a boca para dizer alguma coisa e o interrompo.

― Não estou chateada com você, estou chateada comigo mesma.

Ele franze a testa.

― Eu não entendo.

O vinho já tinha subido para minha cabeça e eu já estava vendo um pouco embaçado, quando voltei a fazer minha voz saiu arrastada.

― É que sua pergunta me fez lembrar do meu ex–namorado, eu estou chateada comigo mesma por ainda me sentir mal por causa dele. ― Digo com a voz um pouco embargada, ele permanece em silêncio me observando e não faz nenhuma pergunta e eu silenciosamente o agradeço por isso.

Ele se move para se sentar ao meu lado pega o taco que eu estava comendo da embalagem que estava no meu colo e come.

― Hey!

Protesto, mas ele continua a comer o recheio de carne moída escorre o sujando ele tenta se limpar com a mão, mas acaba fazendo uma bagunça ainda maior. Eu rio dele me esquecendo do que tinha acontecido antes.

― Merda. ― Ele resmunga e eu rio mais ainda.

Eu pego os guardanapos que estavam dentro da embalagem e estendo para ele. Paul limpa as mãos e esquece da boca que está toda suja, então pego outro guardanapo e ao invés de dar para ele eu fico de joelhos me inclino um pouco sobre ele e limpo os contos de sua boca.

Ele ficou parado olhando nos meus olhos e eu também só desviando para olhar para os seus lábios que de repente são incrivelmente atraentes. Fui me aproximando e então aconteceu tudo muito rápido quando dei por mim nossas bocas se colidiram uma com a outra, seus lábios eram surpreendentemente macios, Paul fica paralisado surpreso sinto sua respiração acelerar, sua língua acaricia meu lábio pedido passagem então minha boca se abre e ele me invade, nossas línguas dançam em sincronia e sinto um gosto doce de uísque em seu hálito. Suas mãos descem para o meu quadril e ele coloca em seu colo, querendo ele ainda mais próximo minha mão vai até sua nuca e se fecha em seus cabelos trazendo-o para mim enquanto a outra descansa em seu peito, escuto um escapar da sua boca gemido e isso faz meu coração acelerar. Nossas bocas se separam e quando estou prestes a protestar ele diz meu nome baixinho e começa a espalhar beijos pelo meu pescoço e clavícula, minha respiração acelera e sinto minha pele arder onde sua boca e língua encosta. Não conseguia alinhar meus pensamentos, muitos sentimentos passavam por mim naquele momento e eu não conseguia raciocinar, não com a boca dele na minha e seus dentes puxando de leve o meu lábio inferior, suas mãos descendo e subindo nas minhas costas, nossas respirações aceleradas e meu coração batendo acelerado; fazia muito tempo que eu tinha beijado alguém, o último foi o Ethan.

Com esse pensamento minha mão deixa o cabelo do Paul se move para o seu peito e a empurra na tentativa de o afastar, mas ele não se move. Sua boca volta para o meu pescoço ele suga de leve a minha pele e eu quase deixo ele continuar, mas o meu transe já passou eu estou consciente.

― Paul. ― Consigo dizer, mas minha voz sai baixa e rouca.

Ele continua, segura a minha cabeça fazendo-a tombar de lado e continua a espalhar beijos, um gemido involuntário sai da minha boca.

― Paul... Você. ― Tento dizer alguma coisa que faça sentido, mas não estava conseguindo.- Paul, para.

Minha voz ainda está fraca e ele continua.

― Paul! ― Digo com mais clareza e minha voz sai firme, o impuro com mais força.

Ele para e solta o meu cabelo suas mãos caem ao meu lado e ele fita meu rosto com respiração ofegante e eu faço o mesmo, continuando ainda em seu colo incapaz de me mexer pois minha cabeça girava porque estava bêbada e por causa dele.

‘’O que foi isso?’’ Pensei confusa.

― Desculpa, não devia ter feito isso. ― Não consigo dizer se aquilo era verdade, se estava arrependida mesmo.

― Não precisa se desculpar. ― Ele pega meu rosto com a as duas mãos e me beija, não como antes desta vez foi mais suave e rápido.

Faço um barulho com a garganta e constrangida por ainda estar em seu colo me levanto rápido demais e acabo cambaleando quase caio, mas ele me segura.

― É... Eu acho melhor a gente voltar.

Ele levanta também e recolhe as embalagens e a garrafa. Saímos do cais em um silêncio desconfortável e continuamos assim até chegarmos onde deixamos o carro. Na viagem de volta não falamos nada, ele apenas ligou o som e eu encostei minha cabeça contra a janela perdida em meus pensamentos confusos. Não estava arrependida do que aconteceu, a verdade é que eu tinha gostado o que me deixava confusa foi o que senti no momento, o prazer misturado com alívio como se inconscientemente estivesse esperando que aquele momento chegasse. Isso me pegou despreparada, não o beijo, pois eu planejei que isso acontecesse desde quando o chamei para sair, esse era o plano para esquecer o Ethan, eu iria usar o Paul para esquecer o meu ex mas sem rolar sentimento e provar para mim mesma que posso seguir em frente.

Paul desliga o rádio e percebo que já estamos em frente à minha casa e que também era hora de quebrar o silêncio. Vejo o carro do meu pai estacionado e a casa todo apagada, eles já deveriam estar dormindo já passam das duas da manhã.

― Eu me diverti bastante esta noite. ― começo, eu estava nervosa por isso a voz sai baixa.

― Eu também ainda mais o nosso beijo. ― Ele diz chegando mais perto, ele põe meu cabelo atrás da orelha e sua mão vai para minha nuca quando ele está prestes a me beijar e viro minha cabeça para o lado.

― É melhor eu ir já está tarde.

Tiro o cinto e abro a porta quando sua mão me para.

― Espera.

Solto um suspiro e volto a fechar a porta, mas não digo nada espero ele começar.

― Você está chateada?

Olho para seu rosto que está meio escondido pela falta de luz.

― Não.

― Tá arrependida? ― Diz e percebo um pouco de receio em sua voz.

― Não, não. Eu gostei.

Ele abre um largo sorriso branco e eu sorrio de volta.

― É melhor eu ir.

― Me dá seu número.

Ele pede já pegando seu telefone, não me sinto muito à vontade sobre isso então êxito um pouco.

― Melhor fazermos assim: você me dá o seu número e eu te ligo.

― Você adora estar no controle não é mesmo? ― Ele pergunta com voz brincalhona.

― Só me dá o seu número. ― Digo e estendo o meu celular, ele salva seu número e me devolve o aparelho nos despedimos. Saio do carro cambaleando um pouco ainda sobre o efeito do álcool e com sorte entro dentro de casa sem cair e derrubar nada. Na sala me deparo com minha cama já feita no chão e agradeço internamente meu pai por isso, não sei se no meu estado teria forças para encher um coxão de ar. Tiro os meu saltos e caminho na ponta dos pés para não fazer barulho até o quarto do Jacob, mas esbarro em algum móvel no caminho e cai alguma coisa que não sei o que é por causa da escuridão.

― Merda! ― Xingo baixinho

Entro quarto e percebo que a cama do meu irmão está vazia.

Pego minha roupa de dormir e vou para o banheiro, tomo um banho e deito na minha cama improvisada com os meus pensamentos no Paul, na intensidade dos seus olhos castanhos escuros, não sei a que momento os pensamentos viraram sonhos.

Naquela noite sonhei com seus olhos e nosso beijo.

Notas finais
O que acharam ? Comentem, comentem !!!