Notas iniciais
Oii mais um capítulo para vocês e para compensar a longa demora ainda hoje de lá pelas 23H ou amanhã eu posto outro capítulo. Boa leitura!

Despertei duas vezes naquela madrugada. A primeira foi quando Jacob chegou, ele estava fazendo barulho com panelas e atacando a geladeira, reclamei alguma coisa em uma língua irreconhecível pois estava meio que dormindo e ainda bêbada. Já a segunda vez que fui acordada foi pelo meu pai e já era dia, ele me sacudiu ficou falando, falando e aumentou o volume da tv. Ele queria que eu saísse do meio da sala dele alegando que já tinha passado das dez da manhã e eu devia levantar porque blá blá blá. Me dei por vencida e levantei bufando em direção pequeno corredor e entrei na primeira porta que vi e me joguei na cama. A terceira vez que acordei foi por causa da dor na minha cabeça que por mais que eu tentasse ignorar e voltar a dormir ela não parava só piorava, era a famosa ressaca anunciando a sua chegada.

Levantei com muita preguiça e mesmo tendo levantado muito lentamente o quarto todo rodou ao meu redor, demorou uns segundos para minha visão focar e eu notar em qual cômodo da casa eu estava. Era o quarto do meu pai e não o do meu irmão para onde eu me abriguei depois de ter sido expulsa da sala. Fui me arrastando até a cozinha com a cabeça prestes a explodir a boca seca como se eu não bebesse água há anos um hálito horrível e uma enorme vontade de voltar para cama e não falar com ninguém.

Entrei na cozinha e dei de cara com o Jacob.

― Sua cara tá péssima. ― Ele olha para minha com cara de decepção e balança a cabeça de um lado para o outro. Ele só quer me provocar, eu sei disso, mas eu não estou bem para entrar na dele.

―Não enche. ― Vou andando até a geladeira e pego uma garrafinha de água e bebo tudo com a maior vontade. Me sento na mesa cansada de sustentar meu corpo em pé.

―Pega um remédio para a minha dor de cabeça, por favor. ― . Peço com a voz manhosa e o encaro.

―haaa para pedir você é toda mansinha né? ― ele volta a provocar, mas sai em direção ao banheiro onde guardamos os remédios.

Ele volta logo e me entrega um comprimido branco, agradeço e logo tomo. Deito minha cabeça mesa e espero a dor diminuir.

― Como que foi ontem seu encontro com o chato do Paul? ―

Perguntou caminhado até o balcão pegou uma garrafa térmica e despejou o café em uma xícara.

―Você quer mesmo saber? ― Ele voltou para a mesa puxou uma cadeira para sentar e me passou a xícara que aceitei de bom grado.

Meu irmão franziu a testa unindo as suas grossas sobrancelhas e pensou antes de responder.

― Não, acho que não. ― Ele fez uma careta que se eu não estivesse tão mal teria dado uma risada.

Dei um gole no café que estava morno.

―Foi legal, Paul é engraçado.―

― Paul é um chato― Ele rebate.

Não respondo só balanço minha cabeça de um lado para o outro.

―O que vocês fizeram? ― Ele tenta parecer indiferente, mas eu o conheço o suficiente e sei que ele está curioso.

―Não é da sua conta. E eu pensei que você não quisesse saber. ―

Respondo e minha mente viaja para a noite passada, para quando eu e Paul fomos para o cais. Lembro de quando o beijei da, minha surpresa em perceber o quão macio os seus lábios era, a maneira como segurava meus cabelos, como nossos corpos se encacharam e a sensação maravilhosa que era ter sua boca passeando pelo meu pescoço.

Sinto meu corpo esquentar com essa lembrança e sinto como se tivesse aumentado uns dez graus aqui.

―Bem, estou vendo que se mau humor voltou, então vou indo. ― Ele levanta, e eu vejo que está sem camisa só vestido com uma bermuda jeans.

―Aonde você vai?

―Não é da sua conta. ― Ele repete o que eu tinha dito dá um sorrisinho e sai da cozinha. Escuto ele falando alguma coisa com o meu pai que está na sala.

Minha barriga ronca porque eu não comi nada a manhã toda. Olhei para o relógio em cima da geladeira e vi que já se passava dá uma da tarde. Levantei e abri a geladeira, encontrei um prato de comida pronto tampado, peguei e o levei até o micro-ondas. Me encosto contra o balcão e espero a comida esquentar. Quando fica pronto pego a prato e vou até a mesa e fico lá até terminar de comer. Meu pai entra na cozinha e comenta o quão tarde eu cheguei ontem, é claro que ele não ia deixar passar, as vezes ele esquece que eu já sou adulta.

Saio da cozinha o deixando sozinho e vou até o banheiro para fazer minha higiene. Coloco uma roupa confortável para ficar em casa, só um short de algodão e uma camiseta qualquer que fica justa demais no meu busto, mas ninguém iria vir aqui em casa para me ver nessa roupa horrível que deixa meu corpo todo exposto, eu acho.

Passo o resto do dia assistindo tevê com meu pai até que o meu celular toca e eu atendo sem ver quem era.

―Alô. ― Digo enquanto saio da sala e caminho até a varanda da frente.

―Amigaaaaa! ―Uma familiar voz aguda grita do outro lado da linha. Sinto meu corpo congelar por um tempo de tanta surpresa que senti, eu não escutava aquela voz á muito tempo. Era a Vanessa.

―Vanessa? ― Pergunto mesmo tendo certeza que era ela. Seria capaz de reconhecer aquela voz em qualquer lugar, a qualquer hora.

―Claro que sou eu, Vanessa, quem mais seria? Senti tanto sua falta, eu ia te ligar mais cedo, mas eu estava tão ocupada destrancando minha matricula na faculdade e a Evie e a Isabel na não me deixaram sozinha um minuto desde que pisei no campus. Tenho tanta coisa para te contar e as meninas me contaram sobre você e o Ethan, ah Rach eu sinto muito por você ter passado por isso e eu tão longe, mas por que você não me ligou...

E Vanessa desatou a falar e falar tudo de uma vez só sem parar para o recuperar o fôlego pulando de um assunto para o outo se enrolando nas palavras e me deixando confusa. Eu não dizia nada só escutava, estava em choque com sua ligação repentina depois de um ano inteiro nos comunicando através de e-mails e cartões postais.

―Alô? Rachel você ainda está aí? ― Sua voz me chama me trazendo de volta a realidade.

―Sim... Er... Oi, para você também.

―Eu sei falei demais― Ela dá uma risadinha.

Saio da sala e vou até a varanda me sento na cadeira levanto os meus pés e dobro os joelhos.

―A Evie tinha me contado que você estava na cidade, mas eu não sabia que você iria voltar a frequentar as aulas. ― minha voz sai um pouco baixa sem emoção o que não traduz como estou por dentro pois estou com os sentimentos bagunçados mudando a cada momento. Iam desde surpresa para saudade depois felicidade e por fim raiva, isso tudo desde o momento em que ouvi sua voz.

―É eu vou começar no próximo semestre.

Silêncio.

―Rachel?

―Sim―Minha voz ainda sem emoção.

―Porque você não me contou sobre o Ethan? ― Perguntou com receio.

Porque você não estava aqui. Era o que eu queria dizer, mas não disse.

―Porque achei que não iria se importar. ― Agora minha voz tinha emoção e muita, era mágoa.

― Como assim? É claro que eu iria me importar eu me importo com você Rachel.

Ela também parecia magoada o que me irritou ela não tinha razão para isso, eu sim. Parece que todos que eu amo uma hora vai embora da minha vida. Primeiro minha mãe depois a Rebecca, a Vanessa e agora o Ethan. Os próximos da fila são meu pai e Jacob.

―Rachel...

―Eu não quero discutir agora― Eu a interrompo não deixando terminar de falar.

―Okay, semana que vem eu vou estar em Foks e...

―O que você vai fazer aqui.

―Eu tenho família aí também você se esqueceu? Eu quero ver minha mãe e ela está me cobrando uma visita e tal.

Não respondo.

― Eu vou desligar, quando eu chegar aí a gente se fala.

―Tá legal, tchau.

Desligo o telefone antes que ela desista de deligar e continua a conversa.

É Rachel agora é real, a Vanessa voltou.

Eu penso comigo mesma, e mesmo estando magoada com ela por ter ido embora um ano atrás e ao invés de ficar comigo na Universidade curtido juntas o que a vida tinha para oferecer, ter escolhido se mandado para Inglaterra, não consigo deixar de me sentir feliz por saber que ela estava de volta.