Notas iniciais
E aí gostaram do capítulo anterior? Como o prometido aqui está a continuidade, aproveitem e boa leitura.

―Tudo pronto. ―Paul coloca o tabuleiro com o frango assado na mesa.

―Tenho que admitir. Até que está bonitinho. ―Dou de ombros e Paul sorri enquanto retira a luva de cozinheiro.

―Apresentação nota dez?

―Sim, mas o que o importa é o sabor.

―Então vamos comer logo...Arrg, droga! ―Ele grita e joga a cabeça para trás.

―O que foi? ― Pergunto e logo depois escuto o som de chaves vindo da sala.

―Meu pai.

―Ah! ―Esqueci que uma hora alguém ia chegar. Lamento silenciosamente também.

―Achei que teríamos mais tempo sozinhos. ―Paul se desculpa ao mesmo tempo que a voz do seu pai invade a casa.

―Paul?

―Na cozinha!―Ele responde com a voz chorosa.

Começo a me sentir incomodada por estar aqui com o Paul. O que o pai dele vai pensar ?

―Impossível ficar na casa do seu avô. Ah! Foi só eu chega lá que ele sentou do meu lado e ficou alugando meu ouvido falando mau da família inteira!

Paul rolava s olhos enquanto ouvia a reclamação do pai que veio pelo corredor até que ele entrou na cozinha. Ele parou e me olhou um pouco surpreso.

―Ah,oi?! ― Ele me cumprimenta um pouco confuso, franze a testa e suas sobrancelhas quase se unem do mesmo jeito que o seu filho faz.

―Olá, sr. Lohete.―Sorrio timidamente e me mexo desconfortável na cadeira

―Deixa essa coisa de ‘senhor’ pra lá, ainda não estou tão velho, pode me chamar de Joseph.

Joseph abre um sorriso e adentra mais a cozinha. Ele é alto, não tão alto quanto Paul, mas ainda mais alto do que eu. Os dois se pareciam muito, o mesmo tom de pele, mesmo sorriso, só os cabelos que já estavam um pouco brancos e os olhos que apesar de terem o mesmo formato eram mais claros do que o do filho.

―Joseph. ― Digo um pouco mais confortável com a receptividade dele.

―Como você está mudada Rachel, mais bonita é claro.

Ele pega na minha mão e dá um beijo me deixando um pouco tímida, só um pouco.

―Obrigada.

―Uma pena que não posso dizer o mesmo do meu filho.

Joseph faz uma careta quando olha para Paul e balança a cabeça.

―O tempo não fez tão bem a ele quanto a você. ―Ele continua dizendo com um fingido pesar e eu começo a rir.

―Paai! ―Paul resmunga.

―Eu sei filho, o mundo não é justo com todos, já te falei isso. ― Joseph responde com um dar de ombros e eu caio na gargalhada.

―Ok,Ok. Já chega de piada com a minha cara, podemos comer ? ―Paul fecha a cara enquanto arrasta cadeira e para se sentar ao meu lado.

―Huun... Você fez a janta? ―Joseph pergunta com uma cara divertida.

Paul acena com a cabeça com um olhar resguardado.

―Nossa menina. ―Joseph se vira para mim.―Você chegou mal tem um mês e garoto aqui já faz jantares e tudo!

Ele finge espanto e aponta para a mesa posta á nossa frente.

―Pensei que isso era costume aqui. ― olho para Paul, cuja a carranca tinha aumentado.

―Bem, não é. ― Joseph se senta conosco. ―Parece que alguém está tentando te impressionar.

Ele encara para filho com uma expressão engraçada.

―Vamos por favor só comer! ―Paul meio implora, meio manda.

Faço meu prato e dou uma garfada no frango.

―Huuuun... ―Joseph geme e Paul rola os olhos em desgosto.

―Huuuun... ―Faço o mesmo entrando na sua brincadeira de ‘vamos irritar o Paul’.

― Podia estar pior. ―Finalmente digo e Joseph concorda comigo.

―Ah, dá pra parar vocês dois! Está uma delícia que eu sei.

―Está comestível, não se garanta tanto. ―Corrijo.

―Eu me garanto. ― Ele afirma com um sorrisinho provocador no rosto.

―Bem, já acabei. Vou me recolher. ―Joseph anuncia minutos depois e se levanta.

―Graças a Deus. ― Pau sussurra alto, mas seu pai ignora voltando sua atenção para mim.

―Foi um prazer revela, Rachel. ―Ele sorri um sorriso idêntico ao do filho. Eles são muito parecidos.

―Meu também. ―Sorrio e ele se vira para o Paul.

―Filho. ―Joseph pausa e olha entre eu e Paul. ―Não me decepcione.

―Arrg, saí daqui! ― Paul esbraveja quando seu pai já estava saindo da cozinha, ainda conseguimos ouvir sua risada.

Paul inspira e depois solta o ar, olha para mim para depois abaixar a cabeça e sacodi-la.

―Me desculpe por isso. ―Ele finalmente diz.

―Eu amei seu pai―Digo com um grande sorriso.

―Você amou foi ver ele me envergonhado, isso sim.

―Não posso discordar..

Paul se levanta e começa a recolher os pratos da mesa, minha boa educação me obriga a ajuda-lo. Fazemos tudo em um silencio confortável; ele lava e eu seco.

―E aí, eu to aprovado ?. ―Paul pergunta quando terminemos.

―Sim. ―Digo e ele sorri todo convencido de si. ―Eu consegui mastigar, engoli e até agora não vomitei.

―Você nunca vai admitir o quanto sou bom né? ― Paul se aproxima de mim e apoia suas mãos na pia ao lado do meu corpo me deixando presa sem escapatória. É quase como da vez em que estávamos na cozinha da minha casa, só que agora é diferente eu não vou recuar e não é porque não posso, é que não quero.

―Você é bom, em algumas coisas. ―Rebato pouco consciente sobre o que estávamos falado, totalmente hipnotizara pelo seus olhos.

―Tipo nisso? ―Paul crava sua mão no meu cabelo pela nuca e puxa com a força necessária para fazer meu corpo arrepiar.

―Hunrhum. ―murmuro ele ri, seu rosto muito perto do meu pescoço faz com que sua gargalhada faça minha respiração aumentasse. Eu tento me afastar mas não consigo

―Seu corpo. ―Ele beija meu pescoço,sua é voz baixa. ―Responde a mim tão facilmente.

Paul alisa o meu braço, sua mão pousa na minha cintura e ele me trás para mais perto.

―Tá toda arrepiada e sua respiração ta mais forte, aposto que está toda molh―

O interrompo beijando-o. Um beijo forte, rápido e urgente. Ficamos assim por um bom tempo.

―Acho... melhor eu ir...Embora. ―Digo quando finalmente acabamos de nos beijar

―Para de ficar dizendo isso, quer fugir de mim ?

―É que...―

―O que tem te esperando em casa? Seu pai e talvez Jacob. ―Paul me guia para sala enquanto tenta me convencer a ficar.

―É com meu pai mesmo que eu preciso conversar, sabe, sobre toda essa loucura. ―Gesticulo para ele que apena ri.

―Você pode adiar essa conversa para daqui algumas horas. ―Ele se senta no sofá me levando junto. Ouço o inconfundível barulho de chuva batendo no telhado.

―É acabou de começar a chover então é para você ficar mesmo.

Concluiu me dando aquele sorriso arrogante .

―Bem que eu tava estranhando esse tempo seco.―Suspiro―É o verão oficialmente acabou.

Paul pega o controle da televisão e á liga.

―Já tá na hora de eu ir para Seattle e brincar de ser adulta. ―Quando termino de falar Paul me encara com o uma expressão assustada.

―Ir para Seattle, como assim? ―Sua voz um pouco elevada.

―Sabe, ir embora.

―Você vai sair da cidade? Quando? Por que ? Pra que pressa você acabou de chegar. ―Paul fala rápido as palavras se atropelando uma na outra.

― Eu preciso ir minha vida está toda lá agora, meus amigos o meu emprego e o meu apartamento. ―Enquanto respondo Paul me fita com o rosto angustiado.

―Quando você vai ? ―Ele finalmente fala depois de um minuto calado.

―Não sei, daqui uma semana ou duas.― Dou de ombros e puxo meu cabelo para prende-lo em um coque, olho para televisão e está passando um episodio de Friends.

―Você tem mesmo que ir ? Não pode ficar por mais tempo? ―Paul vira o meu rosto para eu olha-lo.

―Não.

―Ual! ―Ele ergue as sobrancelhas eu espanto.

Pra que todo esse drama?!

―Vou ter que te responder tudo de novo? ―Digo já sem paciência para aquela conversa.

―Eu só queria que nós tivéssemos mais tempos juntos. ―Paul passa a mão pelo rosto e solta um suspiro frustrado.

―Vamos aproveitar o tempo que temos agora. ―Me inclino sobre ele e dou um beijo na sua bochecha.

―Só que eu quero mais. Você vai para Seattle e vai seguir com sua vida...

―Sim.

―Eu quero ser parte da sua vida, Rachel. ― Paul me encara. Novamente aqueles olhos castanhos me fuzilando com uma intensidade desconcertante.

―Como assim? ― Desvio do olhar dele que me deixava inquieta de um jeito perigoso, mas ele voltou a puxar meu rosto me obrigando a encara-lo.

―Quero algo mais sério, nós poderíamos dar certo juntos.

Fico um minuto ou dois sem saber o que dizer. Nunca imaginei que ele fosse dizer isso. Paul esta realmente propano um namoro?

Não, não, não.

―Paul, você não pode estar falando sério. ― Rio mas o som sai como um engasgo então paro.

―Eu não estou brincando, nos dois somos ótimos juntos. É tão bom quando estamos juntos, todo esse fogo que nós temos, não quero isso termine daqui uma semana, quero ter mais tempo com você. ―Ele termina de falar e me fita esperando uma resposta.

Começo a me sentir sufocada. Não estava esperando ter essa conversa com Paul, a gente começou a ficar tem só quase duas semanas e eu também não estava pronta para começar outro relacionamento.

―Paul eu acho que você está apressando as coisas, só estamos juntos a duas semanas e...

―Foi o suficiente eu querer te conhecer mais, querer estar com você o máximo de tempo possível e não de vez em quando.

―Eu acabei de terminar um namoro da pior maneira possível, eu preciso de um tempo comigo mesma agora e não me prender a outra pessoa.

Paul não fala nada, para isso ele não tinha resposta.

―Eu não sei o que esse cara fez para você, mas você pode ter certeza que eu nunca faria algo para te magoar.

―Paul, por favor, não. ―Peço me afastando um pouco dele no sofá.

―Tudo bem, eu não quero te pressionar.

―Mas você tá conseguindo. ―Encaro a tevê evitando os seus olhos.

―Só pensa no que eu te disse.

Não respondo.

―Rachel... ―

―Eu vou embora. ―Digo me levantando. Quando Paul abre a boca para protestar, algo no meu rosto o faz voltar atrás. ―Acho que já deu minha hora.

Ando em direção a porta e saio para a chuva gelada lá fora. Uma sensação de alivio me abraça enquanto me afasto da casa amarela, mas não consigo esquecer as palavras do Paul. Nós poderíamos dar certo juntos? Poderíamos? Sacudo minha cabeça com a ideia e aperto o passo fugindo da chuva.

Notas finais
É isso gente, até o próximo capítulo. A partir de agora os eventos do livro ''Amanhecer'' vão começar a se cruzar com a historia. Aguardem!