REIS - interativa
1 Ficha
30 Anos Antes...
A floresta era fria e sombria, e independentemente de ser dia, o lugar era escuro como uma noite sem lua. O solo era negro, as árvores não eram belas e vivas igual aos de Amaranda, contudo essas pareciam olhá-la com cara de fúria. Um vento frio arranhou seu corpo, levantando o capuz, e revelando o rosto inconfundível da princesa Justina Lamartine.
Se tivesse algum humano por perto, estaria atônito, por vê a princesa que mal completará 12 anos, no lugar tão asqueroso e distante de seu Palácio. Porém ela não estava sozinha, ao seu lado uma plebeia de cabelos cacheados da cor de madeira e sardas nas bochechas, o nome dela é Anne e era dois anos mais velha que Justina, porém não parecia, já que estava assustada, apertando firmemente a mão da princesa, que ao contrário da plebeia, tinha um olhar decidido no rosto.
— Você está machucando meus dedos — disse Justina puxando a mão de repente.
— D-desculpe-me Lady Jus. — disse Anne fazendo uma referência meia desengonçada — Eu não sabia que estava apertando com muita força.
— Você parece uma cavala. É muito desajeitada, Anne — caçoar a princesa girando em uma pirueta de balé e pondo-se a caminhar novamente com um sorriso no rosto. Justina sentia-se tão à vontade naquele bosque tenebroso, que até parecia que estava simplesmente dando uma volta no jardim — E é por isso que meu irmão não lhe nota e nunca irá lhe notar. Remy tem preferência por mulheres fina e delicadas. Tudo o que você não é.
Justina não precisava olhar para trás para saber que Anne estava com olhar triste no rosto e com as bochechas vermelhas como tomate, segurando-se para não chorar. Ela sempre soube que sua amiga tinha paixonite pelo futuro rei de Amaranda, e para ela tudo bem, pouco se importava. Unicamente disse aquilo tudo, uma vez que, estava com raiva de Anne ter machucado seus dedos, e para Justina, um "Desculpe-me" ou "Perdoa-me" nunca era o bastante.
O restante da caminhada, sucedeu silenciosa com Justina na frente e Anne logo atrás. A plebeia estava apreensiva com aquilo tudo, porém não dizia nada pois sabia que quando a princesa colocava algo na cabeça, nada lhe fazia mudar de ideia, nem mesmo seus pais, Rei Wallis e Rainha Heloise.
Ao se lembrar do Rei, Anne sentiu um frio no estômago, pois ele pensava que as duas tinham saído para caçar e depois um piquenique (dado que, nessa questão o Rei Wallis era liberal e dava a suas filhas a mesma liberdade que ele dava ao seu filho). Só que Anne era apenas a filha do cozinheiro e temia que sobrasse para ela e seu pai, as traquinagens feita por Justina.
— Lady Jus. — chamou com a voz baixa — Lady?
— O que é? — retrucou Justina um pouco impaciente.
— Não é melhor voltarmos? Estamos andando à meia-hora, começo a suspeitar que aquele lenhador nos enganou. Ele só queria suas moedas.
— Está enganada, Anne. — respondeu Justina parando bruscamente. — Estou vendo daqui.
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