REESCRITA Nossa Amada Sonserina
5 Arlequina (parte 2)
Notas iniciais
"Juro Solenemente Não Fazer Nada de Bom."
"Se não for hoje, um dia será.
Algumas coisas, por mais impossíveis e
malucas que pareçam, a gente sabe,
bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo."
Caio F. Abreu
Chegamos. Não sei ao certo onde estávamos, mas ela parecia saber. Era fora de Hogwarts e isso era a única coisa de que eu tinha a certeza. E eu odiava não saber de nada.
– Margot?
– Sim?
– Onde estamos?
– Já vês... — Ela sussurrou no meu ouvido e começou a beijar — me lentamente. Apenas passando os seus lábios pelos meus. Agarrou — me a mão e murmurou algo que eu não entendi, algo como: "Révèle–vous". E a pedra começou a mover — se mostrando por trás aquilo que ocultava. Havia uma escada que descia em direção ao solo. Era pouco iluminado, mas as nossas mãos ainda estavam entrelaçadas e ela parecia conhecer bem o caminho.
Já tinhamos descido uns quantos lances de escadas e de cada vez que olhava em frente apenas via mais e mais degraus. Era sempre a descer, mas, e até onde?
Ela pareceu ler — me os pensamentos.
– Acalma — te... — ela riu docemente — o centro da Terra ainda se encontra longe.
Finalmente chegamos a uma zona "povoada". Por todo o lado havia portas. Portas grandes... Portas pequenas... Portas redondas... Portas quadradas... Portas de ferro... Portas de madeira... E, até, portas de portas!
Algumas pessoas deviam estar usando aqueles compartimentos na altura. Havia ruido e havia movimento pelos corredores. Algumas raparigas mascaradas saíram de uma das portas e comprimentaram Margot. Elas pareciam conhecer — se há séculos.
– Este é uma espécie de Clube Secreto Bruxo. — Ela disse. Depois olhou para mim e tentou explicar porque tinha ido comigo ao baile. — Abraxas. Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem atividades favoritas. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.
Fiquei feliz por entender que o perfeito relacionamento que eles pareciam manter já não significava nada para ela.
- Que estamos fazendo aqui?
– Anda, pudemos usar as instalações para... tu sabes!
– Certo... E onde estamos exatamente?
– Podia matar — te por quereres saber mais do que deves. Mas bem... Estamos em todos o lado e em lado nenhum. Nós estamos bem pertinho do centro da Terra, mas não há problema. As escadas encurtam o caminho até aqui. O importante é encontrar os portais, há — os por todo o lado, mas apenas as pessoas certas têm acesso a eles.
– Máxima segurança!
Ela sorriu e debruçou — se por uma porta bem pequena e após uma série de batimentos falou: Arlequina!
Nome engraçado, pensei, há com cada uma! Mas a porta aumentou até ao tamanho "humano". Após entrarmos ela voltou a encolher.
– Arlequina é o meu nome, aqui dentro. — Ela esclareceu.
O quarto era amplo e tinha várias janelas, que não sei como refletiam uma bela paisagem primaveril. As paredes estavam pintadas periwinkle (N/A: periwinkle é uma cor entre azul e roxo http://becolorful.typepad.com/.a/6a00e550ae2fdc8834014e8691dd5d970d-320wi). Coisas da Margot, pensei.
Uma cama grande no centro do quarto com roupa branca. Algumas jarras de flores, algumas estantes com livros, um enorme armário, provavelmente com roupa... Sempre me preguntei onde ela enfiava tal quantidade de roupa e acessórios em Hogwarts. Do tecto pendia um enorme candeeiro azul com alguns enfeites e umas coisas de vidro transparente redondas cujo nome nem faço a menor ideia.
– Nós temos algumas inovações do mundo toruxa. — ela esclareceu.
– E aquilo é suposto fazer o quê? — perguntei. O tempo que havia passado com os trouxas vivia tão miseravelmente que qualquer tipo de "inovações" me eram completamente desconhecidas.
– Dar luz.
– Mas isto já é tão iluminado! E é de noite!
– Também há inovações bruxas...
Rimos um pouco com o termo.
Ela começou a beijar — me, mas acho que estávamos tão cansados que apenas acabámos por apenas ficarmos pelos beijos e as caricias, como duas crianças que se estavam enamorando. Se isto não é amor, então o que será? Não valia mesmo a pena negar. Acabámos por adormecer aninhados mas quando eu acordei ela já lá não estava.
POV Margot
Levanta — te dessa cama rapariga. Anda! Sei que está doendo, mas levanta — te. Coloca uma roupa. Passa a maquiagem. Arranja esse cabelo. Ajeita a armadura. Segura o coração. Sai por aquela porta. Enfrenta o vento. Sorri para o sol. Segura o coração. Olha pra ele. Passa ao lado. Não caias. Não caias. Engole o choro. Finge — te de morta quando ele falar contigo. Sê fria. Continue andando. Enfrenta os teus problemas de cara. Reage. Vai. Estás pensando que és só tu que sofres? Estás enganada. Anda menina. Pára de ser infantil. A culpa não é de ninguém…Apaixonaste-te agora aguenta. Anda. Sê forte. Sê feliz. Sê uma mulher.
Aliás, a vida é assim: magoa, depois passa. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta.
Notas finais
Vai haver NCS. Para quem não sabe: Non Consensual Sex. Quando ocorre uma relação sexual sem o consentimento total de um dos parceiros. O Abraxas vai sofrer também... nas mãos do Tom.
Por-favor, comentem!
"Mal feito, feito."
Nox
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