RECONSTRUÇÃO

4 Outros ares, novos cheiros...


Notas iniciais
Danielle Campbell como Alda.

“Outros ares, outros cheiros, outros gostos e outros conhecimentos. Cuidado, porque pode gostar.”

Vasco abre a porta da casa e permite que as filhas entrem primeiramente. Sorri ao ver a esposa passar por ele. Como ele adorava ver Regina caminhando, tanto indo como voltando.

Fecha a porta atrás de si e vai providenciar a abertura das janelas. A casa havia sido limpa antes da chegada da família por uma empresa específica e a Sra. Vargas havia providenciado flores brancas, as preferidas de Vasco.

– Papai! Minha cama está cheia de ursos! – Alda retorna correndo, carregando um pequeno urso amarelo. – Obrigada! Obrigada! São todos lindos!

Ele sorri, achando maravilhoso assistir a reação da pequena. Logo atrás, chega Yasemine carregando uma agenda com desenhos brilhantes na capa. Sorri e exibe o objeto para o pai.

– Você comprou. Obrigada mesmo! Eu queria tanto!

– Sabe que faço com todo o prazer do mundo. – ele deixa sua bagagem sobre um dos sofás e dirige-se para o quarto do casal, mas para no meio do caminho ao ver a esposa retornando. Ele sorri e espera algum comentário.

Regina sorri e exibe a mão. Estava usando um belo anel com safira negra.

– Você me surpreendeu, Vasco. – ela se aproxima e beija os lábios dele, como primeira forma de agradecimento. Ela amava beijar aquela boca!

– É minha obrigação agradar as mulheres de minha vida. E amo fazer isso!

O casal recomeça seu momento de amor, mas é obrigado a interromper, quando ouve as vozes de suas filhas, chamando pelo nome do pai.

– Eu prometi que as levaria para passear.

– Mas não se canse, porque a noite deve ser minha. – Regina liberta o marido, bate de leve nas nádegas dele e retorna para o quarto.

Vasco morde o lábio inferior e trata de controlar o desejo crescente em seu corpo. Teria de esperar o anoitecer para saciar sua vontade, sua paixão e seu amor, naquela fonte inesgotável de prazer protegido no corpo de Regina.

Direcionando sua atenção para as filhas, ele se depara com as mais risonhas expressões naqueles rostinhos. Elas estavam felizes, excitadas e já diziam o que estavam esperando do pai.

– Estão prontas?

– Sim! – Yasemine estava agitada e sorridente. – Mas vamos sair logo daqui, porque a mamãe...

– Mamãe já sabe. – ele se mostra sereno. – Seria melhor usarmos o quarto, porque vocês irão precisar de roupas novas.

Yasemine alarga o sorriso. Sai correndo e é seguida pela irmã. Vasco vai atrás delas.

Um tempo depois, ele sai do quarto caminhando lentamente e carregando uma expressão muito calma em seu rosto bonito. No meio do caminho encontra Regina e ambos se olham por um longo tempo.

– Preciso falar com Yasemine.

Vasco sorri e pisca pesadamente, como se seus cílios pesassem.

– Ela não está com clima para conversar com a mamãe. As meninas querem apenas diversão, agora. Além disso, não teremos tempo para lamentações.

– Não vou me lamentar com elas, Vasco!

– Então, espere pela noite. Agora, tenho duas lindas jovens para exibir ao mundo.

Os olhos de Regina se viram para o corredor atrás de Vasco. O que ela vê, enche seus olhos de encantamento e seu coração de orgulho. Suas duas preciosidades exibiam-se deslumbrantes, graciosas e iriam debutar para o mundo.

– Lindas...- é tudo o que a bela rainha consegue dizer.

Durante toda a tarde, Vasco acompanha pacientemente as estripulias de suas duas filhas, agora em corpos adultos. Lindas, como duas jovens urbanas, com comportamento típico de alguém somente se importa em encontrar motivos para gargalhadas.

Caminhando mais afastado das duas jovens, Vasco mantinha a vigilância de um falcão sobre elas. Atento em todos os movimentos delas, o homem se porta como legítimo protetor, interessado em quem se aproximava ou insistia em manter olhares indiscretos sobre elas.

Sua alma de pai estava em plena luta contra sua alma de criança. Tudo aquilo estava sendo divertido demais, porém seu coração gritava de quando em quando, avisando que aquela felicidade não seria perene. Mas que fosse infinita enquanto durasse.

Ao seu lado, uma Regina sorridente e quase histérica. Teria todo o tempo do mundo para descobrir o truque utilizado por Yasemine para conseguir aquela façanha. Com sua experiência e conhecimento, tinha absoluta certeza de que aquele evento traria consequências. Porém, moveria montanhas usando as mãos nuas, para evitar que tais consequências viessem a ser prejudiciais aos seus três tesouros.

Em sua casa, num bairro tradicional novaiorquino, a família termina seu dia com um jantar. Na verdade iriam apenas realizar outra reunião para que assuntos diversos fossem falados. Aliás, naquela reunião, somente Alda e Yasemine falaram e foram pacientemente ouvidas. Regina sentia que aquela felicidade seria efêmera e que muitas dificuldades surgiriam, quando a realidade tivesse de ser encarada novamente. A certeza de enfrentamentos com Yasemine, fazia com que seu espírito de mãe buscasse uma solução para problemas que ainda não existiam. Com Alda seria mais fácil, porque a garota ainda era dócil e suas habilidades ainda não estavam tão desenvolvidas. Seria pouco esforço para roubar aquelas lembranças e criar outras que ocupariam o seu lugar. Entretanto, com Yasemine, a luta seria mais árdua porque a menina havia criado uma blindagem contra qualquer tentativa de esquecer-se da aventura vivida na Floresta ao lado de seus amigos Cesar e Nicolas.

– Pedi à Sra. Vargas, que deixasse os quartos organizados. – Vasco se levanta e estende as mãos para que as filhas as segurem. É atendido. Beija amorosamente cada uma delas e mantém seu sorriso cativante nos lábios. – É preciso que descansem muito, porque eu ainda tenho assuntos pendentes com sua mãe.

– Poderíamos ir ao metrô e a um museu amanhã? – Alda sorri e aperta a ponta da língua entre os dentes.

– Depois iremos a um shopping de diversões eletrônicas, que vi na internet. Tenho o endereço e adoraria conhecer. – Yasemine fala sem o mesmo entusiasmo que a irmã. – Seria interessante se fossemos a algum centro de estudos eubióticos.

Regina ainda não conseguia acreditar em seus olhos, mas estava amando aquela situação.

– Não iremos a centro de estudos algum. Faremos atividades em que toda a família possa participar. Poderemos assistir a algum show musical.

– Ah! Isso já está programado, mamãe! – Alda sorri e vai beijar a mãe, desejando boa noite. – Temos de aproveitar enquanto estamos com este corpo! Quando voltarmos a ser pequenas, nada disso será possível.

Yasemine fecha o cenho e desce os olhos à meia visão. Sua alma dizia que aquilo não aconteceria. Apenas não queria exteriorizar, mas sabia que me breve iria ter uma conversa muito delicada com sua mãe.

Quando as portas são fechadas, as particularidades são iniciadas.

– É tão bom ser grande!

– Não é bom não, Alda. Ficamos mais vulneráveis aos ferimentos na alma.

– Não sei se eu quero voltar a ser menina. – ela termina de trançar os cabelos.

– Voltaremos, querida. Nossa mãe irá fazer com que voltemos e irá esconder o livro para que não tenhamos mais acesso. Por enquanto, ela está embevecida com a situação. Mas quando ela vir que não há mais graça, as discussões começarão e ela irá agredir nosso pai, acusando-o de ser conivente com nossa experiência.

Alda levanta as sobrancelhas escuras.

– Nossa mãe é muito controladora e nosso pai é submisso demais. Ela irá ser rude e ele continuará abaixando os olhos para não refutar as ofensas. Aposto que mamãe irá compará-lo ao Robin.

Yasemine sorri debochada.

– Ela não é insana, mas tem uma língua rápida e afiada. Por isso, temos de aproveitar esses dias de ilusão colorida e depois teremos de ficar na defensiva para proteger nosso pai. – a garota mais velha inclina-se para frente. – Esse livro, do qual retirei a receita para nosso crescimento, é uma compilação perigosa de experiências que deram certo em tempos passados. E quando o utilizamos, outros habilidosos ficam sabendo. É certo que a esta altura, muitos já descobriram o paradeiro do livro e irão desejá-lo.

– Você me disse que ele estava blindado, Yasemine.

– Sim, mas existem habilidosos muitos mais fortes que minha mãe. Não poderemos ficar muito tempo nesta cidade, porque somente em Storybrooke, estaremos protegidas.

– Isso é tão louco, Yasemine! É maravilhoso! Sei que haverá consequências para nosso ato, mas esses momentos estão sendo tão lindos!

– Lindos são os sorrisos que voltaram aos lábios de nosso pai. Estamos ajudando a recuperação dele, desde que saiu daquele trauma vivido sob as garras de Zelena e Galeano, além daquela mulher-soldado, que o reivindicou.

Alda estreita as sobrancelhas e torna-se sisuda. Não conhecia a tal Cosima, mas já a detestava.

Pouco tempo depois, o som da presença do toque de Morpheu era notado naquele quarto. Após a agitação do dia, as duas jovens sucumbem aos braços do deus grego dos sonhos.

Notas finais
Boa leitura!