RECONSTRUÇÃO

26 Quando se importa, não se abandona...


O inverno não surge tão intenso como todos esperavam. Naquele período, os aldeões tinham como obrigação, reconstruir o que havia sido destruído pelos ataques alucinados dos governantes. Havia muito trabalho a ser feito e a temperatura tolerável iria ajudar. Era a exigência feita pelos líderes dos rebeldes, porque o tempo de defender os interesses alheios, já estava no fim. A partir do final do inverno, todos estariam por suas próprias contas, sem esperar que heróis viessem através de portais, para lutar por quem deveria lutar por si mesmo.

O antigo lar do Dark One, na Floresta Encantada, havia sido escolhido como ponto neutro para o encontro do casal real e dos líderes dos rebeldes. Para tornar o ambiente mais ameno e menos sombrio, Zelena resolvera dar um toque especial na decoração.

De um dos cômodos, Vasco observa a carruagem escura e pomposa, parar na entrada no castelo. Vários cavaleiros negros serviam de segurança ao casal que desce do veículo, vestido com elegância e carregando a típica arrogância dos tiranos.

— Não pode vacilar, meu amado. – Zelena se aproxima e olha pela janela também. – Será um encontro importante para todos nós.

Um sorriso ilumina os lábios de Vasco e naquele momento, ele consegue controlar sua ansiedade e aflição. Seus olhos descem para fora da janela e enchem-se ainda mais de amor ao verem a imagem elegante de Regina, trajando algo que a tornava ainda mais linda.

Momentos mais tarde, o cigano Nicolas abre a porta e permite a entrada do casal real, acompanhado por alguns de seus soldados. Regina olha ao redor e mantém o cenho fechado, exuberante em sua maquiagem. Ao seu lado, Solomon não conseguia esconder a excitação de sua alma, diante do reencontro com sua rosa vermelha. Seu coração não batia em seu peito, mas apanhava. Junto ao casal, caninamente fiel, estava Paco.

Do lado oposto, Zelena se exibia exuberante em um vestido verde, com seus cabelos ruivos espalhados em seus ombros. Ao seu lado, Galeano não economizara em enfeites para a ocasião, contrapondo-se à simplicidade de Cosima e à naturalidade de Cesar.

Algo dentro de Regina se revira, quando ela se depara com a beleza singular de Vasco, protegido por vestimentas reais e obviamente protegido pelo esplendor de garota com lindas esmeraldas fixadas na cor de seus olhos. Percebe imediatamente a presença de habilidades especiais naquela preciosidade em um vestido branco que se assemelhava ao traje nupcial. Parecia-se com uma das fadas.

— Eu devo confessar que subestimamos a força dos rebeldes. – Regina não consegue tirar os olhos do homem que estava conhecido como Rei Vasco. Era ainda mais lindo do que as imagens do espelho. – Reconheço que você liderou muito bem, os grupos que sempre foram adversos um ao outro. É muito sedutor.

— Vindo da senhora, é um elogio, Majestade. – ele ergue o queixo e sorri sem exibir os dentes. gesticula e aponta uma mesa com várias cadeiras. Ironicamente, era uma mesa redonda. – Está no momento de conversarmos. Por favor, sentem-se.

Em vez de atender ao convite de Vasco, o Reverendo contorna a mesa e aproxima-se de Vasco. Sorri de maneira tão apaixonada que consegue exalar o aroma daquele sentimento.

— Você me deixou orgulhoso demais, Vasco. Sua posição como líder, fez com que eu reconhecesse a minha limitação e inflasse a minha alma com admiração. – ele toca o braço do homem mais jovem, porém, se afasta ao sentir a força de Yasemine que se aproxima deles.

— Meu pai é um grande líder, sim. E unidos aos mais valorosos soldados, conseguiu avariar o seu castelinho, meu caro Reverendo.

— Você está ainda mais linda, Yasemine.

— O senhor também é um belo homem. Mas o dragão azul também é. – ela sorri e olha para a mãe, que a olhava com interesse. – A senhora é deslumbrante, Rainha!

Um som gutural risonho é a resposta da Rainha. Ela olha para Cosima de maneira desdenhosa e depois fita Cesar, recebendo a mesma intensidade num olhar.

— Um cigano bonito, duas bruxas, um pequeno e magricelo aprendiz de feiticeiro e um macaco com calças...pelo menos, ele não é imoral. – Regina encara Vasco. – Foi com isso que você venceu meus soldados?

— Eu poderia ensinar aos seus cavaleiros, a verdadeira fórmula da vitória, Rainha. Mas não fui treinado para trabalhar com quem tem a alma derrotada. – Vasco gesticula novamente e pede que todos se sentem. – Vamos criar um acordo que será bom para todos os lados.

Zelena atende ao convite de Vasco e segura a mão que o belo homem oferecia. Ele a auxilia a sentar-se e permanece em pé atrás da cadeira dela. Simultaneamente, alguns corações palpitam mais forte e movidos por uma onda de ciúme.

— Sua superioridade de liderança é reconhecida, Vasco. – Solomon consegue manter-se sereno, embora tudo o que mais desejava era cobrir aqueles lábios com os mais doces beijos.

Novamente Nicolas abre a porta e permite a entrada dos governantes depostos dos reinos vizinhos. Eles também iriam participar da reunião.

Mesmo sentindo-se indignada, Regina consegue controlar seus instintos e não utilizar suas habilidades para expor o estado de seu espírito. Poderia ser fulminada ou sair bem machucada, caso tentasse exibir-se diante de três habilidosos com grande força. Para demonstrar superioridade, apenas inclina a cabeça num cumprimento.

— Para que firmemos nosso tratado, pedi a presença de governantes que sutilmente foram destituídos de seus cargos. – Vasco inicia a reunião. – Os homens-gaviões estão representados pelo comandante Esparviero; os macacos inteligentes enviaram Cesar; os soldados livres vieram na figura de Cosima; temos os ciganos representados pelo líder Nicolas; Zelena e Galeano respondem pelo reino das esmeraldas; Regina e Solomon são representantes da Floresta Encantada.

Yasemine começa a tomar nota em uma ata que deveria ser assinada por todos os presentes na reunião. Seria o tratado para a reconstrução do que havia sido estragado pelas sandices ocorridas no pequeno período de tirania do casal real.

Notas finais
Esparviero é uma neologismo para sparviero, palavra italiana.