RECONSTRUÇÃO
3 As boas novas nem sempre são boas...
Notas iniciais

“As boas novas nem sempre carregam bons presságios.”
O servo do reverendo descobre um espelho e o posiciona em uma parede. Vira-se para o outro religioso e sorri.
– Reverendo Kent, eu pesquisei muito e as bocas do vento contaram-me que o reino que guarda o seu livro, é existente somente para os que saíram de reinos vizinhos ao nosso. Pessoas que nos desconhecem, não conseguem ver o tal reino.
– Descobriu uma maneira de irmos para lá?
– Apenas usando um portal. Meus auxiliares estão em busca de uma chave que abra o portal. Mas antes, quero que aprenda sobre a cidade e os costumes, o modo de falar ou vestir. Temos de criar uma maneira de entrar na cidade sem despertar desconfiança.
– Seremos rápido, Paco. Não faremos uma viagem de férias. Entramos na cidade, recuperamos o livro e saímos.
Paco coça atrás da orelha e franze a testa.
– O livro roubado por Cora está protegido pela família dela. Sabemos que são pessoas com habilidades e que a filha rainha dela, foi aluna do Dark One. Além disso, obtive informações de que o clã das Mills, cresceu.
– Eu havia me esquecido da rainha verde. Mas ela não está aqui?
– Sim. Há meses ela retornou e trouxe o filho, causando um incômodo nas forças da natureza, que se revoltaram com a presença. – Paco aponta para o espelho. – O senhor pode ver um pouco do reino, pelas imagens deste espelho. Veremos as pessoas, o modo de vida e saberemos exatamente onde está a filha de Cora.
Kent gesticula numa ordem muda para que as imagens sejam exibidas.
– As imagens são de momentos que acontecem agora. – Paco sorri. – Esta é a cidade de Storybrooke, lar criado pela Rainha Má e onde todos os habitantes da Floresta Encantada, estão. Veja! Aquela é Regina Mills!
Um sorriso involuntário surge na boca grande do reverendo. Ele estreita os olhos e imediatamente permite que o calor da paixão invada todas as fibras de seu corpo.
– Ela é simplesmente linda! Quem são as crianças?
– Filhas de Regina. Eu as vi ontem, num momento de descontração da família. Tenho pesquisado desde que descobrimos o paradeiro do livro e...
– Regina Mills tem algum homem? Há um rei neste reino?
Paco fala algumas palavras e estende as mãos para o espelho. Em seguida, a imagem de Vasco vai surgindo e todos podem contemplar a generosidade da natureza.
– Este é o rei da Rainha Má.
– É simplesmente perfeito! Ele é lindo e vejo uma aura misteriosa... – a atenção de Kent é acentuada naquela figura bonita que se exibia na superfície do espelho. – Ele não é real!
Paco olha com curiosidade e sorri.
– Poderemos partir assim que conseguirmos a chave para a abertura do portal, Reverendo.
– E sabe onde conseguir? – Kent olha por cima do ombro.
– Pedi aos meus ajudantes que fossem à aldeia dos homens-gaviões e conversassem com a líder deles. Ela tem conhecimento de onde encontrar as pérolas gigantes que têm esse poder.
O reverendo maneia afirmativamente a cabeça.
– Mas o que irão oferecer em troca?
– Depende do que ela pedir. Em alguns dias, estaremos com as mãos sobre o livro.
Paralelo a isso, Regina se mostra pensativa nos detalhes da viagem. Tudo parecia estar em ordem para aqueles dias de descanso e de divertimento para toda a família.
– Mamãe, eu posso levar um livro? – Yasemine sorri e exibe sua mochila. – Não vou levar meu urso para dar espaço ao livro. Pode ser?
– Sem problemas, mas não vou comprar outro urso, caso você comece a chorar de noite.
Um olhar malicioso surge naquelas duas esmeraldas que a natureza havia cravado naquele rosto redondinho. Ela sorri e olha para Alda que surge correndo e feliz.
– Ela permitiu! Fale para o papai que poderemos levar um livro!
Alda retorna correndo para o local de onde havia saído. Estava histérica demais para uma viagem tão corriqueira. Algo estava fora do comum dentro daquela família.
Momentos mais tarde, Regina observa as filhas passarem correndo na direção do carro. Riam muito e certamente escondiam algo. Logo em seguida, surge Vasco, carregando uma bagagem de mão.
– Vai levar somente isso?
– Tem muita coisa em nossa casa lá. E caso eu precise de algo, poderemos comprar. – ele se aproxima da esposa e a envolve pela cintura. – O que você faz para ficar mais bonita a cada dia que surge?
Regina sorri maliciosa e o abraça.
– Eu permito que o amor renove as camadas de minha pele. Desenvolvi o hábito de aproveitar todos os nutrientes do amor oferecido pelo meu amado.
– Hummm! Então, acredito que não haverá sobre a Terra, mulher mais bela que você.
– Antes de sairmos, quero fazer uma pergunta e gostaria que você fosse sincero. Não faça rodeios e responda de supetão.
Vasco fica em silêncio. Apenas estreita rapidamente as sobrancelhas.
– Yasemine continua com a alma adulta dentro de seu corpo de criança?
– Sim.
Emitindo um gemido de dor, Regina se afasta do marido. Imediatamente, sente o forte desejo de chorar e gritar. Começa a andar de um lado ao outro na sala principal.
– Por que não me disse? Por que escondeu de mim?
– Porque caberia à Yasemine a decisão de contar ou não. – ele se mostra irritantemente tranquilo. – Ela sabe o que é melhor para a vida dela.
– Ela não sabe, Vasco! Ela é uma criança com quatro anos de idade! Nós somos os adultos da família!
– Eu tenho seis anos de vida, Regina.
Subitamente, Regina para e recebe o choque daquela fala. Nunca havia parado para pensar naquela situação. De fato, seu marido ainda era um menino, uma criatura pueril com seis anos de idade e nunca haviam conversado sobre suas inseguranças, ignorâncias, curiosidades ou receios. Tudo o que Regina sempre esperava dele, era um comportamento que complementasse sua vida e atendesse às suas necessidades.
– Vasco...
– Eu sou uma criança num corpo de adulto. Convivo bem com isso porque não vivi minha infância. Mas Yasemine viveu a infância e a fase adulta. Por ela ter as duas informações, deve saber o que será melhor.
Regina leva os olhos na direção da porta de saída, como se pudesse ver as filha daquele ponto.
– Vocês conversaram sobre o assunto?
– Sempre que estamos sozinhos, falamos sobre isso. E ela quer voltar a ser adulta e retornar para a Floresta Encantada. Ela ainda sente amor por Nicolas.
– Minha nossa! Ainda tem isso! Yasemine quer retornar para reencontrar o cigano?
Vasco dá de ombros. Ele não se mostra preocupado com a situação.
– O que me aconselha a fazer?
– Ajudar nossa filha nessa empreitada, Regina. Devemos apenas apoiar o que ela decidir.
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