Questão de vida ou morte
1 Capítulo 1: Tired of this life
Notas iniciais
P.O.V. Alice
–Algo mais Sra. Waldorf? -perguntei exausta para velha que vinha todas as noites ali,louca para que ela fosse embora e eu pudesse fechar aquele lixo de lanchonete.
–Talvez um café. -ela disse sorrindo. Bufei. Estava louca para ir pra casa. Não aguentaria sequer mais uma hora ali, e pior ainda, com a minha mãe. Ela já estava bêbada e reclamando, não me admiraria se fosse demitida a qualquer instante, já que vive acabando com a bebida daqui. Servi o café e fiquei olhando para porta, observando as pessoas passando, velhos, jovens indo para balada, casais, e me perguntei como cheguei até aqui. Parei de estudar quando acabei o Fundamental ll. Eu fico aqui, moro com minha mãe, sem deixar de mencionar que ela é alcóolatra,passo o dia inteiro nesse lixo vulgo lanchonete, onde ambas trabalhamos, ou pelo menos, eu trabalho, já que ela só manda e bebe.
–Alice! -gritou embromado. -A Sra. Waldorfquer a conta. Você não está ai de enfeite, vá trabalhar.
Levei a conta até a velha eno instante em que ela saiu eu explodi.
–Mais que merda! Você não faz nada o dia inteiro! Só manda e fica ai sentada bebendo. -gritei.
–Eu exijo que você fale direito comigo, eu sou sua mãe!
–Foda-se! -Disse extremamente alto. -Vamos ver se você presta pra alguma coisa e fecha essa bosta que chamam de lanchonete, eu vou pra casa. -disse pegando minha bolsa e saindo.
Já estava escuro, a Lua brilhava forte no céu daquela noite quente. Wilmington é sempre assim, quente, fresco.
Cheguei em casa e fui direto ao quarto, pensei em fazer algo para comer, mas correria o risco da minha mãe chegar, e eu não estava nem um pouco afim de dar de cara com ela naquele instante e começar outra briga, me tranquei. Tomei um banho gelado e me deitei na cama com a minha velha camisola. Suspirei. "Como eu cheguei até aqui..." era o que eu me perguntava. A chata e ridícula história da garotinha triste que foi abandonada pelo pai, abandonada... Se é que posso usar esse termo, diria, trocada. Isso, trocada pelas drogas. Desde então minha mãe virou alcóolatra, meu irmão foi preso por atropelar uma mulher e duas crianças enquanto dirigia bêbado. E tem... Tem o Jason. Era a única pessoa com quem eu realmente me importava, e era a única pessoa que realmente se importava comigo. Mas ele morreu e... Não. Não vou pensar nisso, não suporto, pensar nisso.
–Alice -Fui interrompida pela batida fraca na porta. -Me deixa entrar.
–Não estou afim de brigar, mãe. -Disse com o travesseiro na cara.
–Eu vim em paz, juro. -Disse, mas dava pra perceber seu nível de álcool na fala. Bufei e fui até a porta, abri.
–O que você quer?
–Pensei que a gente poderia ver um filme juntas -Disse tossindo e coçando o olho. Comprei comida japonesa.
–Fala sério. Olha seu estad... -ela me interrompeu.
–Porra, Alice. Você não ajuda. Eu tento, juro que tento. Mas você não ajuda. Esquece o filme, esquece a comida. Vou comer sozinha. -Disse e eu dei de ombros.
–Não estou com fome mesmo, foda-se. -Disse fechandoa porta, era mentira. Eu estava morrendo de fome e minha barriga roncando era a prova disso.
Deitei novamente e fiquei pensando em tudo que gostaria de fazer. Viajar a Europa inteira, depois a América, o mundo... Esses eram meus planos com Jason, mas agora que ele se foi, a seis meses, estou perdida. Não sei o que faço ou como ajo. Mas e se... Espantei essa ideia da minha cabeça. Não, não posso fugir. Sou menor de idade, e minha mãe...
Parei e me sentei rapidamente na cama. O que tenho a perder?
Peguei uma mochila velha, uns pares de roupa, documento e todo dinheiro que tinha juntado para minha futura e, agora, vaga vida com Jason. Coloquei tudo dentro da bolsa e saí, passando na cozinha e pegando um pacote de bolachas. Passei pela sala sem dizer nada, indo em direção a porta, ela estava lá, sentada vendo alguma coisa na tevê.
–Onde você pensa que vai?
–Não é da sua conta.
–Alice, é claro que é. Sou sua mãe.
–Vou embora, mamãe. Vou embora, viver minha vida. Sair desse inferno. Feliz? -Disse abrindo a porta.
–Se você sair por essa porta, você não entra mais aqui. -Ela disse. Eu ri irônica.
–Tudo bem pra mim. -Disse saindo e fechandoa porta.
A noite não estava mais tão quente, nema Lua tão brilhante. A friagem batia nos meus longos cabelos escuros enquanto me dirigia para a rodoviária interestadual.
–A passagem para o ônibus mais próximo por favor. -Disse, sem nem mesmo me importar com o destino.
Peguei e me dirigi para plataforma, pensando o que faria, como seria um novo começo...O ônibus estava parado. Me sentei na cadeira vazia e acabei pegando no sono, antes mesmo do ônibus partir.
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