Questão de vida ou morte
2 Capítulo 2: Seductive and mysterious
Notas iniciais
P.O.V. Alice
Abri os olhos ainda um pouco anestesiada. Era noite, pelo visto, escolhi a viagem mais demorada. Suspirei. Até que poderia ser bom, não é? Colocar as ideias no lugar, e tal. Só então percebi que havia alguém do meu lado. Olhei de relance e percebi que a mesma estava me encarando, ou melhor, ele estava me encarando.
Olhei de volta, ele continuava me encarando, procurei algo errado em mim, procurei algo na janela que fosse incrível o suficiente para ser encarado por alguns minutos. Não achei.
–Tem... Algo errado? -Disse sem outra opção.
–Hãn, não. Desculpe. -Ele disse com a voz extremamente rouca e falha. Dei um sorriso completamente falso, um pouco irritada pelo motivo dele estar me encarando e simplesmente virar para o outro lado. Suspirei novamente e me virei para janela. Pra onde será que... Me virei pra ele:
– Pra onde estamos indo? -Disse calma e natural, ele riu irônico e se virou pro outro lado. Ué, que completo idiota. Ele se virou novamente:
–Como se você não soubesse. -Arqueei as sobrancelhas.
–Na verdade, não sei mesmo. -Disse completamente irritada.
–Chapel Hill, é pra onde estamos indo. -Me virei pra janela. Nunca fui pra Chapell Hill, na verdade, só saí de Wilmington uma ou duas vezes, para visitar a vovó, e isso quando eu era bem pequena. Me encostei no vidro e fechei os olhos. Nós éramos tão felizes. Nossa família era uma família, mas...
–Que tipo de pessoa entra em um ônibus sem saber pra onde está indo? -Ele disse interrompendo meus pensamentos.
–Eu -Disse como se fosse óbvio.
–Então, Sra. Anônima, o que te fez entrar em um ônibus sem saber o destino?
–Minha mãe -Disse sem o menor interesse, virando-me para janela.
–Hum, e o que ela fez? -Ele disse, parecendo interessado.
–Nada demais -Disse sem tirar os olhos da janela.
–Hum, tudo bem, mas eu quero saber. -Arqueei as sobrancelhas e, apesar de não ser da conta dele, falei.
–Pra que você quer saber a trágica história de Alice Parker, a garotinha que foi abandonada e blá blá blá. -Disse revirando os olhos.
–Já sei que seu nome é Alice Parker, um começo. Hum, gosto de histórias clichês. -Arqueei as sobrancelhas.
–Briguei com a minha mãe alcóolatra. Isso basta.
–Hum, e o que tem a ver o fato de você ter sido abandonada? -Ele disse sarcástico. Me irritei. O que ele tinha a ver com isso?
–Não é da sua conta. -Disse visivelmente irritada. Ele deu de ombros e continuou me encarando.
–Olha, por que você está me encarando?
–Você é bonita, gosto de olhar gente bonita. -Ele disse sério. Revirei os olhos, era só o que me faltava.
–São quantas horas de viajem? -Eu disse.
–12 horas. -Bufei novamente e me recostei na cadeira. -Se você não sabia nem pra onde estava indo, o que vai fazer quando chegar lá? -Suspirei
–Boa pergunta, não sei. E você?
–Lá é minha cidade natal. Vou visitar a minha família. Eu posso te mostrar a cidade quando chegarmos. -Ele disse. Dei de ombros.
–Pode ser. -Me voltei para janela.
–Ótimo. -Ele disse satisfeito.
–Ótimo. -Respondi.
–Ótimo. -Respondeu.
–Ótimo. -Disse novamente.
–Talvez o "Ótimo" venha ser o nosso sempre. -Ele disse e eu ri alto revirando os olhos. Peguei no sono.
–Alice, acorda. Chegamos. -Abri os olhos lentamente e demorei alguns instantes para reconhecer onde eu estava.
Pensei na minha mãe agora, o que ela estaria fazendo e se ela estava bem. Talvez eu devesse... Não. Afastei esse pensamento. Eu não iria voltar, eu não podia, voltar. Era a minha vez de ter uma vida, era a minha chance.
Me levantei, pronta pra sair do ônibus.
–Aliás, qual seu nome? -EU perguntei realmente curiosa.
–Jonathan Ritson -Ele disse sorrindo, uau. Que sorriso, que olhos... Só então fui perceber. Ontem estava realmente escuro, e quase não consegui notar seu rosto. Ele aparentava ter 20 anos e era realmente bonito, um tanto de mistério no olhar.
–Então, eu pensei que a gente poderia deixar as malas na minha casa e eu te apresentaria a cidade. -Ele disse.
–Lembrando que eu te conheço a 12 horas, você pode ser um pedófilo. -Eu disse.
–É sempre um risco. -Ele disse e nós dois rimos.
–Então, topa? -Ele disse. Suspirei.
–Ta, vamos. -Disse convencida.
–Jonathan, você pode me emprestar um celular? -Disse.
–Claro. -Sorri agradecida e fui para um canto enquanto ele procurava um taxi.
Ligação on
–Mãe, só estou ligando para avisar que eu estou bem.
–Alice? Graças a Deus! Onde você está? –Ela disse sem parecer embriagada, me surpreendi.
–Estou em... Em Chapell Hill, isso basta. Estou bem, mas tenho que ir.
Ligação off.
Pegamos um taxi, quase não nos falamos no caminho, afinal, foram no máximo, 10 minutos. Chegamos na casa dele e... Que casa. Ele fez questão de pagar o taxi, e assim que ele abriu a porta:
–Fica a vontade, só vou deixar essas malas lá em cima e já desço. -Assenti um pouco envergonhada. Ele não demorou e logo saímos.
–Você já veio para Chapell Hill? -Ele disse.
–Não, só saí uma ou duas vezes de Wilmington quando eu era menor.
–Você pode ficar na minha casa até encontrarmos algo que você goste.
–Obrigada mas... Acho que prefiro procurar alguma coisa.
–Tudo bem então. -Ele disse visivelmente frustrado. -Vou te mostrar umas casas aqui perto, são pequenas mas são baratas, e como você vai morar sozinha, eu acho, valeria a pena.
Fomos até as casas, por sorte um corretor acabara de sair com clientes dentro de uma e nos mostrou a casa. Era bem em conta, pequena, mas confortável. Eu poderia banca-la e tentar arrumar um emprego por enquanto.
–Vou ficar com ela. -Eu disse, satisfeita.
–Ótimo, só tem um problema... Eu só vou conseguir liberá-la amanhã. -Suspirei e Jonathan me olhou rindo.
Saímos de lá e concordei em passar a noite na casa dele. Já era noite, e lá não era tão quente quanto Wilmington, mas não chegava a ser frio, estávamos em frente a casa quando apareceram dois homens vestidos completamente de preto.
–Você é Alice Parker? -Perguntou um deles, confusa, assenti lentamente. Logo apareceram mais dois homens, totalizando quatro. -Achamos ela. -Falou. Logo senti uma pancada na cabeça e a última coisa que vi foi Jonathan tentando revidar e caindo no meio da rua, logo tudo ficou preto.
Fale com o autor