Querido diário não escalado...
1 Capítulo 1 - Absorta em pensamentos...
Notas iniciais
Quarta-feira, 16 de dezembro de 2015.
Querido diário não escalado...
Hoje acordei convicta de uma coisa: eu não vivo. Definitivamente não vivo e confesso que não sei viver. Afinal, o que esperar de uma vida que resume-se em: casa-escola, escola-casa. Como cheguei a essa conclusão? Isso é uma boa pergunta. Mas, ultimamente tenho sentido falta de algo que não sei explicar, talvez porque nunca tenha estado presente no trajeto de minha vida curta de 17 anos. Algo que os professores de biologia chamam de ADRENALINA.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA'
Sabe o que é engraçado? Meu nome é Lina e agora percebi ele está presente no final dessa palavrinha mágica.
Talvez signifique algo.
Talvez signifique que estou na adrenalina ou que estou pronta para ficar na linha de fogo.
O que quero mesmo é ter histórias para contar um dia, seja para os meus netos (netos? Eu penso em ter netos? Que arcaico) ou para alguém que me ache interessante pelas histórias que vivi e experiências acumuladas, não me julgue e apenas ria e compartilhe comigo suas histórias também.
É disso que preciso: histórias e adrenalina.
Estou cansada de descer do ônibus e chegar a escola com a mesma perspectiva: passar de ano, tirar boas notas nos exames e, necessariamente neste ano em que entraremos, adentrar a uma universidade pública. Quanto a este último, não gosto nem de pensar. Em casa, eu e meu pai entramos em conflito, pois ele insiste que devo fazer direito ou medicina ou alguma engenharia da vida. Mas, disse a ele que quero mesmo fazer jornalismo e ser uma grande colunista em um dos grandes jornais do país. Sou consciente do meu poder e domínio sobre a escrita e, acredito que, se eu quiser posso fazer parte da equipe do Correio Brasiliense, Folha de São Paulo ou, até mesmo, do The New York Times. Entretanto, ele nutri a ideia de que tudo isso é só uma fase e vai passar logo. De certa forma, me coloco no lugar dele, possui um medo imenso de me perder e, talvez, só queira garantir que quando ele não estiver mais aqui, eu esteja bem o suficiente para ele partir em paz. Mas, fico me perguntando se minha felicidade para ele não conta? Digo, do que adianta escolher uma profissão que não simpatizo, não ser feliz em minha carreira e me tornar uma péssima profissional? Essas coisas contam muito, não é?
Bom, espero que logo ele me entenda e aceite minhas ideias. Preciso de apoio nessa nova temporada e ele é o único com que posso contar.
Por enquanto.
Oh, mds.
Está tarde. Necessito ir dormir. Minhas aulas foram prolongadas até o final do mês de janeiro, portanto o mês escolar será longo.
Boa noite, querido amigo.
Volto assim que tiver notícias interessantes.
Atenciosamente,
sua Lina.
Fale com o autor