Querido diário,
2 02 de abril
02 de abril
Hoje aconteceu algo muito inesperado: uma amiga com quem fazia tempo que eu não falava ligou para mim! Dá pra acreditar?
Nós conversamos bastante, ela me contou que está grávida, mas que não pretende se casar. Falando em casar, ela me perguntou sobre Tomas. Eu engoli em seco antes de começar a contar tudo. Tudinho. E, é claro, eu chorei. Aquele filho da puta havia criado uma ferida tão grande em mim...
Eu não tinha mais vontade de sair com as minhas amigas, nem com os meus pais. Eu passava horas olhando para o nada, divagando sobre como Tomas havia mudado depois do pedido de casamento.
Eu acariciava as duas feridas que ele havia me dado lamentando como eu havia sido tola.
Eu havia acreditado nele. Nós namoramos por tanto tempo e eu nunca suspeitei de nada. Tomas era um amor comigo. Ele me ligava todo dia de manhã e à noite, dizendo o quanto me amava e fazendo planos para o futuro.
Eu não queria filhos agora. Visava terminar a faculdade, comprar uma casa para morarmos juntos e nos estruturar financeiramente. Ele já vivia bem, trabalhando para uma multinacional. Mas eu, na época, era só um estagiária sonhando em ser reconhecida.
Depois que eu contei tudo, minha amiga lamentou tanto! Ela disse que nunca pensou que Tomas seria capaz disso, que ele era um doce, não tinha vícios e que seus pais eram ótimas pessoas.
Eu a havia conhecido através dele. No começo senti um pouco de ciúmes, porque nós éramos quase opostas — eu, loira de olhos azuis e ela, uma morena linda de olhos cor de chocolate.
Mas desde o início ela parecia muito mais interessada em mim do que nele. Várias vezes nós fomos passear juntos, ele e eu, ela e algum carinha aleatório. Tudo isso enquanto ela não conheceu Phil, seu atual namorado.
Aliás, conversamos sobre ele. Eu não o conhecia muito bem, mas trocamos risinhos sobre como ele ficava à mercê das vontades dela quando ela colocava um biquinho nos lábios e enchia os olhos de lágrimas.
Ela era uma cobra capaz de conseguir tudo o que queria! Várias vezes havia usado suas habilidades de atuação para me passar a perna!
Também conversamos sobre nossos pais. Os meus estavam um pouco menos paranoicos sobre me deixar andar na rua sozinha. Os dela... bem, era triste pensar que seu pai havia falecido ao ser atropelado e sua mãe chorava todos os dias por ele.
Não conseguia deixar de lamentar o quanto a vida era injusta diante das coisas que aconteciam com pessoas boas.
Ser bom ou ser ruim, afinal, não era critério para ser afortunado.
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