Querida Nevasca
1 Capítulo 1: Sentimento novo.
Notas iniciais
RECOMENDAÇÃO DE MÚSICA: The Brobecks — Love at first sight
• Narradora: Karoline
[06:00 — Sexta-feira, casa de Karoline]
Era uma manhã fria de outono, o despertador acabara de tocar para que eu me levantasse à fim de ir ao colégio, mas a preguiça era tanta; ainda mais quando a vontade era mesmo de nem sair da cama com aquele clima. Parecia até que eu podia ouvir o vento que uivava lá fora, dizendo: "fique Karol, durma mais um pouco ou até mesmo o dia todo!".
Bem, infelizmente eu não podia fazer isso, a não ser que eu quisesse ouvir uma hora e meia de sermão do meu pai mais tarde. Levantei com muita lentidão, e fui para de baixo do chuveiro, onde deixei a água quente cair sobre meu corpo. Após terminar meu banho, coloquei o uniforme, cujo é muito feio por sinal (Alô, Brige College? Vamos chamar um estilista pra mudar isso aqui U-R-G-E-N-T-E!) e segui em direção a cozinha.
Dificilmente eu comia algo de manhã. Apenas pegava alguma fruta para levar comigo, tomava um copão de água e iniciava minha caminhada matinal até aquele maldito inferno, digo, meu colégio.
Porém, antes disso, sempre esperava minha vizinha e melhor amiga pra ir comigo, a Margot. Estudávamos na mesma escola, e na mesma classe por sinal; e tínhamos essa rotina a uns cinco anos. Assim que saí pela porta, já a avistei sentada no banco do meu jardim.
— Vamos? — Perguntou a mesma, assim que cheguei até ela.
Fiz que sim, com a cabeça, e seguimos em frente. O caminho não era tão longo, confesso, mas assim como a maioria dos adolescentes da nossa idade; o sedentarismo era muito evidente pelas gotas de suor que chegavam a escorrer em minha testa, mesmo com o frio. Porém, mantive minha plenitude durante todo o trajeto.
[07:00 — Bridge College]
Como sempre, eu e Margot éramos pontuais ao início das aulas! Chegamos 07h00 em ponto, e entramos em nossa sala de aula, onde avistamos nosso grupo (cujo podíamos ouvir gritando a metros de distância dali) e sentamos próximas do mesmo. O tempo foi passando, mas parecia uma eternidade! Aula chata de química, com professora mais chata ainda de química.
Acredito que eu tenha cochilado durante sua explicação, pois de hora para outra, abro meus olhos e percebo que não há mais ninguém ali a não ser eu e minha amiga. Era hora do intervalo.
— Ah, parece que a bela adormecida finalmente acordou! — Indagou Margot, olhando para meu rosto inchado de dormir e rindo em seguida.
— Por quanto tempo dormi? — Perguntei.
— A pergunta certa seria, "por quanto tempo eu permaneci acordada?", afinal, você só assistiu ao começo da aula da Srta. Delilah.
— Sério?
A mesma respondeu que "sim" com a cabeça, e soltou uma gargalhada enquanto vinha em minha direção. "- Você é realmente uma dorminhoca, Karol", continuou.
— Bem, vamos a biblioteca? Preciso pegar um livro pra estudar pra próxima semana. Está se lembrando que temos prova?
— Claro que estou! — Disse em tom firme, por mais que aquilo não passasse de uma mentira. — Já até comecei a estudar! — Completei.
Margot fingiu acreditar, e me puxou em direção ao corredor. O colégio todo que estava ali olhou para nós, afinal, as próximas aulas estavam prestes a começar e nós estávamos indo em sentido contrário. Seguimos para a biblioteca, e quando entramos, a mesma foi em direção a sessão que desejava e puxou um livro enorme de química, apontou pra grossura daquilo e disse com uma cara de desespero: "- Minha nossa, boa sorte pra mim!". Como não queria atrapalhar seus estudos, e daqui a pouco íamos embora, escolhi um livro aleatório e de fácil leitura e permaneci em silêncio.
Até que aquele livro estava surpreendentemente interessante, e até me fez me perder no tempo (e perder a aula). Só "acordei pra real" quando o sinal da escola tocou, me informando que já era 12:00, hora de ir embora. Olhei para Margot, na espera que a mesma fosse estar concentradíssima, mas me deparei com minha melhor amiga babando naquele livro chato. Ela era fofa dormindo, parecia uma criança inocente, toda encolhida de frio e com as bochechas rosadas por causa do vento que havia pego no rosto.
— Margot? Margot? Acorda, está na hora de irmos. — Disse, enquanto a chacoalhava para acorda-la. Mas, nada. Chacoalhei mais um pouco, um tanto quanto brusca desta vez, até que ela abriu os olhos castanhos escuros e olhou assustada em minha direção.
— Ai, eu dormi?! POR QUANTO TEMPO EU DORMI? — Gritou.
— Shhhh! — Fiz com que parasse de berrar. — Isso não importa! Vamos.
Peguei-a pelo pulso e a tirei dali. No caminho, contei a ela que acabei viajando naquele livro que falava sobre mil e uma viagens, e que como ela estava supostamente estudando, eu acabei nem reparando que as horas tinham passado e que tínhamos permanecido ali, ao invés de entrarmos na aula de geografia, da Srta. Anne.
— Por quê não me acordou?
Margot estava enfurecida, e era possível saber disso apenas olhando para ela, com o rosto vermelho e a testa franzida. Ela odiava perder aula, não faltava um dia sequer pra evitar isso. Pedi desculpas e disse que realmente não tinha notado, e que estava muito chateada por isso... Mas, por algum motivo do qual desconheço, completei:
— Mas você fica super linda enquanto dorme...
Minhas bochechas se coraram de imediato, e eu rapidamente levei meus olhos de encontro ao chão e o encarei como se fosse a mais pela pintura de um artista, nem sequer piscava. Por quê diabos eu tinha dito aquilo?!
— Hm, obrigada. — Respondeu, com um ar confuso.
Continuamos o caminho até nossas casas em silêncio, um silêncio ensurdecedor (se é que é possível isso) e que parecia mais uma tortura. Era estranho permanecer quieta sendo que quem estava ao meu lado era nada mais nada menos que minha melhor amiga. Assim que chegamos, me despedi acenando para ela e segui em direção a minha casa.
[12:30 — Casa da Karoline]
Assim que fechei a porta, fiquei pensando naquilo que tinha acontecido. Foi muito espontâneo, era como se eu tivesse sido obrigada a falar aquela frase!
Não que não fosse verdade, e não que eu e ela já não tivéssemos elogiado uma a outra, mas naquele momento e do jeito que saiu de minha boca... Realmente foi bem bizarro. "- O que aconteceu comigo hoje?", disse em voz alta.
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• Narradora: Margot
[12:30 — Casa da Margot]
Me despedi de Karoline e segui caminhando até entrar em casa. Assim que cheguei, fui em direção a mesa onde o almoço já estava posto, e meus pais me aguardavam.
— Olá, cheguei! — Disse, me sentando junto a eles.
— Oi querida, como foi a aula? — Perguntou minha mãe.
— Ah... — Exitei. — ...Foi normal, como de costume.
Assim que terminei de comer, disse a eles que iria ao meu quarto pois precisava resolver logo uma lição do colégio. Subi as escadas, entrei no meu "lugarzinho de paz" e me joguei na cama.
— Eu... Fico linda dormindo? — Repeti o que Karol tinha dito, em voz alta e olhando o teto. Percebi que minhas bochechas ficaram quentes, e em seguida corri ao espelho e vi que se tornaram rosadas também. "- Mas o que "tá" acontecendo?", falei enquanto me olhava no reflexo.
Bem, recusei a pensar mais no assunto, e me deitei novamente em minha cama. A verdade é que eu não tinha nenhuma atividade para fazer, eu só queria mesmo era pegar no sono pra evitar dormir no colégio na manhã seguinte; e não deu muito tempo e realmente adormeci.
[18:00 — Casa de Margot]
Acordei assustada com Karoline me fazendo uma vídeo ligação, a qual não consegui atender a tempo. Assim que desbloqueei a tela do celular, avistei mais de 63 mensagens da mesma, e inclusive, algumas delas eram pedindo desculpas pelo ocorrido de mais cedo e outras, me xingando por ter sumido o dia todo. Pedi desculpas e expliquei que havia pego no sono até aquela hora, que tinha até perdido o jantar e que não tinha sido nada de mais pra ela ter que pedir desculpas pelo que aconteceu naquela manhã.
Karol me ligou novamente, e desta vez aceitei; conversamos normalmente por hora atrás de hora, até que já era tarde e a mesma teve que ir dormir.
— Boa noite, "bravinha". Espero que amanhã não fique dormindo ao invés de entrar na aula. — Disse se despedindo, enquanto gargalhava.
— Ha-ha, muito engraçadinha você! — Respondi, também rindo. — Pode deixar, não dormirei. E se eu dormir, vê se não se apaixona pela minha carinha de anjo!
Aquilo tudo tinha se tornado mais uma de nossas zoeiras, e jamais cairia no esquecimento a partir de então. Rimos e então ela completou:
— Fique tranquila, se quiser eu te ajudo a ficar bem acordada pra que isso não aconteça. — Após terminar a frase, fez uma cara de safada e riu alto. Não consegui me aguentar, e ri junto.
— Boba! Vá dormir logo... — Disse, ainda rindo.
— Ui, mandona! Irei mesmo, não sinta saudades. Tchauzinho.
A mesma acenava na câmera, enquanto mantinha o sorriso no rosto. Acenei de volta e disse: "- Pior que sentirei.". Completei com um "boa noite", e desligamos a chamada. Me acomodei em minha cama, e ainda rindo das coisas que tínhamos falado e brincado a respeito, senti uma coisa em mim... Era como se meu peito estivesse quente e meu estômago com calafrios, uma coisa bem doida mesmo; tipo um choque térmico no meu corpo. Ainda sem entender direito, resolvi ignorar aquilo e focar em dormir, o que não demorou muito para acontecer. Apenas lembro do meu último pensamento, antes dos meus olhos fecharem, ser... "O que seria isso?".
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