Notas iniciais
É, faz um tempo. Hum, oi? Oie! Bom ver (não realmente) vocês.

SIM

QUARTO ANO DE NAMORO

Julie suspirou.

Olhou para suas mãos, para o papel que tinha nas suas mãos, e viu que tremia, que tinha um pouco de medo abaixo de tudo que já passou, que ela estava viva e não morta e... tinha o que perder.

Ela podia perder Asher, relembrou-se mais uma vez. E aquilo seria definitivo, não uma aposta qualquer, aquilo seria algo pelo qual não estava preparada e não queria aguentar, embora soubesse que podia.

Julie tinha vivido antes e viveria depois sem Asher, ela sabia que conseguiria, mas ela não queria perdê-lo.

Ela queria tê-lo.

Consigo.

Ao seu lado.

—Você pode me beijar? — pediu, levantando a cabeça para Asher, que a encarou.

Ash piscou, confuso, um pouco perdido e um pouco assustado. Beijar? Julie? Ela tinha pedido? A ele? Para beijá-lo?

—Desde quando você pede? — questionou.

—Desde que eu sinto que estou me aproveitando de você.

—Desde quando você se importa? — corrigiu-se ele.

—Desde que eu comecei a me perguntar se você vai me odiar.

Asher queria perguntar o que ouve, fazê-la dizer porque pensava assim, mas se ela queria um beijo, se um beijo pudesse ajudá-la, ela o teria.

Asher inclinou-se para ela, os olhos refletindo-se, os narizes tocando, os lábios próximos. Ele a beijou levemente, os lábios apenas se tocando vagamente, a respiração compartilhada, e não fechou os olhos, mesmo que estivesse vendo tudo embassado, mesmo que estivesse sentindo-se triste por ver Julie tão complacente, porque ele não queria perder nada.

—Eu não vou — sussurrou — te odiar — prometeu.

—Não vai? — a voz de Julie tremeu, as pálpebras fechadas movimentaram-se, seus dedos agarraram com força sua camisa, como se com medo dele ir e deixá-la.

—Não. Eu não conseguiria — confessou Asher, seus dedos massageando a bochecha dela, suas testas pressionadas. — Nem se quisesse. E, não importa o que você me diga, o que houve, eu nunca vou querer.

—Eu te amo.

—Eu tam...

Julie empurrou os lábios contra os dele antes que ele tivesse terminado. Dentes batendo e machucando, exigindo e ferozes, pedindo, pedindo, pedindo e nunca satisfeitos. Ela estava cansada, ela queria mais, ela queria paz, ela queria que Asher a beijasse e não dissesse que tudo estava bem, mas que ficasse ao seu lado.

Asher a beijou com tanta paixão e ardor quanto, puxando-a para si e para mais perto, aproveitando-se da situação como havia aprendido.

Julie queria beijá-lo? Ele a beijaria.

Julie queria dizer não a ele? Ash não tornaria isso fácil para ela.

Asher mordeu o lábio inferior de Julie, puxou-o, engoliu seus gemidos, empurrou-a até que ela estivesse deitada no sofá com ele por cima, pressionando-a.

Ele não iria deixá-la.

—O que você quer? — questionou, quando tinha certeza que ela não tinha como escapar.

—Eu tenho que pegar minha lista — suspirou Julie, sem fôlego.

—Hum-hum — negou Ash, ocupando sua boca com a pele dela. — Você pode me dizer sem ela. Resuma. Tópicos. Fato. Não importa.

Não importa. Cada palavra era um beijo, cada beijo deixava uma marca, cada marca era recompensada por um suspiro de Julie.

—Ok — ofegou ela. — Certo. Humm... Eu nunca pensei sobre isso.

—Menos palavras — pediu Asher.

—Ok, ok, ok — murmurou Julie, empurrando as mãos para o a nuca dele, subindo-a até que estivesse sobre o cabelo, e apertou os fios entre os seus dedos, porque Asher gostava disso e ela gostava da sensação macia e suave em sua mão, e então empurrou a cabeça dele contra seu pescoço, arqueado-o para que Ash fizesse o que quisesse. Desde que não parasse.

Ele não podia parar.

Julie não queria que ele parasse.

—Julie. — Asher ofegou, afastando-se de repente.

—O que? — questionou ela, mal humorada. Por que ele parou? Quem o mandou parar?

—Você... Arg!

Ele a beijou e embora fosse rude Julie não se opôs.

Até que ele parou.

—O que você está fazendo? — Ela o puxou de vol... — Oh.

—É, oh — ele insinou, revirando os olhos.

—Eu não... quando eu...

Ela tinha ambas as pernas ao redor dele e algo definitivamente estava entre eles.

—A menos que você queira isso — disse Asher, sabendo tão bem quanto ela que não — acho melhor pararmos.

—Não podemos ficar assim?

—Não.

Julie bufou, deixando suas mãos caírem aí seu lado.

—Você precisa me soltar, Julie — sugeriu Ash.

—E se eu não quiser? — provocou ela.

—Estou falando sério.

A contragosto, Julie o soltou, o empurrou para o lado, finalmente livre — ela odiava esse tipo de liberdade, era como se houvesse uma cratera entre eles.

Asher sentou-se.

—Eu vou beber água.

Em chamas.

—Eu vou junto.

—Eu quero beber água sozinho.

—Hum, certo — disse Julie. — Vai continuar querendo.