Notas iniciais
Oh, sim, esqueci de avisar que, por motivos legais, mudei o nome dos personagens um pouco. Eu estou tão acostumada aos nomes dele que esqueci que não são originais, os nomes. Quando eu comecei a escrever, eu não sabia que nome dar a eles e me baseei na banda 5sos, mas, bem, agora preciso mudar. Julie Agnes Hemmings - Julie Agnes Harrison Ashton Irwin - Asher Iffigen Luke - Liam Harrison Calum - Charles Harcout Michael - Matthew não-estou-lembrada-do-sobrenome-que-dei-a-ele Demi Lovato (nem sou fã dela, vai entender) - Demi Lowe

NÃO

PRIMEIRO ANO DE NAMORO

Seus irmãos estavam namorando. Como namorando um ao outro e não outra pessoa. Como há algum tempo. Como não dizendo a ela até que os pegou juntos.

Julie ainda estava boquiaberta.

Surpresa, mas não impressionada.

Sem palavras e com todas elas na ponta da língua.

Ela sentia-se... um pouco sentida por eles não terem dito antes, mas também entendia a necessidade de manter apenas para si, para entender o que era aquilo antes que tudo caísse entre os seus dedos ou simplesmente percebesse que não era aquilo que queria, que havia ocorrido algum erro e amizade era tudo que importava, tudo que eles teriam.

Amizade não era tudo que eles teriam.

Julie observou-os por um momento na sua frente, sentados perto e ainda sim constrangidos pela proximidade, embora isso não fosse nada novo.

Eles eram tão fofos, pensou Julie. Nem ela, no seu começo de namoro, foi tão fofa desse jeito — ela nunca foi fofa para começo de história. Mas, cara, ela sentia vontade de se abanar só de observá-los, como se estivesse lendo um dos seus livros ou fanfic’s fluffy. Era muito doce até para si.

—Então. — Ela piscou. — Como foi o encontro ontem?

—Deixe eles, Julie — disse sua mãe Liz enquanto os dois coravam de vergonha. — Ninguém perguntou como foi o seu encontro.

—Claro que não — concordou ela. — Porque você estava espiando atrás da porta. E porque Liam prefere morrer antes de saber sobre o que sua irmãzinha fazia. E Charles conhece espaço pessoal.

—E você não — completou Liz.

—E eu não — concordou Julie.

—Precisamos conversar — anunciou sua mãe.

Julie levantou-se.

Precisamos conversar eram as palavras que não queria ouvir, que não precisa ouvir.

—Minha deixa — acenou para qualquer outro canto.

—Sente-se — ordenou sua mãe, sem olhá-la.

Julie sentou-se.

Existiam momentos de ser rebelde e dizer não e existiam aqueles momentos, que era apenas uma boa filha educada e obediente. Ou que fingia ser.

—Agora que vocês estão namorando — começou Liz interrompendo os sussurros e olhares assustados de seus filhos — algumas coisas vão precisar mudar. Como nada de estarem no mesmo quarto com a porta fechada e sem vigilância.

—Toma! — gritou Julie, numa comemoração, levantando-se vitoriosa.

Liz balançou a cabeça, desgostosa, embora um sorriso cruel aparecesse em seus lábios.

—E você, Julie, também.

—O-o q-que? — gaguejou sua filha, tomada de surpresa, sentando-se. Isso ela não esperava. — Por que? Confiança, mãe — disse, recuperando a sua própria confiança e paz interior e fachada fria e inabalável que mantinha a vista.

—A questão não é se eu confio em vocês ou não, mas porta aberta — pediu Liz.

—Mas, se você confia — refletiu Julie — manter a porta aberta não seria uma prova que você não confia? Você não estaria se discordando?

—Não...

—Mãe.

—Certo — reconsiderou sua mãe. — Eu não confio em vocês. Porta aberta.

—Por que? — questionou Liam. As primeiras palavras desde que sua mãe começou com aquele monólogo. Vergonhoso.

—Hum?

—Por que isso agora? Você nunca se preocupou com o fato de eu dormir com Charles no mesmo quarto ou Julie ficar sozinha com Asher.

—Porque um — Liz levantou um dedo — Julie era assexual e eu sabia que ela não tentaria nada nem Asher iria tentar nada, mas descobrimos agora que Julie é demissexual e está namorando e ela é uma péssima influência. Por mais que Ash me respeite, Julie vai levá-lo para o mau caminho. E, no seu caso, o mesmo, tirando o fato da assexualidade. Você e Charles estão namorando e existem hormônios envolvidos, então...

—Onde Charles vai dormir? — questionou Liam.

—Com Julie — respondeu Liz prontamente, embora soubesse que era uma péssima idéia.

—Hurru! — comemorou Julie novamente. — É isso aí! Se eu soubesse disso teria jogado Charles para cima de Liam mais cedo. Vamos ter a noooite toda pela frente, Charles. — Ela sorriu. — Será como uma festa do pijama tooodo dia, toooda hora, tooodo instante.

Charles tremeu. Seus pesadelos viravam realidade.

—Isso não é tudo — interrompeu Liz. Ela que deveria estar assustando e ser assustadora e não uma novata como sua filha. — Precisamos conversar sobre algumas coisas — disse, insinuante

—Não. — Julie levantou-se, sorrindo. Ela sabia o que era essas coisas. — Eu estou fora dessa conversa.

—Você definitivamente não está — discordou Liz. — Asher pode não ser mais...

—Oh, não, não é isso. — Julie negou com a mão, descartando o resto da frase que não precisava ouvir. — Anne já conversou com nós dois.

—Ela não — disse Liz sem acreditar. — Ela teria me dito.

Julie deu de ombros, casualmente.

—Acho que esse não foi o caso então. Para tudo se tem uma primeira vez, mamãe.

—E vocês? Já conversaram sobre isso? Palavras de segurança e tudo mais?

—Palavras de... — balbuciaram os dois chocados.

—Pensando bem. — Julie sentou-se novamente. — Vou ficar. Parece que isso vai ser bom.

—Vocês delimitaram limites? — questionou Liz, colocando as mãos nos joelhos e se inclinando para a frente. — Tipo o que está fora de questão agora e para sempre e o que pode ser negociável.

—Hã... — Liam abriu a boca e voltou a fechá-la. Boca fechada não entrava limites... Moscas! Ele queria dizer. Pensar. Em moscas.

—Você, Charles, tem que sentir-se confortável mesmo quando estiverem apenas beijando — continuou Liz. — Eu me sentiria melhor se você tirasse o blinder. Você pode usar uma blusa folgada ou então um moletom. Algo que te deixe confortável. E você, Liam, definitivamente, definitivamente — repetiu para ter certeza que estava sendo entendida — não vai tocar nessa parte a menos que Charles concorde. Verbalmente. Perguntar é sempre bom. — Liz assentiu para si. — E não é porque não podem avançar o sinal que vocês não podem continuar até onde já foram, entenderam? Não precisam se forçar a algo que não querem.

—Uau — disse Julie, impressionada. — Isso foi ótimo.

Liz sorriu, agradecida, e levantou a mão para um high-five, que Julie bateu, sentindo-se... num encontro com a heroína ou a ídola da sua vida, sua mãe.

"Você está bem?”, ela leu rapidamente a pergunta nos olhos de Liam pelo canto dos próprios olhos.

—Não – disse Charles, os olhos arregalados, assustados. – Me salve.

Julie riu.

Asher queria muitas coisas.

O universo era feito de desejos.

Desejos simples como sua mãe sair de casa agora, nesse instante, em vez de ficar indo para lá e para cá à procura das chaves do carro, da lista de compras, do seu celular... E haviam os desejos complicados, apenas um pouco, como receber um "sim" e os que eram completamente complicados e quase-que-impossíveis, tal como receber um "sim" de Julie.

"Julie", ele imaginou-se perguntando, "você quer ir ao baile comigo?"

Qual as chances de receber um sim?, pensou, inclinando a cabeça para que encostasse no ombro dela e rindo ao senti-la tão tensa quanto si, tão ansiosa para que Anne saísse e eles estivessem sozinhos quanto ele.

Por que era tão difícil ficar sozinha com Julie?

Sinceramente.

Sua mãe podia ser a maior fã deles, mas ainda sim era sua mãe e era uma plateia que Asher não queria.

Antes de Julie, Asher não se importava com uma. Agora, não é como se quiser mantê-la apenas para si (ele queria), contudo Ash queria que aquele fosse um momento só deles e sabia o quanto Julie não era contra a demonstrações de afeto público, mas era contra qualquer coisa inadequada à seus olhinhos inocentes.

E tudo que Asher mais queria naquele momento era coisas inadequadas à seus olhinhos inocentes.

—Asher! — repreendeu sua mãe.

Asher olhou para ela, assustado.

—Eu não...

—Preste atenção — disse Anne. — Eu vou sair, fazer compras...

—É, mãe. — Asher revirou os olhos. — Eu poderia ter adivinhado.

Anne estreitou os olhos para ele e olhou para sua nora, que deu de ombros.

—Comportem-se — continuou ela.

—Sim, sim, sim — disse Ash impaciente.

—Fale direito. — Julie o cutucou. — Não é você que diz que é para falar direito com a sua mãe?

—Obrigada, Julie — agradeceu Anne, com uma inclinação da cabeça e um pequeno sorriso. Asher foi recompensado com os olhos estreitos e lábios cerrados. — Conversamos quando eu voltar, querido. Não é assim que se fala com a sua mãe.

Asher assentiu, sem dizer nada, sem saber se ela falava sério ou o provocava. Nunca era fácil dizer em relação a sua mãe. Mas ele arrependia-se do seu comportamento desesperado para expulsá-la de casa.

Asher suspirou quando a porta fechou-se e olhou para Julie, que também o olhava.

Eles esperaram um momento em silêncio, apenas olhando um para o outro, e Ash ainda se surpreendia por ela ser tão bonita, por ela está com ele, por poder dizer que ela era sua mesmo que não fosse um objeto e mesmo que... independente de qualquer coisa.

Julie tinha cabelos loiros lisos, que deslizavam completamente por suas costas, pela branca pálida e olhos azuis que sempre o deixava nervoso, porque nunca entendia a intensidade deles.

—Julie — disse simplesmente, sorrindo.

Ela retribuiu.

—Asher — ronronou.

Ele suspirou, esticando a mão e tocando nos cabelos dela, sentindo a maciez e suavidade e...

Fechou os olhos, absorvendo tanto quanto podia.

Ainda era impressionante que ela estivesse ali e eles estivessem juntos.

—Você não vai me beijar? — questionou Julie.

—Você está pedindo?

—Não — disse ela. — Eu não peço. Eu não sou ou estou desesperada que nem você. E você, está pensando no que?

Asher aproximou-se.

—Que você está muito bonita — sussurrou.

Julie acompanhou o movimento e foi para frente também.

—Obrigada.

—Você é muito bonita — completou ele.

—Eu sei.

Asher a beijou.

Julie o beijou.

Não fazia diferença.

Eles estavam se beijando.

Os lábios grudados um no outro, lento e tomando seu tempo, marcando seu gosto e sua forma, aprendendo mais sobre o outro, embora, a essa altura, Asher tivesse esperado já saber tudo – ele sabia, não sabia, ele queria aprender.

O universo era enorme e sem fim e tudo que Asher queria era se perder em Julie, em quem ela era e no que fazia a ele e...

A porta abriu.

Mãeeee, Asher queria reclamar.

Julie o acompanharia. E não era como estivesse constrangida nem nada, ela não fazia nada que Anne não aprovasse. Agarrar-se com Asher? Pff, agarre-se, Anne diria, agarrem-se muito. Mas...

Algo estava errado.

Qualquer que fosse o amor que sua sogrinha sentia por ela, Julie não se sentia muito amada no momento, não enquanto Anne os encarava em silêncio, os olhos queimando de raiva e os lábios apertados com força.

—Afastem-se — ordenou ela. — Precisamos conversar — disse. — Agora.

—O que você fez? — sussurrou Asher, horrorizado.

—Nada — balbuciou Julie, confusa. — Eu acho... que nada.

—Você fez algo — disse Ash.

Julie concordava, embora não soubesse o que era esse algo.

—A-go-ra — soletrou Anne. — Separem-se.

Asher deu um beijo rápido nos lábios dela antes de afastar, sentando-se do outro lado do sofá com bastante espaço entre eles, colocando as mãos cruzadas no colo e ficando ereto — quem o visse, pensou Julie, acreditaria que Asher Iffigen era gente.

—Como você pode, Julie? — questionou Anne, horrorizada.

—Hum. — Julie estreitou os olhos, pensativa. — Eu não sei do que você...

—Você disse a Liz que nós conversamos e nós não conversamos!

—Eu não entendo qual é...

—Uma coisa é eu mentir — interrompeu Anne. — Outra é você mentir pelo meu nome. Eu sou suficientemente capaz de mentir sozinha, eu não preciso que mintam por mim, Julie.

—Você disse a...

—Agora nós precisamos conversar, porque se não vou ter que dizer a Liz que você mentiu e eu não quero dizer isso a ela — disse Anne rapidamente, sem fôlego. — Uou. — Ela respirou, sentindo-se meio tonta enquanto sentava-se na frente deles. — Um momento.

—Claro — disse Julie, grata por poder falar ao menos uma frase completa que na verdade era apenas uma palavra na sua vida.

—Eu posso — começou Asher.

—Quieto — ordenou sua mãe. — A conversa aqui é entre Julie e eu. Então você e Asher...

—Não — respondeu Julie.

—Vocês sabem que...

—Sim.

—Eu não vou precisar...

—Talvez.

Anne sorriu, bem mais aliviada por ter aquela conversa. Ela confiava em seu filho e na sua nora e só ficava um pouco receosa por eles dois juntos, e, diferente de Liz, sabia que algumas coisas eram inevitáveis, mas ela queria que eles tivessem toda as informações necessárias e não é como se desejasse que Julie estivesse grávida antes de ir para a faculdade e ter um emprego e quem sabe casada.

—Foi bom conversar com você.

—Onde paramos?

Julie sorriu assim que sua sogrinha saiu depois de tê-los mandado continuar, desde que não avançassem em nada. Ou contassem a Liz. Oh, Julie não estava contando nada disso para sua mãe nem ninguém. Era por isso que Anne era sua favorita.

Asher soltou o ar, respirou e soube que era agora ou nunca – ele não tinha a tempo para desperdiçar!

—Você quer ir ao baile comigo? – perguntou.

—Hum – Julie se afastou, estranhando a pergunta e a forma como ele tinha perguntado. – Por que você está me perguntando isso?

—P-porque... – Ash balbuciou. – Porque eu quero ir com você.

—Tsk, tsk – repreendeu Julie, balançando a cabeça em negação e decepção. – Nós estamos namorando, Asher — lembrou ela. – Algumas coisas estão subentendidas, faz parte do pacote, como ir ao baile juntos.

—Ahhh – balbuciou ele.

—É, ah – concordou.

Asher franziu a testa.

—Eu não sabia que estávamos no mesmo pacote – explicou.

—Provavelmente não – admitiu Julie. – Mas isso faz parte do pacote simples.

—E casamento? – questionou Asher.

—É um adicional – respondeu ela, dando de ombros em desculpas.

—É? — Asher sorriu, porque esse era um adicional que ele estava disposto a pagar. – Quanto é?

—Estou calculado – murmurou Julie e se inclinou para calá-lo.