NÃO

ÚNICO DIA DE NOIVADO

—Nós não precisamos fazer isso — sussurrou Asher, tremendo, apertando tão forte a mão de Julie, que ela nem sentia mais a ponta dos seus dedos ou enxergava cor, sangue.

—Você não me amava? — provocou Julie.

—Eu acho que não te amo o suficiente — murmurou ele.

—Hum? — Julie se inclinou para ele. — Eu não te ouvi.

—Eu te amo. — Asher levantou os olhos para ela. — Muito. Completamente. Muito mais do que acho possível. Mas mamãe sempre diz para não fazer tatuagens com o nome da sua namorada. Namoros acabam. Tatuagens ficam.

—Eu não sou sua namorada — concordou Julie. — Nosso namoro terminou. E é exatamente por isso que eu quero a tatuagem. Ela vai ficar.

—Eu vou ficar — disse Asher, como se Julie tivesse dito o contrário, como se ela estivesse com medo, como se não acreditasse nele.

Julie sorriu.

—Eu sei que você vai. Você só está com medo da agulha — zombou.

—Por favor, Julie.

—Eu não estou te obrigando a nada, Asher — disse Julie. — Se você não quer fazer isso, não faça. Você tem que aprender a dizer não.

—Você fez — resmungou ele. — A tatuagem.

—Sim, eu não sou você. E não tenho medo de agulhas.

—Eu não tenho medo de agulhas, é apenas... apenas...

—Como é que os jovens de hoje chamam mesmo? — Julie fingiu pensar, batendo o dedo contra seus lábios. — Aicmofobia.

—Ninguém chama assim.

—Você vai parar de resmungar? — questionou Julie. — Estou me cansando disso. Se não quiser, certo. Minha linha vermelha do destino vai estar ligada a mim mesma. Eu sou o meu próprio destino, minha própria alma gêmea.

Asher ainda se sentia... temeroso, receoso, mas sorriu ao ouvir isso, sentiu-se feliz e soube que era certo, que era isso que realmente queria e que nunca iria se arrepender.

—Eu sou sua alma gêmea, Julie? — provocou. — Seu destino?

Ela balançou a cabeça, não acreditando nisso, em nada disso. Alma gêmea? Destino? Não. Julie acreditava em livre arbítrio e no poder da escolha, que as coisas apenas aconteciam. Para o bem, para o mal, elas aconteciam; e tudo era uma reação, uma resposta, talvez uma conspiração contra ela, mas não era algo que não podia mudar, não era algo maior.

Não existia algo maior.

—Eu escolhi você — anunciou simplesmente, porque essa era toda a verdade.

—Vamos acabar logo com isso — disse, a voz falhando apenas um pouco, antecipando a dor que sentiria e emocionado por todas as palavras não ditas, mas que estavam lá, por Julie apenas tê-lo escolhido.

Asher também a escolha.

E, pff, uma tatuagem não seria nada.