Quem é você?
4 Capítulo 4 - R?
Março de 2014;
Meu pai já se recuperou, está com uma cicatriz na testa, mas é o de menos, meu braço também já se recuperou, ficou uma marca discreta, mas olhando de perto ainda consigo ler a palavra DOR, ainda bem que meus pais não descobriram, iriam ficar muito tristes comigo.
Meu pai já se acostumou pelo fato de que eu não fui aprovada pelo tão sonhado por ele, curso de direito. Está tudo melhorando. Um único problema, já e março e todos os cursinhos pré-vestibular já esgotaram as matrículas, mas de qualquer forma, seria um desperdício de dinheiro. Fingia então que estudava por conta própria.
A essa altura, toda a família já sabia que eu não havia sido aprovada, alguns falavam mal, outros apoiavam, pessoas hipócritas, nunca se preocuparam antes, por que agora resolveram se meter na minha vida? Vi meus tios e tias dizendo que eu não sou inteligente o suficiente e que não iria conseguir. Por que não posso seguir meu sonho de ser fotógrafa?
Era um sábado, ainda estava muito quente, o Guilherme veio me buscar para irmos a praia, uma praia muito linda, quase deserta, água bem azul e alguns barcos de pescadores ao fundo. Escalamos uma pedra para ficarmos em cima dela. Péssima ideia, a pedra estava quente e queimou nossas bundas. Então descemos e fomos comprar algo em um pequeno quiosque.
— Você gostou? — ele me perguntou
— Muito — disse, dando um beijo nele
— Te trouxe aqui para você relaxar um pouco
— É bom sair desse mundo robótico dessas pessoas
— Você é a dona da sua vida meu amor, a escolha é sua, não deixa ninguém passar em cima de você e nem dos seus sonhos
Ele me entende como ninguém, talvez se nós não tivéssemos nos conhecido, já estaria suponho que longe daqui.
Junho de 2014;
Chegou, 15 de junho, meu aniversário, agora passo a ter 19 anos. Era pra ser um dia feliz, mas...
Pela manhã, fui recepcionada pelos meus pais e meus tios, meu pai está frio comigo, bem sei o que está acontecendo, queria que fosse uma mentira, mas infelizmente não é.
Fui passar o resto do meu aniversário com o Guilherme, quem eu sei que realmente se importa comigo. Fomos em um restaurante maravilhoso, pedi camarão ao molho de quatro queijos, meu prato preferido, posso comer de tudo, sou magrela mesmo. Já ele pediu alcatra grelhada ao molho madeira, nunca vi uma pessoa que tem tanta paixão por carnes.
A noite, fui para a casa dele, os pais dele não estavam em casa, ainda bem, assistimos televisão até tarde, e fomos para a cama. Hahahaha. Não sei o que eu faria sem o Gui na minha vida.
— Bom dia pirralha — acordei com uma enorme bandeja na minha frente, com m café da manhã completo.
— Bom dia nada, são 7 da manhã, tá cedo, me deixa
— Não, levanta, você tá dormindo demais, vai crescer e ficar mais palito do que já é
— Tá, tá, tá, levantei
Comemos e saímos, o Guilherme tinha aula mais tarde, ele estudava música, tocava guitarra como ninguém, os pais dele o apoiavam e isso era muito legal de ver.
Não queria ir para casa, então fui para a praça, aquela praça mesmo, não havia quase ninguém, só alguns velhinhos jogando gamão e olhando a bunda das meninas que passavam correndo, eca. Sentei no banco de sempre, Duque the duck estava lá,
— Oi amigo — eu disse
— QUACK
— Como você está?
— QUACK
— É, minha vida está meio sei lá, sabe? Queria que tudo isso melhorasse e que meus pais acordassem concordando com meus sonhos
— QUACK
— Você não fala outra coisa sem ser "quack" não?
— QUECK
— Melhorou
Dá pra acreditar nisso se alguém te contasse? Eu sou amiga de um pato, é um pato. Comecei a rir muito e finalmente percebi. Deveria ter nascido um pato também, queria ver a cara do Gui se eu acordasse na cama dele como um pato.
Cheguei em casa, havia um presente na minha cama. De quem será? Abri o pacote e era um iPad air e um iPhone 5s, quem será que mandou? Vi um cartão discreto no meio da embalagem.
"Vicky, minha amiguinha inesquecível, feliz aniversário, que você seja a pessoa mais feliz nesse mundo, nunca esquecerei você e sua família, você tem uma amiga fiel aqui, mesmo que não nos falamos mais, um beijinho. R."
R? Quem será essa R?
Desci as escadas com as duas caixas na mão, perguntei para minha mãe quem havia deixado essas caias lá, para poder agradecer. Que estranho, minha mãe disse que ninguém havia estado lá para me deixar presentes, como essas caixas foram parar lá? Mas já que o cartão estava com meu nome, quem sou eu para recusar os mimos?
Configurei meus dois novos brinquedos do jeito que eu queria, estava muito feliz, mas curiosa de quem havia me dado esses presentes tão caros? Liguei para o Guilherme para contar a novidade.
— Que? Quem deixou isso aí Victória? Foi algum amante é?
— Não gênio, você acha mesmo que se fosse meu amante que tivesse me presenteado eu ia te ligar pra falar, acorda guri
— É, verdade
— E aliás, o cartão vinha bem especificado, foi uma mulher que deixou isso pra mim
— Será que foi a Alice? Será que ela não está tentando fazer as pazes com você?
— Duvido, aliás o cartão vinha com a letra R no final
— R? Que estranho
— Jura gênio?
— Juro pirralha, tenho que dormir, um beijo, te amo
— Também te amo, um beijo
Fui deitar ainda curiosa, quase não consegui, mas nada me vinha a mente de quem seria a R dos presentes. Mesmo assim, não estava feliz, por quê? Havia acabado de realizar o sonho de diversas meninas por ai, mas meu coração de repente se encheu de tristeza e para que os meus pais não conseguissem ouvir meu choro agoniante, afundei a cabeça no travesseiro. Algum tempo depois, quando o choro já havia ido embora, me olhei pela câmera do me novo iPhone, odiei ver aquela garota pela tela do aparelho, o que pude fazer foi bater com a cabeça na parede. Por um momento achei que meus pais estivessem ouvido o enorme barulho que essa batida fez, mas não ouvi eles despertarem, então dei vários socos em mim mesma, isso aflorava minha dor física e diminuía minha dor emocional.
Ah, Vicky, se você soubesse quantas pessoas te amam, não estaria com esses pensamentos obscuros na sua mente garota. Converse comigo Vicky? Converse. Você precisa desabafar com alguém pra não explodir. Todo mundo precisa.
* continua *
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