Quem é você?

5 Capítulo 5 - Falling inside the black


Nossa, minha cabeça dói muito, e eu sinto um galo na testa. Vou até o espelho e lá está, um enorme hematoma que cobre quase a minha testa inteira. Meus braços também estão roxos, mas isso é de menos, porque nada que uma boa blusa de manga comprida não ajude. Abro a minha caixa de maquiagens, ótimo, minha base estava cheia, já que a havia comprado a apenas 10 dias. Passei um monte de produto, pareço um pedreiro rebocando uma parede, mas se não colocar bastante produto, a mancha não sai, não economizo no pó compacto também, CREDO, estou parecendo essas sub-celebridades que lotam a cara de maquiagem achando que estão abafando, mas é necessário.

Ainda penso na R. e no porque ela me presenteou com aparelhos tão caros, pego o bilhete e o releio. "Você e sua família", ela conhece minha família?

— Coisa de doido. Será que foi meu amigo pato que me deixou esses presentes, mas na verdade o nome dele é Ronald, o pato? Mas ele não conhece minha família, não pode ser.

Desço para tomar meu café, hoje é sábado, ainda bem, então meu pai vai dormir até mais tarde, sem cara feia pra mim de manhã, isso é bom.

— Por que você está tão maquiada desse jeito minha filha? — pow mãe, tinha que entender tanto de maquiagem assim?

— Não é nada, vou sair com o Guilherme, quero estar bem.

— Hum. Não volte tarde

— Não se preocupa, eu nem volto hoje, vou dormir com ele.

— Mas...

Nem dei tempo de ela completar a frase, saí correndo para a minha liberdade, junto com o meu namorado que eu tanto amo. Só ele tem o dom de me deixar tranquila.

Entrei no carro dele, ele é o homem mais organizado do mundo, o carro dele tem um cheirinho muito bom, parece que acabou de sair da loja. No rádio está tocando Skillet — Falling inside the black, é ma música boa de se ouvir, eu gosto, e é a inspiração dele.

— Eu amo essa música — ele disse

— Eu sei, eu sei

— Não precisa ficar com ciúmes, eu te amo mais do que a música — disse ele rindo enquanto me dava um beijinho.

— A bom saber, muito obrigada, eu também amo essa música

— Minha perfeita namorada rockeira

Fomos a casa do Victor, o amigo gato dele, eles iriam ensaiar, a casa do Victor é enorme e pasmem, ele mora sozinho.

— Até que enfim né seu bosta, oi pirralhinha lindinha — esse é o Victor falando.

— Respeita seu pau no cu, ela é minha namorada, se continuar com as gracinhas, te meto a porrada

— Desculpa apaixonadinho, vamos ensaiar então, eu eim, que guri doido

Victor toca bateria, e o Breno, outro amigo deles, toca baixo, e tem também a Megan, que é a vocalista da banda e namorada do Breno, a banda se chama Banda sem nome, é, muito criativo, eu sei, eles são muito bons, terão muito sucesso, eu acredito.

Eles tocaram tanto, que quando vimos já era mais de meia noite, e então acabamos todos dormindo na casa do Victor, a casa dele é enorme, tem 5 quartos imensos, também, os pais dele são empresários, tem uma rede de lojas de roupas em todo o estado.

Eu falei que a casa do Victor fica de frente pra uma floresta lindíssima? Nada mais justo do que uma trilha pela manhã para o domingo ficar animado. Guilherme e eu fomos na frente de todos, correndo e rindo, até eu topar com ma pedra e cair com o nariz na terra. Guilherme não sabia se me socorria ou se gargalhava, é, muito obrigado meu amor.

— Desculpa, você tá muito engraçada com esse nariz marrom

— Valeu, é bom servir de saco de risadas pros demais

Os outros chegaram onde nós estávamos e começaram a rir mais alto ainda.

— Qual é cambada? Vão ficar rindo de mim? Vou ir pro circo

— Desculpa anjinho — essa é a Megan — Mas é que é improvável alguém cair de cara na terra e sujar só o nariz, está muito engraçado

— Tá bom, virei a palhacinha da turma, podemos terminar a trilha agora?

Então partimos até o fim da trilha, mas não antes de todos eles tirarem fotos minha com o nariz sujo de terra, pessoas muito legais. Fiquei com o nariz sujo de terra até chegarmos em um lago, perto no fim da trilha, ainda bem que a terra não sujou minha testa, não queria que nenhum deles vissem o roxo na minha testa.

Cheguei em casa bem mais tarde, só de chegar na porta me dá uma aflição, não gosto de estar aqui, tudo mudou depois daquela droga de vestibular.

Preferi não jantar e subi direto pro cafofo, tomei um banho, atualizei minhas redes sociais e deitei na cama. De repente meu celular vibrou.

" Oi Vicky, você está linda demais. parabéns, R."

Mas o quê? De novo essa R, ela está me assustando.

Ouvi meus pais conversando sobre mim no quarto deles.

— Deixa ela meu amor, é a vida dela, não a nossa

— Mas ela tem que fazer o que nós mandamos, nós somos os pais, ela tem que ser rica, é o mínimo que ela tem que nos dar

— E quem foi que disse que faculdade dá dinheiro? Conheço muitas pessoas que tem diploma e estão na miséria

— Não quero saber dessa conversa, vai dormir, chata do caralho

Não pude deixar de chorar, afinal, doía em mim não conseguir ser aquilo que os meus pais querem para mim, mas...

É A MINHA VIDA...

Levantei e fui ao banheiro, não gosto de quem eu vejo no espelho, ela não é a Victória, é uma completa estranha, ela me olha com um olhar de pena, enquanto eu a olha com ódio.

— Odeio você Emily Victória — ela me disse

— Eu amo você Vicky

Bati no espelho com força, mas por sorte ele não quebrou, seria mais um prejuízo e mais um motivo para brigas, meus pais ouviram e vieram até o meu quarto.

— O que foi isso?

— Não foi nada, deixei cair um negócio aqui

— Mas que negócio?

— Hmm... — pensa Vicky, pensa — Um estojo com maquiagens

— Mas como foi que um estojo de maquiagem fez tanto barulho?

— É porque tem esmaltes velhos junto, muitos, o estojo ta pesado, não se preocupem.

Voltei para o banheiro e voltei a me encarar. Bati de novo, mas dessa vez no balcão onde fica meus produtos de beleza.

De repente ouvi um barulho metálico de algo que caiu no chão, me abaixei e vi, era a lâmina.

Desculpa pai, desculpa mãe, desculpa Guilherme, eu fiz de novo...

* continua *