Quem sou eu?
20 Capítulo Vinte
Notas iniciais
– Amethyst?
Evan me acordou de meus pensamentos.
– O quê? — Perguntei, meio boba.
– Você está bem? — Ele se aproximou de mim — Você estava olhando pro nada meio triste...
Olhei para Evan, ele parecia um pouco preocupado.
– Eu estou bem — Respondi — Não se preocupe.
Ele sorriu.
– Se você diz.
Me sentei em uma poltrona branca ao lado da janela do quarto.
– Evan — Murmurei triste — Você poderia ter me deixado dar um soco na Ruivinha...
Não me lembro bem por que eu havia dito aquilo, talvez fosse por eu querer esvaziar da mente a ideia de Evan ir embora.
– E por que você veio discutir sobre isso agora? — Ele perguntou, colocando as mãos nos braços da poltrona, ficando á poucos centímetros de mim.
– Por que eu queria tirar a ideia de que você vai embora — Respondi, com a voz um pouco desafinada por eu tentar não chorar.
– Tenta ver um lado bom na questão de eu ir embora — Evan propôs, enxugando as lágrimas que escaparam com dedo.
Foi impossível pensar em algo positivo, só havia pontos negativos para mim naquele momento.
– Quero ver se primeiro você vê pontos positivos nisso — Murmurei para Evan.
Ele olhou para baixo, e foi fácil reparar que Evan olhou para os pés não apenas por não ter uma resposta, Evan estava derrubando lágrimas.
Coloquei a mão em sua bochecha molhada e a virei com calma para mim, a tristeza dele me fez lembrar que eu nunca havia imaginado em Evan daquele jeito. Derrotado. Mesmo depois de ter ido na casa dele quando ele estava de luto.
Assim cheguei na conclusão de que se aqueles fossem meus últimos dias com Evan, eu não queria ficar chorando.
Beijei-o com leveza, ainda sentindo algumas das minhas lágrimas descerem por meu rosto. Quando afastamos nossos lábios, eu disse :
– Não quero chorar por você ter que ir embora.
Evan sorriu, e pareceu entender o que eu queria dizer e me abraçou.
Começou á chover, um trovão me fez pular da poltrona assustada, Evan riu um pouco de mim e perguntou :
– Descobri um medo seu?
– Mais ou menos — Respondi, observando pela janela a cidade ser ensopada pela chuva.
– Eu tenho pânico de cobras — Expliquei.
– Sério? — Evan perguntou um pouco surpreso.
– É — Confirmei — Se você quiser me fazer me gritar, coloca uma cobra na minha frente, mesmo que ela não tenha veneno nem nada, eu vou gritar mesmo assim
Percebi que eu havia cometido um erro. Evan faria sacanagem comigo.
– E você? — Perguntei, achei que seria justo eu saber do que Evan tinha medo.
– Não sei.
Não entendi direito o que Evan quis dizer. Ele notou.
– Estou dizendo que não sei do que tenho medo — Evan se explicou — Eu tenho vários traumas que me fazem sentir incomodado. Mas, nenhum deles me fazem entrar em pânico.
– Então me diz um trauma.
Evan pensou um pouco antes de responder, sinceramente, fiquei com medo de saber a resposta.
– Escuro.
Olhei para ele duvidando.
– É um trauma de infância, querida joia — Evam se explicou.
" Querida joia ", chega de apelido, né?. Não aguento mais.
– Não me chame assim — Falei.
– Por que? — Evan perguntou.
– Já ganhei muitos apelidos para um dia só — Respondi.
– Sério? — Evan disse sorrindo — De quem?
– Kailane, você e... — Interrompi á mim mesma e murmurei " Peter ".
O último nome arrancou o sorriso de Evan da cara dele, e me senti um pouco culpada.
– Evan..? — Me perguntei se eu deveria falar algo mais.
Evan certamente havia tido muitos probelmas com Peter, mas era dar um soco nele que Peter ia longe, como no terraço. Mas, eu sentia que havia mais algum problema.
– Amethyst — Evan disse, olhando para os pés — Me diz o que Peter falou sobre eu odiar ele.
– Que ele dá em cima de suas namoradas... — Respondi.
Evan riu com raiva, murmurou " Babaca ", deu as costas para a janela e sentou na cama de casal de seu quarto.
– Depois disso, querida — Elas me trocavam por ele.
Engoli em seco, abri a boca para dizer algo, mas a fechei, fiquei sem palavras que descrevessem o que eu queria dizer, até eu conseguir falar algo :
– Evan, — Falei — você está com medo de eu te trocar como as outras?
Evan assentiu com a cabeça e se levantou com as mãos nos bolsos da calça jeans, a cabeça baixa.
Caminhei até sua frente, Evan levantou sua cabeça, eu disse :
– Evan, eu sou diferente delas — E dei um tapa forte na cara dele.
Evan colocou a mão na bochecha vermelha que bati.
– É... — Ele disse — Você é mais louca.
Eu sorri.
– Ainda bem que você entendeu — Beijei a testa dele — Agora eu tenho que ir. Esse cheiro de cloro não está ajudando a minha vida.
Peguei o cartão de meu quarto, e de Evan, sem ele perceber, e saí do quarto e fui para o meu.
Coloquei os dois cartões em cima da cômoda da televisão, abri minha mala que estava ao lado da cômoda , lembrei de ver o horário, o relógiona parede acima da cama de casal dizia que eram oito horas da noite e me perguntei por quanto tempo eu havia dormido.
Peguei uma camiseta amarela qualquer e um shorts branco de pijama, e deixei-os no vaso sanitário e tomei uma ducha demorada, coloquei a roupa e acabei indo dormir cedo.
Acordei no meio da noite, olhei no relógio e descobri que eu havia dormido apenas meia-hora, me levantei e coloquei um jeans preto, uma camiseta de manga curta preta sem estampa, uma blusa xadrez preta e branca e um tênis preto.
Peguei o cartão de meu quarto e entrei no elevador para ir ao terraço.
Eu não sabia por que exatamente eu estava indo para o terraço, pensar na vida talvez.
As portas do elevador abriram e abri as portas do terraço, que por mais estranho que pareça, estava destrancada, Evan estava sentado na beira da piscina de costas para mim.
Me aproximei de Evan, e me sentei ao lado dele.
– Estou começando á achar que não é mais coincidência de você sempre estar no mesmo lugar que estou ou vou — Comentei.
Evan deu um sorriso desajeitado.
– Amethyst, eu gosto muito de você — Ele disse — Mas, eu não chego ao pontode te seguir.
– Você não passa de amor á perseguição maluca? — Perguntei.
– Não — Ele disse um pouco corado — Mas eu já atingi o máximo no amor.
Senti minhas bochechas corarem e não pude evitar de dar um sorriso sincero. Me aproximei dele até nossos lábios se tocarem e nos beijarmos.
– Eu não quero que você vá embora — Falei baixinho, com o meu nariz tocando no de Evan.
– Muito menos eu — Ee respondeu baixinho como eu.
Evan me abraçou e disse que tudo ficaria bem.
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