Quem sou eu?
21 Capítulo Vinte E Um
Notas iniciais
Evan disse que tudo ficaria bem, mas eu duvidava disso.
Ele beijou minha testa e disse :
– Eu ficaria se pudesse. E se não, eu levaria você junto.
– E por que não leva? — Perguntei. Eu era capaz de ir com ele.
Evan riu com tristeza.
– Você tem família aqui, Amethyst — Ele respondeu.
– Você também, ué!
– Não — Ele disse — Não mais.
Lembrei de seus tios e prima. Mortos.
– Onde está o resto de sua família? — Perguntei.
– Estou namorando uma garota que mal me conhece — Evan resmungou.
Eu ri um pouco.
– Mas, sério — Falei — Onde o resto de sua família está?
– Inglaterra — Evan respondeu — Meus pais são de lá. Mas, eu e Annie nascemos aqui no Estados Unidos. O resto de minha família ainda está na Inglaterra.
Fiquei quieta por um segundo.
– E você vai para a Inglaterra?
Evan assentiu com a cabeça.
Ruivinha chata. Foi o que pensei.
Suspirei alto, Evan olhou para mim, sabendo o que eu estava pensando.
Evan abriu a boca para falar algo, mas fechou-a rapidamente.
– Posso falar algo?
– Sim.
– Digamos que eu menti na questão de semanas e sejam três dias.
Levantei a mão para bater em Evan, mas me impedi. A culpa não era dele.
– Que raiva — Resmunguei.
– Desculpa — Ele disse, com a mão em meu ombro.
Enterrei minha cabeça em minhas mãos por alguns segundos e por algum motivo maluco, me joguei nos braços de Evan, e acabei ficando em seu colo, ficamos abraçados por um tempo, então Evan finalmente disse :
– Você precisa de descanso.
– Não me diga! — Brinquei.
Saí do colo dele e me levantei, Evan se levantou também.
– De uma escala de um á dez, você me ama quanto? — Perguntei.
– Doze — Ele deu um sorriso torto.
– Não sabe contar? — Murmurei um pouco corada, ele riu.
Evan envolveu o braço em meus ombros e caminhamos até o elevador juntos em um silêncio que eu não aguentava.
– Sabe, eu tive um ex que tinha dito que quando fizessemos dezoito anos iríamos nos casar — Tudo bem, não era a melhor ideia de começar uma conversa, fazer o quê..
– Por que está me contando isso? — Evan perguntou, ainda com seu sorriso torto na cara.
Eu sorri de um jeito maléfico.
– Para te dizer que você já está um pouco atrasado, queridinho — Respondi, Evan arregalou um pouco os olhos.
Ele resmungou algo que eu não consegui entender, eu ri um pouco, o elevador chegou em nosso andar e entramos nele.
– Me diga — Disse Evan, apertando o botão de nosso andar — Como vocês terminaram?
– Ah, pelo mesmo motivo que todos terminaram comigo — Respondi, olhando para a porta do elevador — Louca. Insana. Fugitiva de hospício. Essas coisas...
– Sério?
– É... — Falei com a voz desafinada — Eu estou exagerando um pouco, mas é mais ou menos esse motivo.
– Bem — Ele disse, com seu sorriso torto ainda maior do que já estava e comecei a ficar com um pouco de medo — Eu não me incomodo com o fato de você ser... Louca, insana e fugitiva de hospício. Posso dizer então que não estou atrasado, e você não vai achar um igual, queridinha.
– Metido — Resmunguei.
– Louca — Ele retribuiu.
– Chato.
– Estranha.
– Idiota.
– Gorda.
– Aí você passou dos limites! — Gritei, mas não tão alto, eu não queria acordar o hotel inteiro.
– O que você vai fazer? — Evan me provocou — Pegar meu dinheiro e dar para uns três manés de novo?
Puxei a orelha dele com força e só soltei quando ele disse :
– Ok, ok, você está certa! Você é magra, linda, legal, amigável e carinhosa! Peço mil desculpas, agora pode soltar minha orelha?
Soltei-o, Evan tocou na orelha dele.
– Você é má — Ele disse, parecendo um criança.
Dei uma risada maléfica escandalosa e depois falei :
– Eu sei.
O elevador chegou e caminhamos pelos corredores, passamos direto pelo quarto de Evan.
– Sabe por que sou má?
Evan suspirou.
– Por que?
Chegamos na porta de meu quarto, abri ela.
– Porque eu roubei o cartão de seu quarto.
Evan arregalou os olhos e colocou a mão no bolso da calça jeans procurando o cartão.
– Como você pode ter achado que tinha pegado o seu cartão do quarto, sendo que eu peguei ele antes de você ter saído para ir pro terraço.
Ele ficou quieto, até que disse :
– Psicopata louca! Sua psicopata maldita!
Eu ri, entramos no quarto.
Evan quando viu o seu cartão na cômoda da televisão de meu quarto, pegou-o rapidamente e enfiou no bolso.
– Cara, eu estou apaixonado por uma psicopata — Ele murmurou para si mesmo.
Cheguei mais perto dele e perguntei :
– E você não gosta disso? — Em nenhum momento falei que era algo ruim — Evan respondeu sorrindo.
Nós nos beijamos, e tudo que pude sentir naquele momento foi o calor de corpo de Evan pressionado no meu.
– Eu não vou cometer o mesmo erro que teus ex-namorados cometeram — Evan falou, ainda com as mãos um pouco acima de minha cintura, e as minhas mãos envolta de seu pescoço.
– Qual? — Perguntei.
– Desistir de você — Evan me beijou novamente — Cara, eu te amo.
– Eu também te amo — Falei, meu sorriso não era o suficiente para transmitir naquele momento, eu queria Evan para mim para sempre.
Abracei ele com toda a força que eu achava pelo meu corpo, e acabei nem me importei que eu talvez estivesse machucando ele.
– Você está me deixando sem ar, se você não percebeu, queridinha — Evan disse.
Soltei-o ainda sorrindo.
– Eu prometo que volto para você, exatamente no dia de seu aniversário — Evan afastou uma mecha de cabelo escuro de meu olho — Eu prometo.
– Espero que você seja do tipo que cumpre promesas — Falei, abaixei a cabeça e depois voltei-a á Evan de novo — Mas, você pelo menos sabe quando eu faço aniversário?
– Não — Ele respondeu.
– Dezoito de fevereiro.
– Ok. Anotado.
Não me lembro bem o que havia acontecido depois daquela nossa conversa, mas lembro que eu dormi nos braços de Evan em minha cama.
Não havia mais ninguém que eu queria ficar, era Evan com quem eu queria ficar, não havia mais ninguém.
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