Quem sou eu?

19 Capítulo Dezenove


Notas iniciais
E aí, seu corno! E aí, genti? tudo bem? Aproveite!

Tiramos nossas malas do " porta-malas " do ônibus de turismo e algumas outras pessoas permaneceram nele.

Observei bem o hotel, era um grande prédio branco, com uma entrada com colunas e uma porta de vidro, fiquei pensando o quanto Shailenne havia gastado nele, já que ela não havia pedido dinheiro. Pensei na possibilidade de Shailenne ter ganhado na loteria.

Até eu lembrar que ela nunca foi muito de ser sortuda.

Carregamos nossas malas até o hall de entrada, que era enorme, piso com prismas cinzas e marrons, paredes altas brancas, havia uma porta de vidro atrás do balcão da secretária e não havia nenhuma janela naquele andar.

Deixei a minha mala junto ás outras e me sentei ao lado de Evan, que estava sentado em um sofá poucos mêtros ao lado do balc ão.

– Tudo bem — Falei, Evan notou minha presença — Agora me diz quanto Shailenne pagou nesse hotel?

Evan não virou a cabeça para mim.

– Ela deve ter vendido a mãe dela para pagar esse hotel.

Dei uma risada curta e baixa. De repente, fiquei preocupada por Evan não ter me olhado.

– Você está bem? — Perguntei.

Evan se levantou e finalmente olhou para mim :

– Eu só não estou me sentindo muito bem.

Evan se afastou de mim sem dizer mais nenhuma palavra.

Me senti culpada sem realmente saber por que.

Shailenne se aproximou de mim e jogou um cartão em mim, dizendo :

– É o cartão do seu quarto — Ela explicou sorrindo — Pode ir lá, já colocaram sua mala no quarto.

Me levantei e entrei no elevador, um cara de aparência de minha idade entrou junto, apertei " 9 " e ele " 5 ".

Virei um pouco a cabeça para reparar melhor no cara, olhos azuis e cabelos castanhos claros, era muito bonito. Foi tudo o que pude ver nele, o cara reparou meu olhar. Ele pregou um sorriso suspeito em seu rosto.

– E aí, Amethyst?

Ele sabia meu nome. Provavelmente um dos amigos de Shailenne.

– Posso saber quem você é? — Não me importei em ser amigável.

O cara nem se importou o quanto fui rude.

– Sou Peter Lancaster, joia — Comecei a odiar meu nome — Como vai? Foi duro quando Evan te contou aonde iria?

Fiquei um pouco confusa com aquilo. Peter notou.

– Agora entendi — Ele comentou — O Evan não deve me odiar só porque, dou em cima de suas namoradas — Peter deu uma pausa — Deve ser porque falo muito.

O elevador parou, ele beijou minha boca, pulei para trás e Peter saiu do elevador.

As portas do elevador se fecharam e eu fiquei paralisada de boca aberta até o elevador chegar em meu andar.

Andei pelos corredores vazios do hotel procurando por meu quarto " 942 " dizia em meu cartão. Antes mesmo de eu chegar em meu quarto, pude ver Evan colocando o cartão no buraquinho da maçaneta, caminhei mais rápido e consegui segurar a porta antes que ele a fechasse, Evam levou um pequeno susto, pulando para trás e deixando claro que não havia me visto.

Evan entendeu o que eu queria sem nenhum de nós ter que dizer nada, ele me colocou para dentro de seu quarto com a mão em meu ombro.

– Evan, o que está acontecendo? — Perguntei preocupada, Evan havia deixado estampado na cara sua tristeza.

– Você realmente quer saber? — Ele perguntou, assenti com a cabeça, Evan demorou um pouco para responder e depois disse tudo de uma vez — Meu pai será transferido daqui umas semanas para outro país.

Senti meu mundo cair.

– Shailenne soube e a bocuda falou para o mundo inteiro — Evan continuou — Amethyst, Shailenne na verdade planejou essa viagem como uma despedida.

Era tudo mentira de Evan e Shailenne.

Tudo que eu queria naquele momento era acordar desse sonho horrível. Eu não queria Evan longe. Eu precisava dele. Foi difícil não chorar.

Evan me abraçou forte, e foi me levando até a cama de seu quarto, onde se deitou comigo, ainda me abraçando. Adormeci aos braços de Evan, com a sensação de sua mão acariciando meu cabelo e o som de seus batimentos cardíacos em meus ouvidos.

Acordei em meu quarto do hotel na cama deitada ao lado de um bilhete, me sentei e peguei o pápel, havia a seguinte mensagem, em letra digital apressada :

Eu te amo, mas desculpe.

Tudo o que me lembro foi a minha visão embaçada do bilhete em minhas mãos, molhado por minhas lágrimas.

De repente, alguém bateu na porta, e interrompeu todos os meu pensamentos.

Enxuguei as lágrimas, guardei o bilhete e abri a porta, me deparei com Giselle.

– Oi — Ela disse.

– Oi — Falei, soluçando um pouco ainda.

Ficamos em silêncio por alguns segundos e achei melhor convidá-la para entrar, depois, ela finalmente disse algo.

– Shailenne me mandou para cá dizendo que você precisava de ajuda.

Não fiquei surpresa.

Giselle me perguntou se eu realmente precisava de ajuda, e acabei chorando no colo dela, desabafando tudo em minha mente, e até desejando alguns chocolates para ajudar.

No fim, Giselle conseguiu me fazer parar de chorar, me obrigou á tomar uma ducha fria e escolheu um vestido azul de alça com uma saia que ia até um pouco abaixo dos joelhos e sandálias marrons, " Por que está calor " segundo Giselle, e ela estava certa. Fez uma trança lateral em meu cabelo e me mandou ir para o terraço, onde segundo ela, tinha a piscina vazia e um bom lugar para esvaziar a mente.

Peguei o elevador, e subi ao terraço.

Saí daquele cubículo infernal que chamam de elevador e vi Peter abrir a porta de vidro que levava á área exterior, com o olho direito roxo, ele esbarrou em mim sem se importar, olhei para ele, e Peter retribuiu uma cara feia.

A piscina do terraço era enorme e retangular, e nas beiras haviam cadeiras de praia espalhadas.

O terraço em si, era rodeado por palmeiras em fontes razas, batia um vento que me fazia tremer apenas um pouco, e logo percebi que o terraço estava totalmente vazio, se não fosse por mim, nem por Evan, que estava encostado em uma palmeira com as mãos nos bolsos da calça jeans preta, olhando para os prédios vizinhos.

Desfiz a trança em meu cabelo e me aproximei de Evan, ele me olhou e disse :

– Eu sei o que aconteceu entre você e Peter.

Já imaginei quem era o dno do punho que deu um soco em Peter.

– Tudo bem — Falei, ficando na frente de Evan — Mas, era preciso um soco?

– Sim.

Fiquei um tempo em silêncio sem saber argumentar com ele. Evan riu, eu sorri e ele propôs :

– Tente ser uma pessoa má comigo, aí talvez eu nem sinta sua falta.

Continuei sorrindo e peguei suas mãos, levei-o para perto da piscina, Evan pareceu não entender até um certo ponto, já era tarde demais, eu já havia o empurrado na piscina, ele não subiu á superfície, cheguei mais perto da piscina e Evan me puxou pelo pé, caí nos braços de Evan, nós dois rimos.

Começamos a nos beijar sem se importar o quão estávamos molhados e que qualquer um poderia chegar e ver dois adolescentes em uma piscina com roupa se beijando. Normal.

– Eu te amo — Ele disse, ainda me beijando.

– Eu amo você também, Evan.

Continuamos até um certo ponto, nossos lábios foram desacelerando e se afastando, saímos da piscina e Evan buscou toalhas para nós dois.

Entramos no elevador com as toalhas e perguntei :

– E agora?

Evan hesitou antes de responder.

– As damas escolhem.

– Evan, se eu estou te perguntando, quer dizer que estou sem ideias, não acha? — Brinquei.

Evan sorriu.

– Se você quer realmente uma ideia — Ele começou — Sugiro irmos para o seu quarto.

Eu sabia do que ele estava falando.

– Eu só tenho dezessete anos, Evan.

Ele riu e disse :

– Você pediu uma ideia, eu dei ela.

– Você é estranho — Eu disse.

– Fala isso a garota que bateu de cara na porta.

Me perguntei como ele sabia daquilo.

– Foi um acidente — Protestei.

– Um acidente? — Evan reclamou — Você não podia ver a droga da porta?

– Não! — Gritei, ele riu disso.

– Isso que dá namorar uma louca — Evan disse, se aproximou de mim, colocando as mãos pouco acima de minha cintura, e quase me beijou, se não fosse pelas portas do elevador abrirem.

Evan e eu nos soltamos ao ver que Kailane estava em nossa frente.

Nós três ficamos encabulados com aquilo, e o máximo que pudemos dizer foi " Oi ", Evan e eu fomos embora.

Ele me levou ao seu quarto e a primeira coisa que fez foi me perguntar se Kailane sabia de nosso namoro. Eu ri, pois lembrei que Kailane dizia que Evan me pediria em casamento, a resposta foi simples :

– Não se preocupe — Falei — Ela já está planejando casamento.

Evan se sentiu aliviado, e de repente percebi o quão bonito ele ficava de cabelo molhado, e o quão eu não queria que ele fosse embora.

Notas finais
Capítulo prolongado! Yey! Esse capítulo me deixou triste, incomodada e feliz, e você?