Quem matou Afonso Dallas?

21 Episódio XX - Exposição Arenosa


Notas iniciais
Capítulo repleto de sangue, que se engajará para o desfecho tão obstinado da estória. O próximo episódio é o último e, depois dele, as esperadas revelações em dois capítulos focados estritamente nelas.

I

04/01/2016, 11h43min.

A FACA AFUNDOU NA VIRILHA DE MARCELO, que não conseguiu gritar, já que estava amordaçado. No final das contas, mesmo com a insistência vontade de Biloca em querer ouvir o barulho que suas vítimas fariam, Serginho e Tadeu, e até inclusive Jeferson, que gritou do quarto, enquanto estocava Melissa, o convenceram de que poderia ser perigoso demais; alguém poderia ouvir. E, para os outros, quem abrisse a boca teria a sentença de morte naquele exato instante; receberia um balaço no meio da testa.

— Olha como isso é divertido, cara. — Biloca contornou a região íntima do homem e, findo o trabalho, levantou o naco enorme de carne. O pênis do homem balançava, vermelho de sangue. — Eu queria ouvi você gritar, mas sabe como é: temos de respeitar as chefias. Aqui sou um mero subordinado que foi contratado pra fazer o que eu gosto.

— Para com isso, por favor! — gritou Adriana. — Ele não merece isso.

— Não merece? — ecoou Tadeu. — Por que não?

— Você quer ficar no lugar dele? — Marcelo ouviu e começou a balançar a boca. Seu rosto suado estava paralisado de dor. — Ah, ele ouviu? Não era para ter ouvido. Agora eu vou cortar as orelhas dele fora. Quer ouvir algumas últimas palavras antes de perder a audição?

Marcelo assentiu e, com queixo, apontou para Adriana.

— Acho que ele quer que você fale “eu te amo” — disse Tadeu, sorrindo. — Essa família é o máximo.

Eu te amo, meu amor.

A deixa corrompeu a audição de Marcelo. Biloca, com dois únicos cortes, separou as orelhas dele da cabeça. Os pedaços sangrentos jaziam no chão. Biloca pegou-as e comeu.

— Cartilagem é bom pros cabelos e pra pele.

Gabriela viu aquilo e vomitou. Rodrigo, Lígia e Juliana também o fizeram.

Eduardo não parecia pensar coerentemente. Era nítida a fúria em seu olhar. Ele, por sorte, não falaria nada; sabia que esse era um dos estopins para a morte de muitos reféns. O correto era, por mais que a situação lhe coagisse, ficar boca fechada e esperar a polícia e os negociadores resolverem tudo. No entanto, parecia que não haveria ninguém para salvá-los.

— Agora, como eu prometi, embora você não esteja escutando e não vá gritar porque tá com uma fita na boca, eu irei enfiar isso no teu cu! — Ele falava com exclamações espontâneas e que concretizavam suas emoções sádicas. — Vamos todos aplaudir essa evento histórico. Farei ele rebolar na faca!

Ninguém fez nada.

— Ele mandou aplaudir.

— Você está louco? — perguntou Otávio, balançando as mãos enfaticamente, mostrando o asco que sentia. — Ninguém vai aplaudir isso aqui.

— Tu quer morrer, bicha louca? — perguntou Sérgio. — Quem não quiser morrer comece a bater palmas agora.

Em uníssono, eles começou a aplaudir. O som das palmas suadas misturava-se a respiração ofegante e ao sibilo do ar tenso, que parecia haver faíscas.

— Muito obrigado, pessoal — disse Biloca, e ele parecia sincero. — Isso é muito importante pra mim.

O grandão se levantou e segurou Marcelo, que estava quase desmaiando de dor. Suas mãos pendiam sem movimento, o tiro exatamente nas articulações que comandavam os membros. Biloca sabia do que tinha feito; conhecia muito bem a anatomia humana, pois via vídeos difidentes na deep wep. O homem não conseguia ficar de pé.

— Me ajuda aqui, Sérgio. — Sérgio obedeceu. — Segura ele.

Sérgio o fez. Biloca retirou a calça completamente, pois estava até os joelhos. A parte da frente, sem o pênis e um pedaço da virilha, era uma cena assustadora que ninguém ousava ver. Com o corpo de perfil, podendo, assim, observar tanto a parte da frente e de trás do moribundo, Biloca começou a introduzir a faca melecada no ânus do homem, que acabou desmaiando. Percebendo que ninguém olhava, ele rugiu:

— Quem não olhar o espetáculo vai morrer. — Ele assentiu para Tadeu. Alguns viravam o rosto à força, mas Virgínia, Gabriela, Mirian e Alice demoraram. — Eu vou contar até três, do contrário, Tadeu vai mandar bala. — Três delas levantaram o olhar. Virgínia olhava para o chão. — Um — ela não virou —, dois — ela não iria virar, percebeu Alice —, três. Mate a gorda.

Outro tiro. Outra morte.

O corpo rechonchudo da empregada despencou no chão, sobre a perna de Alice. Ela teve alguma dificuldade para tirá-la de cima.

— Perdi alguma coisa? — perguntou Jeferson, saindo do quarto e arrumando a calça. — O próximo pode ir. — Tadeu correu para o quarto. — Ela é bem boa. Gostei dela.

Indiferente aos comentários de Jeferson, Biloca disse, alegre:

— Você quase ia perder um momento história. — Jeferson lançou-lhe um olhar indagador. Do que ele estava falando? — Esse cara aqui vai rebolar na faca — esclareceu.

— Oh, muito bom — disse Jeferson, aplaudindo. — Ah, e só pra lembrar, o que vocês estão passando aqui é por culpa de Afonso. Se não fosse por ele, nenhum de vocês estaria nesse estado catatônico.

Até morto, esse velho faz merda, xingou Juliana, enfezada.

— É verdade — concordou Biloca. — Ele causou a morte da minha família e, para ficarmos quites, porque tudo na vida é recíproco, eu causarei a morte da dele.

Biloca, que tinha as duas mãos ocupadas — a arma jazia no chão —, enfiou toda a faca no ânus do homem, que, àquela altura, já deveria estar à beira da morte. Ele não conseguia mexer o braço e as pernas, e o tronco dele estava sendo erguido por Sérgio, enquanto Jeferson mantinha a guarda e Biloca trabalhava em sua felicidade. Os últimos resquícios de energia do moribundo foram usados para balançar a bunda, tentando, em vão, desvencilhar-se daquela dor insuportável. Era a única parte do corpo em que ele ainda tinha comando.

— Olha! — exclamou Biloca. — Ele está rebolando sem nem mesmo eu pedir. Isso é simplesmente irado!

O ferimento que existia nas nádegas do moribundo era algo tétrico. A trilha da faca era enorme, alargando verticalmente o orifício, por onde diversos filetes abundantes e agressivos de sangue vertiam com graciosidade. Marcelo não tinha mais força.

— Quero tentar fazer algo — afirmou Biloca. — Segura ele aí.

Biloca retirou a faca do buraco sangrento sem nenhum pingo de indulgência, segurou a faca firmemente e passou a faca horizontalmente no tronco do homem. A faca, que fora amolada por Jorge, tinha a linha de corte extremamente afiada. Pouco abaixo da costela, onde só havia tecido e órgãos moles, uma talha postou-se. Ele continuou repetindo o movimento até ver a parte de cima de o homem resvalar por sobre a parte de baixo, caindo com um baque molhado sobre a poça de vômito de Adriana e do sangue de Robson. As tripas e os órgãos do homem despencaram e ficaram espalhados pelo chão pútrido.

Vários gritaram e outros vomitaram novamente, mesmo tendo medo de atingir algum ponto que atraísse a atenção do psicopata para si.

— Quem está gostando do show grita “eu”! — brincou Jeferson.

— Eu! — gritou Biloca. Ele estava todo manchado de vermelho.

— Agora eu vou escolher outra pessoa. — Ele colocou mão carmesim no queixo, maculando-o. — Acho que você. — Ele apontou para Rodrigo. — É um rapaz bonito, mas não vai iria ficar assim pra sempre, de qualquer forma. Só estou adiantando um pouco as coisas que inevitavelmente iam acontecer.

Sérgio foi até o rapaz e levantou-o. Rodrigo não tentou fazer nada. Sabia que, se fizesse, iria morrer.

II

04/01/2016, 11h48min.

QUANDO O OUTRO HOMEM ENTROU NO QUARTO, Tadeu, Melissa estava ainda na mesma posição, sem roupa nenhuma.

— Se achou o chefe rude, não sei o que irá pensar de mim.

Melissa sorriu maliciosamente.

— Pra falar a verdade, eu adorei o que ele fez. Mas achei que ele foi tão rápido. E nem teve um boquete. Queria tanto engolir aquela porra inteira.

— Olha, se quiser, pode fazer comigo. Nunca vi o pau dele, mas aposto que o meu é maior. Eu medi uma vez e deu vinte e seis centímetros.

— Uau! — exclamou, ligeiramente fascinada. — É grande mesmo. Eu poderia...?

— Claro. — Ele se sentou na cama. — Mas, se tentar fazer alguma besteira, eu estouro seus miolos.

— Por que eu tentaria? — perguntou ela. — Tu já se olhou no espelho? É a encarnação de um deus grego. — Que mentira deslavada, Melissa! — Não perderia essa chance por nada. Se eu vou morrer de qualquer jeito, que seja depois de um sexo selvagem.

— Então chupa aí.

Melissa se agachou e começou a fazer o que tinha pedido. A arma do homem estava na mão esquerda, postada um pouco acima de sua cabeça, enquanto ele ofegava. Melissa se levantou novamente.

— Posso te beijar? — perguntou ela. — Prometo que não vou fazer nada.

Melissa não precisou iniciar a ação. Tadeu o fez por ela. E, naquele momento de descuido, Melissa conseguiu se desvencilhar do beijo, colocando a boca do homem na altura de seus seios. O homem começou a lambê-los, Melissa em seu colo. Então, quando achou que daria certo, ela se levantou.

— Me chupa — disse ela, sua vagina no rosto dele. Agora vai ser fácil.

Melissa virou-se de lado e meteu uma joelhada no rosto dele. Aqueles pequenos átimos foram suficientes para ela pular e agarrar a arma. O homem gritou tarde o suficiente para tomar um tiro no meio da testa. Com o treinamento que havia recebido do pai, Melissa havia aprendido a atirar mesmo em situações tensas como aquela — um dos vários testes que o pai adorava fazer — e costumava acertar boa parte dos alvos. E, especialmente, a esta distância, não tinha como dar errado. A bala acertou em cheio a testa do homem. O coice da arma a fez remexer, os seios em compasso, balançando como em uma dança ou um anime ecchi.

Melissa correu e se enfiou atrás do guarda-roupa. Agora era tudo ou nada.

III

04/01/2016, 11h52min.

— TADEU! — exclamou Jeferson correndo para o quarto.

Sérgio segurava Rodrigo, porém, naquele momento, aproveitando a vulnerabilidade do homem, que olhava para a direção do quarto, o rapaz desferiu-lhe uma cotovelada no queixo. Sangue jorrou do local e arma retiniu no chão, na poça de vômito. Adriana, que estava perto, correu para pegá-la, mas Sérgio golpeou-a com um chute. Biloca já havia recuperado a bala e atirado contra Adriana. Por sorte, o que Biloca tinha de sadismo e perícias com lâminas brancas, ele tinha de falta de perícia com arma de fogos. O tiro alvejou o aliado, jogando-o para o chão e poupando a vida de Adriana. Rodrigo jogou-se para cima do psicopata e derrubou-o. Por cima dele, começou a socá-lo com violência. A sequência de golpes resultou em uma mandíbula quebrada e vários dentes no mesmo estado.

Biloca revidou. Usando a coronha da arma, desfechou um semi-arco com a mão, terminando na têmpora do rapaz, que caiu machucado. Juliana já estava de pé e, antes que Biloca atirasse no garoto, ela trombou contra o homem. Os seios pesados forneceram a força necessária para derrubá-lo. A arma caiu longe. Gabriela, muito pequena e franzina, tinha uma boa velocidade. Levantou-se, circulou a poça de fluidos escorregadia e alcançou a arma.

— Atira — ordenou a mãe.

Os leves segundos que ela demorou para agir foram os mesmos que Biloca se levantou e socou-a na boca. Gabriela caiu para trás. Juliana seguiu o homem, que ainda não havia alcançado a arma, e pulou contra o mesmo. A esta altura, Lígia, Valquíria e Mirian já haviam saído do cômodo, à procura de alguma arma para usar contra o homem. Alice ajudava o namorado machucado, enquanto Eduardo fazia o mesmo com Adriana. Otávio, sendo o único a sobrar, correu até a confusão. Juliana estava sendo esmurrada pelo homem. Otávio pegou a arma e engatilhou-a.

— Solte ela — pediu. E, depois, pensou melhor: — Por que eu te pouparia? Vocês mataram o meu pai!

Otávio atirou contra o homem. A bala atingiu a região do peito, lançando-o para trás. Otávio andou até a frente e continuou a alvejá-lo, até que o tique afirmou que a arma estava sem munição.

— Escroto.