Quem eu sou?

4 Gentileza Inesperada


Mesmo estando à noite, estavam lá fora jogando vôlei. Leonardo e Gustavo do lado esquerdo e Thiago e Lena lado direito, e é claro que o esquerdo estava ganhando. A loira apenas observava. Thiago cansado de perder expulsa a irmãzinha e puxa a loira.

— Mas eu não sei jogar – fala a garota desesperada, pois não queria passar vergonha.

— Tudo bem, você não deve ser pior que a Lena.

— HEY – grita a garotinha indignada.

Agatha era sim pior que Lena, não conseguia acertar um saque, dando razão para Leo caçoar de sua situação. Gustavo pede para ele diminuir um pouco, mas o garoto nem ligava. Thiago põe a mão no ombro da garota consolando-a.

— Não se preocupe é a primeira vez que você joga- fala o menino em um tom de voz doce.

— Cara para de mentir ela é muito ruim – falava Leo entre risos, perdendo o folego as vezes.

— Leonardo você está exagerando – fala Gustavo repreensivo.

— Cara se eu fosse você colocaria a Lena de volta, a loira é muito ruim melhor a gente facilitar- ele continua fazendo a garota de piada por um bom tempo.

Thiago nota a raiva de Agatha, que apertava a bola de vôlei com tanta força que parecia quase estourar. Respira fundo, jogando a bola para Thiago pedindo para que lance dessa vez.

– Você vai ver quem é ruim- diz fixando seu olhar diretamente nos olhos de Leonardo.

— Mostra então meu anjo- debocha mostrando um sorriso arqueado. Agatha franze as sobrancelhas.

Thiago faz o primeiro lance, a bola vai para o outro campo. Gustavo rebate para Leo, que bate a bola para cima, Gustavo corre, pula e bate a bola direto para o chão, a loira consegue rebater passando para Thiago que a direciona para cima, a garota pula e joga a bola no campo inimigo conseguindo marcar um ponto.

— Então esse é o poder da fúria de uma mulher? — fala Thiago surpreso.

— Você não viu nem a metade- diz Agatha determinada, com chamas ferventes em seus olhos.

— Ferro! – fala Gustavo sem fôlego.

— Sim...- diz Leonardo também sem fôlego. – Bom, mas não tem problema, a gente não facilita mais.

— Está bem então... – fala a garota – Acabou a brincadeira – sorri.

— Vai moça, Vai Thiago – Lena começa a torcer para eles como se estivesse com dois pompons nas mãos.

— Por que está torcendo para eles?- fala Leonardo indignado- Thiago te trocou.

— Há Leo... – começa a balançar o dedo indicador- Mulheres sempre ficam juntas.

Começa o jogo, Leonardo consegue marcar o primeiro ponto, depois Thiago consegue marcar um, e logo em seguida Agatha consegue marcar outro, o jogo continua, no final claro o lado direito ganha com dois pontos a mais. Na comemoração a garota abraça Thiago que envolve seus braços envolta de sua cintura, levantando-a (n/a: lembrando eles tem a mesma altura, a garota não é baixinha só os gêmeos são meio altos).

Escuta-se um som de rodas de carro vindo pela rua, Thiago solta a garota e todos ali presente correm para ver se era Frederico chegando. Frederico dentro do carro vê as “crianças’’ no portão, ele acena e eles também de volta. Estaciona o carro dentro da garagem, todos vão saudar a sua chegada: – Oi pai- falam em coro menos a loira que só dá um simples olá. Amancha roxa em sua perna chama a atenção do homem.

— O que ouve para você ter esse hematoma? – pergunta preocupado.

— Não foi nada Senhor- fala sem graça, não queria incomoda-lo.

— NADA?! — exclama Leonardo indignado.

— Esse nada se chama Daniel- Thiago fala serio.

— Ela foi salvar Gustavo e acabou nisso- Lena aponta para a perna da moça.

— Daniel? Salvar o Gustavo? Não estou entendendo.

Gustavo explica tudo para o pai, o mesmo depois de ouvir tudo entra em casa muito furioso. Sobe as escadas, em passos pesados, indo em direção ao quarto de Daniel. Começa a bater na porta quase a derrubando, Daniel abre a porta para o pai e recebe um tapa em seu rosto.

— QUE PORRA É ESSA PAI?- aumenta o tom de voz, estando confuso e irritado.

— Isso é para você aprender a nunca nem pensar bater em uma mulher... – fala Frederico muito nervoso, apontando o dedo na cara de seu filho — Estou cansando das suas graças Daniel.

— EU BATI NELA? FOI ESSA LOUCA QUE COLOCOU A PERNA NA FRENTE.

— Olha seu tom de voz comigo garoto, você achou o que? Claro que ela ia fazer algo para salvar Gustavo, e de onde tu tiraste essa idéia bater no teu irmão?

— bla, bla, bla, Gustavo começou e você não diz nada.

— Há claro tadinho de você, tirando isso que acabamos de falar você não deixa de atormentar a garota não tem vergonha Daniel?

Os dois continuam discutido enquanto o resto está lá fora: – Nos não devemos fazer algo?- pergunta à loira preocupada. Todos balançam a cabeça negativamente, depois de um tempo só se vê Daniel saindo de dentro de casa.

P.o.v Daniel.

Começa a ignorar tudo que meu pai diz e coloco um casaco. Saio de dentro de casa e no quintal vejo todos que me olham espantados, principalmente aquela vadia.

— É tudo sua culpa – grito para que conseguisse ouvir.

Fim do P.o.v.

Senhor Frederico vem logo atrás gritando o nome Daniel para que eles terminem de conversar, o garoto passa pelo portão e sai correndo sem rumo.

Depois de algumas horas.

Daniel ainda não tinha voltado, já era meia noite e nenhuma noticia, então decidem ir atrás dele, restando na casa só a Agatha e Lena. A garotinha choramingava por preocupação.

— Será que aconteceu algo com Daniel? — fala agarrada na moça.

— Claro que não... – agacha — Por que não vai se deitar enquanto eu faço um chocolate quente para você dormir?

Assentia concordando, sobe para o segundo andar. Agatha vai para cozinha e começa a fazer o leite. Leva para Lena que já estava deitada, a menina toma e logo cai no sono. A loira apaga as luzes e sai do quarto de fininho. Desce as escadas pensando no que poderia ter acontecido com Daniel.

P.o.v Agatha.

Aonde Daniel deve ter se metido? Será que eu deveria procurar também? Não, não, com certeza eu me perderia e só arrumaria mais problemas. Respiro fundo, sentando-me no sofá. Para que me preocupar com aquele idiota? Procuro o controle para ligar a TV então escuto um barulho vindo do quintal.

Vou até a porta, olho pelo olho mágico, mas não consigo ver nada, pois estava tudo escuro. Será que devo ir lá fora e se for um ladrão? Reúno coragem e abro a porta, me assustando com que vejo. Daniel estava jogado no chão todo machucado, corro até ele.

— Daniel... – chamo ele, mas não acorda – Ai o que faço? — pergunto para o nada desesperada.

Ele espirra, o ponho em cima das minhas costas para levá-lo para dentro, com dificuldade consigo completar a primeira fase agora tenho que levar esse peso para cama. Subo as escadas muito devagar para não fazer barulho, mas acabo cambaleando um pouco quase derrubando Daniel.

— Tinha que ser tão pesado? – pergunto para o nada sendo sarcástica.

Murmura alguma coisa, mas eu não entendo. Consigo abrir a porta do seu quarto que estava encostada. Jogo-o na cama, uma carteira cai do bolso do seu casaco. Estava vazia, com certeza deve ter gastado tudo com bebidas, já que vinha de volta do seu corpo um aroma forte de álcool.

Vou para o quarto de Frederico, para pegar a caixa de primeiros socorros. Começo a tratar de seus ferimentos, depois que termino me levanto para sair do quarto, mas para minha surpresa Daniel segura minha mão. Tento me soltar, mas ele é muito forte.

— Mãe- murmura dormindo.

Pensando bem nunca vi nenhum deles falar da mãe, parecia que ele chamava por ela, pela primeira vez olho para seu rosto e gosta da sua expressão. Seu rosto sonolento era bem calmo nem parecia àquele idiota que é, acabo sentando no chão.

— Por favor não vá — ele falava dormindo, parecendo suplicar, aquilo mexeu com algo dentro do meu coração.

— Não se preocupe eu não irei.

Foi estranho eu dizer isso para ele, deveria tido mandá-lo para o inferno, mas algo desconhecido me impedia. Minhas pálpebras começam a pesar, e acabo adormecendo.

P.o.v Daniel.

— Filho você está todo machucado, vem à mamãe vai cuidar de você- estende a mão.

Segura a sua mão, minha mãe me leva para nossa casa, a sensação quentinha que vinha de sua mão me acalmava junto com o azul claro de seus olhos, seguro com mais força meus machucados doíam ao ponto de chorar, ela pega a caixa de primeiros socorros, depois de cuidar meus machucados, ela vai guardar a caixa, mas não deixo segurando sua mão.

— Por favor, não vá...- começo a chorar – Se você for nunca mais vou te ver mamãe.

— Não se preocupe eu não irei- ela sorri, passando a mão em minha cabeça.

Abro meus olhos vagarosamente, obvio aquilo era um sonho, escuto um murmuro, olho para o lado e me assustando. A LOIRA, o que ela está fazendo aqui? Por que ela está me segurando minha mão? Ou melhor, por que eu estou segurando sua mão? Solto-a. Checo para todos meus machucados, estão todos tratados e pararam de doer, foi ela que fez isso?

Pego meu telefone que está debaixo do meu travesseiro, são 3 horas da manha, então a sensação de estar segurando a mão da minha mãe era por que eu estava segurando a mão da loira? Pensando bem a voz, os olhos, o formato da mão são bem parecidas... Que caralhos tu ta pensando Daniel? Acorda logo essa maluca, se vêm ela aqui vão pensar que fez algo.

Vou acorda — lá, mas algo dentro de mim me para. Ficou todo esse tempo aqui não seria justo eu... Vai ter dó dela agora PORRA? Acorda ela logo, mas... Ta eu não tenho coração de pedra (não é? ¬¬), vou ser bonzinho dessa vez. Pego-a no colo, carregando-a até o quarto do meu pai. Parecia bastante cansada, dou risada, também dormir com o forte cheiro de álcool que tem em minhas roupas não deve ter sido fácil.

Fim P.o.v

Daniel fica admirando o rosto sonolento da garota, mas as vozes vindas lá de fora tiram o garoto de seu transe. Desce indo para sala, onde estavam seus irmãos e pai, que estavam bravos, mas, ao mesmo tempo, felizes em vê-lo.

— Caralho Daniel procuramos você por toda parte- fala Leonardo.

— Olhe para você está todo machucado – Gustavo olhando-o assustado.

— Alem do fato de estar cheirando álcool- completa Thiago, tampando o nariz.

— Não ache que nossa conversa (conversa?) terminou- diz Frederico com os braços cruzados, repreensivo.

— Claro, claro... – Daniel se rende, pela primeira vez não querendo mais brigar – Mas vamos discutir depois, acho que não quer acordar as mocinhas...- olha para Gustavo- Quando abre a padaria?

—7 horas, por quê? — Gustavo pergunta curioso.

— Nada... – Daniel volta a subir as escadas – Bom sono para vocês.

— Perai Daniel...- Gustavo segura a barra da sua blusa, impedindo-o – Foi você mesmo que cuidou de seus machucados?

Sem responder Daniel volta para seu quarto, o resto decide ir dormir também. Frederico é surpreendido ao ver a loira dormindo em sua cama, porque ela não está dormindo com Lena? Será que... Então a ficha cai para ele.

— Acho que terei de dormir no sofá- fala rindo num tom baixo, para não acordar a jovem.

Às 8 horas da Manha...

A loira acorda com os raios de sol que viam da janela. Se assusta ao ver que está no quarto de Frederico, mais ainda de como tinha ido para cá? Levanta e vai para cozinha, onde se encontra todos (quando falo todos são todos mesmo até Daniel), que lhe dão bom dia, ela retribui.

— Senhor Frederico desculpe eu acho sei lá acabei dormindo em seu quarto.

— Não, tudo bem, tecnicamente não foi sua culpa – ele olha para Daniel, o mesmo desvia o olhar.

— Ham Daniel seus machucados estão melhores eu não sei como cuida realmente então...

— Sim estão... – interrompe-a — Bom deixando isso um pouco de lado quer se sentar aqui eu já terminei...- todos param de comer. Os gêmeos cospem todo o leite que estavam em suas bocas. Gustavo e Frederico quase engasgam. Olham para Daniel espantados. — Alguma coisa errada? – pergunta arqueando a sobrancelha.

— Não, nada – falam em couro.

— Eu acho melhor não – fala a garota ainda espantada.

Daniel levanta e vai até a geladeira tirando de lá um bolo com chantili e morangos encima. Vai até Agatha, a mesma se afasta um pouco começando a ficar assustada (o que vai acontecer a seguir que vai deixá-la assustada).

— Bom obrigado por cuidar de mim e desculpa por ter dito aquelas coisas idiotas, também por ter te chutado, então por favor aceite esse bolo e sente no meu lugar- Todos engasgam com seus cafés, enquanto a loira fica paralisada.

— MEU DEUS, o Daniel falou as palavras obrigado, desculpa e, por favor, eu não acredito só posso ter ouvido errado- exclama Thiago.

— Estou mais surpresa por ter falado elas na mesma frase- fala Lena com a expressão mais espantada o possível.

— E ainda deu um presente para ela- completa Gustavo.

— CEUS O MUNDA VAI ACABAR- Leo grita desesperado.

— Daniel é você? Não pode ser te trocaram por um clone- pergunta Frederico, por mais bobo que fosse, seriamente.

Daniel ignorando seus irmãos e seu pai continua com seu braço esticado esperando que a loira pegue o prato. A garota olha para ele, para o bolo e vice-versa: – Só pode ter veneno- fala crente que tinha alguma pegadinha, Daniel balança a cabeça negativamente, então Agatha pega o prato de sua mão e o garoto sai da cozinha.

— Isso... – todos olham para ela para ver o que ia falar- Isso só pode ter veneno com certeza.

— Então ele está com muita vontade de te matar para ter falado três das palavrinhas mágicas- diz Frederico catatônico.

— Não coma isso- fala Gustavo desesperado.

Ouvindo isso lá da sala, Daniel solta uma leve risada – sabia que ela ia ficar surpresa- no final a garota comeu o bolo e sentou no lugar de Daniel.

Notas finais
Extra... — por que continuam a me chamar de loira, moça entre outras coisas? — porque você ainda não escolheu um nome- responde Thiago. — É claro que eu já escolhi, Agatha. — Então dissesse antes- falam as crianças em coro.