Quem eu sou?

6 Confusão atrás de confusão.


— Tem razão, temos que leva — lá ao shopping para comprar algumas coisas além de roupas... – fala Frederico – infelizmente tenho trabalhos para terminar, Gustavo por que não a leva?

— Eu?! — exclama surpreso – Está bom, acho que vai ser divertido.

— Eu vou também — fala Thiago.

— Com certeza eu vou – diz Leonardo.

— Não, não vão, eu sei que vocês tem lição de casa então não vão- fala Frederico severamente, deixando os garotos indignados.

— Eu posso ir?- pergunta Lena levantando a mão.

— Claro meu amor – diz amoroso, Lena sorri alegre.

— Espera só um minuto...- a loira chama a atenção de todos- Não precisam comprar nada para mim, posso muito bem usar a roupas dos gêmeos.

— Não, não você é uma garota deve usar roupas de garota- retruca Leonardo.

— Gente é serio, não quero que gastem comigo.

Depois de um tempo tentando convencer a menina, ela finalmente cede. Lena estava muito animada em sair com a loira, tendo a idéia em sua cabeça como se estivesse saindo com uma irmã mais velha, ou até mesmo uma mãe. Gustavo por outro lado estava meio nervoso, não tinha a mínima idéia de como ajudaria Agatha a escolher roupas. A loira por outro lado ainda não estava totalmente convencida a ir, então foi atrás de Frederico que se encontrava em seu quarto.

A garota bate duas vezes na porta, abre pedindo licença. Frederico estava sentado em sua cama vasculhando na gaveta de seu criado mudo.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, é que... Senhor não devia gastar comigo alem do mais estou de favor aqui.

— Pense nisso como um agradecimento por ter limpado a casa e de ter cuidado de Daniel.

— Mas senhor...

— Nada de mas... – ele a corta – Se não for vou achar que está fazendo uma desfeita...- a garota respira fundo tendo que aceitar – Me esqueci de agradecer por ter cuidado daquele filho idiota que tenho.

— Idiota é pouco- ela resmunga olhando de lado.

— Disse algo?

— Nada!

Ele finalmente acha o que estava procurando, sua carteira que jogou dentro da gaveta. Pega um cartão, entregando para Agatha, pedindo que entregasse para Gustavo. Assentia com a cabeça. Sai do quarto, mas nem precisou ir para o primeiro andar, Gustavo estava entrando em seu quarto. O para já entregando o cartão, o garoto pega e guarda em seu bolso: – Por que não entra? Só vou pegar uma coisa- ele aponta para dentro do seu quarto com o polegar, a garota entra. Senta na cama.

O quarto era realmente muito arrumado, não tinha como comparar com os outros, o que chama sua atenção era a prateleira cheia de livros, levanta para ver.

P.o.v Gustavo.

Finalmente acho minha carteira, fecho a porta do armário, me viro para avisar Agatha que já podíamos ir. Estava lendo um dos meus livros preferidos, Deuses Americanos do Neil Gaiman (Recomendação), lia concentrada, vou perto dela e me inclino um pouco para ficar com a sua altura.

— Gostou? — pergunto sussurrando em seu ouvido, dá um pulo para o lado.

— Não me assuste assim, sim gostei é bem interessante- fala fechando o livro me entregando.

— Desculpe, porem foi engraçado... – dou uma risada, Agatha me olha feio, entortando levemente seu nariz — Bom se quiser pode pegar sempre quando quiser para ler, isso vale para esse e o resto dos livros- falo devolvendo o livro.

— Serio?- ela pega- Obrigada Gustavo- sorri.

Sorrio de volta, gosto do sorriso de Agatha, é alegre e fofo, alem do fato que ela mal sorri então é meio especial. Dês que chegou esta sendo meio estranho, venho sentido pulsações diferentes, mas não deve ser nada, o que me encanta também é que de lá para cá vem se mostrando um garota forte, bem diferente do que sua aparência delicada mostra.

— Vocês demoram muito.

Isso me tira dos meus pensamentos, me viro para trás onde se encontra Lena, com um bico enorme reclamando que estávamos demorando, pego minha irmãzinha no colo: – Você que é apressada mocinha- dou um peteleco de leve em sua testa, digo para Agatha para irmos. Meu pai nos esperava lá fora, já com o carro fora da garagem. Ele ia nos levar para o shopping. Lena senta no banco de trás junto com Agatha. Eu vou na frente.

Fim do P.o.v

Frederico liga o carro e da à marcha, vão em caminho ao shopping, depois de uns 40 minutos finalmente chegam, os três descem do carro se despedindo de Frederico: – Juízo meu filho-pisca para Gustavo, antes que o garoto pudesse falar algo o homem fecha o vidro e liga o carro, Gustavo bufa porque as brincadeiras de seu pai cansavam um pouco.

As garotas olham para ele tentando entender o motivo de estar irritado, depois olham uma para outra e riem. Entram no shopping, lá dentro Lena larga a mão da loira e puxa seu irmão para perto de um banco. O empurra, forçando-o sentar. Pega a carteira do seu bolso tirando o cartão de seu pai, joga a carteira de volta para Gustavo.

— Qual a senha? – pergunta curiosa.

— O que? – fala confuso.

— Fala logo se não eu vou chorar.

— Tá, ta... – ele cochicha em seu ouvido – É essa.

— Obrigada...- ela segura a mão da loira- Vai passear sei lá e quando terminarmos de fazer compras eu te ligo mano.

— Perai o que? Não eu vou com vocês- Lena solta um olhar assustador para Gustavo.

— Não vai não, hoje é dia das garotas.

A menina puxa a loira para longe, deixando Gustavo ali sozinho. Entram em varias lojas, comprando shorts, calças, Lena queria comprar uma saia para Agatha, mas a mesma não deixou já que não se simpatizou com saia. Compram camisetas, regatas, e um biquíni, já que a baixinha planejava levar a loira para praia. Vão ao mercado que fica dentro do shopping para comprar uma escova de dente, sabonete e toalha.

P.o.v Agatha.

Compramos sorvete e agora vamos nos encontrar com Gustavo que estava perto do cinema, Lena segurava minha mão enquanto se lambuzava com o sorvete, é muito engraçado.

— Agatha... – olho para ela- Posso te fazer um pergunta? — balanço a cabeça concordando- Isso... É a mesma mesmo coisa que está saindo com uma mãe? É divertido desse jeito?

Ela me olha, com os olhos tristes, eu queria dar uma resposta decente para ela, dizer que sim, mas eu mesma não sei, a única experiência com família que eu me lembre foi com eles, então como eu poderia responder.

— Eu não sei.

— Entendo — fala desapontada.

— Mas... – olha para mim – podemos fingir que é assim mesmo que tal? E quando eu souber te responderei ok? Também se for possível vou tentar te mostrar do jeitinho que é.

— Promete?- estica o dedo mindinho.

— Claro – me abaixo e selo a promessa.

Chegamos perto do cinema e começamos a procurar Gustavo, ele está sentado num banco perto da escada rolante mexendo em seu celular, nota nossa presença e vem até nós, pega as sacolas da minha mão.

— Vocês demoram muito.

— Você que é apressado mocinho- Lena imita o que o irmão falou antes.

Estava tendo um show de mágica na nossa frente. Lena se junta com outras crianças para assistir, aproveito isso e conto o que ela tinha me perguntado.

— Lena nunca conheceu sua mãe então não me surpreendo dela ter feito essa pergunta- seu tom de voz está fraco provavelmente por dó pela irmã.

— Sua? — fico confusa- Você não quis dizer “nossa”?

— Não, eu falei certo...- ele põe a mão na cabeça – Nossa família é complicada só isso, mas não é nada para se preocupar.

Complicada é? Respiro fundo, eu sei que não posso exigir nada, só que eu queria que me contasse o porquê do complicada, para mim eles são uma família normal, fico em meus pensamentos por um tempo, Gustavo põe a mão no meu ombro chamando minha atenção.

Olho para ele, Gustavo apontava para uma bomboniere, onde eu vi uma das sete maravilhas do mundo, onde eu vi o meu amor, minha vida, uma mini-cachoeira de chocolate ao leite, que caia em cima de morangos totalmente vermelhinhos, eu não sabia qual era mais potente a cachoeira de chocolate ou da minha baba.

Gustavo ri da minha cara, provavelmente porque eu estava colado no vidro parecendo uma criança, me pergunta se queria os morangos com chocolate, olho para ele, depois para vitrine e vice-versa, penso um pouco: – Quero – falo animada, Gustavo entra enquanto fico lá fora para vigiar Lena.

Ele sai com dois potinhos cheios daquela maravilha: — Obrigada – pego os dois, brincando que eram meus, Gustavo me para evolvendo seu braço sobre minha cintura, pega o pote que esta na minha mão direita: – Esse é meu espertinha- fala mostrando a língua para mim, faço um bico fingido estar irritada.

Sentamos no mesmo banco de antes, comendo nossos morangos com chocolate esperando o show acabar, comecei a ficar entediada então decido conversar com Gustavo, olho para ele, a ponta de seu nariz estava um pouco suja de chocolate, acabei rindo um pouco dele, o mesmo olha para mim confuso.

— O que foi?

— Seu nariz...- dou risada – Ele está um pouquinho sujo.

— Sua malvada... – limpa – de vez de me avisar fica rindo da minha cara.

— Desculpa, porem foi engraçado- imito o que ele disse antes.

— Isso é vingança por ter te assustado? — assenti-o com a cabeça- Você fala de mim, mas a senhorita se sujou também.

Ele caminha sua mão até meu rosto, limpando o canto da minha boca, depois lambe o chocolate que tinha em seu polegar, fico um pouco brava era mais fácil me dizer onde estava sujo.

— Tem mais algum lugar sujo em meu rosto?- pergunto.

Ele sorri dizendo que sim, põe o pote em cima do banco, depois coloca a mão em meu queixo erguendo minha cabeça, com o outro braço livre envolve sobre minha cintura e me puxa para mais perto dele, vem se aproximando cada vez mais, já sentia o calor de seus lábios, claramente ia me beijar.

P.o.v Gustavo.

Estava cada vez mais perto, queria saber se seus lábios tinham gosto de morango ou chocolate, pelo rosa claro de seus lábios com certeza é morango, estou em traze, os olhos azuis tão claros me faziam sentir estar no céu, o brilho deles com certeza era a luz do sol, não tem nada mais para me parar, já sinto o calor de seus lábios tão perto só falta à sensação das nossas línguas entrelaçadas.

Fim do P.o.v

O garoto estava prestes a beija – lá, mas uma fumaça densa começa a se espalhar fazendo os dois espirrarem e tossirem, mal dava para enxergam, o cheiro forte não dava chances de respirar, se escuta uma explosão forte, assustando a todos ali presente, fazendo com que a fumaça só aumente.

As pessoas corriam, menos Gustavo e Agatha que procuravam Lena desesperados, gritavam seu nome, mas nenhuma resposta, alem de não conseguirem ver nada sempre eram atropelados por alguém.

— Temos que achá-la!- o barulho obriga Gustavo a gritar.

— Então vamos nos separar- grita à loira.

— Isso seria mais perigoso.

— Não importa, Lena é criança se ela for pisoteada vai ser muito pior- a garota sai correndo.

Agatha corre por todos os cantos, não conseguia ver nada, e sempre tinha que parar para conseguir ar para respirar, ainda não tinha desmaiado pela força de vontade de achar a menina, depois de um tempo não estava mais conseguindo, suas pernas não estavam conseguindo responder, ela ajoelha pedindo a Deus por ajuda.

— So... Socorro – ouve uma voz fina e fragilizada muito familiar.

— Lena é você?

— Mo... Moça.

A loira se levanta ignorando seu cansaço, pede para menina continuar falando para conseguir acha — lá, Lena não estava conseguindo mais já tinha gritado tanto e a falta de ar fazia sua voz sumir, Agatha consegue encontrá-la. Pega a menina nas costas, não sabia como sair de lá, mas daria um jeito. Se localizando pelos poucos objetos que tinha em seu caminho consegue achar uma das duas escadas rolantes que tinha ali.

Desce a escada. Cambaleava um pouco, so que não poderá desistir. Já no primeiro andar, seguia o caminho pelas paredes das lojas pelo lado de fora, com certeza isso a levaria para uma das portas que dão a saída. Quase sem força vê de um pouco longe uma luz forte parecendo raios de sol.

Enquanto isso lá fora...

— O senhor não pode passar- diz o bombeiro.

— Como não? Minha amiga e minha irmãzinha estão lá dentro- Gustavo fala indignado

— Afirmamos que não tem ninguém lá dentro, procure as no meio da multidão.

Gustavo sabia que elas estavam lá dentro, mesmo dizendo tantas vezes o bombeiro insistia que não tinha ninguém, mas quebra a cara quando vê aquela garota loira quase desmaiando saindo do shopping com uma criança nas costas, Gustavo aproveita a distração do homem e o empurra conseguindo passar, Agatha se sentindo segura vendo Gustavo se aproximar de braços abertos, finalmente desmaia, Gusta consegue pega-lá.

Horas depois...

P.o.v Agatha.

— Não se preocupe sempre irei cuidar de você, agora durma.

Não conseguia ver mais nada, alem do sorriso carinhoso, que ao mesmo tempo me dava ternura e arrepios. Abro meus olhos, uma luz clara sega-me por um instante, pisco para otimizar, minha respiração está normal, pernas não estão mais cansadas, mas espera onde estou? Agora notei que estou deitada numa cama de hospital, o quarto é totalmente branco e tem alguns equipamentos ao meu lado que provavelmente me ajudaram a respirar. Vindos de lá fora ouvia gritos.

— Por favor vocês não podem entrar todos juntos- uma voz feminina.

— Há eu vou, vocês fiquem.

— Oque? Não eu entro.

— Eu sou o pai.

— Foda –se... Desculpa eu que vou entrar.

Acho que nem preciso falar quem são, as vozes são tão familiares, respiro fundo, qual a dificuldade de entra um por vez? Escuto um murmúrio vindo do meu lado, olho, e vejo Lena que esta deitada na maca, tadinha deve estar cansada, olho em direção da janela está de noite, PERA? De noite dormimos tanto assim? Me levanto, vejo se Lena está realmente bem.

— Senhores Vocês não podem entrar- ouço os gritos de lá de fora.

— Queremos entrar.

— Mas...

Decido acabar com essa discussão, vou até a porta e abro.

Fim do p.o.v

— Parem de judiar da moça- a loira diz calma.

Todos ficam felizes em vê-la, o gêmeos pulam abraçando-a, Gustavo acompanha, todos acabam entrando mesmo não podendo, quem surpreende a Agatha é Daniel ao vê-lo passando por aquela porta, ele passa reto e vai em direção da Lena.

—Poderia perguntar a Agatha se ela está bem?- fala Leo para ele, Daniel o olha feio.

— Deixa – diz Agatha pondo a mão em seu ombro.

— Não vou perguntar se ela está bem, se não fosse essa...- ele controla a boca por causa dos olhares furiosos- Essa garota Lena não teria ido aquele shopping.

— Você acha que eu quis isso? – Agatha pergunta indignada — Se eu pudesse eu... eu...- a loira começa a sentir varias dores.

A dor forte estava na região do pulmão, sua dificuldade de respirar volta, acaba desmaiando novamente.

—Daniel o que você fez?- fala Thiago com raiva.

— Não fiz nada.

— É por isso que não era para entrarem- escutam uma voz feminina atrás deles- a criança esta bem, mas a garota não, parece que ela fez muito esforço naquela fumaça toda então inalou muito, já estávamos trazendo outro equipamento pois ainda tem fumaça em seu pulmão ela esta com dificuldade de respirar, era melhor ela ficar deitada sem fazer esforço e aumentando a respiração obviamente ia desmaiar mas os senhores não me escutaram, por favor se querem que ela fique bem saiam- a enfermeira aponta para a porta de saída.

— Desculpe mesmo sendo medico não notei isso, vamos garotos- Frederico faz um sinal para saírem.

— Parabéns Daniel- Thiago bate palmas.

— Mas eu... — ele vai abaixando o tom de voz – Eu não quis...- cerra os dente e não termina sua frase.

Gustavo pega a loira no colo e põe de volta à maca, todos saem, Daniel como sempre diferente, para na porta, a enfermeira estava quase o empurrando, mas ele volta a entrar, vai em direção de Agatha, se abaixa um pouco e sussurra algo no ouvido da garota, olham para aquela cena se perguntando que ele falou.

Notas finais
OIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII tubo bem com vocês, façam suas apostas o que acham que Daniel disse? Deixando isso de lado, PEÇO PELO AMOR DE PAPAI DO CEU comentem, não vamos ser leitores fantasmas, adoro responder vocês, a sim o que acham de um novo personagem *Risada Maligna* Quase esqueci queria saber se está tendo muito dialogo entre os personagens ou assim está bom?