Quem deu permissão para abraçar-me?!
7 Isso é estranho
Notas iniciais
Autora POV
5 minutos antes.
—Tyler. -chamou a garota.
—O que? Ah. Ally. O que foi?
—Vai e fala com a presidente.
—Eu já tentei -suspirou- mas ela se recusa a me ouvir.
—Ela já está no seu limite. Só posso dizer isso. -sorriu.
—Limite? De que? -indagou o loiro.
—Todo esse tempo juntos e ainda não sabe? -riu.
—De jeito nenhum. -negou com a cabeça.
—Sendo você, com certeza descobrirá. -tocou de leve no braço do garoto- Agora vai lá.
—Estou indo então. É... obrigado?
—Tudo para ajudar aquela presidente cabeça dura. Vou indo também. -se despediram.
Então tudo aconteceu de forma rápida, em um instante estavam se despedindo calma e normalmente, no outro a garota estava tropeçando no nada e caindo. Como um bom cavaleiro, Tyler tentou segurar a menina antes que ela caísse de cara no chão.
—Ei. Se machucou? -perguntou.
—Hmm...
Foi aí que finalmente notaram a situação em que se encontravam. Sem jeito e sem tempo, Tyler havia segurado a cintura da garota assim que ela chocou o corpo contra o seu, suas mãos instintivamente foram de encontro aos cabelos da garota. Já ela, meio desnorteada, apoiou-se no garoto, de modo que ambos ficaram bem próximos, e estáticos devido essa estranha proximidade.
—Tyler eu... -outra garota adentrou no local.
Ambos se assustaram e olharam na direção da “nova companhia”, ficando ainda mais sem ação ao perceberem que se tratava -nada mais, nada menos- de sua tão discutida presidente.
— Grace, eu... -o garoto tendo se explicar.
— O que, até parece que viram um fantasma, vocês... F- foi mal por interromper esse seu momento de... Intimidade!...
A garota falou coisas desconexas antes de sair correndo dali, impossibilitando a explicação da situação por parte dos outros dois.
— Pre- Presidente, não é o que você pensa...! -Ally tentou falar algo.
— Espere Grace! -gritou o loiro, correndo atrás da garota.
— Não corra pelos corredores! –advertiu Edward.
— Foi mal! –o loiro gritou, sem nem mesmo olhar para trás.
O garoto correu desesperadamente até os portões, mas a garota já não estava mais lá.
— Droga. Você corre mesmo rápido hein... –apoiou as mãos nos joelhos, tentando normalizar a respiração.
— Ei. Tyler. –chamaram.
— Ahn? Oi. –levantou o olhar.
— Está atrás da nossa querida presidente? –um garoto aproximou-se dele.
— Hmm. Como sabe? –arqueou uma sobrancelha.
— Apenas liguei os fatos. –deu de ombros.
— E pra onde ela foi? –ficou de pé.
— Não sei se deveria contar sabe... sem nada em troca não rola.
— O que quer? –suspirou.
— Fotos. –sorriu maleficamente.
— Que seriam de...?
— Da presidente.
O garoto mal terminou a frase e já estava sendo morto lentamente pelo olhar em chamas do loiro a sua frente.
— Pra que?
— É pegar ou largar. –o garoto simplesmente ignorou as amaças.
— Ok. Liga o Bluetooth. –suspirou, pegando o celular no bolso.
— Não. Quero fotos reveladas, e realmente espero que ninguém saiba disso. –virou as costas e saiu andando calmamente.
— Ei! -gritou.
— Ah sim. Ela foi para a esquerda. -gritou de volta.
— É cada uma que me aparece... eu hein. -passou a mão pelos cabelos loiros.
Diferente de antes, dessa vez ele foi andando, já sabia para onde a garota estava indo, então o melhor seria, calmamente, se acalmar e pensar em como começar a explicar a situação à garota problemática.
Apenas 15 minutos de uma agonizante e rápida caminhada e Tyler havia encontrado Grace no lugar imaginado: a sorveteria.
Diferente do que esperava, ele estava nervoso. Afinal nunca teve que se explicar para ninguém, e conhecendo a garota, também teria que se desculpar e enchê-la de mimos para ser perdoado.
— Nunca vi alguém que sempre foge do frio amar tanto tomar sorvete. -se aproximou da garota e falou de repente, assustando-a.
— Não me assuste assim. -falou- E eu não fujo do frio tá?
— Claro que não. Esse sou eu. -foi irônico- Posso me sentar?
— Se eu disser não vai adiantar em algo? -arqueou as sobrancelhas.
— Vamos ver... -fingiu pensar por algum tempo- Não. -puxou a cadeira e se sentou, ficando de frente para Grace.
— Hahaha. Estou morrendo de rir.
— Bom pelo menos já é um começo. -sorriu.
— Que começo? -indagou a morena.
— Esquece. -ele balançou a cabeça- Está chateada?
— Deveria estar? -desviou o olhar do garoto à sua frente.
— Olhe para mim. -reprimiu um riso.
— Estou sem vontade, vai me obrigar? -o encarou com um sorriso irônico nos lábios.
— Está chateada? -repetiu a pergunta.
— Que saco Tyler! Insuportável! -aumentou o tom de voz.
— Ahh. Está com raiva. -falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Estou com raiva. Só de pensar que preciso olhar para essa sua cara horrível eu já fico irritada. -grunhiu.
— Uau. -fez uma cara surpresa- Você devia fazer isso mais vezes. -relaxou o corpo na cadeira.
— Isso o que? -lambeu o sorvete que derretia em seus dedos finos e gélidos.
— Ser sincera.
— Sempre fui né. -revirou os olhos.
— Não comigo.
— Porque você era muito idiota. Quer dizer, ainda é.
— Mas isso foi a muito tempo, então não conta como vantagem. -ela arqueou as sobrancelhas- Ah qual é Grace, a gente tinha 7 anos.
— Correção: você tinha 7 anos, e sempre enchia o saco e me fazia chorar.
— Porque você era fofa. -argumentou.
— Ainda sou. Voltando. Nenhuma garota fica fofa chorando, nenhuma.
— Você sim.
— Oh serio? Usarei isso contra você algum dia. -riu.
Aproveitando a distração dela com o sorvete, ele pegou seu celular e tirou uma foto, assim que ela olhou para ele.
— O que está fazendo? -bateu as mãos na mesa.
— Recordação. -respondeu enquanto olhava a foto que foi tirada recentemente.
— Sei. -ficou desconfiada.
— Não posso dar essa foto a ele. -resmungou e pôs a mão livre na frente do rosto.
— Tyler, porque está vermelho?
— Não estou. -virou o rosto e guardou o celular.
— Hum ok. O que veio fazer aqui mesmo? -perguntou sem olhá-lo, já que limava as mãos em um lenço de papel.
— Esclarecer um mal entendido. -a encarou.
— Uhum. Que mal entendido?
— O da sala de aula, entre mim e a Ally.
— Não precisa.
— Por que não?
— Já fiquei sabendo o que realmente aconteceu ali. Ela apenas caiu não foi? Está tudo bem. -deu de ombros.
— O que? Espera. Quem te contou?
— O Nathan.
— Anda se encontrando com ele? -tentou esconder a raiva e se acalmar.
— Sim. Ele estuda no mesmo colégio que a gente, sabia?
— Quando vocês se encontraram?
— Hoje mesmo. Mas desde quando o assunto foi parar nele mesmo?
— Desde que você está sob minha responsabilidade eu tenho que saber tudo o que acontece.
— Como se já não soubesse. -suspirou.
— Grace.
— Estou de TPM. Quer saber como acontece também? -riu.
— Não mude de assunto.
— Já mudei. Vamos para casa. Você paga a conta. -pegou a mochila e se levantou.
— Nem pense em fugir.
— Nunca pensei nisso. -levantou as mãos.
— Venha comigo só por precaução. -segurou o pulso da garota.
— Não vou fugir, pode me soltar.
— Nunca se sabe, não é? Ainda mais quando se trata de um desastre ambulante como você.
— Está tentando me ofender senhor Martinez?
— Claro que não senhorita Lewis. -se inclinou um pouco e beijou a bochecha da garota, que ficou um pouco vermelha.
— Bom mesmo. -resmungou.
— Vem, vamos para casa. Estou cansado e você a culpada.
— Ah tá. Você que ama correr atrás de mim e eu que sou a culpada? -dramatizou.
— Isso mesmo. Anda mais rápido que está serenando.
(...)
— Ai que frio. Abre logo a porta.
— Que gracinha você fica toda vermelhinha.
— Por causa do frio. E que isso fique bem claro ok?
— Tá, tá. Pode entrar.
— O que tem pra comer? -sem resposta- Tyler?
A garota andava pela casa, mas sem sinal do loiro ela começou a se desesperar.
— Se isso é uma brincadeira é melhor você aparecer. -se sentou no sofá, temerosa.
— Onde você se enfiou?
— Grace? -chamou.
— Onde vocÊ se meteu!? -assim que o viu, ela começou a bater nele.
— Calma. -ele ria.
— Eu aqui toda preocupada e você aí rindo!!??
Ainda sorrindo abertamente, ele a abraçou apertado.
— Não me abrace!!
— Você está fria.
— Aham. Agora me solta!
— Você fala isso mas está retribuindo o abraço.
— Cala a boca.
— Ok.
Poucos segundos depois ele afrouxou o abraço, agora ele estava com as mãos no rosto da garota, mais especificamente nas bochechas rosadas e ela com cada uma das mãos de um lado da cintura do loiro.
— Com frio? Ou é vergonha?
— frio. Obviamente. Sou muito branca, por isso meu rosto deve estar vermelho.
— Suas bochechas estão frias. -roçou o nariz no local.
— Eu sei.
— Seus lábios também -fez o mesmo gesto, só que agora no lábios da garota.
— Está me deixando constrangida. Pare.
— Deixe-me esquentá-los pra você. -roçou o nariz no dela.
— O que-
Tarde demais. Ele havia sido mais rápido.
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