Quem Tem Medo do Lobo Mau?
12 Twelve
Notas iniciais
Este me deu bastante trabalho para ficar pronto, então espero que gostem.
Boa Leitura ♥
"Destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; não é uma coisa que se espera, mas que se busca.”
( William Jennings Bryan )
Miyavi on
Meu nome é Ishihara Takamasa e hoje eu vou contar a minha historia. A historia de como me tornei braço direito de Ryu. O homem que eu odeio com todas as minhas forças. O homem que eu vou ajudar a destruir.
A primeira coisa que vocês têm que saber é que eu odeio o meu nome. Simples assim. Todos sem exceção me chamam de Miyavi e eu prefiro deste jeito. A segunda coisa que vocês têm que saber é que sou um vampiro. Mas acho que já desconfiavam disso. A terceira coisa é que eu tenho uma missão. Essa missão inclui acabar com Ishida Ryu.
Meu pai foi um dos troféus de Ryu por algum tempo. Minha mãe era uma meio humana que não suportou o meu nascimento.
Vocês devem estar se perguntando como um troféu podia se casar. Bom, depois que Ryu se cansa de algum brinquedo, ele tem de ter uma solução. Na verdade duas soluções. Matá-los se eles fossem muito resistentes ou casá-los para garantir mais vampiros para o coven.
Meu pai era gay, mas isso não importava muito para Ryu, então, não encontrando mais nenhuma alternativa ele se casou e me concebeu. Foi um bom pai, mas foi infeliz por todo o tempo em que viveu. Morreu porque saiu para tentar se divertir uma noite sem a permissão do mestre.
Uma coisa que vocês vão descobrir sobre Ryu, se é que já não descobriram, é que ele é muito controlador, nada acontecia dentro do coven sem que ele desse o seu aval. Então meu pai serviu como exemplo a ser seguido. Se você quer continuar vivo faça o que seu mestre manda sem reclamar. Desde então planejo uma forma de vingar.
Já ouviram aquele ditado que diz para manter os seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda? Funciona.
Eu cresci sabendo muito bem o que teria de fazer. Aproximar-me, tornar-me confiável para Ryu. Comecei sendo prestativo, fazendo pequenos serviços que ninguém mais queria fazer... E sempre fui metódico, quase obsessivo em fazer tudo o mais limpo possível. Sem testemunhas, sem complicações. Deixo bem claro que eu nunca fiz mal a uma pessoa que não merecia. Nunca. Claro que Ryu não sabe disso, para ele não há distinção em bom ou ruim. Se ele não gosta, tira do caminho e pronto.
O que interessa é que meus planos de vingança estavam funcionando perfeitamente bem. Quem vocês acham que colocou na cabeça de Ryu a importância de se conseguir espiões na matilha Suzuki? Eu calculei tudo muito bem, até a presença do pequeno Matsumoto na leva de meninos a serem descobertos pela matilha. Claro que eu não tinha idéia de que o pequeno menino fosse o companheiro destinado para o importante Suzuki Akira, e isso só me deu mais vantagens do que antes. Afinal eu sei que companheiros são muito importantes e que seria muito difícil para Ryu conseguir chegar até o menino com um monte de cães para guardá-lo.
Fui eu também que, propositalmente, soltei para o pequeno Coiote a dica de onde estava o afilhado de Takashima. Agora vocês devem estar surpresos não é? Como eu posso saber cada maldita coisa sobre o Matsumoto e sobre Takashima.
1° Eu sou mesmo muito esperto e fiz uma pequena pesquisa sobre o cara que conseguiu fugir.
2° Ryu era mesmo obcecado por este vampiro. Tudo para ele girava ao redor de Takashima e agora do Matsumoto.
Se eu entendia? Não. Eu nunca vou conseguir entender como uma pessoa consegue brincar com a vida de outras pessoas como se fosse nada. Eu nunca vou entender como enganar e mentir ajudam o nosso coven a ser melhor.
Eu nunca em nenhum momento da minha vida vou entender o porquê de se tirar a vida de pessoas inocentes para se chegar a um objetivo sem sentido. Eu nunca entendi e nunca vou entender as atitudes de Ryu.
O que eu ganho ajudando pessoas que nem sabem que faço isso? Eu ganho um Ryu se contorcendo de preocupação por não estar tendo os resultados que quer. Eu ganho a satisfação de saber que estou ajudando a deixá-lo com raiva. Eu ganho a oportunidade de vingar a morte do meu pai.
Sai da cama com o objetivo de fazer uma pequena visita a matilha Suzuki. Muitos podem achar arriscado, mas eu estava perto demais para não assumir riscos. Era a hora de me mostrar para Alpha. Hora de formar alianças.
Encontrei com alguns vampiros ao lado de fora do meu quarto, mas não parei para conversar com ninguém. Sabia que Ryu não estava e queria voltar antes dele.
A matilha não era tão longe do nosso coven e em minutos eu já estava lá, andando pelas sombras me certificando de não chamar a atenção de ninguém. Haviam poucas pessoas na rua então não foi difícil. Meu único problema era se alguém distinguisse meu cheiro. Apressei meus passos com a intenção de chegar mais rápido, mas em certo momento do caminho eu peguei um cheiro delicioso.
“Meu!”
Miyavi off
oOo
Narrador.
Kai estava em seu consultório, trabalhando em descobrir que composto foi usado para a conversão do companheiro do filho do Alpha de humano para lobo. Ele havia tentando conversar com alguns contatos de outras matilhas para tentar ver se havia alguma pista. Não havia. Isso o estava frustrando.
- Você tem certeza de que não vai sair para comer Uke-san? – Não se assustou com a voz da assistente, afinal sua audição era privilegiada. Mais até do que a de outros lobos.
- Eu já te pedi para não me chamar de Uke-san, toda vez que ouço espero encontrar meu pai em algum lugar. – O sorriso encantador apareceu e a garota pareceu perder o ar por um instante.
- Humm... Claro. – Respondeu ainda confusa com o quanto o patrão era.... Contagiante. Seu sorriso parecia iluminar o local onde ele se encontrava.
- Respondendo a sua pergunta, vou comer mais tarde. Mas você pode ir. – Falou se voltando de novo para a amostra. Ela ficou parada um instante de depois deu de ombros e saiu.
Estava assim, distraído quando de repente todos os seus sentidos ficaram em alerta. Sua pele estranhamente zumbia com algum tipo e eletricidade que fizeram os cabelos de sua nuca se arrepiarem. Ouviu o barulho da porta da frente batendo e se virou exatamente quando um homem entrou no consultório. Prendeu a respiração quando se deu conta de que estava frente a frente com seu companheiro, que, diga-se de passagem, era lindo.
Os olhos do rapaz flamejaram e um sorriso malicioso enfeitou os lábios bem feitos do outro antes que se aproximasse até que o espaço ente eles era mínimo, a distancia de uma respiração.
- Eu... – Gaguejou enquanto se perdia nos olhos do outro.
- Será que podemos conversar depois? Agora tudo o que consigo fazer é provar você. – Kai se arrepiou tanto com as palavras quanto com o som da voz de seu companheiro. Abriu a boca para responder, Porem sentiu os lábios do outro nos seus exigindo abertura, submissão. A ele só restou gemer, os pensamentos saindo de sua cabeça, tudo se tornando uma nevoa. “Meu companheiro.” As palavras eram doces em seu pensamento. O beijo progrediu rapidamente e quando se deu conta Kai estava praticamente sentado na mesa do seu consultório.
- Espera... – Empurrou o outro para tentar conseguir algum ar e também para conseguir pensar. – Eu quero pelo menos saber o nome do meu companheiro antes de qualquer coisa. – Disse ofegante.
- Desculpe. – O outro não parecia estar arrependido e Kai rolou os olhos. – Eu meio que me perdi com o seu cheiro e tudo – A voz do outro saiu divertida. – Ishihara Takamasa, embora eu prefira Miyavi.
- Uke Yutaka. – Sorriu para o outro que gemeu. – O que foi?
- Se você quer ir devagar é melhor não fazer isso. – Fechou os olhos e respirou fundo tentando se controlar.
- Sorrir? – Agora era a vez do mais baixo achar engraçado.
- Você fica ainda mais bonito quando sorri e o puxar do acasalamento não está ajudando a me controlar. – Kai sabia qual era a sensação, pois estava sentindo a mesma coisa.
- Obrigada pelo bonito. – Não pôde se impedir de corar com o elogio.
- Eu não elogiei para ser gentil. – Miyavi respondeu lendo corretamente a expressão. – Eu só constatei a verdade.
- De qualquer forma obrigada. – Kai se aproximou do outro de novo, quase automaticamente. – Droga, isso é muito forte, eu quase não estou conseguindo me controlar e me jogando em cima de você.
- Não é como se eu fosse reclamar mesmo. – O sorriso malicioso estava de volta.
- O que você faz Miyavi? – Kai tentou clarear os pensamentos. Ele nunca havia sido o tipo que age sem pensar e mesmo sabendo que aquele era o seu companheiro parecia que faltava alguma coisa, como se tudo ainda fosse pela metade sabe? Meio vazio. Ele devia estar feliz, mas não conseguia afastar a sensação de que estava faltando alguma coisa.
- Considerando que eu sou um vampiro, e tenho minhas obrigações no coven. Eu também tenho uma empresa de publicidade. – Miyavi estava um pouco confuso, afinal tudo acontecera muito rápido. Ela não havia ido até ali para encontrar um companheiro, mas ele não iria reclamar. Porem a confusão ainda estava lá. Nunca havia pensado em realmente achar o seu companheiro. Claro que esperava achar, mas nunca pensou que realmente fosse achar, parecia como uma ideia impossível ou algo assim.
- Eu sou um medico como você já deve ter percebido. – Kai corou ao declarar o obvio e Miyavi riu.
- Você fica lindo corando também. – Declarou passando os dedos levemente pelo rosto do mais baixo em uma caricia suave. A resposta do medico foi corar mais ainda.
- Você está me deixando sem jeito. – Murmurou com o rosto em chamas.
- Desculpe. – Pediu automaticamente, fazendo o outro estreitar os olhos.
- Porque será que você não parece estar arrependido? – Perguntou.
- Deve ser porque não estou arrependido. – A resposta sincera foi acompanhada por um sorriso que Kai não pode se impedir de corresponder. Seu companheiro era do tipo espirituoso e cheio de charme.
- Então o que vamos fazer? – Kai perguntou se tornando serio. Era obvio pelo cheiro que seu companheiro não era um lobo e sim um vampiro. Era obvio também que eles eram bem diferentes e faziam coisas diferentes. Mas também era obvio para ele que uma separação não estava em cogitação. Só em pensar em se separar do homem que ele havia conhecido em menos de dez minutos, estava fazendo seu estomago embrulhar e um sentimento de quase terror se apossar dele.
- Nós vamos arranjar um jeito. – A voz do outro saiu suave, enquanto a caricia em seu rosto continuava.
- Como?- Detestava o quanto sua voz havia se tornado fraca. Detestava essa dependência quase instantânea do seu companheiro.
- Primeiro temos que nos conhecer melhor. O resto se ajeita devagar. – Miyavi o confortou. Mesmo que quisesse encontrar uma cama... Ou uma mesa... Uma parede... Em fim, qualquer superfície plana serviria para o que ele queria fazer. Mas, embora quisesse muito dar voz ativa aos seus instintos e reivindicar o seu companheiro, sabia que o medico ainda estava reticente, e não queria forçar a barra.
- Eu... – Kai iria falar mais alguma coisa, mas seu telefone escolheu esta hora para tocar. – Desculpe, mas eu tenho que atender. – murmurou enquanto se afastava para pegar o celular. Falou alguns minutos, antes de desligar o telefone e começar pegar alguns instrumentos. – Eu tenho que ir.
- Ir para onde? –Miyavi perguntou e Kai começou a explicar só para se tocar que não sabia o motivo de Miyavi estar ali. Não era comum ver vampiros andando dentro dos limites da matilha sem ter alguma entrevista marcada.
- O que você veio fazer aqui na matilha? – Respondeu com outra pergunta.
- Eu vim para falar com seu alpha. – Miyavi não queria mentir para o seu companheiro, mas também não podia dizer tudo. Ainda não.
- Ele sabe? – Perguntou de novo.
- Não. – Foi sincero.
- Você sabe que os lobos que fazem a segurança do local poderiam matar você? – Kai estava horrorizado. Sabia que a proteção do alpha era primordial e que provavelmente Miyavi seria pego antes mesmo de chegar ao portão. Se ele não houvesse parado por causa do cheiro dele... Estremeceu ao pensar que Miyavi estaria morto naquele instante.
- Eu adoraria vê-los tentar. – Dessa vez o sorriso do outro era perigoso e Kai viu suas presas brilharem. E ao invés de sentir medo, ele só conseguia pensar em como se sentiria quando aquelas mesmas presas o reivindicasse. Um choque de ansiedade passou por todo o seu corpo.
- É serio! Você estava tentando se suicidar? – De repente a raiva se tornou forte. Sabia que era irracional, mas não conseguia se controlar. O seu companheiro poderia ter morrido por causa de um movimento impensado. – Eles não te dariam chance alguma de explicar ou se defender.
- Hey calma ok? – Miyavi ficou surpreso por um momento pela intensidade de emoções que podia sentir vindo de seu companheiro. O medico estava com as mãos serradas e seus olhos haviam trocado para o mais profundo tom de verde que já havia visto. – Não teria acontecido nada demais. – Não pode se impedir de puxar o outro para os seus braços. Ele parecia perfeito ali. Ouviu o lobo respirar profundamente e o ar em torno deles se tornou menos denso.
- Como você pode saber? – Perguntou.
- Porque eu sou um vampiro. – Falou baixo, quase sussurrando, querendo acalmar o seu companheiro. – Sou mais rápido do que qualquer lobo e de qualquer forma, não sou um fracote também.
- Mesmo assim, é arriscado. – Kai respirou fundo o cheiro de seu companheiro que o acalmou quase que instantaneamente.
- Nada que eu não possa lidar. – Miyavi respondeu.
- Você é todo cheio de si não é? – Kai fechou os olhos e se aconchegou mais no abraço, mesmo que a confusão ainda estivesse presente.
- Você ainda não viu nada. – Kai levantou o rosto só para encontrar Miyavi sorrindo.
- O que você quer com o Alpha? – A mudança de assunto brusca era uma desculpa para manter sua cabeça longe de pensamentos pervertidos.
- Você vai saber quando eu falar com ele. – Miyavi respondeu.
- Porque não agora? – Perguntou de novo meio decepcionado porque seu companheiro não queria compartilhar as coisas com ele.
- Porque há coisas que ele deve saber primeiro e eu não quero te contar nada pela metade. – Miyavi sentiu a decepção que saia em ondas de seu companheiro.
- Tudo bem, eu entendo isso. – Kai respirou fundo, antes de se soltar do abraço do outro. – Foi Reita que me chamou, ele quer que eu vá até a casa principal agora. Se você ainda quer falar com o pai dele, você pode ir comigo.
- Eu prometo te explicar tudo lá. – Miyavi respondeu. Depois de juntar todas as coisas se puseram a caminho da grande casa.
Narrador off
oOo
Kai on
Eu ainda estava meio desnorteado com tudo o que havia acontecido. Meu companheiro era um vampiro. Um vampiro malditamente bonito, apesar de exótico. Um vampiro que provavelmente estava a par de toda essa confusão que havia cercado a matilha este mês. Eu mal sei como estou me mantendo de pé e não estou enlouquecendo. O puxar para o acasalamento me colocando mais quente do que o inferno, mas eu não conseguia me livrar da sensação de meio vazio. Sabe quando você tem certeza de que está faltando alguma coisa, mas não sabe exatamente o que é? Quão fodido pode ser isso? A sensação estava quase me sufocando.
- Você está bem? – Ouvi a voz de Miyavi bem perto do meu ouvido. Estávamos quase lá, eu já podia avistar o portão.
- Estou. – Murmurei, mas ele me olhou desconfiado. – É serio.
- Sei. – Foi só o que ele me respondeu, antes de pegar minha mão e apertar. Me senti mais calmo depois disso. Passamos pelos lobos que faziam a segurança sem que eles fizessem qualquer comentário, o que me fez estranhar. Eu sabia que eles podiam cheirar o que Miyavi era, então porque eles não atacaram? Ou pelo menos me perguntaram o porquê de eu estar trazendo um vampiro para dentro da casa do Alpha? Bati na porta e fui atendido pelo próprio Reita.
- Pelo jeito você também trouxe uma visita. – Senti que Reita avaliava meu companheiro, tentando ler se ele era uma ameaça. Prendi a respiração até que vi Miyavi mostrar o pescoço em sinal de respeito. Reita estreitou os olhos, mas acenou e nos deixou passar. Soltei a respiração.
- Você conhece os costumes. – Não era um pergunta.
- Eu conheço muito mais coisas do que você pode sequer imaginar. – Foi à resposta do meu companheiro, e eu fiquei ainda mais intrigado com o significado.
- Eu não entendo o que você quer dizer. – Reita franziu as sobrancelhas confuso.
- Takashima está aqui não é? – Foi à pergunta e de repente não era só o Reita estava confuso. Eu também estava. – Eu tenho cosas bem interessantes para informar. — Foi à única coisa que ele disse antes de tomar o caminho da sala e eu poderia rir da expressão chocada do dono da casa se não soubesse que estava do mesmo jeito.
- Onde você encontrou ele? – Reita me perguntou e eu sei que provavelmente fiquei vermelho.
- Na verdade foi ele que me encontrou. – Respirei fundo quando vi o olhar curioso do loiro. – Ele meu companheiro.
- Parece que companheiros vampiros viraram moda. – Reita resmungou.
- Como? – Não entendi o que ele quis dizer e tive que perguntar.
- O companheiro do Aoi também é um vampiro. – Explicou antes de se virar e ir em direção à sala. Corri atrás dele tentando situar minha mente que estava mais confusa agora do que antes. Encontrei o clima tenso quando entrei na sala, imediatamente fui até onde o meu companheiro que estava ao lado da porta.
- Então que diabos o braço direito de Ryu veio fazer aqui? – Ouvi um homem que eu não conhecia falar. — Algum tipo de jogo?
- Sei o que está pensando, mas se eu tivesse vindo para matar vocês ou leva-los para o meu mestre, eu não viria sozinho não acham? – O tom era divertido e eu vi o outro que eu sabia também ser um vampiro por causa do cheiro, estreitar os olhos.
- Miyavi? – Meu tom saiu bem choroso do que deveria. Ele virou-se para mim pegando e depositando um beijo em minha mão.
- Eu vou explicar tudo. – Falou suavemente para mim.
- Então é bom começar. – Ouvi a voz do Reita se sobressair na sala silenciosa.
- Primeiro vocês tem que relaxar um pouco. – Miyavi decretou. – Se eu quisesse fazer algum mal não viria totalmente despreparado para uma luta. Posso ser meio maluco às vezes, mas não sou burro. Vocês são muitos para que eu tivesse qualquer chance. – Constatou, mas ninguem relaxou. – Segundo: Vocês deveriam agradecer a quem armou para vocês se encontrarem.
- Do que você está falando? – Aoi perguntou.
- Quem você acha que convenceu Ryu a enviar Matsumoto para o lugar que vocês o encontraram? E que também convenceu Ryu a deixar que vocês desmantelassem o esquema todo? – Começou e as maiorias das pessoas na sala não sabiam o que dizer. – Fui eu que mesmo sem saber, proporcionei que seu próximo alpha encontrasse seu companheiro. – Arregalei os olhos quase não acreditando no que estava ouvindo.
- Foi você que deu a dica para o Hiroto, não foi? – O outro vampiro que supus ser o Takashima que Miyavi mencionou, parecia estar mais calmo.
- Aquele coiote é esperto e eu sabia que ele pegaria minha dica. – Miyavi sorriu. – Eu sabia que você encontraria o seu precioso afilhado aqui. – Seu sorriso ampliou ao olhar para o Aoi que estava ao lado do vampiro. – E pelo jeito sem querer proporcionei a você que encontrasse o seu companheiro.
- A pergunta que não quer calar é: Porque você está ajudando? – Me surpreendi quando me toquei que quem havia falado era o Ruki. Ele não parecia tão tímido agora.
- Porque eu preciso da ajuda de vocês para destruir Ryu. – Sua voz saiu tão fria que mesmo eu estremeci. – Eu sei que não consigo sozinho e também sei que todos vocês tem algum motivo para parar o desgraçado. Pensei que juntar todos, nos tornaria mais forte.
Quando ele acabou, todos na sala estavam silenciosos. Acho que digerindo o que ele falou.
- Por onde começamos? – Me virei e vi o Alpha entrando na sala, e pelo jeito ele havia ouvido toda a conversa. Agora era esperar para ver o que aconteceria.
Kai off.
oOo
Narrador on.
Dois homens estavam sentados em uma sala de reunião. Eles exalavam poder por todos os poros e mesmo um humano desatento reconheceriam a sua superioridade. Não que eles se achassem melhores, mas isso só os tornava mais notáveis.
Um deles era moreno, os cabelos pretos brilhantes, os olhos eram azuis fazendo um bonito contraste com a cor do cabelo. A pele pálida e sem imperfeições, e apesar de seus muitos anos de vida aparentava ser um homem de uns quarenta e poucos anos. O outro era loiro, mas do que isso até. Seus cabelos eram longos e brancos acinzentados, seus olhos eram totalmente cinzas. Era um pouco mais novo do que o parceiro, mas não menos belo.
- O que você acha? – O moreno perguntou.
- Tudo está caminhando como esperávamos Kazuo. – O de cabelos brancos falou com sua costumeira calma. – Infelizmente não podemos facilitar nada para eles. Isso seria quebrar as regras.
- Foram anos de angustia para todos Hikaru. – O outro contrapôs. – Não me culpe por querer dar alguma misericórdia para eles. – Hikaru sorriu ao perceber o tom do outro.
- Eu não o culpo amor, mas estamos com os pé e mãos atados. – Levantou a mão pousando-a no braço do outro. – Tudo está se ajeitando. Conseguimos agrupar a maioria deles agora.
- Ainda faltam alguns e você sabe o que a profecia diz. – Seu tom era lamentoso.
- “Enquanto todos não estiverem unidos por laços indestrutíveis, não haverá vitoria sobre o mal. Então o mal se tornara mais forte e nenhuma paz prevalecerá.” – Recitou as palavras que sabia de cor. – Eu sei, mas só podemos esperar e não podemos interferir. Caminhos tortuosos também podem levar a felicidade.
- Eles sofreram tanto... – O outro lamentou. Apesar de serem executores do destino, havia sim regras. Não poderiam interferir nas escolhas de seus protegidos, e também haveria situações em que não poderiam interferir de maneira alguma. Algumas coisas tinham que acontecer para garantir um final justo e na maioria das vezes feliz.
- Você sabe que alguns desvios eram necessários. – Hikaru movia a sua mão para tentar dar algum conforto para o companheiro. – Vai dar tudo certo.
- Eu espero que sim. – O moreno pegou a mão do de cabelos brancos a apertando, levando-a para os seus próprios lábios a fim de depositar um beijo nela. – Eu amo você.
- Eu também amo você. – O sorriso de Hikaru aumentou ao escutar as palavras que tanto amava ouvir de seu companheiro.
Eles estavam fazendo de tudo para que o fim de tudo fosse satisfatório e feliz, mas ainda dependiam das escolhas de onze pessoas. Escolhas que poderiam levar a vitoria ou a derrota. Esperavam com todo o coração que eles fizessem a escolha correta.
oOo
"Há instantes em que os homens são senhores do seu destino.”
( William Shakespeare )
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