Quem Tem Medo do Lobo Mau?
11 Eleven
Notas iniciais
Sei que demorei de novo *novidade*, mas a minha inspiração resolveu tirar umas ferias sem me convidar. E o Resultado foi que o capitulo não saia da primeira pagina, mas agora ela voltou com força total!Espero que gostem.
Boa Leitura ♥
Akira on
Tudo o que eu conseguia pensar era que havia um vampiro por perto. Rapidamente empurrei Ruki para atrás de mim enquanto tomava posição de ataque.
- Porque tem um vampiro aqui? – Perguntei, minha voz um pouco distorcida pelo rosnado que meu lobo deu. Só percebi que Aoi estava na sala quando ele parou na minha frente em posição idêntica a minha. Fiquei confuso. Porque meu melhor amigo estava protegendo o estranho?
- Vocês dois se acalmem. – Ouvi o vampiro falar quando depois de alguns minutos permanecemos na mesma posição.
- Aki.... – Ouvi a voz de meu companheiro baixinha e hesitante. Imediatamente me virei para ele. – Você não vai machucar o Aoi neh? — Sei que minha expressão se suavizou.
- Não pequeno... Eu não vou machucar o Aoi. – Afirmei enquanto o pegava no colo.
- Isso é muito bom, mesmo porque eu não quero perder meu companheiro, logo após conhecê-lo. – Companheiro? Olhei na direção do vampiro vendo que meu amigo já estava ao lado dele, suas mãos se tocando.
- Companheiro? – Ecoei a pergunta olhando alternadamente de um para o outro tentando encaixar em minha cabeça que o companheiro do Aoi era um vampiro. Não que eu tenha alguma coisa contra vampiros, mas sabia que Aoi, até pouco tempo atrás não confiava neles.
- Sim, companheiro. – Aoi confirmou com um sorriso contido, ainda avaliando se eu oferecia algum risco ao seu acompanhante. Respirei fundo enquanto me aproximava deles ainda com Ruki em meus braços.
- Peço desculpas pelo mau jeito. – Falei deixando a sinceridade invadir o meu olhar e minha voz. A ultima coisa que eu queria era que Aoi achasse que seu companheiro não seria bem recebido por mim. Não depois de ele ter aceitado o meu companheiro tão bem. – Eu só agi por instinto ao sentir o cheiro de um estanho perto do meu companheiro. – Expliquei, vendo satisfeito o sorriso do meu amigo se alargar enquanto aceitava minhas desculpas mentalmente.
- Eu te entendo. – Yuu falou enquanto apertava mais a mão que segurava. Senti Ruki se remexendo em meu colo.
- O que foi amor? – Perguntei.
- Me coloca no chão. – Pediu e eu adivinhei que ele estava envergonhado como o estranho.
- “Nós precisamos conversar Reita... E é serio.” – Aoi me avisou em pensamento e eu ergui as sobrancelhas.
- Amor, porque você não sobe para levar as compras para o nosso quarto? Eu já vou para te ajudar. – Pedi enquanto o colocava no chão e depositava um beijo em sua testa. Podia sentir a sua confusão, mas por enquanto não podia ajudar. Olhando curiosamente para nosso convidado, enquanto Ruki se afastava lentamente.
- Muito bem. O que vocês queriam falar comigo? – Perguntei me sentando e esperando que eles começassem.
- Eu me chamo Takashima Kouyou. Você já deve ter ouvido sobre mim. – concordei com a cabeça. Era quase uma obrigação saber quem eram nossos vizinhos e o coven que Takashima comandava era perto o suficiente da nossa matilha para que soubéssemos quem ele era. – Não vou te encher com a minha historia que é meio longa. Vou direto ao assunto. – Fez uma pausa e eu me inclinei como se para ouvir melhor. – Eu conheci a família do seu companheiro. – Me sentei ereto agora, completamente chocado com a informação.
- O que você disse? – Perguntei outra vez apesar de ter ouvido bem.
- Que eu conheci a família do seu companheiro. Mais do que isso até... – Em nenhum momento seus olhos deixaram os meus e pude ver sinceridade neles. – Eu fui amigo intimo e padrinho do Taka. – Por um momento fiquei estático, mas logo me recuperei.
- Me conte tudo. Desde o começo. – Pedi, precisando entender e acima de tudo ter certeza de que meu companheiro não seria machucado de nenhuma forma com o que Takashima iria me contar.
Akira off.
R ♥♥ R
Takashima on
Lágrimas vieram aos meus olhos quando me foquei no meu afilhado e por um momento duvidei que finalmente o havia encontrado. Ele era tão parecido com o pai que me aqueceu o coração, mas ao mesmo tempo me trouxe um sentimento de perda imenso. Como eu queria poder trazer meu querido amigo de volta... Ou pelo menos ter acompanhado o crescimento do meu afilhado... Balancei a cabeça. O que estava feito, estava feito e ninguém poderia mudar. Eu tinha o agora para aproveitar.
As coisas se acalmaram rapidamente sem brigas, mas eu já desconfiava disso. Eu senti que os laços de amizade entre o meu lobo e o filho do Alpha eram muito fortes e que eles não brigariam apesar da tensão inicial. Contei a minha historia quase mecanicamente, era doloroso ficar relembrando os acontecimentos que me machucaram tanto no passado e que continuavam a machucar no presente, mas eu sabia que era preciso para que Suzuki entendesse.
- Então quer dizer que estamos lidando com um vampiro? – Perguntou e eu pude ver que ele controlava sua raiva. – Sem ofensa. – Se desculpou ao se dar conta da forma que havia falado.
- Eu não me ofendi. – Falei oferecendo um sorriso que ele retornou após alguns instantes. – Mas respondendo a sua pergunta, estamos lidando com um vampiro muito perigoso.
- Então o Taka é para ele uma forma de te atingir. – Afirmou e eu concordei. – Porque você? Quero dizer ele pode ter quem ele quiser, na hora em que quiser... Porque essa obsessão com você?
- Até eu não entendo muito bem o porquê. – Respondi com sinceridade. – Desconfio que seja porque fui o único que conseguiu fugir de seu comando. Ele me vê como sua propriedade entende? E como propriedade eu não tenho escolha a não ser obedecê-lo até que ele se canse de mim. – Expliquei da melhor maneira possível e ele concordou.
- Sinceramente eu estou com dificuldades para entender isso tudo. – Falou e eu pude ver que ele estava temeroso com o significado das minhas revelações. De repente seus olhos brilharam. – O Taka... Ele tem que te conhecer. – Meu coração começou a bater muito forte. Eu sabia que para conhecer meu afilhado eu teria de passar pela aprovação do seu companheiro então não achei que eu conseguiria tão rápido. – Eu sei o que você deve estar pensando. – Falou me olhando. — Como eu deixo um estranho se aproximar do meu companheiro.
- Eu fiquei confuso. – Admiti.
- Ele quer conhecer a sua origem e eu nuca iria tirar isso dele. No momento você conhece muitas das respostas que ele tanto precisa. – Explicou. – Como eu posso privá-lo do que ele precisa? – Percebi nesse momento que o meu pequeno afilhado não poderia ter encontrado companheiro melhor. – Alem do mais o Aoi confia em você e eu não preciso de prova nenhuma alem disso para confiar também. – Senti que meu companheiro se emocionava com as palavras ditas. Ele realmente se importava com a opinião do amigo.
- Obrigada. – Agradeci.
- Eu só preciso conversar com ele antes, saber se ele quer falar com você. – Pediu enquanto se levantava. Assenti e ele saiu.
- Vai dar tudo certo. – Aoi tentou me reconfortar me puxando para mais perto.
- Você está tentando me distrair? – Perguntei ao sentir um beijo em meu pescoço, logo acima da marca de sua mordida.
- Sim. – Lambeu a pele sensível e eu estremeci.
- Aoi... – Falei em tom de aviso. Eu não correria o risco de que alguém nos pegasse.
- Eu só queria que você ficasse mais confortável. – Sorriu em minha pele e eu revirei os olhos mentalmente.
- Você sabe que se começarmos, não vamos parar tão cedo eu não quero que meu afilhado nos pegue em uma situação constrangedora. – Falei enquanto me afastava. – E mais tarde eu vou cobrar o que você prometeu mais cedo.
- O que? – Perguntou confuso.
- Você não me deixou de tocar nenhuma vez hoje cedo, e me prometeu que mais tarde... – Olhei e vi seus olhos escurecerem
- Você não está facilitando em nada a minha vida. – Reclamou se afastando com um bico.
- Você vai aprender que eu não costumo facilitar a vida de ninguém amor. – Pisquei e ele gemeu.
Takashima off.
R ♥♥ R
Akira on
Subi as escadas e respirei fundo antes de entrar no meu quarto. Encontrei Ruki guardando as roupas que havíamos comprado. Podia sentir a sua curiosidade e nervosismo saindo em ondas de seu corpo, seu rosto estava compenetrado. O abracei por trás afundando o meu rosto em seu pescoço sentindo seu cheiro.
- O que aconteceu lá em baixo? – Perguntou passando seus braços por cima dos meus que o cercavam.
- Eu senti o cheiro de um vampiro desconhecido e senti que devia te proteger. – Expliquei.
- Porque Aoi protegeu o vampiro? – Nessa tarde em que passeamos, eu descobri que meu companheiro era muito curioso e que apesar de sua timidez inicial conseguia atrair varias pessoas com sua gentileza.
- Porque o vampiro é o companheiro de Aoi. – Ele soltou um “haaa...” e ficou em silencio um momento. – Reita....
- Oi amor...
- Promete não ficar chateado com o que eu vou te falar? – Estranhei a pergunta, mas me mantive calmo.
- Você pode falar qualquer coisa que quiser e precisar para mim. – Respondi. – E mesmo que eu pareça irritado ou chateado lembre-se de que eu nunca irei machucá-lo.
- Eu senti.... – Hesitou, respirando fundo. – Eu senti uma conexão com o companheiro do Aoi. – O virei para que eu pudesse olhá-lo nos olhos, mas não estava chateado. Curioso com o significado, mas não chateado.
- Que tipo de conexão amor? – Perguntei afastando seus cabelos de seu rosto para que eu pudesse ver as suas expressões.
- Eu não sei explicar muito bem, mas como se eu o conhecesse... Eu me sinto bem perto dele. – Desviou o olhar, e senti seu medo da minha reação.
- Eu acho que eu sei o porquê dessa situação... – O conduzi para a cama o fazendo se sentar em meu colo. – Ele sabe coisas muito importantes Ruu-chan.... — Comecei sem saber exatamente como falar pra ele.
- Eu não estou entendendo Reita... O que você quer dizer? – Me bati mentalmente ao sentir o seu medo.
- Se lembra de quando prometi que iria te ajudar a descobrir sobre você? – Perguntei calmamente e o vi assentir. – Nós não vamos mais precisar investigar.
- Porque não? – Ele me olhava cada vez mais assustado e curioso.
- Porque a informação veio até nós. – Expliquei. – Takashima-san veio especialmente para te encontrar. – Ele abriu a boca para fazer mais perguntas, mas eu o impedi. – Ele tem uma historia para te contar. Não é uma historia bonita Ruki, mas eu sei que você precisa ouvi-la.
- Tem haver com minha família? – Perguntou e eu fiz um sinal positivo.
- Eu sei que você quer saber mais coisas sobre sua origem e achei que você iria querer conhecê-lo. – Falei e por um momento ele ficou parado, provavelmente pensando no que fazer.
- Você vai ficar comigo? – Perguntou e eu depositei um beijo em sua testa.
- Claro amor. Sempre. – Ele vagarosamente assentiu e se levantou da cama me puxando pela mão.
- Eu quero conversar com ele. – Afirmou e eu fiquei orgulhoso. Orgulhoso porque eu podia sentir que ele estava com medo, mas mesmo assim resolveu encarar o que viesse.
Descemos as escadas com ele apertando fortemente a minha mão e eu só apertei de volta. Eles ainda estavam no mesmo lugar que eu havia deixado conversando entre si. Quando chegamos Takashima se levantou imediatamente se aproximando devagar testando a minha reação. Meu lobo ficou em alerta, mas eu o ignorei sabendo que não era a hora de ficar possessivo.
- Você é tão parecido com ele... – Sussurrou se aproximando mais do meu pequeno.
- Parecido com quem? – Ruki deu um passo à frente quase hipnotizado pela imagem do outro.
- Seu pai.
Akira off.
R ♥♥ R
Taka on
Meu coração batia loucamente e minha mente tinha dificuldades em realizar que finalmente eu iria conhecer a minha historia. Olhei novamente para o homem a minha frente e ele parecia emocionado. Não que eu estivesse diferente.... De alguma forma eu sabia que ele era especial. Ouvir que eu me parecia com meu pai me trouxe um sentimento de satisfação.
- Pareço? – Perguntei de novo para confirmar e ele sorriu para mim.
- Muito. – Respondeu.
- Não acham melhor terem essa conversa sentados? – Aoi perguntou e Reita concordou.
- Como você conheceu meu pai? – Mal sentei e a pergunta saltou quase que por vontade própria da minha boca. Uma sombra se instalou em seu olhar.
- Nós vivemos juntos por um tempo. – Desviou os olhos dos meus. – Em um lugar não muito agradável.
- De que jeito? – Eu queria saber tudo.
- Nós éramos escravos de uma pessoa muito ruim e fomos obrigados a fazer muitas coisas das quais eu não me orgulho. – Fiquei chocado com a parte do escravo, mesmo porque eu havia passado pela mesma coisa e sabia o quanto desesperadora poderia ser esta situação.
- Eu sei como e isso. – Falei e ele me olhou com simpatia e mais alguma coisa que não pude distinguir. – Como meu pai era? – Resolvi mudar de assunto quando o clima ficou tenso.
- Corajoso, doce, honrado... E esse é só o começo da lista. – Sorriu olhando para um ponto indeterminado. – Ele tinha um senso enorme de amizade e foi o melhor amigo que eu pude desejar... – Sua voz ficou triste. – Ele era alegre e prestativo. Amava intensamente, de uma forma que nunca achei possível. – Fechou os olhos por um instante.
- Como ele conheceu minha mãe? – Perguntei curioso com o fato de um escravo conseguir uma esposa.
- Nós conseguimos fugir para uma pequena cidade em outro país e depois de um tempo encontramos a Keiko. – Sorriu ao me olhar. – Ela fisgou seu pai com um simples olhar sabe? Ele sabia assim que a viu que ela pertencia a ele. – Me emocionei. – Eles ficaram tão felizes com o seu nascimento Taka... Você foi amado intensamente desde o momento em que descobriram que ela estava grávida. – Me senti rejeitado a maior parte da minha vida e saber que pelo menos meus pais me amavam me fez muito feliz.
- Eles realmente me queriam? – Não pude deixar de perguntar. Ele pegou em minha mão apertando.
- Nunca duvide disso. Eles te amavam intensamente. – Olhou em meus olhos e eu pude que ele era sincero. – Sua mãe costumava conversar com você em sua barriga e seu pai costumava brincar com ela sobre isso, fingindo não acreditar que você entendia. – Sorriu para mim. – Seu pai beijava a barriga dela quantas vezes ele pudesse, porque queria que você sentisse que era amado. – Uma lagrima caiu de meus olhos. – Eles costumavam conversar sobre como você seria e com quem pareceria quando crescesse. Você era o centro da vida deles. Por isso nunca duvide de que foi amado.
- E você? – Perguntei querendo saber onde ele entrava na historia.
- Eu era o melhor amigo de seu pai e acompanhei de perto cada pedacinho da vida deles. – Me respondeu sua voz saindo diferente emocionada. – Eu estava lá quando eles se conheceram. – Eu o olhei e só ai percebi que ele estava chorando. – Eu acompanhei as tentativas de seu pai para conquistar sua mãe... — Continuou. – Eu presenciei o casamento deles.... Foi para mim que seu pai pediu conselhos quando eles tiveram a primeira briga depois do casamento. Acompanhei a descoberta da gravidez e vi seu pai ficar bêbado para comemorar. – Riu como se lembrasse de algo engraçado. – Eu estava lá quando sua mãe foi às pressas para o hospital e fiquei quando seu pai desmaiou. Eu fui o primeiro a te pegar no colo porque seu pai ainda não havia recuperado a consciência. — Lágrimas molhavam o meu rosto ao perceber que ele havia feito parte da vida dos meus pais a esse nível. – Meu nome foi o terceiro a sair de seus lábios infantis, logo depois de mamãe e papai. Eu cuidei de você quando eles precisavam de um tempo só para eles. Eu fui aquele a quem seu pai confiou para te cuidar quando ele não estivesse presente.
- Você foi muito importante na vida dele neh? –Perguntei suavemente também emocionado com a paixão que ele falou do relacionamento dele com meus pais.
- Não mais do que ele foi na minha. – Falou. – Seu pai era o meu melhor amigo, e eu o amava.
- O que aconteceu com ele? – Eu sabia que meu pai não estava vivo. Mesmo quando eu me senti abandonado e tive duvidas se meus pais me queriam, bem lá no fundo eu sabia que alguma coisa grave havia acontecido para que eles me abandonassem.
- Nosso “mestre” nos encontrou... – Seu tom de desprezo foi obvio. – Ele pegou sua mãe e ameaçou te matar se nós não voltássemos com ele. – Fechei os olhos enquanto uma dor profunda me invadia. Doía tanto que era quase físico. Dor de não ter podido conhecer meus pais.... Dor porque eles foram arrancados de mim. – Nós voltamos porque ele prometeu te deixar em paz com outra família. – Isso batia com minhas poucas lembranças de ter sido bem cuidado um dia. – Mas a perda de vocês dois cobrou o preço em seu pai. – Seus olhos se desviaram. – Ele perdeu a vontade de viver e de repente eu não tinha mais ninguém. Só a lembrança de uma época feliz que estava no passado.
- A pessoa que matou meus pais... Foi ele que me pegou não é? – Ele assentiu com a cabeça.
- Parece que ele queria alguma garantia de que me teria de volta. – Respondeu.
- Você voltaria? – Perguntei, precisando saber se eu era importante a esse ponto.
- Eu te procurei por muitos anos Taka. – Afirmou suavemente. – E ele sabe que eu faria qualquer coisa para te ver livre dele, inclusive voltar pra ele.
- Eu... – Fiquei sem palavras, feliz em saber que eu era importante para alguém ao mesmo tempo triste porque ele obviamente havia passado por muitas coisas para me encontrar. – Eu não sei o que dizer, nem pensar.... É muita coisa para absorver. – Fui sincero. Minha mente girava com o monte de possibilidades do que deveria ter acontecido. Eu deveria ter tido uma família, amigos... Uma vida totalmente diferente do que o inferno que passei. Eu deveria ter crescido com meus pais e ser amado. Tudo isso foi arrancado de mim por uma pessoa que estava só querendo satisfazer uma vontade, brincando com a vida dos outros como se fosse um brinquedo dispensável. De repente uma raiva absurda cresceu em mim. Me senti quente como se estivesse com febre, um som que não reconheci saindo do fundo do eu peito.
- Você está bem amor? – A voz do Reita chegou até mim e eu me virei para encontrar o seu olhar. Ele estava junto com Aoi do outro lado da sala tentando dar privacidade para a nossa conversa sem quebrar a promessa que me fez de ficar ao meu lado. Vi seu olhar de assombro. – Seus olhos Ruki... – Só aí me toquei de que não estava vendo cores, tudo estava em preto em branco.
- Eles trocaram? – Perguntei a raiva não tendo mais nenhum espaço. Imediatamente voltei a ver normal.
- Seu lobo está reagindo a emoções fortes Ruki. – Reita em um segundo estava ao meu lado, me abraçando e me fazendo seguro. – Me pergunto se você conseguiria mudar.
- Ele realmente está fazendo experiências? -Takashima-san perguntou.
- Sim. Não só comigo. – Respondi. – O pior é que não sabemos como ele coordena isso tudo.
- Ele tem muitos aliados e é perigoso. Temos que estar preparados para tudo. – Falou seu olhar duro e eu pude ver que ele era um líder firme. Seu olhar se suavizou ao pousar em mim. — Eu sei que você ainda não me conhece direito e que provavelmente precisará de um tempo para entender tudo o que te contei, mas... – Vi que ele estava inseguro e meu primeiro instinto foi de confortá-lo. – Eu quero ter a oportunidade de te conhecer, conviver com você.... Recuperar o tempo que perdi.
- Eu não vou fechar a porta pra você. – Percebi a duvida em seu tom de voz. Ele estava com medo de que eu o rejeitasse. – Por mais que eu ainda não te conheça direito, por mais que seja difícil de absorver as coisas, de uma coisa eu tenho certeza. – Me soltei do Reita e aproximei-me dele segurando a sua mão. – Você é a única pessoa viva da minha família. Você cuidou do meu pai e ficou ao lado dele nas horas mais difíceis. Você não desistiu de mim, mesmo quando estava difícil de me encontrar. Eu não posso e nem quero te deixar de fora da minha vida – Seus olhos se encheram de lagrimas com minhas palavras e meus próprios olhos se umedeceram.
- Obrigada. – Ele sussurrou enquanto apertava minha mão.
- Não por isso. – Respondi com um sorriso sincero.
- Você precisa comer alguma coisa lindo.... – Reita sussurrou. — Vocês terão muito tempo para conversarem depois. – Obediente, fui para o seu lado sabendo que ele não me deixaria em paz até que eu comesse.
- Você pode ficar mais um pouco? – Perguntei antes de sair.
- Claro. Estarei esperando você voltar. – Me ofereceu um sorriso que eu retribui. Mesmo que muitas coisas ainda estivessem confusas, eu agora sabia da minha família. Só faltava descobrir como acabar com os planos do vampiro ruim. Só um passo foi dado. Havia muitos outros pela frente.
Taka off.
R ♥♥ R
Narrador.
Nao estava em seu quarto tentando não entrar no campo de visão de Kyoshi. Seu irmão andava mal-humorado e não era saudável ficar ao seu alcance quando isso acontecia. Suspirou chegando a sua janela de onde dava para observar a casa do seu lindo vizinho medico. Suspirou ao ver que este chegava em casa.
- Nao! – Pulou ao ouvir o grito do irmão. Temeroso do que aconteceria se demorasse, desceu as escadas rapidamente. Encontrou seu irmão ao pé da escada acompanhado de dois estranhos, que pelo cheiro ele soube serem vampiros.
- Prepare nossas bebidas e leve até o escritório. – Correu dali o mais rápido que pode para fazer o ordenado. Ainda se lembrava da ultima surra. Ao voltar, ouviu vozes exaltadas.
- Eu quero resultados Kyoshi! – Um dos vampiros gritava. – Nenhum dos garotos que recebeu a mutação para se transformarem em lobos deu sinal de mudança.
- Você me tirou a experiência mais promissora! Eu não posso fazer milagres Ryu. – Kyoshi respondeu de volta
- Eu estou pagando por um trabalho bem feito Kyoshi, mas se eu não vejo resultado eu fico furioso e eu tenho certeza de que você não quer isso. – Sua voz saiu baixa, mas de alguma forma se tornou muito mais ameaçadora do que quando ele estava gritando.
- Eu não posso fazer milagres Ryu. Estou estudando o que está dando errado, mas não ajuda se eu não souber como uma das minhas cobaias está evoluindo. Você tirou Matsumoto do complexo quando sabia que ele era o que estava respondendo melhor os estímulos. O que você quer que eu faça?
- Eu tinha outros planos para ele. – Bufou Ryu, enquanto se sentava tentando se acalmar. Parecia que tudo estava dando errado! Seus espiões não estavam conseguindo informações da matilha e nem de dentro do coven de Kouyou, e agora o a experiência não estava evoluindo. – Não imaginava que isso iria me atrasar tanto.
- Eu não posso ajudar com isso. – Kyoshi deu de ombros.
- Você pertence à matilha Suzuki também, porque não se aproxima para conseguir examinar Matsumoto? – Ryu perguntou de repente. Sabia que Kyoshi era reservado, mas mesmo assim era mais fácil para ele se aproximar.
- Minha família tem um longo histórico de brigas com o Alpha, eu não me aproximo da casa principal e só não fui expulso ainda porque o Alpha não viu motivo para isso. – Revirou os olhos e fez um som de desagrado ao pensar em quanto achava aquele Suzuki patético. Preferia se manter longe. – Se eu me mostrar interessado no companheiro do filho dele de uma hora para a outra ele vai desconfiar.
Ryu fechou os olhos e tentou pensar em uma saída. Precisava acabar com os malditos cachorros, antes que eles o descobrissem e atrapalhassem seus planos. O problema é que nenhuma coisa lhe vinha à cabeça.
Enquanto isso do lado de fora da porta Nao estava em um dilema. Sabia que desafiar o seu irmão nunca era uma boa ideia, mas não podia deixar que eles machucassem o Alpha.
Precisava conseguir uma forma de ajudar. Lembrou-se do medico. Talvez.... Um plano se formou em sua mente. Iria falar com o medico, só precisava de algum tempo. Rezou para que conseguisse entregar a mensagem antes de que alguma coisa grave acontecesse.
R ♥♥ R
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