Quem Tem Medo do Lobo Mau?
2 Chapter two
Notas iniciais
Como eu disse á vocês, eu vou contar a historia a partir do dia que mudou minha vida de muitas maneiras e nem todas agradáveis.
Naquela manhã eu acordei de um jeito um pouco diferente do que o normal. Meu celular tocava o que era incomum, pois poucas pessoas tinham o numero e essas sabiam a minha aversão por acordar cedo. O que obviamente me deixava bastante mal humorado.
- Eu realmente espero que seja muito importante para que alguém esteja me ligando a essa hora! – Exclamei sem olhar quem era.
- Sempre tão bem humorado. – A voz do outro lado da linha respondeu soando irônica.
- Não enche Shiroyama! Você mais do que ninguém sabe que é raro me encontrar de bom — humor. Pior ainda se for de manhã. – Respondi, me levantando. Uma coisa você tem que aprender sobre lobos: nós temos a característica de poder dormir quando der sono, e podemos dormir em qualquer lugar. Lobos não sofrem de insônia, mas a partir do momento em que estivermos despertos fica difícil voltar a cair em um relaxamento para dormir novamente.
- Eu sou capaz de acabar com o seu mau — humor. – Me devolveu malicioso fazendo com que eu sorrisse.
Antes de qualquer coisa eu tenho que explicar com quem eu estava conversando.
Shiroyama Yuu, conhecido como Aoi é meu melhor amigo desde... Sempre. A diferença de idade é de uns dois anos, sendo que ele é mais velho, uma coisa que ele faz questão de me lembrar sempre. Mas o que eu quero explicar e a natureza do nosso relacionamento.
Por muitos anos eu e ele fomos o que hoje é conhecido como amigos com benefícios ou companheiros de foda. Isso funcionou por um tempo, mas terminamos quando vimos que estávamos a um passo de nos apaixonar um pelo o outro, o que não seria bom, dado ao fato de que não éramos companheiros. Resolvemos continuar amigos, só que sem o beneficio do sexo, mas isso não quer dizer que de vez em quando nós não podíamos brincar e flertar um pouco
- Aposto que conseguiria. – Respondi rindo. Entrando para o chuveiro, não sem antes de colocar o telefone no viva voz. Ah, as vantagens da modernidade! Eu simplesmente adoro a facilidade que a tecnologia traz.
- Isso o que eu estou ouvindo é o barulho do chuveiro? – Perguntou soando divertido.
- Com certeza. Resolvi me levantar, já que você me acordou mesmo. – Respondi. – E ouvir meu banho é a coisa mais inocente que você vai fazer. Afinal você já participou de muitos deles. – Apontei, o ouvindo gemer baixinho do outro lado. Não cansava de provocar o Aoi, era extremamente divertido, apesar de que não tínhamos nenhum contato... Digamos... sexual há muito tempo.
- Não provoca. Eu posso resolver ir ate ai, pra te ajudar com o banho. – Respondeu de volta me fazendo rir.
- Nem se você começasse a correr agora mesmo na forma de lobo, iria conseguir me alcançar no chuveiro. – Respondi saindo do chuveiro e me enrolando em uma toalha. Aoi havia viajado para resolver alguns problemas com a matilha vizinha que ficava há uma boa distancia do nosso território.
- Eu estou mais perto do que você imagina. – Ouvi a porta do carro batendo.
- Você não estava dirigindo estava? – Perguntei em um tom acusador.
- Você acha que é o único que sabe usar o viva voz do telefone? – Perguntou de volta. Eu odiava demonstrar preocupação, mas também não podia evitar. Ser um alpha significa cuidar da matilha, e esse instinto esta em meu sangue,
- Não se preocupa mãe. – Falou.
- Vai se foder Aoi! – Mandei já irritado.
- Só se você ajudar. – Falou rindo, o que imediatamente me relaxou.
- Não tenho tempo, preciso trabalhar... E você também sócio. – Esqueci-me de informar que ele também é um empresário de sucesso e meu sócio.
A diferença é que a imagem dele combina mais com esse cargo do que a minha.
- Ah, mas eu acabei de chegar. Não da nem pra você tomar um café comigo? – Perguntou.
- Você não tem que conversar com meu pai? Nós podemos nos encontrar lá. – Falei olhando o relógio, eu podia dispor de um pouco do tempo, afinal eu nunca era esperado lá na empresa muito cedo.
- Eu prefiro conversar com você antes. – Me informou em tom sério, o que me assustou. – Ele não vai gostar nada do que eu descobri. Vou precisar de você pra falar com ele.
- É muito grave? – perguntei, me trocando em tempo recorde. Para estar fazendo o Aoi ter medo de dizer para o meu pai, a coisa devia ser mesmo muito grave.
- Bastante. – Foi a resposta simples.
- Eu estou saindo de casa agora. Vamos nos encontrar naquele café perto do escritório.
- Ótimo. Eu vou só passar em casa para tomar banho e trocar e roupa. – Me respondeu, desligando logo em seguida.
R X?
Eu dirigi o mais rápido que eu pude, sem quebrar nenhuma lei de transito. Aoi havia me deixado extremamente preocupado.
Não leve a mal, mas quando vocês conhecerem melhor o meu amigo, vão perceber que ele é extremamente calmo. Poucas coisas fazem ele se desesperar, então o tom dele me deixou tenso. Cheguei ao local exatamente na metade do tempo que levaria normalmente.
Aoi ainda não havia chegado então eu pedi um café para começar o meu dia realmente. Já havia terminado a primeira xícara, quando a minha companhia chegou.
A primeira definição, que qualquer um que tenha olhos e bom gosto, daria para o Aoi seria... Sexy. Ele é quente, daqueles de babar.
- Hey... – Cumprimentei, sem me preocupar em me levantar, era bom não ter que ser formal. Alias, seria até cômico se nós nos tratássemos com formalidade.
- Hey. – Me respondeu se sentando na cadeira e frente para minha, e fazendo o seu pedido, esperei até a garçonete sair para perguntar qualquer coisa.
- O que aconteceu de tão grave, para você precisar me usar como escudo? – Perguntei arqueando as sobrancelhas, tendo o prazer de vê-lo corar levemente. Como eu o disse não era muito de demonstrar sentimentos.
- Eu só achei que gostaria de estar presente e a par dos acontecimentos na hora em que eu for reportar a minha missão para o Alpha. – Me respondeu serio. Esqueci-me de avisar que às vezes ele pode ser bastante sensível.
- Sem neura Shiro, eu só estava brincando e você sabe. – Respondi de volta com um suspiro e vi um sorriso brincar por seus lábios.
- Engraçadinho. Mas é serio Reita, o clima não é para brincadeira. – Voltou a ficar serio.
- A outra matilha não quis cooperar? – Perguntei, também ficando serio. A missão do Aoi era pacifista. Há alguns meses vínhamos recebendo alguns rumores de apropriação de território indevidamente. Aoi havia sido designado para investigar se era uma ameaça ao nosso território ou de alguns dos nossos aliados.
- Apesar de o Alpha ser intolerante, ele não tem inteligência o suficiente para estar coordenando uma invasão de território. – Disse, bufando. O que queria dizer que ele realmente havia ficado chateado com alguma coisa nesse alpha.
- Homem difícil? – Perguntei. Normalmente o Alpha teria que ter sabedoria o suficiente para dar conta de uma matilha. Mas alguns achavam que por ter uma posição superior eram melhores do que outras pessoas, nada muito fora da realidade.
- O cara é um imbecil. O que ele está fazendo lá... Seu pai não vai ficar satisfeito com isso também. – Me respondeu esfregando a testa em um claro sinal de cansaço. – Escravos Reita. – Falou de uma vez. – Ele está escravizando humanos e usando... – Fez um som de nojo. – Usando como escravos sexuais.
Arregalei os olhos em descrença. Humanos não podiam ser tocados por qualquer um de nós se não for por vontade própria. Era uma das leis do nosso mundo, que os poucos humanos que sabem da nossa existência não fossem machucados.
- Eu juro que a minha maior vontade era a de matar aquele desgraçado. Eles são pouco mais do que crianças, meninos e meninas recém-saídos da adolescência. – Respirou fundo, se acalmando. – Mas eu não podia. Não sozinho.
- Eu tenho certeza absoluta de que meu pai vai mandar uma equipe de resgate, da qual eu faço questão de participar. – Crimes sexuais realmente faziam meu sangue ferver. Eu sou adepto de que sexo bom é aquele consentido e nunca com crianças. Se dependesse de mim, esse “Alpha” morreria da forma mais dolorosa possível.
- Foi isso que me impediu de atacar. Eu sei que seu pai nunca vai aceitar isso. – Falou com um sorriso. – E você pode ter certeza de que eu vou estar junto nessa.
- Mas não deve ser só isso. – Observei, vendo o sorriso murchar.
- Não. – Ele tomou uma respiração profunda. – Enquanto eu investigava, eu consegui uma fonte de informação. Um desses que podem se infiltrar em qualquer lugar. Ele não um shifter lobo, ele é um coiote o que o torna pequeno e fácil de passar despercebido. – Disse abaixando o tom ai perceber a garçonete passando por ele. – Ele ouviu alguma coisa de que estão desenvolvendo um vírus para transformar humanos em Shifters.
Isso realmente me chocou. Ao contrario do que muitas pessoas acreditam, nós não temos como transformar um humano ou qualquer outra criatura em lobo. Nossa mordida machuca, mas não causa dano algum nas células humanas. Essa descoberta podia ser a ruína dos Shifters. Meu rosto deve ter mostrado meus pensamentos, pois ele concordou comigo antes mesmo de eu externá-los.
- Você pensou a mesma coisa que eu. Essas pessoas não vão saber conviver com seus lobos ou qualquer outro animal em que forem transformados, o que vai tornar mais fácil os humanos descobrirem sobre nós. Nosso mundo vai virar o caos. – Afirmou.
- Nós precisamos falar com meu pai. Ele vai poder nos dar alguma luz sobre o que está acontecendo. – Eu disse, pegando o meu telefone para avisar a minha secretaria para desmarcar qualquer coisa que eu tivesse pelo dia inteiro. Depois liguei para o meu pai, avisando que estávamos indo falar com ele.
R X ?
- Você tem certeza que esse garoto é confiável? – Meu pai perguntou serio. Havíamos chegado há pouco tempo e meu amigo estava passando o relatório do que havia acontecido na missão.
- Tanto quanto posso ter senhor. Hiroto é um cara legal, foi expulso de onde vivia por ser gay. Sem muito lugar para ir, ele acaba vagando entre vários territórios sem ser notado. O que faz com que ele escute muita coisa. – Aoi limpou a garganta desconfortável. – Foi ele quem me mostrou que o Alpha da matilha está mantendo humanos como escravos sexuais.
Meu pai deu um profundo suspiro. Ele odiava ter que lidar com exploradores de seres humanos.
- Eu não gosto nada dessa historia tão perto da nossa matilha. Vocês bem sabem que muitas pessoas, até da nossa matilha, concordariam em fazer de humanos escravos. Eu quero manter essa merda bem longe daqui. – Era verdade. Muitos lobos consideram todos os humanos como inferiores e acham uma bobagem que a lei que nos proíbe de tocá-los persista até hoje.
- Eu sei que tem pessoas que pensam assim, mas temos que resgatar esses garotos pai. Eu não gosto nem de imaginar o que eles devem estar passando enquanto estamos aqui. – Eu falei frustrado pela demora em resolver as coisas.
- Eu sei filho. Temos que arrumar uma equipe de busca o mais rápido possível, antes que aconteçam mais barbaridades. – Meu pai sempre foi um líder integro e justo e eu sempre me orgulhei muito dele. Não precisa falar que meu orgulho dobrou ao perceber que ele estava tão indignado quanto eu.
- Eu me ofereço para ser o líder da missão. – Falei ganhando um sorriso do meu pai.
- Eu já sabia disso filho. Você acha que seus amigos, aceitariam te acompanhar? – Aoi ao ouvir as palavras se levantou.
- Eu me ofereço para acompanhar o Reita senhor. – Falou, fazendo meu pai abrir ainda mais o sorriso.
- Eu também sabia disso Shiro. – Aoi arregalou os olhos ao ouvir o apelido, quase ninguém o chamava assim, e definitivamente meu pai não fazia parte do grupo de quem chamava. – E para de me chamar de senhor, achei que você já havia passado da fase de ter medo de mim. – Aoi ficou igual a um pimentão ao ouvir que tinha medo do meu pai, obviamente de vergonha.
- Eu tenho certeza de que eles não vão negar pai. Vou conversar com eles. – Falei enquanto Aoi ainda não encontrava palavras para responder ao meu pai.
- Faça isso. A prioridade é tirar esses garotos de lá. – Falou. – Depois vamos investigar mais a fundo a outra descoberta do Aoi.
R X ?
Saímos da casa do meu pai para ir direto par o complexo de guerreiros, que era onde os novos lobos da matilha, que não tinham casa, ficavam.
Ao entrar me deparei com uma cena que já era rotineira. Tora correndo atrás do Saga por alguma coisa que o mais baixo havia feito.
Tora não era lobo, o que o fazia o único tigre da matilha. Apesar de tigres normalmente não viverem em grupos, ele seguiria o Saga pra onde quer que ele fosse. Enquanto Saga estivesse confortável, ele ficaria.
- Foi sem querer Tora, eu juro! – Saga gritava enquanto corria tentando escapar do amigo.
- Sem querer? Me explica como alguém pega as roupas de outra pessoa, deixando ela sem nada no lago, sem querer? – Tora quase rosnou enquanto corria.
Por mais que você divertido ver os dois brigando, nós tínhamos coisas mais importantes para fazer.
- Ok. Chega! – Falei chamando a atenção dos dois para mim. – Vocês não cansam de brigar não é?
- Ele é que está brigando comigo. – Saga em muitos aspectos se parecia com uma criança hiperativa. Falava pelos cotovelos, não conseguia ficar quieto um segundo. Mas ele tinha uma vantagem que eu poderia aproveitar... Ele era um lobo rastreador, podia rastrear qualquer um. O que podia me dar alguma vantagem se for preciso descobrir onde os lobos escondem os escravos humanos.
Cabe explicar como Tora e Saga foram parar na matilha do meu pai.
Saga foi deixado para morrer, pela sua matilha de origem, após ser injustamente acusado de traição. Tora o encontrou quase morrendo, muito machucado por causa da surra. Desde então ele tomou para si a responsabilidade de cuidar do garoto. Há alguns meses, Saga acabou invadindo o território de uma matilha, não muito amigável. Por sorte, ou pelo destino eu estava fazendo uma visita para o Alpha desta matilha e acabei ajudando. Eles viraram meus protegidos desde então.
- Eu vou precisar da ajuda de vocês doisem uma missão. – Soltei de uma vez, esperando que eles quisessem me ajudar.
- Quando? – Tora perguntou assumindo uma postura séria. O que me fez relaxar.
- Hoje à noite, provavelmente. – Respondi e continuei respondendo a pergunta que eu sabia que ele faria. – Temos que fazer o resgate de alguns humanos que estão sendo mantidos prisioneiros.
- Estou dentro! – Saga se dispôs. O que não me surpreendeu nem um pouco. Ele ficava ansioso para ir às missões.
- Claro que você está. – Tora devolveu com um revirar de olhos. – Você sempre está dentro de qualquer coisa perigosa. Mas nesse caso, eu estou dentro também. – Falou, agora olhando pra mim. – com que estamos lidando?
- Escravos sexuais. – Aoi respondeu simplesmente. Vi o semblante de Tora se fechar imediatamente. Como todos nós ele tinha problemas em aceitar qualquer tipo de abuso, principalmente o sexual. Só os motivos dele é que eram diferentes. Eu tinha um forte palpite de que tinha alguma coisa a ver com o que ele passou na infância, mas como ele não falava nada ficava difícil ter certeza.
- Quem mais vai? – Perguntou.
- Estamos juntando o maximo de pessoas possível. Meu pai deve estar agrupando os guerreiros. Nós devemos sair esta noite, não quero que nada alerte o alpha da matilha que nós estamos indo. – Respondi. Havíamos decidido que iríamos na nossa forma shifter, assim nossos sentidos estariam mais aguçados, alem de ficarmos mais fortes e alertas.
- Tem certeza de que seus soldados não vão se importar por eu ir junto? – Tora ainda era meio desconfiado, característica comum a todos os felinos. – Eles podem ficar desconfortáveis por ter um tigre junto.
- Você é parte dessa matilha, tanto quanto qualquer lobo, e sabe disso. – Respondi com firmeza. – Meu pai está coordenando as coisas da casa dele. Eu espero vocês lá mais tarde. – Terminei, recebendo um aceno positivo dos dois, assim me dirigi para fora do complexo, sendo acompanhado pelo Aoi.
- Olha Aki, eu preciso passar em casa para resolver algumas coisas antes de ir. Mas eu volto assim que terminar. – Me falou, já se dirigindo para seu carro.
- Vê se dorme um pouco. Sei que você não deve ter dormido nada. – Apontei.
- Você pode precisar de mim aqui. Não se preocupa que quando a missão... – Tentou, mas eu logo cortei o que ele iria dizer.
- Nada disso! Você vai descansar. Nós só vamos sair à noite, e eu preciso de você cem por cento para proteger as minhas costas hoje á noite. – Falei em um tom que não admitia discussão, o que o fez revirar os olhos.
- Odeio quando você usa sua autoridade de alpha em mim. – Resmungou, me fazendo sorrir.
- Não discute e vai dormir. – Mandei, antes de me virar e continuar o meu caminho até a casa do meu pai.
- Mandão! – O ouvi reclamar, apesar de não ter passado de um sussurro. Já mencionei que ser um shifter lobo me dá uma audição fenomenal?
Tenho que explicar que por ser um descendente direto de um alpha eu tinha algumas vantagens herdadas diretamente do meu pai. Como por exemplo, poder usar a autoridade do alpha, quer dizer que se eu usasse um determinado tom de voz, todos que fossem subordinados a meu pai me obedeceriam, era uma coisa contra qual não se pode lutar. Mas nem meu pai usava esse tom com freqüência, ele nunca gostou de impor as suas vontades para ninguém.
Mas o que é curioso, é que essa autoridade não podia ser exercida sobre dois membros distintos da matilha: o betha e o ômega. Meu pai achava que isso se devia ao fato de que tanto o betha como o ômega tinham a função de dar suporte ao Alpha, ele querendo ou não.
Lógico que como eu ainda não era o alpha, e nem pretendia ser tão cedo, eu não podia usar isso com freqüência e só se fosse em alguma situação que me colocasse em perigo. É claro que eu de vez em quando burlava essa regra, afinal pra que existem as regras, se não para quebrá-las?
R X ?
O dia passou rapidamente, e quando percebi já estava quase na hora de irmos. Ao todo éramos quinze lobos, que seriam mais do que suficiente para o resgate. Até porque não haveria briga a menos que fosse estritamente necessário. Isso foi exigência do meu pai, se fosse por mim não sobraria nenhum desses lobos desgraçados para desonrar a nossa espécie.
Mas apesar da minha raiva ser justificada, eu sabia que ele estava certo. Afinal haveriam pessoas inocentes para salvar, não dava para me distrair com a minha ânsia de matar e colocar a operação em risco.
- Cara da pra sentir seu ódio daqui. – Saga comentou.
O comentário não me surpreendeu, lobos se guiam principalmente pelo olfato. Essa característica nos permite sentir e reconhecer o cheiro de qualquer reação física de alguém que esteja por perto. Ou seja, eu poderia cheirar excitação, medo, nervosismo entre outras coisas. Isso me fazia ser um bom leitor de outras pessoas.
- Você precisa estar concentrado Reita. – Aoi falou. Essa conversa se dava enquanto fazíamos os últimos preparativos.
- Pode ter certeza que eu vou estar concentrado. – Falei soando mais grosso do que deveria, mas como meu amigo já estava acostumado ao meu gênio só revirou os olhos.
- Sempre tão delicado... – Comentou baixo.
- Você sabe que eu posso te ouvir. – Falei sem olhá-lo.
- Mas essa era a intenção. – Foi a minha vez de revirar os olhos.
Havia sido decidido que Aoi, eu, Saga e Tora iríamos liderar o caminho. Eu por ser o líder da missão, Aoi por ser meu betha por assim dizer, Saga por que ele rastrearia a trilha e o Tora porque a sua audição era ainda melhor do que a minha o que o fazia bem útil para o caso de algum barulho estranho passasse despercebido por mim. Alem de que um tigre de mais de um metro e oitenta causava algum respeito nas pessoas.
Estava tudo indo muito bem, e como eu previ Saga foi de extrema utilidade, pois os escravos pelo jeito estavam muito bem escondidos. Nada que fosse páreo para o pequeno lobo que realmente é muito bom no que faz.
Após entrar no território da outra matilha, Saga nos levou direto para uma casa, que parecia inofensiva e normal, mas eu pude sentir o cheiro de medo a envolvendo. Com certeza alguma coisa muito ruim acontecia ali, pois alem de medo eu identifiquei excitação e posso dizer um pouco de sadismo. Antes que me perguntem como eu sei... Vamos dizer que eu já senti bastante desse cheiro na minha vida, mas isso eu explico depois.
Lógico que não dava pra salvar ninguém com todos na forma de shifter, o plano consistia de um de nós mudar e sondar a casa para ver quantos lobos era preciso abater sem uma briga maior. Eu havia pedido meu pai para amarrar as roupas em mim, afinal não dava para aparecer lá nu.
- Eu quero a maior atenção aqui. Qualquer movimento estranho vocês atacam ok? – Passei as instruções, para os que ficariam de fora. Aoi iria entrar comigo, com a desculpa de me proteger, porque eu sou o filho do alpha. Ladainha pra boi dormir, ele não queria era ficar longe da ação.
Me aproximei da porta ouvindo, tudo estava em aparente silencio mas com a minha audição mais desenvolvida eu pude ouvir algum tipo de lamento. Respirei fundo tentando me acalmar, e foi ai que eu senti o melhor cheiro da minha vida.
Era como mel e brisa fresca, mas com um toque picante, quando eu percebi, minhas presas haviam descido e meus olhos trocaram para o modo lobo. Um único pensamento batia insistentemente na minha cabeça.
- Meu!
Eu havia encontrado meu companheiro.
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