Quem Tem Medo do Lobo Mau?
3 Chapter Three
Notas iniciais
Espero que vocês gostem!
Boa leitura ♥
O cheiro me subjugou de uma forma, que eu realmente perdi a noção das coisas. A vontade de seguir o cheiro e reclamar meu companheiro bateu forte, mas eu tentei me controlar.
- Você está bem Reita? – Aoi me perguntou, assustado com a fúria que ele podia cheirar em mim.
- Meu companheiro está em algum lugar ai dentro Aoi. – Respondi por entre os dentes. Se alguma coisa tivesse acontecido com o meu companheiro.... Quem quer que o tenha machucado iria se encontrar bem no meio do inferno!
- Como assim, seu companheiro? O que ele iria fazer aqui? – Aoi me fez as perguntas rapidamente, mas eu não estava focado o suficiente para responde-las de imediato
- Como ele foi parar ai, eu sinceramente não sei, mas eu vou descobrir. – Falei firme.
- Eu não acho uma boa ideia você entrar lá deste jeito. – Aoi tentou, mas eu balancei a cabeça.
- Nada vai me manter do lado de fora, enquanto o meu companheiro pode estar em perigo lá dentro. – Respondi a voz saindo distorcida. Foi só ai que reparei que meus olhos haviam trocado de novo.
Quando eu disse que posso controlar o meu lobo, eu não estava mentindo, mas quando eu ficava muito irritado ou excitado ele poderia se rebelar. Nada com que eu já não tivesse lidado antes. Então eu respirei fundo e fechei os olhos procurando me acalmar, afinal não iria fazer nenhum bem se eu entrasse lá como uma besta sedenta. Eu poderia assustar, ou pior, machucar o meu companheiro. O que não era uma opção.
- Nós vamos seguir o plano original Aoi, não se preocupe porque eu não vou estragar tudo. – Eu pude ver a duvida no olhar dele, mas mesmo assim Aoi não discutiu. Mas havia mais outro sentimento que na hora eu não soube definir.
- Tudo bem, afinal não da pra argumentar com você mesmo. – Aoi deu um sorriso torto, acho que para quebrar o clima. – Eu vou dar a volta e ver se eu consigo contar todos os lobos que estão fazendo a segurança. Enquanto isso porque você não bate na porta? Aposto que se o alpha estiver ai, ele vai ficar honrado em receber o próximo alpha da matilha mais respeitada do Japão.
Sabe quando eu falei que eu era cercado por bajuladores e puxa-sacos? Eu também passava por isso no mundo shifter. Como Aoi bem falou ser descendente direto do cargo de alpha da maior e mais forte matilha do Japão me rendia muitos aborrecimentos de pessoas que queriam se aproveitar do meu status.
Respirando fundo, eu me dirigi até a frente da casa. Meu companheiro definitivamente se encontrava lá dentro e meu lobo se contorceu e rosnou a necessidade do acasalamento. Mas como eu sabia o que viria fiz um esforço para me controlar e bati na porta.
Quem me atendeu foi um garoto, ou pelo menos parecia um garoto pra mim. Calculei a idade dele entre quinze e dezessete anos, e apesar de ser claramente asiático, ele não me parecia japonês, eu chutaria coreano. A idade e a aparência frágil, fez com minha raiva retornasse com força total.
- Em que posso ajudá-lo? – Me perguntou com a voz sussurrada e eu pude sentir o cheiro do medo.
- Eu procuro Watanabe-san. – Falei controlando a minha voz para não parecer tensa, o que não foi difícil já que uma das minhas habilidades mais marcantes era poder parecer frio e irônico mesmo quando eu não cabia em mim de fúria. – Anuncie Suzuki-san e ele vai saber quem é. – Afirmei gentil.
Funcionou, pois ele se afastou da porta me dando passagem para entrar. Entrei observando o hall de entrada enquanto ele passava por mim murmurando um “com licença” para se afastar logo em seguida.
Até onde eu podia ver não tinha nenhum lobo fazendo guarda em qualquer uma das portas. Também reparei que apesar da aparência simples do exterior, a casa era bem decorada. Isso era estranho, se eles eram escravos pra que todo aquele luxo? Também tentei cheirar o meu companheiro e percebi que podia cheira-lo, mas bem fraco, como se ele estivesse longe. Conclui que provavelmente o cheiro vinha dos objetos da sala. Se ele se encontrava na casa estava em algum outro cômodo. Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho seguido de vozes, que por consequência da minha audição foram claras.
- Você é retardado por acaso? – A voz perguntou alterada. – Como você o deixou esperando na sala?
- D-descul.... – O garoto tentou falar, mas foi interrompido por um barulho que agora eu pude distinguir se um tapa. Meus punhos se fecharam automaticamente, em um esforço para conter a raiva.
- Eu não quero desculpas! Você não devia nem ter atendido a porta, quanto mais deixar uma pessoa tão importante esperando. – Ouvi e as palavras me deixaram com mais raiva. Respirei fundo, o que fez meu lobo se remexer inquieto, pois o cheiro do meu companheiro ainda estava no ar.
Ouvi passos e me virei para encarar um homem, muito bonito que aparentava ter pelo menos uns trinta e cinco anos, apesar de ser mais velho, provavelmente quase da minha idade real. Ele era moreno, exatamente o meu tipo, mas que naquele momento não tinha qualquer apelo pra mim, sexual ou não.
Obviamente ele não pensava a mesma coisa sobre mim, pois praticamente me “comeu” com os olhos. Apesar de a minha vontade ser revirar os olhos eu sorri recebendo um sorriso de volta.
- Então, a que devo a honra da visita do grande empresário? – Me perguntou após os cumprimentos iniciais. Ele havia me conduzido para uma sala adjacente onde preparou um uísque para mim e outro para ele.
- Bom você sabe que um dos meus subordinados veio fazer uma averiguação por aqui. – Pausei, apesar de não considerar que o Aoi fosse meu empregado e sim meu amigo, eu pressenti que esse Alpha iria se abrir mais se achasse que eu agia como ele.
- Sim seu pai me pediu permissão para ele investigar, mas suponho que ele não tenha conseguido muita coisa. Afinal ele foi embora de manhã. – Me respondeu, olhando-me curioso. – Então qual é a relação?
- Ele não teve muito êxito em cumprir a missão. – falei tomando um pouco do uísque – Quem quer que esteja querendo invadir territórios não está por aqui. Mas ele descobriu outra coisa. – Vi o sorriso dele esmaecer um pouco e senti uma leve indecisão. Como se ele estivesse decidindo me contar ou não.
- O que mais ele descobriu? – Tentou enrolar.
- Essa não é a sua casa de Alpha é? – Desviei da pergunta, ainda não era a hora de revelar o que eu sabia.
- Não eu moro do outro lado da cidade, mas o que isso tem haver? – Senti a confusão. Ou ele era um péssimo lobo ou eu realmente estava sendo muito convincente para ele não sentir a minha raiva e malicia.
- Bom você não acha estranho o fato de eu saber onde se situava essa casa? – Perguntei dando um sorriso gentil e o senti relaxar. – Meus subordinados realmente são bons no que fazem Watanabe-san.
- Devem ser afinal não se consegue uma matilha grande e forte como a sua com gente incompetente. – Respondeu sorrindo.
- Corrija-me se eu estiver errado, mas você é novo nessa função de Alpha certo? – Enrolei mais um pouco.
- Sim, eu ganhei a posição em um desafio. Mas realmente não sei aonde você quer chegar. – Ele era mais esperto do que parecia, mas meu plano foi muito bem bolado.
A única forma de se ganhar a posição de alpha sem ser descendente direto, era ganhar um desafio e matar o Alpha. Não é uma coisa bonita de se ver, mas de vez em quando necessário.
- Não deve ser coincidência vários humanos serem reportados como desaparecidos, logo após você ter assumido. – Afirmei vendo que ele empalidecia, e eu pude cheirar nervosismo. O Aoi tinha razão o cara era idiota e estranhamente despreparado para ser um alpha. Pressenti que tinha de haver alguém mais dominante por traz da coisa toda, mas isso era investigação para mais tarde. – Como eu disse meus garotos são bem preparados.
- Então ele descobriu... – A realidade dos fatos o assustou.
- Escravos humanos? Você foi ousado. – Falei sorrindo, embora a vontade fosse de voar na garganta dele. Mas parecia que o meu sorriso o acalmou, o que me fez ter vontade de aumenta-lo.
- Você sabe que a lei que nos proíbe de tocá-los está seriamente ultrapassada. Não tem porque proteger os humanos, nós somos mais fortes e mais conscientes do que eles são. – ele discursou. – Eles são inferiores, não servem pra mais nada alem de serem escravos.
Muitas pessoas podem estar se perguntando o porquê de eu estar tão calmo. Eu vou responder: O filho da puta estava escravizando humanos, alem de estar com meu companheiro. Eu já vi muitos sádicos na minha vida para reconhecer um a qualquer distancia. E acredite sádicos perdem o controle rapidamente quando encontram alguém a altura para lutar. Eles são covardes e quando encurralados podem ser muito perigosos. Então, apesar de toda a minha irritação eu tinha que agir com calma e sangue frio, pois eu tinha crianças para salvar e um companheiro para encontrar e essas eram as minhas prioridades. Eu não podia arriscar machucar mais a quem tinha sido infligido tanta dor.
- Eu concordo com você. E até tenho um pouco de inveja por não ter tido a ideia antes. – Ele sorriu confiante, e eu juro que tive vontade de vomitar. Respirei fundo e meu lobo, mais uma vez se remexeu e eu tive de prender um rosnado que queria sair. O apelo do cheiro e a vontade de reivindicar estavam me enlouquecendo.
- Eu achei que seu pai era um dos que defendem a lei. – Ele falou.
- Eu não sou o meu pai e não penso igual a ele. – Isso era verdade, nem sempre eu concordava com o meu pai, mas eu fui ensinado a ter caráter, a ser justo. E esses princípios eu tinha aprendido com o meu pai de uma forma que tudo o que eu fazia era baseado neles, mas aquele idiota não entenderia.
- Certo. Então você se interessou em vir aqui dar uma olhada. – Ele deduziu se levantando.
Na verdade eu estava enrolando para que Aoi pudesse fazer o reconhecimento da área e render os possíveis guardas. Não queríamos assustar os garotos, se fossemos entrando provavelmente haveria muitas vidas perdidas e se nós ganhássemos, os sobreviventes iriam acham que éramos iguais às pessoas que os estava machucando.
- Claro. – Também me levantei, e o segui.
- Essa casa é na verdade o lugar em que eles ficam – Contou enquanto me conduzia por alguns corredores.
- Você é bem generoso, a casa é muito bonita. – Falei tentando descobrir o porquê da casa ser tão bem cuidada.
- Eles não ficam aqui, só quando tem clientes. – Eu fiquei estático e chocado.
- Clientes? – Perguntei casualmente.
- Clientes. Já que eles não servem para nada alem de sexo, eu resolvi ganhar alguma coisa com isso. – falou tão naturalmente que eu me senti mal. Achei que não podia ficar pior e agora ele estava falando de prostituição. – Tem um sótão que é onde eles ficam durante o dia.
- Como você conseguiu pega-los? E quantos garotos você tem? – Perguntei.
- Quinze meninos e cinco garotas. Alguns são japoneses outros não. A maioria é pega saindo do colégio ou nesses lugares em que se jogam videogames. – Ele falou ainda caminhando. A casa parecia um labirinto – Os que não são daqui são os mais fáceis.
- Por quê? – Perguntei, as crianças de outro país deveriam ser mais difíceis de pegar.
- Eu não preciso sequestrá-las. Você não sabe quantas famílias lhe oferecem seus filhos em busca de dinheiro. – Escravidão, trafico de crianças e prostituição. Poderia ficar pior?
Finalmente ele parou em frente a uma porta, e a abriu. O que eu vi lá dentro me deu arrepios. Nem sempre sexo com lobos eram delicados, a expressão sexo selvagem se aplicava a nós. Eu gostava de sexo quente, rápido e duro, mas não quer dizer que eu não sabia levá-lo lento. Alias eu às vezes preferia lento. Apesar de preferir ser seme às vezes tomava a posição de uke, mas não era com todos. Na realidade só o Aoi foi meu seme em alguns momentos.
Antes descrever a cena, eu devo explicar uma coisa. Muitas vezes eu participei de cenas bdsm. Antes que vocês fiquem chocados, eu não sou um sádico e não era adepto a tortura física. E nem o bdsm é tão terrível quanto querem que pareça.
Em uma cena eu sempre joguei como dominante e gosto da sensação de poder que ela me da, mas nunca machuquei um submisso. O que interessa é que apesar de muitas pessoas verem como perversão era na verdade baseado em confiança e um dominante de verdade nunca expõe um submisso a coisas que ele não quer. Se passar disso a pessoa não merece ser chamada de Dominante. Mas eu explico mais tarde como funciona o sistema de D&S.
A sala era uma câmara de tortura, vários instrumentos usados em um acena bdsm, alguns mais antigos que já foram aposentados há muito tempo por causar uma tortura imensa. Cheirei cautelosamente e quase suspirei de alivio por não sentir cheiro de sangue, o que queria dizer que ela ainda não havia sido usada.
- Como você pode ver ela ainda não foi usada, terminamos de instalar os instrumentos hoje. Ainda vamos estrear. – Juro que eu vi vermelho de tanta raiva, eu já estava muito perto de esquecer o porquê que de eu ainda não poder atacar. Foi nessa hora que Aoi resolveu checar se estava tudo bem.
Nós podíamos nos comunicar pelo pensamento, porem só compartilhávamos o que queríamos. Eu não podia ouvir todos os pensamentos do Aoi, como ele também não podia ouvir os meus. Era mais como um telefone sem fio.
“Você está bem?” – O ouvi perguntar.
“Não. Eu juro que se você demorar muito esse cara não vai ver mais nada alem dos meus dentes no pescoço dele.” – Respondi enquanto o meu anfitrião divagava sobre casa instrumento da sala.
“ Não perde a cabeça! Nós já conseguimos fazer a estimativa de quantos guardas tem.” – Me informou.
“Quantos?” Perguntei.
“ Esse cara é muito burro, ou é muito confiante. Não tem mais do que seis guardas,e quatro deles estão guardando dois quartos, um nos fundos e um que era pra estar na frente ou assim eu suponho.” – Senti que ele estava sorrindo só pelo tom do pensamento.
“ Não entendi. Se ele era o guarda da frente onde ele estava que nós não vimos?” – Eu estava cada vez mais confuso.
“ Ele está com a boca muito ocupada no momento” – Aoi queria dizer que ele estava fazendo um boquete para alguém? – “ O guarda dos fundos” – Esclareceu.
“ Então dois guardas estão fora do páreo?” – Perguntei para checar.
“ Como você acha que eu consegui as informações de quantos guardas tem?” – Aoi falou em tom sarcástico. Conversar por telepatia era quase como falar, a diferença era que nós só pensávamos, não tinha a voz. “ Hora da festa começar Rei-chan.” – Avisou. Esse era o sinal que eu estava esperando, foi o que bastou para que eu praticamente rosnasse a pergunta.
- Onde estão os humanos? – Meu tom fez com que ele me olhasse assustado.
- Eu já ia... – Tentou falar, mas parou quando eu me aproximei. A cada passo que eu dava para perto dele ele se afastava.
- Não me faça repetir a pergunta! – Praticamente gritei e ele pulou assustado. Na minha forma de lobo eu ficava alguns centímetros maior e com a minha voz de comando ele realmente tinha o porque de estar tremendo. Dei ainda mais razão ao segura-lo pelo pescoço. Estranhei o fato de ele não tentar se transformar para me enfrentar, mas não dei importância.
- Alguns estão com os clientes nos quartos acima, e os outros ainda estão no porão. – Eu sinceramente só pensava que se algum desgraçado filho da puta tivesse tocado em meu companheiro ele ia para o inferno com passagem só de ida.
- Olha aqui seu desgraçado. Me escuta com atenção por que vou falar só uma vez. – Falei me controlando para não me transformar completamente. Meu lobo já estava rosnando e sedento de sangue. – Meu companheiro está aqui, mas eu espero que você não o tenha machucado, porque se não o inferno vai ter endereço e você vai estar morando lá entendeu? – Ele assentiu e eu continuei. – Eu não vou te matar.Eu vou fazer com você exatamente o que você queria fazer com essas crianças. Você gosta de causar dor? Eu também gosto então não espere misericórdia. Agora você vai me mostrar exatamente onde o restante das crianças estão escondidos. – Enquanto eu falava eu senti o cheiro do Aoi, então ele entrou pela sala.
- Como foram as coisas lá em cima? – Perguntei, ainda segurando o outro pelo pescoço.
- Sob controle. Os garotos estão na sala esperando até que você possa falar com todos. – Me respondeu, olhando com nojo para Watanabe. – Tora está com os guardas e os clientes em um dos quartos.
- Quantos humanos haviam lá? – Perguntei, agora usando uma das algemas que encontrei no meio das coisas existentes na sala para prender-lo.
- Duas garotas e quatro garotos. – Informou. – Eles disseram que normalmente ficam em um porão e que provavelmente os outro estão lá também.
- Você conseguiu que eles falassem? – Perguntei, parando o que estava fazendo .
- Saga. – Disse simplesmente, e eu entendi. Saga tinha o dom de fazer qualquer pessoa confortável, apesar de ser um pouco elétrico.
- Ótimo. Agora vamos pegar os outros garotos e sair daqui. – Afirmei enquanto puxava as algemas do outro para forçá-lo a caminhar. Tinha que ter alguma coisa errada, foi extremamente fácil, e o fato do outro cara não ter se transformado... Com toda certeza estava estranho. Mas eu não podia parar para pensar agora.
Apesar de estar tremendo de medo, o Watanabe nos levou até uma escada que estava atrás de uma porta. Ali eu tive certeza de que meu companheiro estava ali dentro, o cheiro me atingiu muito mais forte e consequentemente muito mais atordoante do que o cheiro que eu havia sentido lá em cima. Meu lobo uivou sua reivindicação tão alto que me foi impossível reter o gemido que subiu pela minha garganta.
- Você o encontrou mesmo. – Aoi comentou com assombro. Por mais que nós Shifters sonhássemos com os nossos companheiros, havia a possibilidade de nunca encontrá-los e o meu amigo em particular não levava muita fé que lobos gays teriam companheiros, porque companheiros existiam principalmente para aumentar a manada e como eu não poderia fazer filhotinhos com um homem não era certo que eu tivesse um companheiro homem. Mas parece que aquele ditado em que se diz que almas gêmeas não tem nada a ver com procriação mas sim com amor.
- Abre a porta agora – Gritei me esquecendo que o desgraçado estava algemado.
- Fica meio complicado se ele está preso. –Aoi comentou com humor recebendo um olhar assassino. – Se você chegar lá com essa cara, você vai assustá-lo. – Falou revirando os olhos.
Ele tinha razão e eu sabia disso, então tentei respirar e ignorar o cheiro para me acalmar.
- Onde está a chave? – Aoi perguntou
- N-no armário em cima da porta. – Gaguejou a resposta, e eu tive vontade de rir pela situação em que ele havia se colocado. Quem diria que o cara confiante que havia encontrado minutos atrás iria se encontrar nessa situação?
- Manda alguém levar ele pra cima, mais alguns minutos na companhia desse ai e eu com certeza vou ter náuseas. – Aoi chamou alguns lobos para baixo, nós também precisávamos de ajuda para levar os quatorzes garotos restantes.
Aoi abriu a porta e eu praticamente voei escada abaixo em direção ao cheiro. O local se parecia com que era: Um porão. Úmido escuro, com algumas fracas lâmpadas para iluminar o local, eu pude ver uma outra porta onde deduzi ser o banheiro. Os garotos estavam todos amontoados em um canto e haviam colchões no chão. A minha raiva aumentou consideravelmente ao ver em que situação eles estavam sendo mantidos. Eles olhavam assustados o que me apertou o peito. O que aquelas crianças passaram? Limpei a garganta antes de falar.
- Ok. Não precisam ficar com medo tá? Nós não vamos machucar. – Eles ainda não esboçaram nenhuma reação. – Eu me chamo Suzuki Akira, e esses são os meus amigos, nós viemos ajudar. Tirar vocês daqui. – Vi alguns assentirem. – Seria bom se vocês acompanhassem meus amigos, ai nós vamos encontrar seus pais e devolve-los tudo bem?
Todos concordaram e se levantaram, seguindo ordenadamente para fora. A faixa etária deles variava da idade de quinze aos dezoito anos. Todos tiveram
que passar por mim, e eu senti o cheiro do meu companheiro em quase todos, provando que ele esteve em contato com todos os garotos mas era superficial demais para ser ele.
- Reita. – Aoi me chamou apontando a cabeça para um dos colchões onde um garoto ainda estava encolhido em um canto. Ele podia estar na faixa dos dezessete anos apesar de parecer ter doze. Me aproximei sentindo o cheiro que tanto havia me atraído, meu lobo rosnou de novo e meus pensamentos se nublaram mais uma vez. Nada de coerente passava pela minha cabeça.
“ Meu!” – O pensamento veio de repente na minha cabeça e a minha vontade era de pegar o meu companheiro e acasalar com ele e logo depois reivindicá-lo. Eu precisava dele.
Quando acasalamos as nossas necessidades se resumem a foder, e comer e dormir. O apelo emocional e sexual é intenso. Então não estranhem se essa historia ficar um pouco... Hum... Digamos pornográfica. Chamamos essa fase de febre do acasalamento. É quase com quando você é recém-casado e está em lua de mel, só dura um pouquinho mais de tempo.
Eu tentei pensar com clareza empurrando meu lobo para dentro e me abaixando do lado dele. Levantei as mãos para tocá-lo e percebi que as minhas mãos estavam tremendo. Limpei a garganta e ele se encolheu mais.
- Hey... – Chamei tocando o cabelo dele com o maximo de carinho e delicadeza que eu consegui, fazendo com que ele se virasse. – Tudo bem lindo? – Ele balançou a cabeça me olhando com curiosidade. Ao olhar em seus olhos eu soube com toda certeza que ele era o meu destino, a pessoa que foi feita exclusivamente para mim. Meu lar.
E ai eu percebi o quanto eu era frágil, pois a minha vida dependia da dele. Eu dependia da felicidade dele para alcançar a minha. Eu queria cuidar dele, mimá-lo, protegê-lo. Mas ao mesmo tempo eu queria corrompe-lo, marcá-lo como meu. Queria ser a sua salvação e a sua perdição. Eu queria tantas coisas contraditórias que eu estava confuso. E imensamente feliz.
- Quantos anos você tem? – Perguntei querendo que ele falasse, ter certeza de que ele era real.
- Dezoito. – Me respondeu, logo corando e abaixando os olhos. O que foi muito kawai. – V-vvoce não vai me machucar vai? – Perguntou choroso.
Não era certo ter lagrimas nos olhos dele, não era certo ele ter medo de mim, eu nunca ira machucá-lo e Iria matar qualquer um que se atrevesse a tentar.
- Não lindo, eu não vou te machucar. Eu prometo ok? – Mantive minha voz suave para não assustá-lo. – Vamos sair daqui?
- Eu não consigo, minhas pernas tremem. Eu estou com fome. – Disse com a voz fraca.
- Há quanto tempo você não come? – Perguntei a raiva batendo com força total.
- Eu não sei... Ele me deixou sem comer como castigo e.... Eu não sei... – Lagrimas inundaram os olhos do meu pequeno, ele estava com medo eu podia sentir o cheiro. Não pude me conter e o abracei, o trazendo para o meu colo. – Eu não quis fazer nada com aqueles moços e ele disse que eu iria ficar sem comer até que eu fizesse o que ele mandou e... – Soluços o sacudiram e meus próprios olhos se encheram de lagrimas.
- Shhh... Ele não vai mais te machucar tá? Eu prometo que não vou deixar ninguém te machucar. – Prometi e o senti balançar a cabeça em concordância. – Agora vamos, eu te levo você não vai precisar andar.
Me levantei com ele nos braços, fazendo com que ele enrolasse as pernas na minha cintura e deitasse a cabeça no meu ombro incomodado com a leveza dele. Ele não devia ser tão leve. Ai me ocorreu que eu não sabia como chamá-lo.
- Qual o seu nome meu lindo? – Perguntei enquanto nos guiava de volta para a sala.
- Matsumoto Takanori.
Notas finais
Reviews me deixam feliz!
Vou fazer o possível para postar o próximo até segunda feira, mas não prometo nada ok?
Eu já disse que reviews me fazem feliz? Não? Então eu digo agora!
Eu adoro reviews e eles me deixam imensamente mais feliz e consequentemente mais criativa ♥
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