Notas iniciais
Bom, antes que vocês me xinguem, eu vou explicar: Eu estava com uma inflamação nos olhos, da qual eu já estou melhor, mas que não deixava que eu digitasse o capitulo. Meus olhos doiam muito e ardiam se eu ficasse muito tempo em frente ao computador, mal estava dando para responder os reviews. Mas agora eu estou bem melhor e vou tentar não demorar tanto para postar. Depois das explicações vem o capitulo que está um pouco maior para compensar a demora.

Ah... antes que eu me esqueça, nesse capitulo tem uma parte que está em terceira pessoa. Essa parte está em itálico e negrito para diferenciar da narração do Reita.

Boa Leitura ♥

Eu estava exausto. Após tirar meu companheiro daquele lugar, ainda tive que conversar com todos os garotos para assegurar que os levaríamos para um lugar seguro e logo depois os devolveríamos para os seus pais. Apesar de ter intenção de cumprir a minha promessa, eu sabia que uma pessoa em especifico não iria embora.

Quando um lobo encontra o seu companheiro ele se sente compelido a reivindicá-lo, não tem como evitar e nem da para correr, porque a partir do momento da reivindicação é para sempre. Não dá pra pedir o divorcio, nem para reverter. Ficar longe do seu companheiro é quase como uma dor física. Perder um companheiro é como morrer em vida. Então vocês devem imaginar como eu estava apavorado ante a possibilidade de ter que devolver o meu pequeno.

Ele havia ficado o tempo inteiro no meu colo, mesmo enquanto eu planejava a estratégia de volta para casa. Não que eu fosse reclamar, mas estava surpreso por ele não ter decidido descer. Em dado momento ele dormiu, e eu só queria levá-lo para casa e cuidar dele.

- Ainda bem que nós tivemos a idéia do transporte. Só temos que ligar para o meu pai passando a nossa localização. – Comandei.

- Você tem razão. – Aoi concordou. – Quer que eu ligue? Parece que seu companheiro não vai querer sair daí tão cedo. – Comentou sorrindo, mas com um brilho no olhar que eu só podia classificar como tristeza.

- Vocês poderiam nos dar licença alguns minutos? – Perguntei para os outros, sem quebrar o contato visual com o Aoi. Os restantes do pessoal sentindo a tensão da sala se apressaram em sair.

- Nós sabíamos que iria acontecer Aoi. – Falei o mais delicadamente possível, sabia que mesmo sem querer estava magoando o meu amigo, da mesma forma que sabia que a culpa disso era minha. Como eu já disse Aoi não acreditava ser possível ter companheiros quando se era gay. Eu sempre tive certeza que sim. Quando eu entrei nesse relacionamento torto com ele, eu intuía que alguém iria se magoar no final.

- Sabíamos, ou pelo menos você sabia. – Ele respondeu. – Foi com esse argumento que você terminou comigo. Mas eu não te culpo Reita e você sabe disso. Entrei nessa relação consciente de que nunca seria o suficiente para você. – Tentei interrompe-lo, mas fui impedido. – Eu digo isso, não porque me sinta menos que você. Mas tinha consciência que eu não era o que você procurava. – Falou com um sorriso verdadeiro. – Você sempre precisou dominar, estar no controle e proteger. E eu não me enquadro nos seus desejos.

- Mas eu nunca tive a intenção de magoar. – Falei com sinceridade.

- Eu sei. Mas eu vou superar, e agora que eu sei que estava errado, que eu tenho um companheiro por ai, vai ficar bem mais fácil lidar com isso. – Ele me deu um sorriso verdadeiro dessa vez. – Ele parece ser tudo o que você precisa, e eu desconfio que ele vai ter o que quiser, quando quiser.

O comentário me fez sorrir. Ele sabia, que apos minutos com o meu companheiro e eu já estava perdidamente encantado. Era questão de tempo até que meu lindo companheiro me tivesse na palma das mãos.

- Eu só espero que ele demore bastante para perceber isso. – Brinquei sentindo o ar de tensão se esvair. Eu sentia que o Aoi iria encontrar seu companheiro antes do que ele imaginava. Mas outro pensamento passou pela minha cabeça, fazendo com que eu ficasse tenso de novo. Delicadamente deitei o meu companheiro no sofá, tendo a satisfação de vê-lo resmungar, acredito que pela falta de contato. Após revirar a casa não conseguimos encontrar nada comestível. Tudo o que havia era álcool, por isso era de extrema importância ir logo para casa.

- Nós precisamos agilizar o processo, pode deixar que eu ligo para o meu pai, enquanto você agrupa o restante da matilha e os garotos. Eles estão há muito tempo sem comer, fora que passar muito tempo com eles por aqui pode ser perigoso.

- Ok. Nós também temos que conversar sobre quem está por trás disso, porque hoje ficou claro que aquele idiota não tem capacidade nem para decidir que roupa vai vestir quanto mais armar um esquema como esse. – Falou.

- Você está certo, isso foi fácil demais. – Eu estava convencido de que alguma coisa maior estava a nossa espreita. E eu precisava descobrir logo o que era, Afinal agora eu tinha uma pessoa muito importante por quem lutar.

RXR

Enquanto isso em lugar não muito longe dali...

Um senhor estava sentado, sustentando um copo de uma bebida vermelha não identificável. Esperava um subalterno para um relatório. Um relatório que ele estava muito ansioso para ouvir. Não demorou muito até a voz da sensual secretaria se sobressair, mas ela não anunciou quem ele esperava. Deu um profundo suspiro de aborrecimento.

- Senhor? Kohara-san necessita falar com o senhor. – Informou, esperando uma resposta antes de deixar o bonito homem entrar. Seu chefe não gostava de ser interrompido quando estava sozinho na sala. O que era na maior parte do tempo. Observou o elegante homem a sua frente, ele era realmente muito bonito. Entretanto parecia desinteressado, morrendo de tédio. Ele era diferente de qualquer pessoa que já havia conhecido, como se tivesse vivido anos, e soubesse da desilusão da vida. Mas ele não era tão diferente das pessoas que normalmente iam visitar seu patrão. Na realidade eram todos muito estranhos.

- Mande ele entrar Aiko. – A voz do patrão respondeu, levantou-se ajustando a saia curta e desconfortável, levando o visitante até a porta da sala. Às vezes queria ter a capacidade de se transformar em uma mosca para ouvir o que essas pessoas conversavam. Suspirou, pensando que devia ir cuidar do seu trabalho, afinal não podia perder o emprego. Fora que desconfiava que o conteúdo das conversas a deixariam perturbada.

Dentro da sala, Kohara mais conhecido como Shou sentava-se na cadeira de frente para o homem, cruzando os braços e o encarando assumindo uma atitude de desafio.

- Eu não me lembro de ter permitido que você se sentasse. – Apesar das palavras, a voz era divertida.

- Talvez seja por que eu não pedi permissão. – Afirmou, em uma voz seria e firme. – Você não é meu mestre então eu não te devo obediência.

- Seu mestre o treinou muito mal Shou. – Falou se servindo outra vez da substancia.

- Meu apelido é reservado para os meus amigos, então eu agradeceria se você não o usasse. E os métodos dele não estão em discussão aqui. – Falou revirando os olhos.

- Você parece se esquecer de que fui eu quem criei o seu mestre, então eu posso contestar a veracidade de tudo o que ele fizer. – Falou, a voz assumindo um tom aborrecido.

- Você é que parece se esquecer de que ele cortou qualquer relação com você, não tendo obrigação nenhuma de seguir suas ordens. – Shou falou exasperado. – Eu vim te dar um recado e só. Não precisamos ter a mesma discussão toda à vez.

- É não precisamos. Mas é divertido te ver defendendo o seu mestre. – Falou com um sorriso.

- Ele mandou avisar que não quer os seus capangas nos territórios dele. Você sabe mais do que ninguém que ele fica muito temperamental quando não é obedecido. – Falou já se levantando. – O recado está dado, e eu estou indo embora.

- Diga a ele que eu não me importo com o que ele quer. Cedo ou tarde ele vai voltar para o lugar a qual ele pertence. – Falou fazendo com Shou parasse esperando pelo final. – Ao meu lado. Eu tenho planos que vão me tornar senhor supremo por essas terras, e ele vai voltar pra mim. – Falou sorrindo.

- Eu posso te afirmar uma coisa. Ele prefere morrer a voltar para você, e acredite ele não está brincando. – Falou com voz sombria. – Você tirou muitas coisas dele. Coisas que são difíceis de esquecer e muito menos perdoar. Se eu fosse você o deixaria em paz. — Completou voltando a dar as costas e caminhando até a saída. – Acredito que seu funcionário deva ter chegado, não vou mais tomar o seu tempo.

A expressão do anfitrião não mudou ao ver o visitante surpresa ir embora, abriu o sorriso ao se lembrar da sua cria mais bonita, mas também a mais teimosa. Seu. Ele havia tido tempo o suficiente para ser rebelde, era a hora de voltar para casa. Por bem ou por mal. Seus pensamentos foram distraídos pela chegada da pessoa que estava esperando.

- Venha até a mim. – Ordenou, fazendo com que o homem caminhasse e se ajoelhasse em frente a ele. – Como foi?

- Eles invadiram a casa mestre. – Falou, com a voz abafada por estar com a cabeça baixa. – Watanabe foi feito prisioneiro, as crianças vão ser soltas.

- Então meu plano está correndo bem... Tem certeza que o garoto que eu quero vai ficar com eles?

- Ouvi um dos cachorros dizer que os que não tiverem família serão bem vindos para ficarem. – Contou, mas tremeu. A próxima noticia talvez não agradasse o seu mestre.

- Diga o que está me escondendo. – Ordenou autoritário, ao perceber que o escravo não estava sendo sincero.

- O outro garoto... O especial senhor... – Falou hesitante. – O filho do Alpha o reconheceu como companheiro. – Completou esperando a explosão de fúria, mas foi surpreendido por uma risada.

- O Reita encontrou o seu tão esperado companheiro então... Às vezes eu me surpreendo em como as circunstâncias me estão sendo favoráveis. – Falou mais para si mesmo do que para o escravo. – Vai doer mais quando eu tomar o garoto dele, embora eu preferisse ter conseguido pelo menos uma noite com o virgensinho entes de entregá-lo para o grande lobo mal. – Riu. – Quando eu conseguir o que eu quero, vou fazer do pequeno garoto um dos meus, e conseqüentemente vou infligir uma dor enorme no grande Suzuki Akira e vou saborear cada minuto de dor que ele terá.

RXR

Eu estava voltando para a casa, graças a Kami. Tudo em que eu conseguia pensar era em levar o meu companheiro embora e cuidar dele. Ele precisava comer e dormir em uma cama. E eu esperava que ele precisasse um pouco de mim também, porque com toda a certeza eu precisava dele.

- Você acha que ele tem família? – Saga me perguntou, recebendo um cutucão do Tigre que o olhou com cara de repreensão.

- Eu não sei Saga. Se ele tiver eu vou ter de convencê-los a se mudar para a matilha. Eu não posso ficar longe dele agora.

- Mas isso seria expor a Matilha aos humanos. – Tora falou.

- Eu não tenho outra alternativa... – Falei. Realmente eu não podia mais ficar longe do meu pequeno.

- Humano? – Saga perguntou, me fazendo olhá-lo. – Ele não cheira como humanos. – Completou me fazendo arregalar os olhos, Eu não havia sentido nenhum cheiro diferente em meu companheiro. O cheirei de novo só para garantir e mais uma vez que tive que suprimir a minha excitação. Mas eu percebi que havia um cheiro diferente, humano com certeza, mas também de outra coisa que eu não soube definir. Ele com certeza era um meio humano, mas apesar de eu poder afirmar que a outra metade era um lobo, o cheiro era ligeiramente diferente. Não que importasse se qualquer forma. Ele era meu companheiro independentemente se ele era meio shifter. O que me intrigava era que eu nunca havia ouvido falar de um meio lobo.

- Ele tem razão. Como eu não percebi antes? – Perguntei mais para mim mesmo.

- Porque você estava preocupado demais pensando em como foder ele do que no cheiro. – Corei, dando parabéns para mim mesmo pela idéia da faixa. Realmente meu foco não estava em descobrir se ele era humano ou não.

Felizmente eu não tive que dar uma resposta, pois já havíamos chegado em casa. Sai do carro, indo em direção a casa, onde meu pai já estava me esperando.

- Parece que a missão foi muito bem sucedida. – Comentou, olhando curiosamente para o garoto em meus braços.

- Foi até fácil demais. — Respondi me apressando para dentro da casa, já era de madrugada e estava bem frio.

- Posso perguntar o porquê de você estar com essa criança nos braços? – Perguntou direto.

- Apesar de parecer ele não é criança pai. Quer dizer ele já é maior de idade. E este é o meu companheiro. – Vi os olhos do meu pai se alargarem de surpresa.

- Por Kami! Ele era... –Não terminou, talvez porque minha expressão não fosse das melhores. Eu estava tentando a todo o custo não pensar no que estavam fazendo com o Meu lindo lá. Não pensar era a única coisa que estava me segurando para não matar aquele desgraçado.

- O importante é que você conseguiu regata-lo filho, o resto nós resolvemos depois. – Ele disse colocando a mão em meu ombro.

- Eu sei pai. Os garotos lá fora precisam de um banho e comida, o senhor pode, por favor, organizar as coisas? Eu preciso cuidar dele agora. –Falei.

- Claro filho, use o seu antigo quarto. Pelo jeito você vai passar um tempo aqui neh? – Brincou.

- Por enquanto eu acho que ele ficara mais seguro aqui. – A segurança dele a partir de agora era a minha prioridade. Meu pai saiu após um aceno de cabeça.

Eu levei o meu Taka para o quarto que havia me servido durante toda a minha adolescência. A única coisa que o diferenciava de um quarto de adolescente normal era a cama estilo king size que eu havia mandado instalar para quando eu tivesse que dormir na casa do meu pai. Nunca imaginei que ela seria tão necessária. Juro que me espantei por ele não ter acordado nenhuma vez desde a hora em que ele dormiu. Imaginei que provavelmente ele não devia dormir direito por estar com medo. Fiquei com pena de acorda-lo, mas era necessário, pois ele precisava de um banho e de comer também.

- Taka... – Chamei baixinho. Sabia que ele não havia me permitido usar o apelido, mas Takanori me parecia demasiado grande para um homem tão pequeno. – Hey hora de acordar... – Chamei mais alto, fazendo com que ele se virasse, sem acordar porem. Ri baixo ao perceber que ele seria preguiçoso. – Vamos lindo... Acorda... – Falei dando um suave beijo no rosto, eu acho que o toque o assustou, pois ele se sentou na cama rápidamente. – Calma, eu não vou te machucar.

- Onde eu estou? – Perguntou sem olhar para mim.

- Você está na minha casa. – Respondi, levantando o rosto dele fazendo com que ele me olhasse nos olhos. – Fui um dos que te salvaram daquele lugar. Desculpa ter te acordado, mas acredito que você esteja com fome. – Ganhei um aceno de cabeça confirmando.

- Ótimo. Você pode ir tomando banho enquanto eu trago alguma coisa tá? – Falei, mostrando para ele onde estava o banheiro. – Eu vou deixar algumas roupas para você. – Esperei ele entrar no banheiro antes de separar algumas roupas que provavelmente ficariam largas e grandes, mas que pelo menos o manteria aquecido. Ao ouvir o barulho do chuveiro eu tive que sair do quarto correndo, para não ceder a tentação de entrar no banheiro com ele.

Lá embaixo a casa estava em pandemônio total, varias mulheres da matilha haviam preparado sopa para os garotos. Alem de aquecer a sopa era leve o bastante para evitar que eles se sentissem mal depois. Fui parado varias vezes para ser parabenizado pelo sucesso da missão, foi bem difícil pegar um prato de sopa para o meu pequeno. Com muito custo eu consegui subir para o quarto. Chegando lá encontrei o Taka olhando as coisas do quarto, parei para observa-lo um pouco, ele havia ficado adoravel com as roupas enormes. Limpei a garganta para não assusta-lo e entrei logo em seguida.

- Eu te trouxe sopa. – Falei fazendo com que ele se sentasse recostado na cabeceira da cama, colocando a bandeja com a sopa no colo dele. Ele começou a comer com ânsia, quase nem respirando entre as colheradas.

- Vai te fazer mal, se você comer desse jeito. Deixa eu te dar. – Ofereci, vendo-o ficar vermelho, mas não resistindo em me passar a colher. Nunca pensei em estar na posição de um dia estar mimando outra pessoa.

- Qual é o seu nome? – Me perguntou com a voz baixinha após alguns momentos de silencio.

- Suzuki Akira, mas você pode me chamar de Reita. – Ofereci com um sorriso, recebendo um leve sorriso de volta.

- Eu já te disse meu nome não é? – Perguntou após outra pausa

- Matsumoto Takanori neh? – Perguntei apesar de ter certeza do nome eu queria iniciar uma conversa.

- Hai. Mas me chamavam de Ruki. – Falou levemente vermelho.

- Quem te chamava assim? – Perguntei curioso.

- No lugar onde me criaram, as outras crianças me chamavam de Ruki. – Falou simples, dando de ombros.

- E onde você foi criado? – Perguntei, oferecendo mais uma colherada de sopa.

- Eu não sei muito bem... Quer dizer a primeira vez em que eu sai de lá foi quando me entregaram para aquele homem. – Estremeceu visivelmente ao se lembrar do Watanabe. Mas o que ele falou me pegou de surpresa, como assim ele não sabia onde ele vivia antes? Quem era capaz de manter garotos em cárcere? Resolvi perguntar mais a fim de descobrir mais coisas.

- Você nasceu nesse lugar? Ou foi levado para lá? – Perguntei fazendo com que ele me olhasse curioso.

- Eu acho que me lembro de ter vivido em outro lugar antes, mas não tenho certeza... – Falou temeroso. – Eu devia ser muito novo.

- Você não tinha pai? Ou mãe?

- Bom... Haviam pessoas que nós levavam coisas para comer, e fazer um monte de exames. Mas ninguém que eu pudesse chamar de pai. – Me respondeu cada vez mais aterrorizado, talvez pelas lembranças. – Havia um homem... Ele costumava acompanhar os exames, mas nunca dizia nada. Era assustador.

- Você não foi à escola? – Pareciam que eles estavam sendo cobaias, mas de que? Será que foi assim que ele conseguiu o gene de lobo?

- Tinha uma garota... Ele era boazinha, então ensinava algumas coisas para a gente, mas ela não podia ficar muito. O homem assustador não deixava. – Contou.

- Tudo bem, já chega neh? – Falei ao perceber que ele estava tremendo e seus olhos haviam se enchido de lagrimas. – Depois você me conta.

- Eu preciso falar disso? – Me perguntou, me olhando como se me pedisse para falar que não.

- Não. Você fala se quiser e quando quiser ok? Ninguém vai te obrigar a nada. – Concordei, vendo-o suspirar aliviado. Eu não iria forçá-lo a falar nada, mesmo sabendo que seria bem mais fácil com ajuda dele.

- Obrigado. – Me agradeceu. – Para onde você me trouxe?

- Aqui é a casa do meu pai e você está no meu quarto.

- Onde estão os outros? – Perguntou.

- Eles estão lá em baixo comendo, para depois ir dormir. – Ele mordeu os lábios, nervoso por alguma coisa.

- Eu tentei ajudar... Mas eu sou pequeno demais e... – Eu fiquei surpreso e orgulhoso por ele tentar ajudar mesmo quando sabia que não conseguiria. Meu pequeno tinha fibra.

- Hey... Eles eram muitos não dava para conseguir fazer nada contra eles. – o Confortei, deixando a bandeja ao lado da cama para puxá-lo para os meus braços. Nem pensei que ele poderia achar estranho, só não era certo ele ficar triste. Mas ele não me afastou o que me causou uma alegria imensa.

- Mas eu não entendo... Eles não fizeram nada comigo. Por quê? – Me perguntou a voz saindo abafada porque ele estava com rosto escondido no meu peito.

Tenho que esclarecer que a declaração me deixou chocado. Feliz mas chocado. Eu havia entendido que eles o haviam deixado sem comer porque ele não quis fazer programas. E se aquilo era verdade eu concordava com ele por estar confuso.

- Mas... O Que você não quis fazer para ele ter te deixado com fome? – Eu sei que eu havia falado que não iria pressionar, mas aquilo mudava muita coisa.

- Antes... Assim que eu cheguei lá, eu ouvi um deles dizer que eu era o “escolhido” e que não podiam me tocar. – Escolhido? Escolhido para que? Varias perguntas rodavam na minha mente, obviamente sem respostas. – Mas acho que uns dois dias atrás, ele quis que eu fizesse... Coisas com aqueles caras. Eu ouvi o outro falando que ele teria problemas por isso, mas ele disse que lidaria com os problemas quando eles viessem. – Ele fungou e eu o apertei mais contra mim. – Foi quando eu resisti, e ele me falou que como ele não podia me bater eu ficaria sem comer até que o obedecesse.

A cada palavra eu ficava mais confuso. Para quem o Ruki era tão importante a ponto de não poderem tocar nele? Quem estava por trás de todo aquele esquema? Com quem eu teria que lutar para manter o meu companheiro seguro?

- Shh... Você precisa dormir. Eu prometo que nós vamos descobrir o que está acontecendo. – Falei o deitando carinhosamente na cama, tentei solta-lo mas repetindo os movimentos de mais cedo ele não quis me deixar ir. Me satisfez saber que apesar de ele não ter ideia sobre ser meu companheiro, ele ainda confiasse em mim e quisesse a minha companhia.

RXR

Depois de me certificar que o Meu Ruki estava dormindo, eu desci para conversar com meu pai e o Aoi. A casa estava silenciosa, e por um momento eu me senti culpado por ter deixado tudo nas mãos do meu pai, mas eu sei que ele entendeu o motivo. Guiei-me até o escritório onde eu imaginei que eles estariam.

- Eu disse que ele não iria te largar tão cedo. – Aoi brincou assim que eu entrei no lugar.

- Não é como se eu pudesse ficar longe dele de qualquer forma. – Afirmei cansado. Na verdade eu queria ter ficado com ele, mas eu precisava falar com o Aoi.

- Eu quero te agradecer. – Falei fazendo com que ele me olhasse surpreso. – Eles não machucaram o Ruki Aoi, mas se você não tivesse investigado e descoberto o esquema provavelmente ele não teria tido tanta sorte.

- Você sabe que não precisa me agradecer. Eu não sabia que seu companheiro estava lá, mas se soubesse eu o teria trago de qualquer forma. – Ele me respondeu. – Você sabe também que eu faria qualquer coisa por você. E que qualquer um que for importante para você, é importante para mim.

Eu sabia disso, mas foi bom ouvir. O Aoi era fiel a mim de uma forma que ninguém entendia, mas eu sim. Acima de qualquer coisa nós éramos amigos e companheiros. Nós nos amávamos. Não do jeito romântico, não do jeito que eu sabia que iria amar o Ruki, mas do jeito que um amigo ama o outro e isso nunca iria mudar.

- Eu sei Aoi, mas eu precisava agradecer mesmo assim. – Falei com um sorriso que foi correspondido. – Mas agora nós temos um problema. Onde está o Watanabe? – Perguntei me sentando.

- Nas celas que são reservadas para essas ocasiões. Porque? – Meu pai perguntou.

- Eu conversei com o Taka, e ele me esclareceu algumas coisas sobre a origem dele... Ou pelo menos tentou, já que ele realmente não sabe muita coisa. – Respirei fundo passando as mãos pelo cabelo. – Pelo que ele me falou, eu acho que ele foi seqüestrado para servir de cobaia.

- Aquela historia dos mutantes? – Aoi me perguntou surpreso.

- Não sei... Ele não me deu indicação nenhuma de que sabia sobre shifters. E eu também não vi nenhuma indicação de que ele pudesse se transformar. – Falei. – Me parece que se ele fosse um mutante todo o estresse que ele passou o faria se transformar, e isso não aconteceu.

- Se não é isso, como ele se transformou em meio lobo? – Meu pai perguntou.

- Eu não sei pai, mas ele não se lembra de muita coisa e eu não quero pressioná-lo. – Eu estava frustrado com todo esse mistério.

- Pelo jeito nós teremos que chamar um medico para examiná-lo. – Meu pai ofereceu.

Apesar de não ficarmos doentes, nós também tínhamos que trabalhar não para acumular riquezas mesmo porque com tantos anos sobre a terra nós tínhamos riquezas o suficiente. Mas para sermos úteis de alguma forma. Então tínhamos na matilha médicos, advogados entre outros. A maioria dos médicos shifters pesquisava não só a vida humana, mas também a nossa espécie.

- Não tem aquele que voltou para matilha há pouco tempo? – Aoi perguntou para o meu pai que confirmou com a cabeça.

- Uke-san? Ele se mudou com a família para um país da Europa, e voltou há dois meses. Um bom garoto. – Meu pai acrescentou.

Apesar de não gostar da idéia de qualquer pessoa tocar no meu companheiro, eu sabia que eles tinham razão. Eu me lembrava desse Uke. A família dele pediu desligamento da matilha para ir para a Inglaterra, parece que eles tinham parentes por lá. Ele realmente havia sido um bom garoto, mas não era exatamente pessoal.

Vocês vão aprender que nós somos extremamente possessivos com os nossos companheiros. Não confundam com ciúme, porque não tem nada a ver com falta de confiança. Na verdade é mais instintivo, compulsão por proteger e marcar território.

- Se o Ruki concordar pode ser uma boa idéia. – Falei por fim.

- Ótimo, então amanhã nós chamamos o medico e interrogamos o idiota. Agora vocês têm que descansar. – Abri a boca para reclamar, mas parei ao ver a expressão do meu pai. – Eu ainda sou o seu Alpha, alem de ser seu pai, o que quer dizer que você me deve obediência.

- Mas, pai... – Eu podia ser teimoso, mas meu pai era mais.

- Não é um pedido, é uma ordem Akira. – Eu sei que eu perdi a briga para ele quando ele usa o meu nome. – Amanhã nós resolvemos isso. Agora você deve voltar para o seu companheiro. Eu sei que você quer resolver as coisas rapidamente, mas você não vai conseguir nada se não estiver descançado. – Seu olhar se suavizou ao dizer a ultima parte e eu reconheci preocupação.

- Seu pai tem razão Reita. – Aoi concordou já se levantando. – Ele me ofereceu o quarto de hospedes e eu estou indo para lá. Vai para o seu companheiro, ele pode precisar de você.

Não precisou de mais nada, para eu me levantar e praticamente voar escada acima. Eles tinham razão, e por mais ansioso que eu estivesse, o meu parceiro era mais importante do que qualquer coisa.

Notas finais
Mais mistérios para vocês... Alguem tem algum palpite sobre quem é o "mestre" do Shou? Ou de que espécie é o vilão da historia?
É o seguinte, apesar de a minha idéia consistir em fazer uma fic unica, minha irmã disse que ficaria legal se eu contasse as historias dos outros casais em outras fics que seriam um tipo de continuação desta. Se eu fosse pela cabeça da minha irmã, eu focaria essa totalmente no casal Reituki e escreveria outra em que eu focaria em outro casal e assim por diante. Então eu queria opiniões sobre o assunto, O que vocês acham? Faço uma fic só, ou divido as historias? É claro que qualquer que seja a opinião a minha decisão vai depender de reviews... Muitos reviews. *risada maléfica*