Notas iniciais
Mais um capitulo para vocês. Sei que demorei então para compensar o capitulo ficou enorme. Espero que vocês gostem!

Nesse também tem uma parte em terceira pessoa que está em negrito e em itálico para diferenciar.

acabadas as explicações...

Boa Leitura ♥

O restante da noite foi uma maravilha e ao mesmo tempo uma tortura. Ter o meu companheiro comigo é uma sensação indescritível, mas ao mesmo tempo ter que controlar os meus instintos quase estava me matando. Meu lobo iria ter uma longa estadia no limbo, o que o frustrava, mas por enquanto a minha parte humana ainda estava ganhando. Mas outras coisas também me preocupavam. Como o motivo daquilo tudo? Quem estava fazendo essas coisas? E o mais importante: Porque meu companheiro era tão importante para eles? Essas perguntas ficavam martelando em minha cabeça sem descanso e eu estava cada vez mais frustrado por não encontrar as respostas.

Mas nem uma dessas preocupações me impediu de dormir. Eu tinha meu companheiro em meus braços e tudo estava bem por enquanto. E mesmo que alguém tentasse qualquer coisa contra ele, me encontrariam bem no meio do caminho. Com esse pensamento adormeci abraçado com ele.

Acordei com o sol nos meus olhos. Deduzi ser por volta das nove horas, o que indicava que ainda era cedo para os meus padrões, pior ainda depois de dormir de madrugada. Meu humor nunca foi dos melhores ao acordar, mas apesar de estar cansado eu não estava irritado. Só de sentir meu companheiro perto de mim qualquer irritação havia ido embora. Ri ao imaginar que provavelmente o Aoi iria me zoar quando descobrisse que depois de um dia com meu companheiro, eu já estava acordando de bom humor. Minha risada fez o meu pequeno se remexer e se acomodar longe dos meus braços e eu quase o puxei de volta. Quase, porque acabei me distraindo ao observá-lo.

A luz do dia fazia com que ele ficasse mais bonito. Os cabelos eram macios e sedosos, o formato do rosto é delicado... E eu tentei memorizar cada traço do rosto dele, os olhos, o nariz, o formato da boca... Tudo nele é perfeito de uma forma que chega a ser quase irreal.

Muitos podem achar brega ou fora de moda, e eu não posso culpá-los porque eu me sentia da mesma maneira ao ouvir outras pessoas falarem de amor. Mais de trezentos anos sozinho, quase me tira a esperança de encontrar alguém com quem compartilhar as coisas.

Não me entendam mal, quando eu disse que acreditava em encontrar o meu companheiro não estava mentindo, mas eu passei muito tempo esperando e em muitas ocasiões a minha certeza se enfraqueceu. Mas de algum modo eu sabia que cada ano em que eu me senti sozinho, valia a pena só por ter meu pequeno naquele momento comigo.

Naquela manhã eu tive a mais absoluta certeza de que tudo para mim se resumia a uma pessoa. Que tudo em mim servia para adorá-lo, mimá-lo e fazer com que ele fosse feliz. Minha força, meus pensamentos, minha dedicação... Meu amor, tudo para ele.

Não sei se vocês já se apaixonaram algum dia, acho que provavelmente a maioria dos meus leitores devem ser muito novos para terem tido um amor verdadeiro. Mas quando encontrarem vão perceber que tudo o que basta para te fazer feliz é a simples presença do outro. Nada é mais importante do que essa pessoa.

Senti que ele acordava, e imediatamente prendi a respiração, de repente tenso. Ele abriu os olhos lentamente, piscando confuso com se estivesse tentando se situar. Logo vi uma luz de pânico nos olhos dele, que foi imediatamente trocada por uma de reconhecimento.

- Bom dia lindo. – Cumprimentei, calmamente escondendo qualquer tensão que eu estivesse sentindo. Eu sou muito bom nisso, esconder meus pensamentos e sentimentos era um dos meus talentos mais usados.

- Bom dia. – Me respondeu em uma voz rouca e baixinha.

- Fome? – Perguntei já me levantando para pegar alguma coisa para ele, dando graças à kami por termos uma cozinheira na casa porque se fosse depender de mim para cozinhar... Vamos dizer que eu levei muito tempo para encontrar meu companheiro para arriscar mata-lo envenenado com minha comida. Quando me levantei, expus meu abdômen, não que eu tivesse a intenção...

Tudo bem eu tinha toda a intenção do mundo de conseguir que ele se sentisse atraído por mim, e não eu não ia forçar a barra, mas iria usar tudo o que pudesse para fazer com que ele quisesse ficar comigo. E eu tenho que confessar que o olhar de apreciação que recebi me tornou um cara super satisfeito. Claro que ele ficou igual a um tomate quando percebeu que eu vi.

- Eu posso te fazer uma pergunta? – Perguntou, abaixando o olhar, envergonhado.

- Todas as que você quiser. – Respondi sorrindo.

- O que você é? – Meu sorriso murchou. Eu sabia que essa pergunta viria cedo ou tarde, mas esperava que fosse mais tarde. Eu achava que seria um choque para ele descobrir que as pessoas que o salvaram não eram humanos normais. – Quer dizer... Seus olhos trocaram de cor quando você me tirou daquele lugar, e eu tenho certeza de que vi presas em você.

- Eu prometo que te respondo essa pergunta, mas vou me sentir muito melhor se você estiver alimentado. Então vamos tomar café da manha primeiro. – Falei, não para tentar desviar da pergunta, mas sim para encontrar um modo menos chocante de contar a verdade. Ele concordou, mas eu podia ver a contrariedade nos olhos dele. Parecia que depois que ele se acostumasse com as coisas eu teria um companheiro bem voluntarioso. Um suspiro divertido saiu dos meus lábios mesmo que eu tenha tentado impedir e ele me olhou com curiosidade, me forçando a esconder o pequeno sorriso que estava em meu rosto.

Me troquei no quarto enquanto ele usava o banheiro. Eu estava lutando contra o meu lobo o tempo inteiro, e isso não é fácil de forma alguma, mas naquele momento era necessário, eu não queria assustá-lo. Ao vê-lo saindo do banheiro eu não pude evitar o achar kawai usando as minhas roupas.

- Eu sei que você deve estar desconfortável, por estar usando roupas maiores que você. – Falei ao ver que ele estava enrolando as mangas da blusa, para não parecerem tão grandes. – Mas se você quiser, nós podemos ir comprar algumas roupas mais tarde. – Vi os olhos dele brilharem animados, mas suas palavras não foram condizentes com o seu olhar.

- Porque você me compraria roupas novas? – Perguntou usando um tom desconfiado.

- Uma das razões é que você não pode usar minhas roupas eternamente. – Se fosse por mim ele usaria só as minhas roupas, ou então andaria sem roupa nenhuma, mas eu desconfiava de que ele não iria gostar se eu falasse, então me calei. – As outras razões fazem parte das explicações que eu vou te dar depois do café.

- Eu odeio não saber das coisas... Porque você não pode explicar para mim? – Me perguntou. A voz saindo contrariada. Não resisti em me aproximar e fazer uma caricia no rosto dele, para dar conforto. Para o meu contentamento ele inclinou o rosto em direção a minha mão, como se para aproveitar a caricia.

- Sei que você está assustado, confuso e com medo, mas eu prometo que irei te explicar tudo o que você quiser saber. A única razão para não fazer isso agora é que eu preciso que você coma alguma coisa. Eu não quero ver você passando mal porque não comeu, entende? – Perguntei vendo que ele abria os olhos, e concordava com a cabeça.

- Ninguém nunca se preocupou comigo assim... – Me respondeu. – Tudo bem... Mas promete que vai explicar? – ele pareceu uma criança ao falar assim, e a minha vontade era de pegá-lo no colo e prometer o que ele quisesse.

- Prometo. – Respondi, e pela primeira vez eu vi um sorriso no rosto dele. E devo dizer que ele ficava mais lindo ainda sorrindo.

- Eu não sei explicar o porquê, mas eu confio em você. – E o meu coração se aqueceu ao ouvir a declaração.

- Eu fico muito feliz com isso, Taka. – Respondi, e eu sei que eu devia estar com o maior e mais bobo sorriso que ele já havia visto na vida.

R ♥♥ R

O café transcorreu tranqüilo, talvez porque só estávamos nós dois. Meu pai havia se enfiado no escritório para pesquisar algumas coisas, e o Aoi ainda estava dormindo. O que tornava as coisas bem mais fáceis, pois parecia que meu pequeno não ficava confortável na presença de estranhos.

- Muito bem. Eu já comi e agora eu quero algumas respostas. – Falou assim, que terminou o café, nem me dando tempo para terminar o meu. Ri internamente ao perceber a pressa que ele estava de saber as coisas.

- Não é uma coisa fácil de explicar, e acredito que não seja fácil de entender. Mas eu vou tentar ok? – Falei e ele concordou com a cabeça. – Eu só peço que você escute tudo antes de qualquer reação. – Outro aceno de cabeça me mostrou que ele estava concordando.

- Você me perguntou o que eu sou. – Respirei fundo, antes de continuar. – Eu sou um shifter lobo. Isso quer dizer que eu posso me transformar em um lobo. – Continuei vendo os seus olhos se arregalarem. – Mas eu não sou do tipo que você vê em filmes, e eu não machuco as pessoas.

- Então é por isso que você tem presas e os seus olhos mudam? – Me perguntou e eu não pude sentir o cheiro de medo, um pouco de nervosismo, mas não medo, o que me deixou aliviado.

- É por isso sim. – Confirmei.

- E você não machuca as pessoas neh? – Me perguntou, e eu senti receio vindo dele.

- Não eu não machuco as pessoas. Eu ajudo a protegê-las. – Falei com firmeza, e senti que ele se acalmava, eu não pude deixar de achar curioso em como ele poderia confiar só em minha palavra.

- Mas... Eu ainda estou curioso com uma coisa. – Falou com a voz baixinha. – Porque você me trata com tanto carinho? Quero dizer, haviam muitos garotos lá para salvar... Então porque comigo é diferente? Eu dormi na sua cama, você parece muito preocupado com o meu bem estar, quer comprar coisas para mim... Isso é estranho.

Antes que alguém me pergunte, eu também fiquei surpreso, por ele levar tudo em uma boa. Mas eu acho que ele havia passado por tanta coisa, que provavelmente ele não achava tão estranho assim, eu ser um lobo. Mas a parte que poderia assustá-lo viria a seguir.

- A minha espécie, passa a vida procurando o seu companheiro. – Comecei. – Ou como os humanos chamam alma gêmea. Quando encontramos nossos companheiros, a nossa vida muda de uma forma inimaginável.

- E o que isso tem haver? – Me perguntou, e eu tive que respirar bem fundo antes de responder.

- Você é meu companheiro. – Soltei de um fôlego só, e o vi arregalar os olhos e abrir a boca varias vezes tentando achar as palavras certas. – Eu tenho necessidade de te proteger, cuidar para que você tenha tudo o que quiser... Te fazer feliz.

- Mas... Eu não entendo. – Vi ele piscar confuso. – Como você sabe se acabou de me conhecer?

- É difícil de explicar... Nós simplesmente sentimos. – Tentei explicar. – Quando eu senti o seu cheiro, eu soube que era o do meu companheiro. É como se uma luz de repente se acendesse em minha cabeça e eu soubesse.

- Isso é... Diferente. – Ele falou ainda um pouco confuso. – Mas eu sou obrigado a ficar se eu não quiser? – Essa pergunta me fez engolir em seco. De repente duvidas me assaltaram. Será que ele não me queria?

- Ninguém vai te obrigar a nada. – Falei firme. – Você só fica se quiser.

- Mas você me deixaria ir embora? – A cada pergunta eu ficava mais e mais apavorado, mas fiz de tudo para que ele não percebesse.

- Olha lindo... Quando nossa raça encontra o companheiro é para sempre. Eu não vou encontrar outra pessoa que exerça um terço da atração que você exerce em mim. – Comecei, vendo que ele prestava atenção. – Mas, te ver feliz vem acima de qualquer necessidade que eu tenha. Não estou dizendo que eu quero que você vá, porque eu não quero, mas se sua felicidade estiver longe de mim eu vou ter que aprender a lidar com isso.

- Essa foi à coisa mais bonita que alguém já me disse... – Ele falou com os olhos cheios de lagrimas.

- Eu sei que tudo e muito novo para você, mas... Eu quero te pedir uma chance de te fazer feliz do meu lado. Eu prometo não forçar a barra e nem te exigir nada que você não possa, ou não queira me dar. – Pedi. Eu sei que se qualquer um dos meus inimigos me visse daquela forma, ajoelhado em frente a um garoto de 1,60m de altura implorando por uma chance, iriam se acabar de tanto rir, mas naquele momento não me importava, tudo o que eu queria era ter o meu companheiro para mim, e para isso eu imploraria quantas vezes fosse preciso.

- Eu realmente não quero ir embora. — Ele disse se aproximando de mim e fazendo um carinho no meu rosto. – Eu não entendo nada desse negocio de ser companheiro, mas eu sinto que estar com você é certo, e... Eu gosto do seu cheiro, dá vontade de me enrolar em volta de você e ronronar. – Ele falou lindamente vermelho, e eu soube que o lobo me reconhecia. – Mas isso me assusta, pois eu não devia querer nada disso.

- Eu sei que pode ser assustador, mas nós vamos devagar ok? – Falei, e ele concordou com um aceno de cabeça. Não conseguir combater a vontade de pega-lo em meu colo.

- Você sabe que eu sei andar certo? – Ele murmurou contra o meu pescoço, e eu ri.

- Eu sei, mas eu gosto de ter em meus braços, então pode se acostumar porque eu pretendo de carregar quantas vezes eu puder. – Confessei me sentando com ele ainda em meu colo.

- Eu também gosto de estar em seu colo.. É quente e aconchegante e eu me sinto seguro. – confessou também, sem olhar em meus olhos. Me encantava e encanta até hoje, como ele consegue parecer tão... Apertavel quando ficava com as bochechas coradas de vergonha.

- Que bom. – Suspirei contar os seus cabelos e ele me olhou com curiosidade.

- Algum problema?

- Não exatamente... – Eu não sabia como falar para ele a suspeita de que ele fosse meio-lobo. Mas eu tinha consciência de que não podia esconder. – Eu tenho uma suspeita, na verdade quase certeza de que você é um meio shifter. – Falei procurando em seus olhos a indicação dos seus sentimentos, Mas ao contrario do que eu esperava, ele não parecia em pânico, ele parecia chocado.

- Como assim? – Perguntou, a voz com uma nota de desespero.

- Calma amor... Não é ruim. – Passei as mãos em suas costas, no que era para ser um gesto calmante.

- O seu cheiro não é de um humano completo. Entende? – Era complicado explicar o que eu também não entendia.

- Mas como eu me transformei em meio lobo? – Perguntou.

- Eu não sei lindo. Pode ter sido clinicamente, mas também pode ter sido biológico. – Uma coisa estalou em minha cabeça, se encaixando. Embora nada nos dissesse que não poderíamos ter companheiros humanos, esse tipo de acasalamento era bastante raro, tanto que eu nuca havia visto um desses. Mas e se o meu pequeno fosse filho de um lobo com uma humana? – Temos um medico na matilha, e se você quiser nós podemos pedir para ele te examinar.

- Você vai comigo? – Eu pude cheirar o seu medo, e meu lobo se inquietou.

- Claro amor. Eu vou estar com você todo o tempo. Só quero ter certeza do que estamos lidando. – Falei e ele concordou. – Eu sei que eu não fui muito delicado para te dar as noticias então, por favor, me desculpe se eu o assustei.

- Estou confuso, e um pouco assustado. – Falou. – Mas obrigado por ter me falado, eu não gosto quando escondem as coisas de mim.

- Eu prometo nunca esconder nada de você. Exceto se for alguma coisa da matilha e for extremamente necessário. – Prometi e tinha toda a intenção de cumprir. – Mas eu achei que você fosse se assustar mais com a noticia.

- Eu estou assustado, mas eu de alguma forma sabia que era diferente. – ele falou envergonhado.

- Como assim? – Perguntei curioso.

Você viu do jeito que aqueles homens me trataram. – Revirou os olhos. – O intocável, especial... É lógico que eu sabia que havia alguma coisa fora de contexto na situação toda, só não sabia o que.

Me impressionei coma forma que ele parecia aceitar tudo de forma simples, como se fosse fácil de entender. Aoi resolveu entrar no lugar naquela hora, sem camisa e ainda sonado. Reprimi a vontade rosnar para ele por estar se exibindo para o meu companheiro.

- Bom dia... – Cumprimentou, não reparando na minha expressão assassina, e nem na expressão curiosa do meu baixinho.

- Seria um dia melhor para mim se você estivesse totalmente vestido. – Soltei, fazendo com que ele arregalasse os olhos, e depois sorrisse quando percebeu o porquê de eu estar tão mal humorado.

- Desculpe Reita, eu não queria te ofender e nem o seu companheiro ok? – Falou sarcástico, e eu não pude me impedir de dar um pequeno sorriso.

Qualquer que seja a situação o meu amigo ainda agiria comigo do mesmo jeito e isso de certa forma me tranquilizava, afinal eu considerava o Aoi meu único amigo de verdade. Eu nunca conseguia ficar irritado com ele por muito tempo. E vocês podem ver que a minha reação foi meio exagerada, mas como já expliquei essa coisa de possessividade de lobo é mais instintivo do que racional.

Senti que Ruki se contorcia em meu colo como se me pedisse para sair, e eu relutantemente o deixei ir. Me surpreendi ao ver que ele se aproximava do Aoi com curiosidade, juro que no dia anterior achei que o meu companheiro fosse tímido, mas pelo jeito não era o caso.

- Você é bonito... — Observou, fazendo com que o Aoi risse e eu rosnasse, puxando ele para os meus braços.

- Muito obrigada Ruki, mas eu te aconselho a não ficar dizendo muito isso com o risco de eu perder minha cabeça. – Disse divertido.

- Por quê? – Perguntou inocentemente, e eu quase gemi.

- Porque você é meu companheiro e eu não divido. – Falei apertando o corpo dele contra o meu.

- Mas ele não é tão bonito quanto você... E seu cheiro é melhor. – Falou e eu ri.

- Você está querendo dizer que eu estou fedendo? – Aoi perguntou em um tom falsamente ofendido, fazendo com que meu baixinho soltasse uma risada.

Vocês não têm ideia de como me fez bem vê-lo sorrir, mesmo depois de tudo o que ele passou. Nessa hora até esqueci o meu ciúme.

- Não só o cheiro do Reita que é melhor. – Respondeu simplesmente, e o meu amigo riu.

- Eu sei me retirar do jogo quando não tenho chance. – Brincou, erguendo as mãos. Vi que o meu pequeno corar e abaixar a cabeça.

- Não liga para o Aoi não... Ele e um idiota! – Falei, pois sabia que ele havia ficado desconfortável com a brincadeira. – Ele está só brincando, mesmo porque se estivesse falando serio, provavelmente estaria sem cabeça. – Ameacei vendo que ele alargava os olhos e que Aoi soltava uma gargalhada

- Mas eu não quero que você arranque a cabeça dele! – Exclamou, e eu revirei os olhos. – Ele é legal.

- Obrigada Ruki. Eu gosto da minha cabeça onde está. – Aoi falou.

Fomos interrompidos pela chegada de um Saga eufórico, como sempre.

- Bom dia! – Às vezes eu admirava a disposição que aquele garoto tinha para acordar de bom humor. Ruki o olhou com curiosidade, e eu tive uma ideia para fazer com que meu pequeno se divertisse enquanto eu discutia as estratégias para descobrir o que diabos estava acontecendo.

- Saga porque você não mostra para o Ruki as terras da matilha? Claro que acompanhado por pelo menos dois guardiões. – Falei, pois por mais que eu quisesse que meu companheiro se divertisse, nem em mil anos eu o deixaria desprotegido.

Como eu previa Saga quase bateu palmas de contentamento. Sabia que para ele era difícil conviver com um monte guerreiros sérios que na maioria das vezes não entendia suas brincadeiras. Talvez meu companheiro pudesse fazer com que ele ficasse um pouco mais feliz, porque apesar de ser um bom amigo, Tora podia ser meio mal humorado às vezes.

- Serio? – Perguntou os olhos brilhando de contentamento, e o Ruki também me olhava com expectativa.

- Serio. Mas vocês não podem ir muito longe e nunca sozinhos entenderam? – Eles balançaram a cabeça concordando e só ai eu liberei o me pequeno do meu colo. – Esperem um momento enquanto eu chamo o nosso comandante da segurança.

Me levantei e chamei o comandante pelo celular informando que eu queria guardas para fazerem a segurança do meu companheiro. E deixei claro que, a menos que ele estivesse comigo, um lobo estaria ao lado dele o tempo todo.

- Ok. Vocês podem ir. – Não fiquei surpreso ai ver que eles já estavam perdidos em uma conversa. Como eu já disse, Saga tinha esse talento.

Me dirigi até onde eles estavam, me abaixando até ficar da mesma altura que o meu companheiro.

- Eu não me esqueci da promessa de te levar para fazer compras. – Falei, fazendo um leve carinho no rosto dele. – Assim que eu puder me livrar do meu pai e do chato do Aoi eu te levo ok? – Ele riu quando me referi ao Aoi como chato, e eu tive certeza que a risada dele agora estava em primeiro lugar na minha lista de sons favoritos.

- Hai! – Ele concordou, e eu me despedi com um beijo na testa dele. Meu lobo se contorceu com a necessidade, e eu tive que segurar um gemido. Me conter estava sendo muito difícil, mas de alguma forma eu estava conseguindo.

Esperei pelos lobos que iam fazer a proteção do meu pequeno para só então deixá-los sair. Tentei ignorar a expressão de divertimento do Aoi, sabendo muito bem o que ele estava pensando.

- Você está amolecendo Reita. – Comentou. – Mas eu entendo o porquê de você estar tão encantando, ele é adorável.

- Ele é lindo, e forte. Encara as coisas com tanta naturalidade que me assusta. – Falei, ainda estava chocado pela reação dele perante a verdade. Quem ficava tão tranqüilo ao descobrir que era meio lobo e que tinha um companheiro? Ninguém que eu conhecesse.

- Fica calmo Reita. Eu acredito que se você não apressar as coisas ele vai ficar bem. – Tentou me tranqüilizar. – Você mesmo disse que ele é forte. E isso porque nós não sabemos o que ele realmente enfrentou. Ele vai ficar bem.

- Como você pode ter tanta certeza? – Falei, permitindo que todo nervosismo que eu não queria que o Ruki visse, saísse. Eu nunca havia me sentido tão frágil e nem tão apavorado em toda a minha vida.

Eu sei que alguns vão dizer que eu não podia me permitir a ficar nervoso. Mas não é algo que eu podia evitar. Eu tinha tanto a perder, que eu não conseguia ficar tranqüilo.

- Nós nem sabemos com o que estamos lidando Aoi! E tudo fica cada vez mais complicado. – Falei exaltado. – Estão atrás dele, e eu não sei quem são, o que são, e principalmente eu não sei por quê.

- Ele tem você. – Aoi falou, colocando as mãos em meu ombro. – Não interessa quem quer fazer mal para ele, porque eu sei que você vai fazer de tudo para protegê-lo, independente de qualquer coisa. – Os olhos dele não deixaram os meus em nenhum momento. – E você sabe que a matilha inteira vai protegê-lo também, com a própria vida se for preciso. Nós vamos resolver isso Reita, mas você não pode fraquejar, porque ele vai se apoiar em você.

- Você tem razão, Aoi. – Reconheci. – Mas eu não pude evitar, eu estou tão preocupado...

- Tudo bem. Só saiba que eu vou estar aqui sempre ok? – Falou. – Merda Reita, eu gosto do garoto. Ele é tão pequeno e frágil que eu entendo o porquê de você estar preocupado.

- Eu não tenho como agradecer por isso. – Falei. Sabia que ele estava machucado, mesmo que ele não demonstrasse. Mas mesmo assim ele estava lá por mim, pelo Ruki. E eu o admirava por isso.

- Não precisa me agradecer. Você é meu amigo acima de qualquer coisa, e se você precisa de alguém para te ajudar a proteger seu companheiro, eu estarei lá com você. – Falou sorrindo. – Suas batalhas são minhas batalhas, sempre foi assim e dessa vez não vai ser diferente.

- Eu sei... – E era verdade. Por muito tempo nós estivemos juntos, e eu sabia que ele estaria aonde eu precisasse, da mesma forma que eu estaria aonde ele precisasse.

- Ótimo! Agora que estamos entendidos, vamos logo conversar com o seu pai. – Disse me puxando em direção ao escritório.

R ♥♥ R

Ruki estava cada vez mais confortável com o outro garoto loiro que parecia ter engolido uma maritaca, pois não parava de falar um segundo sequer.

- Você vai gostar daqui... Tem um monte guerreiros grandes, pena que eles são meio mal humorados. Nunca entendem as minhas brincadeiras. – Falou revirando os olhos, fazendo Ruki rir. – Mas é legal de qualquer forma.

- Você nasceu aqui? – Ruki perguntou curioso, e viu o sorriso do outro desmoronar.

- Não. Embora eu quisesse muito ter nascido dessa matilha. – Falou triste. – Eu fui deixado para morrer por minha matilha original. – Revelou, fazendo com que Ruki arregalasse os olhos e depois ficasse triste. Para ele ninguém, merecia a crueldade, estremeceu ao pensar no que havia passado. Bloqueou as lembranças para não sucumbir.

- Você não precisa falar se não quiser, eu só estava curioso. – Falou se sentando ao lado do outro.

- Tudo bem. Eu sinto que eu tenho que falar, mas eu não quero falar com o Tora, pois ele ficaria com muita raiva. – Disse brincando com os próprios dedos.

- Quem é Tora? – Ruki perguntou.

- Foi ele quem me encontrou, e me salvou. Depois disso ele virou meu protetor. – Saga esclareceu. – Ele é um shifter tigre.

- Mas ele não sabe o porquê você foi ferido? – Perguntou.

- Ele sabe o motivo, mas não como aconteceu. – Saga falou, agora olhando para o Ruki. – Eu que não me lembrava, porque eu não quero que ele fique com raiva e se machuque tentando se vingar. – Falou com lagrimas nos olhos e Ruki ficou ainda mais triste. – Mas eu preciso conversar sabe? Colocar para fora.

- Se você quiser me contar, eu juro que não falo nada para ninguém. – Prometeu.

- Serio? – Saga perguntou e Ruki assentiu levantando o dedinho. – Obrigada. – Falou também levantando dedinho e tocando no do outro.

- Eu fui criado de forma diferente das dos lobos comuns. – Começou, fungando. – Minha matilha funciona diferente. Nós temos um Alpha e dois betas e todos eles têm um mesmo “companheiro”. – Bufou ao dizer a ultima palavra. – Eu digo que eles queriam era uma puta para descarregar as frustrações sexuais, porque todos eles ainda podiam encontrar os seus companheiros reais e ainda ficar com os pobres coitados que eles escolheram. – Respirou fundo, antes de continuar. – Acontece que eu fui escolhido para ser um dos pobres coitados, minha família achou que era uma honra, mas eu fiquei com medo e assustado. – Seus olhos ficaram perdidos, como se estivesse em outro lugar. – Mas eles não ligaram pra minha opinião, então eu fui preparado para a cerimônia de iniciação. Ela consistia em ser fodido por todos eles em frente à matilha inteira. – Ruki soltou uma exclamação de terror. – Você não pode imaginar o quanto é humilhante passar por isso. – Os olhos se encheram de lagrimas, e Ruki sentiu-se mal por ver aquele que ele considerava sinônimo de alegria, machucado daquele jeito. – Eles não foram gentis. Me machucaram, humilharam e não se importaram quando eu pedi para pararem. Eu implorei, mas isso fez com que eles ficassem mais violentos, e no fim eu já não tinha forças ou voz para pedir mais.

Flashback on

- Por favor... – já quase sem voz Saga implorava, mas a pessoa que o estava violando não se importava com suplicas ou pedidos. Tudo o que interessava era o seu próprio prazer em estar dentro do corpo do homem menor. Ao redor deles uma matilha inteira assistia alguns com horror, outros com pena, mas a maioria só estava satisfeita por não estarem no lugar daquela pobre criatura.

Saga sentiu por um momento alivio, pois o Alpha, que era o que estava o estuprando, porque aquilo não era nada mais do que estupro, havia saído de dentro dele sem nenhuma delicadeza, mas pelo menos estava se retirando. O alivio não durou muito porque o próximo ainda conseguia ser mais brusco do que o anterior, e isso se repetiu com o terceiro. Saga só conseguia pedir silenciosamente para que tudo aquilo terminasse rápido.

Flashback of.

- Eu vivi um ano com eles, e a cada dia a coisa ficava pior. Eu fui espancado e estuprado mais vezes do que eu podia contar e ninguém queria me ajudar, pois estavam com medo de serem castigados. E enquanto isso eu sofria sem poder fazer nada. – Ruki não conseguia realizar tudo o que o outro havia passado, apesar dos seus próprios fantasmas, nunca havia sido estuprado. – Até que um dia eu pedi ajuda de fora. Escondido eu fiz uma ligação para um dos lobos que iam tratar de negócios com o alpha. Ele tentou me ajudar a fugir, mas fomos descobertos. – Um sorriso frio, que não combinava nada com Saga se desenhou em sua boca. – E aí que eu descobri o que era o inferno.

O alpha matou o meu amigo e me acusou de tê-lo traído com ele, por isso eles me julgaram culpado de traição e então me levaram para esse lugar na floresta onde mais uma vez fui estuprado e espancado, mas em um nível muito pior do que eu estava acostumado. Deixaram-me mais morto do que vivo abandonado lá. – Fungou passando as mãos pelos olhos para limpar as lagrimas. – Tora me encontrou dois dias depois, e eu agradeço a quem quer que cuide nos aqui nesse mundo, por ter sido ele.

- Como você consegue? Ser tão animado quando sofreu tanto. – Ruki perguntou querendo entender a personalidade do outro.

- Se eu não poder ver o lado bom das coisas, eu vou desmoronar. – Saga respondeu. – Cada maldito dia daquele ano ainda estão gravados na minha mente e eu preciso encarar as coisas com bom humor para não ficar pensando neles. – Continuou. – Eu ainda tenho pesadelos com isso, mas eu me recuso a passar o resto da minha vida lamentando o que eu não posso mudar. Meu companheiro está por ai, e eu sei que mereço ser feliz, e por enquanto isso basta.

- Você tem consciência do quão forte você é? — Ruki perguntou e Saga corou. – É serio. Enfrentar o que você enfrentou e ainda sim permanecer esperançoso e de bom humor é sinônimo de muita força.

- Embora eu não me veja assim, agradeço pelo elogio.

- Por nada. – Ficaram um momento em silencio constrangedor, até que o Saga levantou-se e saiu puxando o outro para ver o lago.

R ♥♥ R

Embora estivéssemos pensando uma boa parte da reunião ainda não havíamos descoberto nada. Nem os contatos que normalmente tínhamos estavam sendo de grande valia.

- Vamos depender de uma declaração do Watanabe. – Meu pai concluiu e eu fiz uma careta de desagrado. Eu não iria conseguir conversar com aquele verme de novo sem mata-lo.

- Eu não vou conseguir fazer isso direito. É melhor que o Aoi faça. – Declarei. Por mais que ele merecesse, com o meu gênio, provavelmente eu iria mata-lo antes de descobrir alguma coisa, o que não ajudava.

- Tudo bem eu faço. Mas você tem consciência de que ele pode não saber nada relevante. – É eu também suspeitava disso. Pelo jeito ele só era um pau mandado sem inteligência, ele não devia saber de nada importante.

- Mas por enquanto ele é nossa única fonte para tentar descobrir alguma coisa. – Meu pai se pronunciou. – Qualquer coisa vai servir para que nós tenhamos pelo menos uma pista de onde podemos procurar.

Concordei com a cabeça, enquanto via o Aoi fazer a mesma coisa.

- Mudando de assunto Reita. Seu companheiro aceitou ver o medico? – Me perguntou. – Temos que ligar para ele.

- Aceitou, ele também quer descobrir como se transformou em meio lobo. – Falei e meu pai concordou.

- Então vamos ligar para o Uke-san logo. – Vi ele pegar o telefone para falar com o medico.

Eu só podia esperar para ver o que afinal havia acontecido com o meu pequeno. E eu realmente tinha esperanças de que esse medico pudesse me dizer.

Notas finais
e ai gostaram de saber um pouco mais do Saga?

Vou fazer o possível para atualizar rápido, mas não prometo nada porque ultimamente tudo está muito corrido.

E então... Reviews?!