Notas iniciais
Oie... *Acena*
Sei que demorei, mas eu tive alguns problemas resultado da falta de tempo, o que fez com que eu atrasasse os capítulos das minhas duas fics. Peço desculpas pela demora, mas infelizmente não tive como postar antes. Espero realmente que vocês não tenham desistido de mim.
Nesse capitulo há um pouco mais de revelações e o aparecimento de mais personagens. Há também mais trechos em terceira pessoa. Se ficar muito confuso por favor me avisem para que eu possa mudar.
Sem mais delongas... Boa Leitura ♥

Em um calabouço, um garoto que deveria ter tido uma boa aparência, se encontrava acorrentado pendurado por um gancho no teto. Seus pés não tocavam o chão, suas roupas nada mais eram do que farrapos, seus olhos demonstravam claramente o medo que sentia. Ao ouvir o barulho da porta quase se encolheu, mas uma dor lacinante o fez gemer e se manter na posição.

– Hum... Vejo Toshio fez um bom trabalho. – Katsuo era um homem bonito, alias deslumbrante. Era forte e alto para o padrão japonês, resultado de alguns experimentos. Apesar do tamanho tinha um rosto sereno, que passava tranqüilidade para alguém menos observador. Mas qualquer um que o olhasse nos olhos iria ver frieza e maldade, ninguém em nenhum tempo seria burro o suficiente para contrariá-lo. – Você foi muito desobediente irmãozinho.

– Por favor, Katsuo... Me desculpe. – Apesar de não concordar com o irmão, o pequeno sabia que o mais velho não pararia até que ele tivesse implorado o suficiente, e já não agüentava mais ficar ali.

– Você não podia ter feito o que fez Nao, e sabe disso. – Falou calmamente rodeando o corpo do mais novo.

– Mas eu não fiz nada... Eu só... – Tentou explicar, mas foi calado por um forte tapa que fez as correntes balançarem e como consequência uma dor aguda passou por todos os músculos já doloridos pelo tempo em que estava suspenso.

– Cala a porra da boca! – Katsuo gritou. – Eu estou cansado de te dizer que você não está autorizado a falar com ninguém!

Nao arregalou os olhos perante a fúria do irmão. Só havia dado um olá para o medico lobo que havia se tornado seu vizinho a poucos dias, não fizera nada de mais. Mas aparentemente devia ter pensado melhor antes de fazer o movimento. Só ele sabia como Katsuo podia ficar violento quando contrariado, pois para qualquer outra pessoa o respeitável Katsuo Murai era polido, até gentil às vezes. Só o seu irmão menor conhecia o seu grau de loucura, só ele sabia que o irmão era um maldito sádico que gostava de bater no irmão. Claro que por ser lobo, as feridas saravam rapidamente, então para a maioria dos lobos da matilha, Nao que era considerado esquisito, não conversando e muitas vezes se esquivando de qualquer pessoa. Mal sabiam eles de que era uma exigência do seu irmão.

– Você é meu Nao. Só meu. – Falou abaixando o tom de voz e se dirigindo a um armário situado em um canto do aposento. Só isso e Nao começou a tremer. Sabia bem o que estava por vir e não seria nada agradável. – Eu achei que isso estava bem claro... Mas vi que estava errado. Você não aprende, mas eu ainda não desisti de ensinar. – Completou pegando um chicote de couro entre muitos outros de formas diferentes.

– Por favor... – Pediu, mas como sempre não foi atendido. A próxima coisa que sentiu foi à dor da chicotada. Tentou com todas as suas forças não gemer, mas sabia por experiência que o irmão não pararia enquanto não houvessem gritos e pedidos de misericórdia. Lágrimas escapavam de seus olhos e ele se pegou desejando encontrar logo um companheiro, que pudesse tirá-lo do inferno que era sua vida. Um companheiro como o lindo medico que vira no outro dia, mas de repente se lembrou que seu companheiro teria de enfrentar e soube que nunca faria alguém se submeter ao que tinha que passar todos os dias desde a morte dos pais. No final era bem melhor sofrer do que ver alguém sofrer.

R♥♥R

Ruki havia voltado do passeio com Saga pensativo e eu fiquei totalmente curioso com o motivo, mas meu companheiro não quis me falar o que era, só explicando que tinha a ver com uma coisa particular da vida do Saga e que não se sentia no direito de fazer comentários. Por um momento me perguntei se Saga havia finalmente contado a historia da sua vida para alguém, mas depois desencanei porque independente de qualquer coisa, passado ainda era passado e o Saga agora estava bem protegido.


Infelizmente Aoi não conseguiu muita coisa do verme que se dizia lobo. Segundo a historia que ele contou depois de quase se borrar com as ameaças que meu amigo fez, um homem o havia procurado oferecendo sociedade em um bordel de crianças e que ele havia aceitado na hora por precisar de dinheiro. Bastardo idiota. Como alguém pode querer usar crianças? Então ele ofereceu as terras da matilha que ele havia acabado de herdar de um tio e mão de obra para buscar as crianças em troca de dinheiro. O Taka havia aparecido uma semana antes, com ordens restritas para não violarem e nem o machucarem fisicamente, pois ele era reservado para um dos chefões, mas não explicaram que dia o chefão apareceria em nem o que havia de especial no garoto. Fora isso ele não sabia mais nada, só que o homem que conversou com ele não parecia um lobo. No momento que Aoi perguntou por que ele não podia afirmar com certeza, já que ele era um lobo e que podia cheirar o que o outro era, tivemos uma surpresa. Ele não podia se transformar e seu olfato também não era dos melhores. Isso explicou o porquê de ele não ter cheirado minha raiva e de não ter se transformado quando eu ataquei.


Após essa conversa o encaminhamos para a policia com a acusação de trafico e prostituição de menor. Ele que não sabia como os detentos não gostavam de homens como ele, e eu esperava que ele passasse maus bocados na cadeia.


– Ele não foi de muita utilidade. – Aoi comentou com um suspiro. Taka havia subido para descansar depois de comer e eu queria muito estar fazendo companhia para ele, infelizmente eu tinha minhas responsabilidades.


– Como prevíamos. – Falei me jogando no sofá, enquanto meu pai nos olhava da escrivaninha.


– Temos que encontrar outros métodos. – Sentenciou. – Eu não gosto disso filho. Tenho a impressão de que isso é só o começo dos acontecimentos e temos de ser rápidos para não haverem perdas.


– Concordo. Mas não sabemos por onde começar a procurar. – Falei frustrado.


– Nós ainda temos o seu baixinho Reita. – Aoi falou se levantando. – Se descobrirmos de onde ele vem, talvez possamos descobrir o que o está caçando.


– Faz sentido filho. – Meu pai concordou. – O Dr. Uke vem hoje mais tarde, talvez ele possa nos ajudar nessa parte.


– Eu acho que vale a pena tentar. – Falei, afinal não tínhamos muitas escolhas. – Eu vou ver se está tudo bem com o Taka. – Informei com um suspiro. Não deixava de me surpreender com o fato de não conseguir ficar muito longe dele.


– Vai filho. Quando o médico chegar eu peço para te avisarem. – Meu pai acenou sua concordância.


– Eu preciso ir ao meu apartamento e aproveitar para dar uma passada na empresa. – Comentou.


– Pede para Aime-chan me mandar o contrato que eu preciso assinar por email. – Pedi me lembrando da ligação da minha secretaria que eu havia recebido mais cedo.


– Tudo bem. – Concordou. – Eu volto mais tarde ok? E vê se desencana, no final vai ser bom para você aprender a delegar tarefas. – Piscou sorrindo. Eu era do tipo de chefe super controlador e exigente. Minha única concessão comigo mesmo era o meu horário, pois, como eu já disse acordar cedo não era o meu forte.


– Vai ser bom mesmo, porque agora com um companheiro, eu vou ter coisas mais interessantes para fazer. – Pisquei sorrindo, dando um duplo sentido para a frase que não passou despercebido pelo meu amigo que revirou os olhos.


– Vai com calma hein! Não vai querer assustar o garoto. – Falou e foi a minha vez de revirar os olhos. Apesar de toda a brincadeira, tudo estava bem claro na minha mente. Machucar o meu Ruki não era uma opção valida.


– E eu não sei? Mas pode ficar tranqüilo que eu vou me comportar. – Falei me levantando seguindo para o quarto onde meu pequeno estava.


R ♥♥ R


Shou estava esperando até que o homem que o havia a quem se reportava, terminasse a conversa com o shifter baixinho. Sorriu, divertido ao pensar em como ele era engraçado... Hiroto... O garoto lembrava mais a um esquilo do que um coiote, mas nem tudo é o que parece ser... Já havia se enganado muitas vezes na sua longa existência para saber disso. O som da porta se abrindo o tirou dos pensamentos sombrios que estava tendo. Levantou os olhos a tempo de ver o pequeno coiote sair dela.

– Tudo bem? – Perguntou educadamente enquanto se levantava.

– Hai! – Concordou entusiasticamente com a cabeça, observando a beleza do outro... Balançou a cabeça a fim de tirar os pensamentos pervertidos que lhe rondavam a mente toda vez que via o lindo loiro. Sabia se suas limitações e tinha consciência de que nem em mil anos um homem lindo como ele iria olhar para um pequeno homem comum.

– Ele não brigou com você neh? – Shou perguntou sabendo que seu mestre podia ser bem mal-humorado de vez em quando.

– Lie. Ele só me pediu para reforçar os meus olhos e ouvidos. – Falou. Hiroto já estava acostumado em ser uma espécie de detetive particular, era pequeno e podia se fazer de invisível às vezes. Por isso já ouvira muitos planos e segredos alheios. Na maioria das vezes guardava só para si, mas quando o intuito era machucar alguém, arranjava um jeito de avisar ou ajudar. Se alguém lhe perguntasse o porquê de fazer isso, ele responderia que já havia visto muitas injustiças na vida para deixar que outras acontecessem.

– Bom... – Shou falou observando atentamente o mais baixo, que parecia desconfortável. – Eu vou entrar então... Foi um prazer te ver Hiroto-kun. – Fez uma reverencia entrando na sala.

Hiroto ficou um tempo parado observando. Parecia que esse caso de alguma forma estava ligado ao outro caso... O lobo de olhos e cabelos negros que ele havia ajudado outro dia... De repente se deu conta de que precisava achar aquele lobo, se o que ele desconfiava era verdade... A coisa podia piorar.

Dentro da sala Shou fez uma reverencia ao se ver frente a frente com o seu mestre antes de se sentar e o fitar.

– Como foi? – Um homem loiro, de traços delicados e olhos cor de chocolate que em um primeiro momento pareceria inocente e passível de cuidado... Mal sabiam eles.

– A mesma coisa de sempre. Ele ainda insiste na idéia de te ter de volta para o coven dele. – Informou olhando atentamente a reação do outro.

– Isso não vai acontecer. Não enquanto eu estiver vivo. – Os olhos que até então eram calorosos se tornaram duros e frios e Shou não pôde se impedir de estremecer.

– Ele já tentou muitas vezes, duvido que consiga dessa vez. – Falou sorrindo.

– Dessa vez ele está jogando mais duro Shou... E apesar de não temer por mim, muitas pessoas dependem da minha liderança e proteção. – Falou revirando um cálice nas mãos como se estivesse pensando

– Muitos aqui morreriam por você. – Shou comentou desgostoso com a aparente indiferença.

– Eu sei, mas eu não mereço tanta abnegação assim. Já fiz tantas coisas ruins na minha vida que não mereço a proteção que essas pessoas possam me dar. – Falou.

– Não torra. Quem nunca errou na vida? Você tem que parar de se atormentar com o que não pode mudar. – Shou já estava sem paciência.

– Você não devia falar assim com o seu mestre... – Falou e Shou soltou um suspiro de contentamento ao ver um sorriso ornar os lábios do outro apesar do tom de voz sugerir uma falsa chateação

– Você sempre deixou bem claro que odeia esse titulo. – Shou comentou com um sorriso.

– Ele sempre exigiu que todos o chamassem assim e eu odiava essa regra. – O sorriso sumiu deixando uma expressão amargurada. – Tudo para o mestre, nada de vontade própria. Nós éramos controlados com um monte de robôs.

– Você acha que ele vai tentar o que? – Shou se obrigou a perguntar.

– Não sei. Hiroto andou escutando algumas coisas sobre trafico humano... E eu tenho certeza que tem dedo dele nessa historia. – Falou se levantando e caminhando pelo escritório espaçoso.

– E no que isso te atingiria?

– Eu tinha uma missão na qual eu falhei há anos atrás... Proteger duas pessoas que eu não consegui. – Falou melancólico.

– Não teria nada a ver com aquele humano que você comentou uma vez, teria? – Perguntou. Conhecia só um pouco da historia do outro, não queria pressionar, mas agora sentia que era a hora de saber um pouco mais.

– Matsumoto Yasuko. Ele era o humano mais doce e gentil que alguém poderia conhecer. – Começou, sabendo que pelo menos essa historia devia contar. – Foi seqüestrado para servir de escravo coven... Na verdade, o bastardo que uma vez dediquei minha obediência e adoração, matou toda a família dele para chegar até onde ele queria... Yasuko.

– E porque ele o queria? – Shou perguntou ainda confuso com os motivos.

– Alem de doce ele era lindo. E o mestre gostava de enfeites... – Respirou fundo se servindo de um pouco mais de vinho. – Ele queria homens que colocassem inveja em todos os outros vampiros. Era para isso que eu servia e era para isso que ele queria Yasuko. Não importava se ele tinha família, ou o que ele não quisesse. Se o mestre queria, o mestre tinha. – Apertou a taça que segurava com mais força, como se pudesse descontar nela toda a dor das lembranças. – Ele foi trazido para o nosso coven à força. Eu o conheci e apesar de todas as minhas reservas com humanos, ele conquistou minha amizade. – Fechou os olhos por um momento antes de continuar. – Nós planejamos nossa fuga por meses, até que uma brecha na segurança nos ajudou. Mudamos de país e vivemos como gente normal por um tempo... Até Yasuko se apaixonar... Keiko era linda e meu amigo foi feliz com ela. – Tomou um gole da bebida. – Eles tiveram um filhinho, do qual eu fui padrinho...

– Então ele os encontrou. – Shou presumiu e viu seu mestre apertar a taça de cristal.

– Ele matou a Keiko primeiro.... Mas Yasuko implorou para não matarem o Taka... Então ele fez um trato. Se nos voltássemos para ele, ele faria com que o Taka fosse adotado e que nunca incomodaria o garoto. – Falou o olhar perdido, a voz baixa. – Ele cumpriu a promessa por um tempo, até que Yasuko perdeu a vontade de viver e morreu aos poucos. – Shou viu uma lagrima solitária cair dos olhos do belo homem. –Eu nunca tive muito porque viver Shou, mas meu amigo tinha tanta vida em si para morrer daquele jeito... E ainda havia o Taka...

– E o que aconteceu com o garoto?

– Uma noite eu o ouvi dizer sobre uma experiência com humanos... Alguma afronta que ele queria fazer com a matilha de shifters lobos local. Foi ai que eu descobri que ele havia pegado o Taka. – Sentou-se mais ereto na cadeira. – Então eu fugi... E desde então tento encontrar o meu pequeno afilhado e esse é o mesmo tempo que ele usa para tentar me ter de volta. Mesmo quando eu fiquei mais forte. Mesmo quando eu me juntei a você e a esse coven.

– Então você está achando que essa coisa de trafico de humanos tem a ver com o seu afilhado? – Shou viu o outro assentir.

– Por isso pedi para o Hiroto ficar de olho no que está acontecendo. Se eu ainda posso confiar nos meus instintos, o Taka está bem perto de mim. – Falou um novo sorriso aparecendo.

– E se você o encontrar... O que vai fazer? – Perguntou com curiosidade.

– Eu prometi para mim mesmo que faria de tudo para contar para ele o quanto o pai dele se importava. O quanto ele deve ter orgulho. Mas para isso tenho de encontrá-lo primeiro.

E Shou viu uma nova determinação no olhar do seu mestre, Isso o fez ficar feliz.

– Você sabe que pode contar comigo Uruha. Nós encontraremos o garoto. – Falou com determinação.

– Eu só espero que não seja tarde demais. – Falou melancolicamente perdido em lembranças e pensamentos. Tinha esperança, apesar de na maioria das vezes ser cético.

As falhas cometidas anos atrás cobravam o preço em sua consciência, muito mais vezes do que gostaria. Duas pessoas morreram porque ele não pôde protegê-los, e uma criança inocente estava pagando por coisas das quais não tinha culpa, mas pela primeira vez em muito tempo se permitiu deixar a esperança entrar.

R ♥♥ R

Subi para o quarto em silencio temendo acordar meu pequeno, mas quando cheguei ao meu destino Ruki estava deitado de lado os olhinhos abertos e a expressão pensativa, acredito assimilando finalmente o que havia ouvido.


– Tudo bem Taka? – Perguntei entrando no quarto, vendo ele se sentar direito na cama e me encarar com um ar ainda pensativo.


– Tudo... – Falou, mas eu vi hesitação ali, e senti cheiro do seu nervosismo. Isso antes das suas bochechas ficarem adoravelmente vermelhas.


– Você pode me dizer qualquer coisa Taka. – Falei me aproximando e sentando-me ao lado dele na cama.


– Essa coisa de companheiros, é parecido com estar casado certo? – Começou corando ainda mais. Assenti esperando o resto. – Então... Nós teríamos que fazer... – Ele desviou o olhar e eu comecei a entender qual era o problema.


– Vem aqui amor. – Chamei abrindo os braços para que ele se aconchegasse entre eles. – Nós não temos e não vamos fazer nada que você não queira, entendeu?


– Mas... Você não quer? – Perguntou a voz saindo abafada por estar com rosto pressionado contra o meu peito, eu quase comecei a rir. Só não o fiz porque pareceria que eu estava debochando do meu pequeno, o que não era o caso. Minha vontade de rir se devia ao fato de como soou ridícula a idéia de que eu pudesse não querê-lo.


– Eu quero Ruki... Muito. Mas eu não posso forçar você a fazer algo para qual não está preparado ainda. – Expliquei pacientemente fazendo carinho em seus cabelos.


– E como você vai saber se eu estou preparado ou não? – Perguntou, levantando a cabeça, me olhando com os olhos brilhando de curiosidade e desafio.


– Eu confio em você para me dizer... – Comecei. – Eu não vou forçar a barra amor, você me diz quando estiver pronto para o próximo passo. Mas não há pressa para isso. – Falei, mas senti meu lobo rugir em desacordo. Ele queria o Taka naquele instante.


– E se eu disser que estou pronto hoje. Você acreditaria? – Perguntou com um leve tom de desafio, como se quisesse me empurrar para fazer o que ele queria. Mas apesar de tudo eu sabia que não era a hora ainda.


Nesse ponto alguém perguntará como eu podia ter tanta certeza que não, se ele estava dizendo que sim. Mesmo sem o vinculo do acasalamento, Ruki era agora a pessoa mais próxima de mim e conseqüentemente a mais fácil de ler. Ele ainda não estava preparado, só estava reagindo, finalmente as revelações do dia. Ele se sentia carente e necessitado de afeto, e estava achando que a única forma de ter isso era me obrigando a acasalar com ele. É claro que eu poderia me aproveitar disso, mas e depois? E se ele me culpasse por ter me aproveitado quando ele estava fragilizado? Eu precisava mostrar pra ele que ser companheiro era bem mais do que sexo.


– Nós dois sabemos que não é verdade Taka. – Respirei fundo ao falar puxando o seu rosto para que ele pudesse olhar em meus olhos e visse a sinceridade que havia neles. Ele Soltou um resmungo, mas não contestou minhas palavras. – Mas o fato de que não podemos ir até o final, não quer dizer que eu não possa te beijar. – Ofereci mesmo sabendo que poderia ser um erro beijá-lo, porque depois ficaria mais difícil parar. O problema é que eu queria tanto sentir os lábios dele que não pude resistir.


– Você gostaria de me beijar? – Ele me pareceu realmente surpreso ao perguntar, o que me fez perguntar o que realmente estava acontecendo.


– E porque não gostaria Taka? – Perguntei me esquecendo momentaneamente do meu desejo de beijá-lo.


– Eu não sou exatamente um modelo e... Você é tão bonito, alto e forte... – Juro que fiquei me achando com os elogios, mas é claro que havia mais coisas. – O que eu tenho para te oferecer Reita? Um monte de problemas, preocupações... Eu não sei nem mesmo de onde eu vim, o que eu sou! Você vai encontrar alguém melhor que eu. Então mais uma vez ficarei sozinho – Terminou a fala em prantos e meu coração se apertou.


Por um momento eu fiquei em choque, e ai entendi o porquê de ele querer tanto consumir o nosso acasalamento. Ele estava inseguro.


– Taka... Amor... – Apertei o corpo menor mais ainda contra mim, colando ainda mais nossos corpos, fazendo com que nossos corações batessem e uníssono. – Você não precisa se preocupar, pois desde a hora em que eu te vi você se tornou meu mundo. Eu cuidarei de você, te farei feliz e isso independe do que você possa me dar em troca, porque eu não preciso de nada alem de você.


– Mas... –Tentou falar, mas eu o interrompi.


– Eu te amo Taka. – Declarei. Alguns podem achar precipitado, mas como alguém pode não se apaixonar por alguém como ele? Ele havia se infiltrado em mim de uma forma que não podia mais separar sem arrancar um pedaço de mim junto. – E esse fato não vai mudar porque eu não sei de onde você é ou em como chegou até aqui, ou porque eu tenho que te proteger. Eu faria qualquer coisa por você. Então por favor, não se diminua desse jeito, eu não gosto de te ver tão triste. – Falei deixando a sinceridade transparecer em minha voz.


– Eu estou com medo Reita. O que vai acontecer comigo? Porque eu sou tão importante? – Perguntou em um sussurro, a voz quebrada e triste.


– Eu prometo para você que nós vamos descobrir o que está acontecendo Ok? – Prometi o olhando nos olhos e vendo que ele assentia, então limpei seu rosto marcado pelas lagrimas que não deveriam estar ali. – O medico deve estar quase chegando e quem sabe ele não nos ajuda em alguma coisa?


– Hai! – Me respondeu com a voz rouca e baixinha.


– Eu acho que estou te devendo um beijo não? – Perguntei com um sorriso querendo descontrair o ambiente.



Que foi?! Eu juro que era para descontrair! Não façam essas caras.



Ok, eu confesso! Eu estava esperando esse beijo mais até do que ele, e não podia deixar a oportunidade escapar neh? Me crucifiquem depois tá legal?


O que interessa é que quando eu falei do beijo seus olhos se iluminaram com curiosidade e nervosismo. Muito devagar para não assustar o meu pequeno eu aproximei nossos rostos até que centímetros separavam sua boca da minha, e para minha surpresa esses centímetros foram superados por ele.


O beijo começou lento e meio desajeitado, mas o gosto dos lábios dele me fez ter vontade de gemer e o cheiro deixou o meu lobo rosnando pela liberação. Mapeei cada reentrância, cada canto daquela boca, e quando percebi o havia puxado mais para perto pela cintura colando nossos corpos, meus braços se apertaram ainda mais quando senti que ele gemia por entre nosso beijo.


Mas como tudo que é bom dura pouco, um infeliz resolveu nos chamar exatamente nessa hora. A contragosto soltei o meu pequeno, que estava com os lábios inchados e vermelhos por causa do beijo, para ver quem é que estava me incomodando. Era um dos empregados da casa avisando que o medico havia chegado. Bufei antes de pedir para o empregado avisar o medico que já estávamos descendo.


– O medico chegou Ruu-chan. – Falei e ele se encolheu levemente. – Eu vou estar lá, o tempo todo. – Sussurrei o pegando no colo o sentindo se aconchegar.


O medico estava na sala, e eu realmente me lembrava do moreninho, impossível não se lembrar de um sorriso tão marcante. Ao me ver virou a cabeça para o lado revelando o pescoço em um gesto de submissão e eu balancei a cabeça reconhecendo.


– Uke-san... – Falei como em um reconhecimento.


– Suzuki-san.


– Por favor, me chame de Reita. – Pedi, vendo-o dar um pequeno sorriso em troca das minhas palavras.


– Pode me chamar de Kai. – Falou, enquanto sorria mais largo para o meu companheiro que espiava o outro por de baixo dos cabelos que tampavam o seu rosto. – Então esse vai ser o meu paciente? – Ruki se encolheu eu não pude deixar de compara-lo com uma criança que vai a primeira vez ao dentista.


– Ele está um pouco envergonhado. – Falei, e ele sorriu. Sorriso esse que acabou por fazer com que o Ruki relaxasse e fizesse um movimento para descer do meu colo, deixei, mas fiz questão de segurar a sua mão.


– Matsumoto-san. – Kai fez um apequena reverencia e meu companheiro o olhou com curiosidade.


– Ruki. – Falou com a voz baixa.


– Ruki então. Eu só vou te examinar para ver se está tudo bem, ok? – Falou com a voz serena e calma enquanto sorria.


R ♥♥ R

Na mesma sala em que havia recebido o escravo pela ultima vez Ishida Ryu, esperava mais uma vez que o seu escravo. Enquanto esperava tomava seu sangue cuidadosamente aquecido. Como um dos vampiros mais antigos do seu mundo já vira muita coisa e fizera muita coisa para chegar onde estava. Coisas que não eram consideradas decentes para maioria das pessoas, mas que para ele não passavam de um meio para chegar a um fim satisfatório. Tinha muitos inimigos, mas o principal consistia em uma matilha inteira de cachorros, seres inferiores que se achavam donos da verdade. Bufou enquanto pensava no quanto seria doce à vingança contra a matilha daquele Suzuki. Seus planos corriam bem. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz da secretaria avisando de sua visita.

Como da outra vez, seu escravo se ajoelhou a sua frente, a espera de um sinal para que pudesse falar.

– O que aconteceu? – Perguntou com autoridade.

– O espião senhor, ele ainda não pôde ter contato direto com a casa do cachorro chefe. – Informou sem hesitação.

– Um pequeno desvio dos planos. Uma hora ou outra, Reita terá que deixar seu companheiro sair e aí vai ser a hora de descobrirmos o que faz aquela matilha tão forte e consequentemente saberemos como destruí-la. – Nem isso fazia seu bom humor sumir.

– Posso fazer uma pergunta senhor? – O outro assentiu com a cabeça, o que deu coragem para o escravo seguir em frente. – Porque desmantelar o esquema todo de escravos sexuais?

– Eu precisava de que espiões dentro da matilha. E como eu tinha certeza de que o senhor Suzuki iria ser honrado o suficiente para averiguar os boatos que eu espalhei, eu só tive que esperar. – Explicou com orgulho. Havia calculado tudo nos mínimos detalhes, e tudo saira exatamente como o planejado. Watanabe era burro demais para ser aproveitado e então havia se livrado de um incômodo enquanto mandava pequenos espiões da matilha do outro. No final tudo valeria a pena.

R ♥♥ R



Notas finais
Gostaram? Reviews plis? *faz cara de cachorro sem dono*
Me desculpem as pessoas a quem eu ainda não respondi os reviews, mas como eu ando meio sem tempo... Mas eu juro responder um por um tá? Fico muito feliz ao lê-los e pretendo respondê-los assim que puder.
Eu já pedi reviews? Se não...
Reviews?