Notas iniciais
oiiiiiiii Pessoas! Nem demorei tanto dessa vez não é? Era para ter sido postado na quarta, mas a minha net resolveu dar pau e voltar só hoje. Mas o importante é que o capitulo saiu.

Esse quem narra é o Taka, espero que vocês gostem!

Boa Leitura ♥

Meu nome é Matsumoto Takanori, e hoje eu vou contar a parte da minha historia que acabou evoluindo para nossa historia. A historia de como eu encontrei o amor da minha vida e de como ele me salvou.

Antes do Reita, eu era apenas um garoto que não entendia. Não entendia o porquê das coisas, não entendia as pessoas. Um garoto que vivia aterrorizado por um medo que não sabia de onde vinha e nem entendia o significado do terror. Fui abusado física e psicologicamente muitas vezes, e me sentia ferido de uma forma que achei que nunca iria curar. É engraçado o quanto a gente se engana às vezes não?

Eu não me lembro de muita coisa da minha infância, antes de ser levado para aquele lugar. Todas as minhas lembranças provém dali, de ser maltratado, considerado lixo. De não ter ninguém. E esse sentimento pode ser bastante desesperador. Nada era permitido, e a maioria de nós não sabia como nos pegaram e nem o motivo de tudo isso.

Conversávamos aos sussurros porque não nos era permitido conversar um com o outro, tínhamos que fazer exames todos os dias, mas ninguém sabia o porque.

Algumas vezes eu apagava e acordava sem saber onde havia estado e o que havia feito. Suspeito que nos davam drogas, mas tampouco sei o motivo. Vocês já tiveram a sensação de se sentir no escuro? Eu já. E posso dizer que é horrível. Não saber que rumo a sua vida está tomando e ter a sensação de que está só vendo as coisas acontecerem sem poder tomar uma posição ativa.

Quando eu fui tirado do lugar em que eu vivia antes, pressentia que não iria gostar nada do que iria acontecer. Mas nada havia me preparado para o que vi naquela casa. Embora eu tenha sofrido incontáveis abusos físicos, eu nunca fui abusado sexualmente e ver como aquele homem fazia com as crianças era... Desesperador, nojento e absurdo. Não conseguia entrar na minha cabeça o porquê de ter tanta maldade no mundo.

Ficávamos enfiados naquele lugar fétido, sem ventilação e sem luz natural. Não que eu tivesse acostumado a ver luz no lugar onde eu vivia antes, mas comparado com aquela casa, meu antigo cativeiro podia muito bem passar por um palácio. O tempo passado ali foi muito marcado por medo e insegurança de ser o próximo.

Pode parecer errado, mas todas as vezes que ele não me escolhia para subir e servir os seus clientes eu suspirava de alivio. Pouco tempo depois ouvi a conversa na qual ele se referiam a mim como o escolhido e que não poderiam me tocar ou me usar para aquele tipo de coisa e mesmo não entendendo eu fiquei ainda mais aliviado. Alivio que durou muito pouco, porque logo aquele Watanabe decidiu obter algum lucro comigo e mesmo quando foi advertido pelos outros de que não poderia fazer isso, ele não escutou.

E se eu já estava com medo antes, naquele momento fiquei aterrorizado, e aí descobri que poderia sobreviver. Descobri que era forte o suficiente para lutar para me manter vivo. Lutei como eu pude, arranhei, mordi e esperneei. Isso me salvou de ter que me submeter a uma coisa baixa e pela qual ninguém deveria passar.

Não podendo me castigar como castigava os outros, ele não me deixava comer e eu estava muito fraco para lutar. Eu tentei me erguer, porque sabia que no momento em que ele me tivesse fraco, ele faria o que quisesse comigo. Mas por mais força de vontade que eu tivesse, naquele dia eu estava fraco demais. Minhas pernas não sustentavam o meu corpo e eu sabia que esse era o dia que ele estava esperando. Soube que não conseguiria lutar e foi a primeira vez que chorei em muito tempo. Passei a manhã inteira chorando e recebendo olhares de pena dos meus companheiros de cativeiro.

Quando ouvi abrirem a porta muito mais tarde, eu já havia conseguido parar de chorar, isso depois de falar para mim mesmo que eu não daria para ninguém o poder de me ver chorar, muito menos as pessoas que queriam me machucar.

Mas fui surpreendido o perceber que não eram as pessoas que queriam me machucar, e sim alguém que alegava querer ajudar. Senti uma sensação estranha ao ouvir a voz do desconhecido, como se uma corrente elétrica ultrapassasse meu corpo e contra todas as possibilidades eu realmente me senti seguro como se meu corpo e meu cérebro reconhecesse que agora tudo ficaria bem. E então ele me levou para a casa e cuidou de mim.

Não nego que acordar na cama de um estranho não foi a coisa mais confortável do mundo, mas depois de perceber onde eu estava e me lembrar de que estava seguro, foi o bastante para relaxar. Claro que ele é um espetáculo a parte. Quase babei ao ver o seu tronco sem a cobertura da camisa. Ele é lindo demais para o meu próprio bem.

E quando as duvidas me assaltaram, ele foi sincero e me explicou o que podia e entendia, alem de me prometer me ajudar a descobrir a minha origem. E embora eu estivesse muito assustado com a descoberta de que sou meio lobo, senti que ele realmente me protegeria.

R♥♥R

Aquele medico, era realmente muito simpático. Mesmo não gostando muito de estranhos eu apreciei o modo como ele me respeitou. A minha experiência com médicos não foi das mais animadoras, então vocês podem entender o meu receio em confiar em um.

- Ok. – Falou, sinalizando ter acabado o exame. Imediatamente me dirigi para os braços do meu companheiro. Lá me sentia seguro e confortável, mesmo quando estava meio nervoso.

- Está tudo bem com ele? – Reita perguntou, me acolhendo em seus braços.

- Um pouco desidratado, mas fora isso está tudo bem. – Falou, olhando para nós. – Quanto ao outro assunto, eu sou vou saber com certeza como ele se transformou em lobo quando realizar exames completos nele.

- E quais são as possibilidades? – Dessa vez eu perguntei.

- Só há duas possibilidades. Ou um dos seus pais biológicos era um dos nossos, ou você foi cobaia em alguma experiência. – Me respondeu serio. – Mas qualquer que seja a razão eu precisarei tirar um pouco do seu sangue para fazer uma pesquisa.

- Acontece muito shifters acasalados com humanos? – Eu estava mais curioso, com essa coisa toda de lobo.

- Não é impossível, mas é raro. E por esse fato ser raro, fica mais fácil. – Explicou. – Com uma amostra de seu sangue eu posso mapear os genes e ver se há alguém registrado com o mesmo tipo que o seu.

- Como um exame de DNA? – Reita se pronunciou

- Exatamente. Com a evolução natural da medicina para os da nossa espécie, Todo mundo Shifter tem um registro de sangue, como em um banco de dados para pesquisa. Quer dizer que eu posso comparar os genes e ver se o seu companheiro se encaixa em alguma matilha que conhecemos. – Completou.

Eu estava meio confuso, mas eu havia entendido o essencial. Ele era capaz de saber se eu pertencia a alguma família lobo.

- Isso é muito bom. – Reita falou olhando para mim. — E então pequeno... Você quer fazer esse exame?

- Sim. Eu quero... Eu preciso ter certeza da minha origem. – Não precisei pensar muito para responder.

- Vocês terão que ir ao meu consultório para eu poder fazer os exames. – Eu estava lidando muito bem com a situação, mas ouvir que teria de ir para uma clinica, mesmo que fosse para alguns exames fez com que meu coração começasse a bater mais forte e minha respiração se tornar ofegante.

- O que está acontecendo com ele? – Ouvi meu companheiro perguntar, um tom desesperado enquanto sentia que alguém me examinava. Mas minha mente não se ateve a nenhum desses detalhes. Eu só conseguia me lembrar de como era quando eu tinha que ir para aquele lugar. Quando me drogavam e faziam um monte coisas comigo, coisas que eu não conseguia evitar. Experiências que eu não gostaria de repetir.

- Ele está tendo um ataque de pânico. – Ouvi outra voz, que estava ficando cada vez mais distante. Eu não conseguia respirar, meus pulmões queimavam e eu já estava começando a ver manchas coloridas em minha frente. – Ele precisa se acalmar.

- Ruu-chan? – Ouvi a voz do meu companheiro, mas não conseguia me concentrar. – Bebê, olha pra mim. – Mãos quentes tocaram meu rosto me forçando a direcionar meu olhar para cima. – Sou eu... Eu não vou te machucar amor... Não vou deixar te machucarem... – Falava manso, e seu olhar era de preocupação. – Você tem que respirar devagar. – Puxou uma das minhas mãos até o seu peito colocando-a exatamente acima do seu coração. – Sente? É só acompanhar as batidas do meu coração. – Senti seus batimentos cardíacos e me concentrei neles.

Tum... Tum... Tum Inspira

Tum... Tum... Tum Expira

Quase sem perceber fui me acalmando, minha respiração alcançando um nível mais saudável.

- Melhor amor? – Me perguntou doce e eu quase me derreti. Naquela época eu ainda não entendia direito como ele poderia querer ficar comigo, quando eu só traria problemas e preocupações. Mas mesmo assim podia sentir que ele estava sendo sincero.

- Sim. – Minha voz saiu fraca.

- Teria como você tirar sangue dele aqui? – Perguntou para o medico que agora media a minha pressão e me olhava também preocupado.

- Eu posso tentar trazer os equipamentos necessários. – Falou depois de checar mais uma vez a minha condição.

- Ótimo porque se só de falar em ir a uma clinica ele ficou assim, imagina como ele não ficaria se tivesse que entrar lá? – Falou enquanto me levantava em seus braços e eu não pude protestar. Eu estava cansado e emocionalmente instável. – Eu não vou arriscar que ele se sinta mal assim de novo.

- Nem eu iria sugerir isso. – O medico falou. – O melhor a fazer agora e levá-lo para descansar. Eu volto amanha preparado para o exame.

-Tudo bem. – Reita concordou. – Obrigada.

- Não precisa agradecer. – Deu sorriso enquanto se afastava. – Qualquer coisa me ligue que eu venho imediatamente. – Ofereceu enquanto saia.

- Eu gosto dele. – Murmurei e Reita arqueou as sobrancelhas.

- Algum motivo para eu ter ciúmes? – Fiquei apreensivo com as palavras, mas quando olhei ele estava sorrindo, o que queria dizer que era uma brincadeira.

- Não. – Respondi serio.

- Isso é bom. – O sorriso dele se alargou enquanto me levava para o quarto e foi impossível não sorrir de volta. Um som estrangulado saiu de sua garganta e eu fiquei curioso com o significado.

- O que foi? – Perguntei enquanto ele me colocava na cama. Ele Suspirou audivelmente.

- Você fica mais lindo ainda quando sorri. – Falou e eu não pude me impedir de corar e ele gemeu. – E fica ainda mais violável quando fica vermelho.

- Tudo o que eu faço te causa essa reação? – Perguntei me sentando e o puxando de forma que ele ficasse de frente para mim e me olhasse, coisa que ele não havia feito desde que entramos no quarto.. Ofeguei quando vi seus olhos. Pareciam haver milhares de diamantes dentro deles e estavam verdes, quase dourados.

- Como? – Perguntei minha voz saindo espantada.

- É assim que meus olhos ficam quando me transformo em lobo. – Explicou receoso, quase com medo. No começo eu estranhei, mas depois me toquei que era medo da minha reação.

- Você deve ficar muito bonito na sua forma de lobo. – Falei enquanto fazia carinho em seu rosto, sorrindo satisfeito ao ver como a sua pele se arrepiou com o meu toque inocente.

- Você não está assustado? – Ponderei por um momento e concluí que não estava assustado. Ser lobo era parte do Reita e quando resolvi dar uma chance para ele, eu havia dado uma chance para uma pessoa inteira, não para metade de uma.

- Não. – Vi que ele ficou aliviado. Puxou-me para o seu colo me abraçando com carinho.

Sabem, eu nunca tive reação nenhuma aos outros garotos e garotas que dividiram cativeiro comigo. Quer dizer eu nunca quis beijar ninguém e nem abraçar ninguém. Muito pelo contrario. Mas com o Reita eu havia descoberto o quanto tocar faz bem, o quanto é prazeroso.

- Não me assusta mais desse jeito, ouviu? – Sussurrou em meu ouvido. — Você quase me matou lá na sala. – Me senti meio mal por ter feito com que ele se preocupasse.

- Eu não pude me controlar... Só de pensar em entrar em um clinica... – Estremeci e ele me abraçou mais apertado.

- Shhh.. Você não precisa falar nada ok? Eu entendo. – Me assegurou.

- Tudo bem... – Respondi, colocando o meu rosto na curva do seu pescoço sentindo seu cheiro. Eu amo seu cheiro, é meio picante, mas doce. Difícil de explicar.

- Não provoca Taka... Estou tentando agir como um cavalheiro e não te forçar a nada, mas você não está ajudando. — A voz dele saiu rouca com um toque de perigo e mesmo com todos os meus problemas, meu corpo de arrepiou e um som constrangedor saiu da minha garganta.

- Então tudo o que eu faço realmente te excita hein? – Não sei de onde vinha aquela ousadia toda, mas havia alguma coisa no Reita que me dava vontade de me ajoelhar aos pés dele e deixar que ele fizesse o que quisesse comigo. Isso era bastante irônico porque até dois dias atrás pensar em qualquer outra pessoa me tocando sexualmente, faria meu estomago dar uma volta de trezentos e sessenta graus em minha barriga. Mas era só ele falar comigo para que uma corrente passasse por todo o meu corpo, e a sensação era tão boa que eu queria experimentar mais dela.

- Tudo. Seu sorriso, o jeito como fica vermelho.... – Sussurrou e eu estremeci. Nesse momento eu entendi que não queria que ele fosse um cavalheiro. Eu precisava me sentir amado, e definitivamente queria ter essa sensação com ele. Só com ele. – Sua beleza... – Fiz um som de descrença. Eu não me considerava bonito. Era baixo demais, magro demais. Totalmente diferente do meu companheiro alto, sexy e forte.

- Eu não sou bonito. – Reclamei.

- Você é lindo. Isso não é um tópico em discussão. – Seu rosto estava serio, mas seus olhos tinham um brilho brincalhão. – Demais para o meu próprio bem. Vou ter que brigar com muitos homens e mulheres por sua causa. – Meu rosto estava em chamas e percebi que ele estava se divertindo com isso. Quase sem querer um bico de aborrecimento se formou em meus lábios e eu desviei o olhar. Só para o sentir mordendo a minha bochecha.

- Mas você não quis me reivindicar! – Apontei ainda um pouco magoado por sua recusa.

- Eu quero te reivindicar Taka, mas eu não quero forçar, entende meu amor? – Me perguntou e eu apenas balancei a cabeça em negação. – Um acasalamento é para a vida toda, e nós vivemos muito. Não dá para voltar atrás... E você é tão novo ainda... E se quando ficar mais velho descobrir que não quer ficar comigo? Vai ficar preso a um relacionamento que não quer e consequentemente irá ser infeliz. – Me acariciou enquanto segurava o meu olhar com o seu. – Mas eu prefiro morrer a te ver infeliz.

O que eu havia feito para merecer alguém tão perfeito? Alguém por favor, me diz? Era incrível a forma com em poucas palavras ele me mostrava que se importava.

- Eu posso ser novo Reita, mas isso não quer dizer que eu não sei o que eu quero... – Tentei explicar, mas fui interrompido.

- Você viveu em um cativeiro sem qualquer contato com o mundo exterior por anos Ruki. Quando eu digo que você é novo, não é porque eu acho que você é desmiolado, e sim porque você não teve experiências suficientes. Como você vai ficar comigo feliz se não conheceu ninguém alem de mim? – Ele estava inseguro e eu podia ver isso, mas essa negação dele em me ouvir estava me deixando com raiva.

- Reita eu vi muito mais coisas em meus poucos anos de vida do que um adolescente humano normal. – Falei, tentando fazê-lo enxergar. – Na maioria das vezes os seguranças nos ignoravam, mas havia uns dois que olhavam os internos diferentes sabe? Como se nos fossemos presas e eles predadores. – Expliquei me obrigando a lembrar de uma parte da minha vida que eu gostaria e muito que se apagasse da minha mente. – Faziam piadinhas quando passávamos, sussurravam em nossos ouvidos coisas sujas sobre o que gostariam de fazer conosco. Nos... – Minha voz falhou, mas eu me forcei a continuar, mesmo vendo que o rosto que eu tanto gostava se contorcer em uma mascara de ódio e dor, mas eu precisava continuar agora que havia começado. – Nos apalpavam... Eu nunca fui estuprado, mas isso não quer dizer que eu não fui abusado, e eu me sentia o tempo inteiro sujo e indigno. — Fechei os olhos tentando expulsar as palavras que vinham a minha mente, lembranças que queria tanto ignorar, mas não conseguia.

“Gostoso... Ah se eu pudesse me enfiar em você... Aposto que você iria gostar disso não ia? Hein? Me ter dentro do seu rabo apertado?”

Balancei a cabeça, mas as vozes não me deixavam.

“Sabe o que eu faria se pudesse? Me enfiaria em você até que você gritasse.. Pedisse para parar... Mas eu não pararia porque seria excitante te ouvir gritando... Eu iria adorar cada segundo da sua dor....”

Vozes sem nome, mas que eram nojentas por si só, na minha mente eram monstros me espreitando.

“Você não passa de uma puta... É só isso que todos vocês são... Só servem para terem um pau dentro de seus rabos... São lixo...”

Tentei voltar ao presente para o Reita, o meu Reita. Ignorei as lembranças e voltei à explicação. Ele precisava entender que eu tinha certeza.

- Eu vi um garoto ser estuprado Reita e só o que conseguia pensar era em como sair dali. Tampei os meus ouvidos e fechei os meus olhos para não pirar. Mas nada me fará esquecer o olhar de humilhação daquele garoto, nada me fará esquecer que eu não tentei ajudá-lo.

- Você não podia Taka, não se culpe por isso. Se tentasse só seria o próximo da fila. – Me reconfortou.

- O que eu quero te dizer Reita é que... Eu vi bastante coisa para saber o que quero. Não preciso de mais ninguém, não preciso experimentar nada para saber que eu quero você. – Falei o abraçando e em um gesto de ousadia extrema pousei um beijo em seu pescoço.

- Você me conhece só há dois dias Taka. – Argumentou e eu percebi que ele estava se controlando para não se render.

- Você me reconheceu como companheiro quando me viu... – Contra ataquei beijando seu pescoço mais uma vez.

- É diferente... – Murmurou, mas me abraçou mais apertado.

- Se eu sou seu companheiro, quer dizer que meu destino era vir para os seus braços. – Falei em seu ouvido o sentindo se arrepiar. – E se você é meu destino, não tem porque de eu protelar o inevitável. Ser seu é um fato inevitável, do meu ponto de vista.

- Eu... Droga Taka, você não devia fazer isso comigo! – Seu tom foi meio indignado, mas mesmo assim abaixou a cabeça tomando os meus lábios em um beijo que era doce, mas ao mesmo tempo exigente. Tomava conta da minha boca como se fosse dele, na verdade era dele. Por mais que parecesse cedo, eu sabia que ele era perfeito para mim, e mesmo com todas as preocupações e medos, pela primeira vez eu senti que pertencia a algum lugar, que pertencia a alguém. Senti que ele acariciava meus cabelos, acabei por me agarrar a sua cintura o puxando para mais perto de mim, o beijo cada vez mais selvagem. Infelizmente nós ainda precisávamos de ar, então tivemos que nos separar. Mesmo assim me recusei a deixá-lo ir e continuei a beijar o seu rosto e pescoço.

- Hey... Calma lobinho... – O ouvi falar, mas pouco me importei. Enfiei meu rosto em seu pescoço enquanto aspirava ao seu cheiro, ao fazer isso senti uma coisa diferente, como se algo dentro de mim se encaixasse. Mais uma vez aspirei e senti vontade de rosnar... E foi mais ou menos o que eu fiz. Surpreendendo o meu Reita.

- Você rosnou? – Me perguntou em choque.

- Senti o seu cheiro e me deu vontade de fazer isso. – Dei de ombros ao responder.

- Seu lobo está despertando Taka. – Afirmou e eu imediatamente entrei em alerta. Eu nunca havia tido esse impulso antes, mesmo perto do Reita.

- Isso é ruim? – perguntei com medo.

- Não amor. Quer dizer que talvez você consiga se transformar, e vai ficar um pouco mais forte também. – Pensando por esse lado ser meio lobo não deveria ser ruim. O Reita era um lobo inteiro e gostava.

- Mais forte que você? – Fiquei curioso

- Talvez não chegue a tanto... Cada lobo nasce com propósito, o meu é ser Alpha. Isso quer dizer que a minha constituição é um pouco diferente. Para liderar uma matilha é preciso ser forte de corpo e de espírito, para que eu possa ser respeitado pelo meu povo e temido pelos meus inimigos. – Me explicou se recostando na cabeceira da cama e me puxando para mais perto. – Mas de qualquer forma, lobos são mais fortes do que seres humanos.

- Então eu seria mais forte do que um humano, mas ainda sim seria mais fraco que você?

- Sim. – Respondeu, depositando um beijo casto em meu cabelo que me fez lembrar-me do foco da nossa conversar antes de eu descobrir que meu lobo estava acordando.

— Você vai me reivindicar? – Perguntei e ele gemeu.

- Você não desiste não é? –Cheirou o meu cabelo. – Antes de qualquer coisa eu preciso te explicar o que acontece em um acasalamento. Mas você tem que me prometer escutar tudo e não fazer qualquer coisa precipitada ok?

O que seria de tão grave que ele achava que eu iria fazer besteira? Mesmo desconfiado eu concordei.

- Há um tipo de cerimônia de acasalamento. – Ao ouvir isso gelei. Só conseguia pensar na cerimônia que Saga havia dito ter passado.

- Isso não tem nada a ver com você me dividindo som alguém tem? E nem envolve fazer sexo em frente à matilha inteira neh? – Perguntei, odiando o modo como minha voz saiu tremula.

- Não! – Falou surpreso. – Eu nunca irei dividir você com ninguém! Nunca, ouviu? Você é meu! E eu não compartilho. – Seus olhos brilharam de uma fúria contida. – Meu!- Praticamente rosnou e seus olhos mudaram mais uma vez. No meio disso tudo eu só conseguia reparar em como ele estava lindo.

- Tudo bem Reita, eu só fiquei um pouco assustado por um momento. – Falei com a voz mais mansa que consegui e ele respirou fundo, se acalmando.

- De onde você tirou isso Taka? – Perguntou depois de se acalmar e eu me recriminei pela minha boca enorme.

- É uma coisa de outra pessoa e eu não posso comentar, então vamos continuar com a sua historia. — Falei de um fôlego só, e ele me olhou desconfiado, mas decidiu deixar passar e eu suspirei aliviado.

- Na verdade há algumas palavras que temos de dizer antes... – Explicou. — Eu teria que te perguntar se você aceita ser o meu companheiro usando o seu nome completo e você teria de dar a sua resposta usando o meu nome completo.

- Eu aceito ser o seu companheiro Suzu.... – Experimentei dizer, mas sua boca interrompeu minhas palavras. Não que eu fosse reclamar por ele estar me beijando, mas fiquei curioso com o por que.

- Você não pode falar isso agora, meu amor. – Falou depois que interrompeu o beijo.

- Por quê? — Perguntei.

- Porque se você disser agora, eu vou ter somente uma hora para te reivindicar, se não você sentirá dor. – Por um momento eu fiquei assustado, depois cogitei a ideia de dizer as palavras, pois sabia que ele não me deixaria sofrer. Mas eu havia prometido não fazer nada e...

- Isso é injusto... – Resmunguei ao entender a sua manobra e ele sorriu.

- Eu sabia que você poderia querer apressar as coisas. – Explicou simples e eu bufei. – Não fica chateado lindo... Se eu estou te explicando é porque eu estou disposto a ceder.

- Chato. – Resmunguei de novo.

- Lindo. – Me respondeu e eu imediatamente fiquei vermelho, desviando o olhar. – Está sendo muito difícil segurar Taka, mas eu não me permito te machucar. Por isso estou tentando levar as coisas devagar.

- Mas você quer me reivindicar não quer? – Eu também estava inseguro, pois tinha a sensação de que ele desistiria de mim, de que eu não seria o suficiente para ele.

- Quero. Quero muito. – Me respondeu serio, nunca deixando de me olhar nos olhos e eu podia ver sinceridade neles. – É quase uma dor física me conter, pois meu corpo chama pelo seu, queima. E isso só vai piorando e piorando até que eu não consiga pensar em mais nada. – Fechou os olhos e respirou fundo. – Meu lobo quer te reivindicar e está impaciente por isso.

Foi aí que percebi que estava sendo extremamente difícil para ele, mas que ele não faria nada enquanto não tivesse certeza de que não estaria me machucando. O problema é que ele não estava acreditando muito em mim. Eu só via uma saída.

- E porque você não deixa tomar o controle? – Perguntei tomando minha decisão.

- Porque no momento em que o soltar, ele não vai ficar satisfeito até te reivindicar. – Seus olhos mudaram para os de lobo mais uma vez. – Até marcar você com o nosso cheiro, até devorar você...

Meu corpo estremeceu, não de medo, mas sim de puro prazer. Minha pele se arrepiou.

- Eu aceito você como meu companheiro Suzuki Akira. – Não consegui frear as palavras e desconfio que mesmo que tivesse essa capacidade naquela hora, não o faria. – Eu quero ser reivindicado por você.

R ♥♥ R

Reita P. O. V

Meu lobo rosnou ao ouvir as palavras contente por alguém ter tomado uma atitude. Mas meu lado humano ficou apavorado com a possibilidade de machucá-lo. O problema é que depois das palavras eu não tinha opção, porque seria extremamente doloroso para ele se eu não fizesse o que tinha que fazer em até uma hora. Baixinho teimoso!

Mas se ele me garantiu que estava preparado então... Deixei os instintos me governarem.

- Você não devia ter feito isso... Não mesmo. – Falei, minha voz saindo perigosa até para os meus próprios ouvidos...

R ♥♥ R

Notas finais
E aí? Alguém adivinha o que vai ter no próximo capitulo?

Sejam bonzinhos e façam uma autora feliz, deixem reviews ♥