Quem Tem Medo do Lobo Mau?
9 Chapter Nine
Notas iniciais
Esse é narrado pelo Uruha. Espero que gostem.
Boa Leitura ♥
Meu nome é Takashima Kouyou e irei contar como minha vida foi dividida em duas etapas distintas. Antes e depois de Ishida Ryu, o mestre vampiro.
Sempre fui um adolescente meio.... Desligado. Do tipo que muitos podem considerar quase ingênuo. Tinha poucos amigos e era meio antissocial. Meus pais me consideravam responsável e eu não queria decepcioná-los por nada então faria tudo o que eles quisessem para ser mais admirado. Um pouco patético, mas afinal de contas eu tenho a desculpa de ter sido um adolescente sem malicia.
Não sei com que idade eu comecei a ficar bonito. Acreditem ou não nem sempre eu fui alto e elegante. Até meus doze anos eu era baixinho e comum, sem nenhuma atração diferente. Logo depois eu tive um surto e crescimento e virei desengonçado. Mesmo na época em que eu nasci a cem anos atrás, adolescentes eram cruéis algumas vezes, e eu era alvo de muitas chacotas e brincadeiras de mau gosto. Claro que nada era como parece ser hoje, as chacotas eram mais veladas e a maioria das pessoas esperavam que eu saísse para rir abertamente. Isso mudou depois que, com o passar do tempo eu fui ganhando confiança e ares de mais velho. Descobri cedo que meninas não se enquadravam no que me fazia suspirar e me excitar, o que me causou imenso terror. Afinal estávamos em pleno ano de 1928 e gostar de garotos não era bem visto, com sentença de morte se descobrissem. Tentei esconder da forma que todos os homens que tentam negar a sua sexualidade fazem: Saindo com mulheres.
Tornei-me o preferido das moças e a dor de cabeça dos pais. De adolescente sem trato social eu passei a ser um dos rapazes mais populares da minha pequena cidade. Meus pais estavam orgulhosos e tudo estava bem. Pelo menos por fora, porque por dentro eu me sentia vazio. Até conhecer Kaoru.
Ele havia se mudado há pouco para a cidade e me despertou um interesse que até então eu não tinha por ninguém. Foi extremamente difícil para eu esconder, até que ele me deu indicações de que queria o mesmo que eu. A paixão foi avassaladora e intensa, e eu amei cada segundo, porem as portas haviam sido abertas e eu queria novas experiências, novos amores. Minha surpresa foi grande ao saber que Kaoru freqüentava um clube que havia na cidade.
Naquela época, clubes e bares de jogos eram normais para rapazes. Lugares para conversar e beber, mas este clube em especial era restrito apenas para sócios e poucas pessoas eram autorizadas a se associarem, só os mais poderosos. Então vocês podem imaginar a minha surpresa ao saber que ele era um sócio. Ele prometeu me levar se o dono autorizasse e apesar do meu ceticismo ele conseguiu.
Para mim foi como um divisor de águas. O clube era feito para pessoas como eu, gays que não poderiam se assumir publicamente. Do lado de fora eu era mais um garoto a espera da esposa perfeita que iria me dar filhos, pronto para começar a entrar nos negócios da família. Mas dentro do clube eu podia pegar quantos homens queria e quando queria. Era um sentimento libertador.
Todo o mês havia uma reunião para os membros do clube mais antigos, da qual participava o fundador do clube. O homem era como um Deus para mim, mesmo antes que eu o conhecesse, eu idolatrava a idéia de um cara que me proporcionava momentos tão bons. Eu só conseguia pensar em conhecê-lo. Tornou-se quase com uma obsessão.
Eu ia ao clube todas as noites agora e comecei a me descuidar das minhas obrigações em casa, meu pai já havia demonstrado sua preocupação, mas eu ignorei. Depois de meses de tentativas, finalmente fui autorizado a participar dessa reunião.
Preparei-me com cuidado para a ocasião. Sabia que ele escolhia a dedo os seus parceiros e queria com todas as forças ser um dos preferidos dele. Não tenho outra desculpa para a situação, alem da minha juventude e ânsia de ser amado. Mas mesmo essas desculpas que podem ser validas para muitas pessoas, não são validas para mim. Eu devia ter me afastado daquele lugar, mas estava cego demais pelo meu fanatismo.
Ao chegar ao clube, minha atenção foi totalmente focada em encontrar o grande fundador. Não demorei a encontrá-lo. Ryu tem uma aura de dominância que até mesmo como um humano desatento eu percebi. Seus olhos encontraram os meus por um fugaz segundo e só isso fez o meu coração bater mais forte. Depois disso, tudo passou por mim como um borrão. Só ele me importava. Finalmente ele se aproximou com um sorriso que eu retribui inseguro.
- Vejo que es novo por aqui. – Sua voz era muito doce e calma.
- Eu... Tenho vindo já alguns meses. – Respondi ainda nervoso.
- Takashima não é? – Era quase uma afirmação e eu me perguntei como ele sabia meu nome. – Não pense tanto... – Sussurrou levando a sua mão até as rugas que eu fiz ao franzir as sobrancelhas. – Eu sei de todos os membros do meu clube, desde o mais novo até os mais velhos. – Me senti estúpido por não ter pensado nisso antes. – Você é tão bonito. –Senti meu rosto se avermelhar com o elogio e ele riu. – Tímido também. Simplesmente adorável. – Se aproximou mais ainda, me deixando sentir a sua respiração. – Nos vemos em outra oportunidade bonito.
Fiquei confuso com o seu afastamento. E decepcionado, pois achava que havia perdido minhas chances com o homem sedutor. Voltei para a casa naquela noite sem animo nenhum. Qual não foi a minha surpresa ao vê-lo no dia seguinte, dessa vez em minha casa. Meu pai o tratava com uma gentileza aquém da sua personalidade habitual e isso me trouxe suspeitas. Eu nunca havia ouvido falar dele, como o meu pai o conhecia? Perguntas rodavam em minha mente enquanto tomávamos o café. Ele me olhou como se soubesse exatamente como eu me sentia.
Meu pai não cabia em si de tanta presunção. Descobri que Ryu tinha muita influencia e que estava querendo ajudar o meu pai com seus negócios. Mas por quê? Essa questão martelava em minha cabeça. Por um momento considerei a possibilidade de eu ser a razão para Ryu querer ajudar, mas isso parecia surreal demais para mim. Afinal eu havia conversado com ele dois minutos e isso não fazia ninguém se apaixonar. Mesmo em minha confusão eu estava satisfeito, porque ele era tudo o que eu queria.
Então o cerco começou a se fechar. Ryu era atencioso quando estávamos na casa dos meus pais e me usava como bem queria no clube. E eu? Estava apaixonado e cego para qualquer outra coisa a não ser ele. Quando ele me mostrou sua verdadeira identidade como um vampiro, confesso que fiquei assustado, mas o meu bom senso foi embora na medida em que a paixão foi chegando.
Minha vida se resumia a ele e ao clube, perdi amigos que começaram a estranhar as minhas atitudes, e ganhei vários olhares feios do resto da cidade. Não liguei para isso até o dia em que ouvi um dos meus ex-amigos comentando a suspeita de eu ser “estranho”, “ esquisito”, “ Que anda no caminho do pecado, fornicando com outro homem.”
Foi aí que me dei conta de que estava sendo muito obvio e que todos desconfiavam do que eu fazia com Ryu. Desesperado contei para ele o que tinha ouvido, mas para minha surpresa ele apenas riu, me tranqüilizando ao dizer que ninguém poderia nos separar e que poderíamos ir embora juntos para outro lugar. Como um idiota que eu era me reconfortei com isso e começamos a planejar nossa saída. Meu pai não colocou nenhum empecilho para isso, desconfio de que Ryu deva ter deixado um bom dinheiro para que ele ficasse satisfeito. Doeu saber que meu pai me deixou ir como se estivesse me vendendo, mas agora eu tinha Ryu e tudo ficaria bem.
A mudança foi boa por um tempo. Íamos a diversas festas, e na maioria Ryu era o convidado de honra. Um verdadeiro mundo riqueza e ostentação. Ele possuía vários clubes no estilo ao da minha antiga cidade. Eu era exibido como seu troféu. Eu estava literalmente nos céu. Não podia gritar aos quatro ventos nossa relação, mas também não precisava esconder nos nossos “amigos”.
Já algum tempo eu insistia para que ele me transformasse, mas ele se recusava. Depois de quase um ano que nós mudamos de cidade ele me informou que me transformaria. Eu quase pulei de alegria, mas me contive. A noite foi regada a muita sedução e quando ele me mordeu.... Doeu no começo, mas ao mesmo tempo foi delicioso. Vocês não podem imaginar como ser mordido traz um prazer incrível. Adormeci satisfeito.... Mas no dia seguinte, meu mundo desmoronou.
Ele foi frio e me dispensou de sua cama, que eu estupidamente acreditava ser nossa cama. Depois de vestido descobri que um ano da minha vida foi uma mentira. Ele me deixou claro qual seria o meu papel de agora em diante. Ser um garoto modelo para que ele pudesse me exibir como bem entendesse.
Fui transportado para outra casa onde havia outros garotos com a mesma finalidade que a minha. Foi difícil encarar a verdade e perceber que eu não era nada. Éramos alimentados com sangue e exibidos em seu clube.
Eu ainda era o seu favorito e com o tempo me acostumei com aquela rotina torta, pois eu ainda estava apaixonado por ele e iria aceitar de bom grado qualquer migalha que ele pudesse me dar, e no final das contas ser um vampiro tinha suas compensações. Eu era livre para foder quem eu quisesse desde que não tentasse fugir.
Descobri que nem todos os vampiros podiam transformar outras pessoas, só os mais antigos, os que foram criados em outras épocas. Ninguém sabia de onde tinham se originado, mas poucos sobreviveram a uma grande guerra, que ocorreu há vários séculos atrás. Ryu era um dos poucos.
Anos se passaram e eu me tornei, mais maduro e menos inocente. Mais consciente de que Ryu era um grande filho da puta que manipulava tudo a sua volta. Coisa que nada tinha a ver com sua condição de vampiro. Porque se ele fosse um humano seria exatamente do mesmo jeito. O problema é que essa consciência veio tarde demais.
Eu passei anos cegado pela ilusão de que se eu fizesse tudo o que ele queria, eu teria o meu Ryu de volta, aquele por quem eu me apaixonei. Eu havia manipulado pessoas, jogado com elas. Adotei o modo de vida exigido pelo meu mestre sem me importar com os outros. Fui obrigado a matar pessoas inocentes e não me orgulho disso. Todos os dias eu me olho no espelho e vejo um monstro.
Ai veio Yasuko e apesar de eu não querer nada com humanos, ele simplesmente me encantou. Eu tive que ajudar. A nossa fuga foi bem planejada e eu me senti livre, coisa que não sentia em muito tempo. Até que Ryu nos encontrou de novo e nos obrigou a voltar. Nunca vi Yasuko tão... Apático como quando tivemos que voltar para o coven. Ele havia perdido a Keiko e o Taka, nada mais importava.
Vi meu amigo definhar aos poucos, seus olhos não brilhavam com a alegria de antes. Ele chorava todas as noites e tinha pesadelos horríveis. Eu estava sofrendo também, apesar de me fazer forte. O Taka havia se tornado a minha luz também e me doía imensamente não poder vê-lo. Mas eu precisava ser forte, pois se eu desmoronasse quem iria segurar meu amigo? Quem iria acalmá-lo depois de um pesadelo? Quem iria enxugar suas lagrimas e garantir que o Taka ficaria bem? Ninguém se preocupava com ele, só eu. Ele precisava de mim. Mas eu não fui o suficiente para mante-lo vivo, a minha obrigação era protegê-lo e eu não consegui.
Quando descobri os planos de Ryu para o Taka, eu tinha que fugir. Só que dessa vez não iria voltar. Se ele quisesse me matar que fizesse isso, mas eu não ficaria ali. Fui embora com a meta de encontrar o Taka. Encontrei outro coven e comecei a pesquisar pelo pouco que eu sabia. Tive um monte de pistas que no final davam em nada e estava cada vez mais desanimado e derrotado, quase reconhecendo a vitoria de Ryu. Mas agora as coisas estavam caminhando, ou pelo menos eu esperava que sim.
♥♥
Estava em minha sala quando minha secretaria anunciou o pequeno coiote que estava investigando as coisas para mim.
- O mande entrar. – Pedi, observando o garoto em questão entrar e fazer uma leve mesura. Indiquei que ele se sentasse e ele rapidamente obedeceu. – Descobriu alguma coisa?
- Não realmente.... Quer dizer... – Observou que o outro ficava nervoso em sua presença. – Na verdade eu ouvi uma coisa que soou como um enigma para mim, mas pensei que talvez você decifrasse. – Torceu as mãos em seu colo, me olhando com nervosismo.
- Fale. – Pedi curioso para saber o que ele queria de mim.
- Eu entrei no território de Ryu... – Falou me deixando surpreso com a facilidade que ele conseguia se infiltrar nos lugares. – Não sei se você está ciente do vampiro que hoje é o braço direito de Ryu, Ishihara Takamasa?
O sobrenome não me era estranho, mas o primeiro nome eu não conhecia. Balancei a cabeça negando e ele continuou.
- Ontem eu ouvi uma conversa dele com o barman do local. Ele comentava sobre um boato de Ryu querer trazer um novo garoto de ouro para exibir. – Não fiquei surpreso com essa informação, Ryu precisava disso, mais do que respirar. – Quando o barman disse que não tinha nenhuma novidade nesse sentido ele fez uma piada sobre cachorros que não entendi.
Cachorro? O que isso queria dizer? Será que tinha a ver com o Taka?
- Repete palavra por palavra o que ele falou – Pedi, precisando entender o contexto das coisas.
- As palavras exatas foram: “Talvez ele tenha descoberto que o garoto não valia a pena e resolveu jogá-lo aos cães.” – Repetiu. E na hora uma luz se acendeu sobre a minha cabeça. Ryu costumava se referir aos Shifters lobos como cães ou cachorros.
- Ele estava falando de lobos. – Sussurrei, mais para mim do que para o coiote. Assustei-me quando este deu um pulo da cadeira. – O que foi?
- Quando ele falou sobre o novo troféu, eles tinham acabado de comentar sobre você. – Não entendi a conexão, mas pedi para ele continuar. – O barman disse que Ryu estava querendo você de volta e que quando você foi embora pagou muito caro por isso, que todas as pessoas que vão contra o mestre ou morrem ou perdem alguém muito importante para elas. – Isso era verdade, eu havia perdido Yasuko e... O Taka.. – Você não entende? Há poucos dias eu descobri um esquema de exploração sexual de menores e passei para os lobos resolverem, logo depois você me pede para descobrir o paradeiro do seu afilhado que foi seqüestrado por Ryu..... E se tudo estiver conectado? Havia vários garotos lá Uruha, pode ser que....
- O Taka estivesse entre eles. – Conclui entendendo aonde ele queria chegar. Ryu tinha suas conexões e podia sim estar por traz do esquema de exploração sexual, eu até desconfiava disso, quando Hiroto comentou na sua ultima visita, tanto que pedi para averiguar, mas nunca imaginei que o Taka poderia estar entre os garotos abusados.
- Eu pensei isso antes, mas não faz sentido! – Me levantei. – Se o Taka era o novo troféu que ele queria esfregar na minha cara, porque deixar ele com os lobos que o estavam ajudando com o esquema? Porque não levar ele diretamente para o coven?
- Eu não sei sobre isso... Mas se eu estou certo é possível que o seu afilhado esteja protegido junto com os lobos que o salvaram. – Fechei os olhos enquanto uma ânsia de procurar em todas as matilhas até encontrar o Taka me invadia.
- Qual o nome do Alpha da matilha que você chamou? – Perguntei a voz saindo fraca diante de tanta coisa em minha mente.
- Suzuki. – Uma simples palavra e todo ar em meus pulmões saiu, não que eu precisasse dele, de qualquer jeito. Suzuki era o nome o Alpha que eu iria encontrar. Eu ia encontrar o Taka.
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Eu estava nervoso como nunca, e tinha razão para isso. Vários anos procurando o meu afilhado e finalmente iria encontra-lo.
- Você tem consciência de que ele pode não estar lá, não tem? – Shou me perguntou, mas eu não me dei ao trabalho de responder. A esperança enraizada demais para eu dar voz à razão. Eu tinha que acreditar, eu não podia me abater.
- Ele está lá Shou. Eu sei que está. – Murmurei e sei que ele me ouviu.
- Eu só não quero que você se decepcione. – Explicou e eu parei a minha andança tempo o suficiente para olhar para ele.
- Eu sei.... – Falei suave. – Eu só... Preciso que ele esteja lá entende? Dezessete anos é muito tempo para não se saber onde um filho está. – Expliquei.
- Você o considera como um filho? – Me perguntou surpreso. Talvez porque eu nunca comentei que o Taka é meu filho de coração. Eu o adotei, mesmo quando o pai dele ainda era vivo.
- Não é para isso que um padrinho serve? Cuidar do afilhado quando seus pais não podem mais? – Perguntei e ele concordou com a cabeça. – Quando Yasuko morreu, o Taka virou o meu filho. O que eu nunca vou ter, por ser gay.
- Acho que te entendo. Mas você tem que levar em consideração as vontades dele agora. Ele pode não querer ficar perto de você. – Ele me falou e eu reconheci que era uma possibilidade. – Ele provavelmente acha que seus pais o abandonaram.
- Eu sei, mas eu vou explicar a verdade para ele.. – Falei. – E se mesmo assim ele não quiser a minha presença em sua vida, eu quero que ele saiba que os pais dele o amavam e que morreram para protegê-lo.
- É um bom motivo para querer encontra-lo. – Shou deu de ombros. Eu olhei o relógio mais uma vez, querendo que os ponteiros se movessem mais rápido. Ainda faltava muito para o horário marcado para eu me encontrar com Suzuki-san em sua casa.
- É melhor irmos agora então. – Shou falou divertido. – Explicamos a situação. Ele me parece ser um homem sábio.
- Você tem razão. – Eu só estava esperando alguém me dar à ideia para que eu pudesse dar vazão a minha vontade.
- Você parece um garotinho esperando ver o papai Noel ou qualquer coisa parecida. – Zombou ao passar por mim. Eu apenas revirei meus olhos e torci para tudo dar certo.
♥♥
Senti um frio na minha barriga ao avistar a imponente casa do Alpha. Lá poderia estar meu afilhado e junto com ele a felicidade de tê-lo em minha vida.
- Você quer que eu entre? – Shou perguntou e embora meu orgulho quisesse tomar conta, eu precisava de um ombro amigo.
- Eu me sentiria bem melhor. – Falei e ele assentiu, entendendo o quanto era difícil para eu admitir qualquer fraqueza.
Saímos do carro, encontrando com quatro sentinelas ao lado de fora da mansão. Identificamos-nos e após alguns minutos em que um deles confirmou que nos esperavam, fomos autorizados a entrar.
- Eu não os esperava tão cedo. – Um senhor nos atendeu e eu reconheci como sendo Suzuki-san. Ele já aparentava ser um senhor de idade, mas tinha uma firmeza no olhar, que deixava bem claro que gostava de ser obedecido.
- Peço desculpas pela inconveniência, mas surgiram coisas novas e não pude esperar o horário que combinamos. – Pedi com mansidão, reconheço que era impossível ir contra a sua autoridade.
- Tudo bem. Desconfio que você não viria fora do horário se não fosse muito importante. – um meio sorriso apareceu em seus lábios. – Me acompanhe, por favor. – Pediu nos conduzindo até o seu escritório. Não reparei na decoração do escritório louco para saber se o Taka se encontrava lá. – Sente-se e me expliquem qual é o problema.
Contei para ele tudo o que pude me lembrar de ser relevante, e quando terminei detectei um olhar de nervosismo.
- Meu filho acompanhado de vario guerreiros lobos resgatou sim as crianças e não vou mentir para você. – Respirou fundo. – No meio deles havia um Matsumoto Takanori.
- Ele está aqui? – Perguntei aflito. – Eles não o machucaram não é?
- Ele mora nesta casa, mas não está no momento. E eles não machucaram, pelo menos não fisicamente. – Me respondeu com paciência. – Mas você precisa saber de algumas coisas.
- Que coisas? – Perguntei.
- Ele está acasalado. – A noticia me pegou de surpresa.
- Ele tem só dezoito anos agora, é praticamente uma criança. – Soltei sem pensar.
- Você sabe que se o acasalamento for depois dos dezoito é valido não sabe? – Franziu as sobrancelhas e eu me arrependi.
- Eu só fiquei surpreso, mas eu sei que se ele for maior de idade e se o acasalamento aconteceu por sua vontade ele é valido. – Reconheci. – Mas com quem ele está acasalado?
- Meu filho. – Arregalei os olhos de surpresa. – Eu sei que é muita coisa para assimilar, mas não acabou.
- O que mais pode haver? – Perguntei.
- Vamos esperar meu filho voltar, vai ficar bem mais fácil se ele explicar. – Suzuki-san ofereceu. – Ruki está assimilando coisas novas, mas quer descobrir sua origem. Será que você pode ajuda-lo com isso?
- Eu poderei vê-lo? – Fiquei emocionado que ele quisesse me dar a oportunidade de me aproximar do meu afilhado.
- Se ele quiser, eu não vejo problema nisso, mas meu filho pode não gostar muito. – Informou e eu entendo o que ele quis dizer. Lobos são possessivos com seus companheiros, principalmente quando o acasalamento estava recente. – Porem ele irá fazer qualquer coisa que o Ruki queira..
- Obrigada por ter sido compreensivo comigo. – Agradeci. Ele foi receptivo a tudo e não duvidou da minha palavra.
- Eu sou muito bom em ler as pessoas Takashima e eu pude perceber verdade em suas palavras. Se eu não acreditasse que você veio em paz, meus sentinelas teriam acabado com você assim que saiu do carro. – Assenti.
- Quer alguma bebida enquanto esperamos? – Me perguntou, mas eu recusei.
Estava pronto para mais perguntas sobre o Taka quando senti o melhor cheiro da minha vida. Minhas presas saíram e de repente eu queria desesperadamente morder alguém. Shou ficou tenso ao meu lado e Suzuki-san, ficou em guarda pronto para atacar se eu fizesse qualquer movimento. Mas tudo ficou em segundo plano quando me virei para a porta e encontrei o cara mais bonito que eu já havia posto os olhos, percorri seu corpo com os olhos, mas quando cheguei aos olhos dele travei. Os mesmos olhos com os quais eu sonhava todas as noites a meses, os olhos que me assombravam ao ponto de eu não conseguir beber o sangue de qualquer outra pessoa.
Os olhos do meu companheiro.
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