Quem Sou?

12 Grêmio Estudantil


Menos de duas semanas depois eu me deparo com uma ideia insana da Mari. As coisas pareciam mais tranquilas, a partir do momento que eu admiti que realmente tinha alguma coisa com o que a minha mãe fez de magicamente estranho naquela tatuagem, e que, por sorte, aparentemente impedia que eu morresse.

Eu tentei controlar isso, e aparentemente, sem sucesso, era algo completamente aleatório, o que pra mim queria dizer que aquela coisa era basicamente algo que decidiria a hora em que eu iria morrer. Mas uma vez que eu tinha percebido isso, comecei a prestar mais atenção em quando aquela luz azul aparecia, ou quando as coisas eram repelidas por mim, e pelo visto, se eu estivesse com medo, as coisas iriam me acertar, e eu iria morrer. Era como se aquilo fosse um medidor de coragem. Considerando que eu realmente era muito mais imprudente quando não tinha medo de morrer, parece que aquilo funcionava na hora certa.

Mas a Mari, no intervalo de mais uma quarta-feira infeliz de aula, apareceu com um papel pra nós, coisa que a Júlia achou excelente, mas a ala masculina do nosso grupo queria disparar correndo pra bem longe dessa ideia. Concorrer às eleições do grêmio estudantil.

- Quem é que te deu essa ideia insana? Perguntou o Rick tomando o papel da mão dela, era o edital para as eleições.

- Eu tive essa ideia. Nós somos, bem ou mal, conhecidos pela escola toda praticamente, famosos pela banda, o que é um ponto favorável, então...

- Então no fim das contas nós vamos perder igual, Mari, porque cada um aqui pensa de um modo diferente sobre uma administração governamental, não vamos passar da campanha, porque vamos acabar nos desentendendo por alguma picuinha... Isso se chama democracia... Comenta o Luís sendo um tanto realista pro meu ponto de vista.

Realmente, se começássemos a por na mesa nossas teorias ideológicas nós teríamos um campo de batalha com explosões nucleares. Afinal, o que ela esperava fazer como uma democrata ferrenha diante de um maluco que era comunista, um capitalista neoliberal, um aficcionado por teorias de totalitarismo e outras mais, e um apolítico como eu? Ficava meio evidente que nós racharíamos tudo ali.

- Exatamente por termos pensamentos diferentes e conseguirmos nos respeitar até hoje é que conseguimos ser o exemplo perfeito de democracia. Ela disse sendo apoiada pela Júlia. Ah, provavelmente a Júlia deve ter colocado coisas na cabeça dela... Se bem que isso era meio improvável, porque ela era mais aficcionada pelos peitos da Mari que pelo cérebro.

- A democracia é uma ilusão da sua cabeça... – comecei eu um tanto incrédulo da política – Os veteranos que estão no Grêmio Estudantil vão apoiar uma chapa de estudantes escolhidos por eles, e não tem nada que tu, ou eu, ou qualquer aluno possa fazer pra mudar isso. Somos estigmatizados na escola, primeiro por sermos um tanto peculiares, e depois, por nos tornarmos criadores de encrenca, o que acha que vai conseguir com isso, Mari?

- Hum... A probabilidade de isso dar certo é tão pequena que até dá vontade de fazer isso só pra atirar merda no ventilador. Comenta o Rick ignorando o fato de que nós não pretendíamos ser convencidos.

- Tá querendo ridicularizar as eleições da escola? Perguntou o Luís interessado.

- Porque não, sempre foi uma farsa mesmo... Se já somos criadores de caso como o Dullius diz, vale a pena criar mais um caso... Falou o Jamal.

Quando eu me deparei com a situação, não tinha mais como fugir de participar, já que todos tinham sido convencidos por um argumento imbecil de avacalhar as eleições. Só que a Mari e a Júlia pareciam estar levando isso a sério, conseguiram patrocínio, junto com o Rick, em alguns lugares, e logo eles tinham desenterrado não sei de onde um material de campanha até bem bonitinho, com propostas e tudo.

Eu só penso no que diabos pode acontecer com essa chapa... Mari como presidente, Luís de vice, Rick de tesoureiro, eu fui enfiado como secretário não sei como nessa bodega, e o Jamal e a Júlia respectivamente ficaram como segundo tesoureiro e segunda secretária. Pra eles estava bom, afinal, eles não queriam mais que se divertir no segundo grau mesmo.

Como o número de pessoas que simplesmente era contra a outra chapa acabou se juntando à nós pelo simples raciocínio do “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, tínhamos uma grande organização de agenda para passar nas salas divulgando isso da campanha, porém, nessas poucas semanas de campanha, principalmente no horário da noite, em que boa parte dos veteranos que apoiavam a nossa contraparte na eleição estudava, tínhamos lá alguns problemas, e obviamente, tínhamos lá algumas brigas pra segurar, embora nós mesmos tivéssemos nos metido em conflitos relativamente pequenos considerando a nossa popularidade negativa na escola.

Eu estava pensando nisso quando acabei me metendo, junto com o Luís, em uma encrenca relativamente maior, já que alguns dos nossos “supostos” aliados de campanha, decidiram retirar algumas das faixas de propaganda da outra chapa que estavam colocadas na escola. Alguns integrantes da outra chapa viram isso, e foram puxar briga com os pobres incompetentes, eu diria, porque eles tinham tudo quanto é coisa pra fazer pra nos ajudar, mas fazer algo assim, era só pra complicar mais ainda.

No fim das contas, nos deparamos com pessoas que me traziam memórias, eu realmente não queria ter que me meter em uma briga com o Rodrigo depois de tanto tempo, não pelo menos sem o Rick por perto. Eu realmente não tinha capacidade pra lidar com ele sozinho, era mais o tipo do Rick, chegar escondido e desacordar o guri pra poder sair de fininho, se fosse à força bruta, nesse momento eu acho que o Luís empataria com ele, mas certamente estava perdendo pro seu agressor, e os fedelhos do primeiro ano que tinham ocasionado o problema simplesmente não faziam mais que chorar pelas suas mães, que pensassem antes de arranjar a encrenca.

Foi nessa hora que eu me distraí e levei uma rasteira, fui ao chão. Eu sabia que deveria me levantar, mas alguma coisa doía, então provavelmente eu deveria estar quebrado, pelo menos um pouco. O Luís se distraiu quando eu caí, e não viu que seria acertado por alguma coisa, eu não teria tempo de avisá-lo pra que saísse do caminho, e o meu ato teoricamente inútil de esticar o braço pra avisar disso fez algo que eu não imaginava que pudesse, porque eu vi levemente a luz azulada escura, e consegui me livrar do Rodrigo antes de rachar a minha cabeça, mas fiquei com uma fratura exposta no braço, muito embora aparentemente o gesso já fizesse parte de mim, ou pelo menos faria se eu continuasse me encrencando daquele jeito.

O outro aluno tinha tentado acertar o Luís com um canivete, só que por algum motivo estranho o seu movimento fez com que o canivete se cravasse na sua própria mão, como se tivesse entrado em uma dimensão espelho e voltado materialmente contra ele.

O Luís simplesmente me arrastou pra longe dali antes que alguém da diretoria chegasse e nos repreendesse, porque afinal essa era nossa maior habilidade, ser repreendido por algo.

- Espere aqui. Ele disse. Provavelmente ele diria pra secretária que eu quebrei o braço caindo da escada ou algo imbecil assim.

- Pensando pelo lado positivo, eleições de grêmio estudantil não são como as de organizações de faculdades... Fala a Mari chegando com a Júlia que trazia tecido limpo pro meu braço em estado deplorável não me matar por falta de sangue, e me levavam pro carro da Júlia. A mãe dela é médica, até me esqueci desse detalhe. Era uma sorte considerando que nos metíamos em encrencas demais pra que nossos corpos ficassem inteiros por muito tempo.

- E acha que algum tipo de eleição de entidades estudantis de faculdades pode ser pior? Universitários tendem a ser mais civilizados que os bárbaros do secundarismo. Eu disse pensando que pelo menos, deveriam ser.

- Na verdade... – começou a Júlia – Há uns dois anos foi relatado um homicídio por causa de uma eleição de DCE da universidade daqui... Foi o primeiro trabalho da minha mãe como legista, o Instituto Médico Legal precisou de uma contratação emergencial, foi pouco depois de eu chegar à cidade...

- Homicídio... Quer dizer... Mataram alguém por causa de algo que deveria servir para ajudar os estudantes a terem qualidade de ensino? Eu perguntei, um tanto surpreso, tentando lembrar se vi alguma coisa naquele tempo sobre o assunto nos jornais, sem sucesso.

- Aparentemente, em teoria – começou o Luís que tinha embarcado no carro para seguirmos para o hospital – os movimentos estudantis servem pra que se busque com as entidades de educação do governo, com representantes do meio dos estudantes, melhorias pro ensino. Na prática, o que acontece é que essas campanhas e todas as organizações que foram criadas pra isso, são usadas pra desviar verbas do governo e para alavancar plataformas de futuros candidatos políticos. É um sistema difícil de combater, e garanto que o seu braço quebrado concorda com essa dificuldade... Fala ele tentando manter o bom humor, mas era evidente que ele detestava esse sistema.

- Você parece o tipo de pessoa que estudaria sociologia, é muito observador. Disse a mãe da Júlia para o Luís parando no semáforo fechado, quase na clínica já, o que meu braço agradecia, porque eu não sou imune a dor, apesar de ser bem resistente.

- Na verdade apesar de eu gostar muito do assunto, prefiro analisar a política com lógica mais exata, eu pretendo fazer algo na área de programação de computadores. Mais politizada que a Júlia, eu estou pra conhecer alguém. Disse ele elogiosamente à mulher.

- Por mais desanimador que possa ser pra vocês, realmente, a Júlia tem futuro na política, isso é perceptível há muito tempo, e sem querer ou querendo, não sei, vocês estão sendo a plataforma política dela. Eu realmente não pensei que aquela mulher fosse dizer isso de forma tão direta.

- Sim, nós sabemos, mas não interessa muito pra nós, o nosso foco é somente uma diversão estudantil, estamos por tocar o terror na escola. Disse a Mari também tão direta quanto um raio.

Eu fiquei sabendo só depois que a mãe da Júlia tinha financiado parte da campanha, e depois que prestei mais atenção, mesmo que a Júlia tenha escolhido o cargo de segunda secretária, ela estava sendo mais popular que todos nós, era realmente uma habilidade ser política no caso dela.

Mesmo que eu e todos nós fossemos amigos da Júlia, eu não me senti muito bem pensando que por causa de uma campanha atrelada a um sistema nada funcional e da carreira política dela, eu tivesse quebrado meu braço, e que possivelmente se eu não tivesse aquela habilidade estranha, o Luís possivelmente estaria ferido agora, ou morto, como aquele que não conhecemos, que participou de uma eleição de DCE.

Não era nada confortável pensar que ela sabia disso quando colocou ideias na cabeça da Mari, e por fim, indiretamente, de todos nós. O único que parecia tranquilo com isso era o Luís.

Eu estava no quarto de recuperação depois de terem consertado o meu braço, de novo, e o Luís chegou, e pareceu perceber que meu humor não estava bom.

- O que foi? Você foi remendado, logo vai pra casa, e nem teve que ver as aulas hoje.

- Se estivesse no meu lugar certamente preferiria as aulas... Eu comentei rabugento.

- Eu sei, sua situação não é pra gargalhadas... Mas... Parece que o que a mãe da Júlia disse te irritou. Falou ele tocando no assunto que me incomodava.

- Claro que me incomoda, ser plataforma política e saco de pancadas pro trampolim de popularidade da Júlia, por mais amiga nossa que ela seja, afinal, ela não colocou no “contrato” de amizade que nós correríamos risco de vida por causa de alguma imbecilidade dela.

- Não é o “contrato” que te incomoda, provavelmente... Afinal, todos sabemos que compramos brigas uns pelos outros desde sempre aqui... É o sistema. Politicamente incorreto desde sempre. Eu nunca soube o que tu pensa politicamente, e nunca falei do que eu penso porque não acho certo doutrinar os outros sem dar a eles direito de escolher pelas suas razões o que acham certo e errado... Mas parece que alguma coisa não encaixa nos seus pensamentos pela cara que está fazendo.

- Luís, eu sei que provavelmente a teoria política de cada um tem razões humanistas de ser, tem fundamentos que pelo menos, utopicamente, e outras em âmbito real, podem funcionar... A minha teoria pessoal não é nada humanista, é só parte do estigma de ser quem eu sou, não tem um fundamento lógico razoável. Seria muito fácil se eu conseguisse acreditar no comunismo que parece tão perfeito em teoria, ou no capitalismo, que ergueu impérios de riqueza, ou no nazismo, que fez um milagre de popularidade em um determinado momento histórico, mas simplesmente não posso aceitar isso como válido por uma coisa...

- Não vou tentar criar um fundamento lógico a ti da minha tese política, ou da dos outros, por mais que eu as conheça, até porque seria tendencioso da minha parte... Mas agora, agora é tarde demais pra gente simplesmente abandonar o sonho da Júlia, por mais deturpado que eu ache ele, ou por mais idiota que o Rick o ache quando souber, ou por mais que a Mari se revoltasse, o que eu acho que não vai acontecer, porque a Mari ainda quer acreditar na democracia, ou por mais que o Jamal já esteja fazendo rituais míticos de Moçambique pra afastar os males dessa campanha, e eu realmente deteste os rituais barulhentos dele.

Eu ri da última parte. Realmente, do jeito que o Luís falou, mesmo que o sistema político ou isso ou aquilo o irritassem por suas convicções políticas, o que mais parecia estar dando nos nervos dele, e o que mais ele se esforçava por respeitar apesar da cacofonia evidente, era a manifestação cultural religiosa do amigo estrangeiro. Fico pensando que se não fosse pelo Jamal, provavelmente o Luís não teria se achado politicamente de forma tão evidente, porque ele aprendeu muito sobre o que ele mesmo acredita tendo que cumprir isso todos os dias ao conviver com o amigo.

- Não estou dizendo que vamos abandonar a Júlia depois do que a mãe dela disse, embora me pareça que ela deseje que façamos isso...

Eu realmente pensei que o modo como ela falou antes era algo assim, porque do jeito que foi, a Júlia mesmo fez uma cara surpresa, não esperando tanta objetividade e falta de delicadeza da mulher, mas eu me limitei a pensar sobre o caso, o que era suficiente para a minha mente estar fervilhando no momento.

- Só por curiosidade, porque tu não acha as correntes de pensamento político atuais válidas, nenhuma delas? Perguntou o Luís pensativo, provavelmente ele pensou em alguma teoria conspiratória de UFO’s ou algo assim pela cara dele.

- Por que nenhum sistema diferente foi de fato implantado, e nem vai ser, no fundo, sempre foi tudo a mesma coisa.

- Como assim? Digo, eu às vezes supus que o Rick era um tecnocrata, mas tu eu não poderia pensar que pensaria algo parecido.

- Eu não sou tecnocrata. Porque do mesmo jeito que hoje existem problemas com pessoas, se a tecnocracia fosse possível mediante desenvolvimento tecnológico, a partir do momento que os androides tivessem consciência, teríamos o mesmo problema, ou algo pior, porque a lógica de um computador independente pode ser mais literal e aleatória que a do ser humano. – Eu tomei fôlego por um momento, e vi que o Luís parecia analisar a afirmação, mas que ele ainda parecia estar conectado à minha afirmação anterior – Digo que nenhum sistema diferente foi de fato implantado politicamente, porque independente das formas, a essência é a mesma. O ser humano é ganancioso, e só vai seguir uma lei. A lei da conveniência.

- Não sei por que, mas isso me soa capitalista... Fala Rick entrando no quarto, escutando as minhas últimas frases, e surpreendendo o Luís que pensava distraído com o que eu disse.

- Não é capitalista, é do MEH.

- MEH? Perguntou o Rick curioso, raramente existia um termo que ele não conhecesse, e se o Luís fez uma cara estranha, o Luís que conhecia mais coisas que ele mesmo, então a coisa era pra ser muito underground.

- Movimento Extincionista da Humanidade. Eu disse, sem dar maiores explicações, sabia que eles achariam isso nada humanitário, aliás, pelo nome, era evidentemente um pensamento anti-humanitário.

- Porque algo como isso? Não é um tanto mais radical do que o que esse imbecil prega? Fala o Rick apontando com um gesto engraçado para o Luís.

- Ei, um pouco mais de respeito... Resmunga o Luís.

- Não, na verdade é tão lógico que imaginei que o cérebro de QI elevado do nosso grupo pudesse entender... Eu falei pro Rick.

- Não entendo, não entendo mesmo...

- Menos ainda eu, afinal, tu é o primeiro a nos proteger, afinal, somos amigos...

- Não estou dizendo que não me importo com vocês, mas que o único sistema que seria funcional politicamente, é a inexistência de sistema.

- Anarquismo? Perguntou o Luís tentando se convencer de algo mais plausível entre as teorias que conhecia.

- Não, inexistência de humanos. Qualquer sistema humanamente entendível vai ser influenciado pela ganância e conveniência, e vai se deteriorar para outro, que logo vai se tornar tão ruim quanto o primeiro. Isso se deve ao fato de os seres humanos serem autodestrutivos, a humanidade se prejudica simplesmente pelo fato de existir como ela é, e mesmo que utopicamente algumas coisas façam sentido, de forma prática elas não fazem. O ser humano é ignorante por natureza, ele não merece existir. Por isso eu sou apolítico, porque tudo é inútil nesse ou em qualquer sistema. De que me vale ter uma preocupação com algo que eu não posso resolver? Pelo menos então, eu posso ser feliz, do meu modo egoísta, com as pessoas que eu gosto. Posso não acreditar nas pessoas que se dizem humanos, mas eu acredito naqueles que me provam que são amigos.

Depois de algum tempo eu já podia ir à escola novamente, apesar de ter perdido as eleições, não que eu me importasse muito com isso, e por fim parecia que meus amigos não tiveram grandes problemas em aceitar o meu pensamento, só que evidentemente, esse era o tipo de pensamento, que considerando a fama que eu já tinha, só pioraria a minha situação.

As pessoas realmente teriam motivos pra querer me queimar vivo se além do que lhes trazia essa vontade ao me conhecer, soubessem que eu pensava isso da humanidade.

Eu e o gesso no meu braço, uma fotografia realmente mal tirada pro álbum de memórias da escola, e a vitória em uma eleição de Grêmio Estudantil. Eu realmente não queria acreditar nisso, mas era verdade.

Teríamos desse meio de ano até o meio do ano que vem, pelo menos uma gama de encrencas escolares nas nossas mãos. Mas mesmo assim, aparentemente, o primeiro grupo eleito sem partidarismo político por trás da chapa na história do Grêmio Estudantil, tinha fama e respaldo suficiente para poder fazer muitas coisas.

Eu realmente passei a acreditar pelo menos que nós, quando queríamos, podíamos fazer coisas incríveis, porque afinal nós conseguimos um dos maiores festivais de talentos da cidade, a maior plateia pra uma peça de teatro da região, um prédio novo para laboratórios na escola, um clube de esportes, e antes do fim do primeiro semestre de gestão, um setor de encaminhamento para cursos profissionalizantes e estágios para os alunos do último ano que realmente estava funcionando agora.

Nessas férias eu não tive contato com os outros exceto pela internet e por telefone. O Luís tinha conseguido um emprego de férias, eu também pretendia arranjar um, mas a minha mãe decidiu que eu seria o faz-tudo em casa pra ela, e de certa forma parece que eu só precisava de um uniforme de pinguim/mordomo pra coisa ficar extremamente ridícula, a Mari estava trabalhando com uma tia dela na praia, o que diga-se de passagem era sorte, afinal qualquer um quer ficar perto da praia lidando com bebidas no verão, o Rick foi com os pais pra conhecer um laboratório estranho de alguma coisa mega-tecnológica na Suíça, e as famílias do Jamal e da Júlia decidiram passar uma temporada nas praias de Moçambique e fazer um safari na África.