Quem é você?

6 Capítulo 6 - Duque, cadê você?


Mas o quê? De novo, é, agora vejo cortes que formam a palavra VIDA dessa vez no meu outro braço, vocês devem estar pensando que eu estou enlouquecendo, me rebelando, mas não, é apenas a dor de uma filha que não consegue ter forças para realizar os sonhos dos seus pais.

Novamente preciso da minha blusa comprida, minha melhor amiga, depois do Duque, the Duck é claro, de tanto que eu uso ela, devem estar pensando que eu só tenho uma roupa no armário, ou então que eu sou uma pessoa hipocondríaca.

Saio pela porta de casa sem mais pais perceberem, é de manhã e meu pai ainda está se arrumando para o serviço e minha mãe está preparando o café para ele. Escapada de mestre, eles nem me viram. Levei comigo minha câmera, queria tirar algumas fotos do Duque para postar nas minhas redes socais.

O ar aqui tem outro peso, me sinto livre, leve, queria viver aqui para sempre, ou quem sabe, acampar um dia? Seria legal!

Sentei no banco de sempre e procurei o Duque pela volta, mas não o achei. Me levantei e fui andar, ver se o encontrava em algum lugar, pode ser que ele tenha ido se alimentar. Ué? Andei por mais de meia hora e não achei meu amiguinho ainda, queria tanto conversar com ele e fazer um book dele.

Depois de andar mais algum tempo a atravessar o parque por duas vezes, avistei um dos guardas que fazem a segurança do parque, ele pode me dizer onde o Duque está!

— Olá, me desculpe incomodar o senhor, queria pedir permissão para tirar algumas fotos do lugar, é muito bonito.

— Sim, senhorita, fique a vontade, é realmente um lugar encantador!

— Bem, eu já tinha estado aqui a algum tempo atrás dando uma olhada na paisagem e me chamou muito a atenção um patinho que sempre andava por aqui, poderia me dizer se ele foi retirado, ou foi colocado em outro local?

— A sim, o patinho, bem, ele sempre ficava em um lago, porém, ao amanhecer, vimos que ele estava morto perto a um banco da praça, uma pena, ele era o mascote do parque.

O quê? O Duque morreu? Meu amiguinho pato morreu?

— Vocês tem alguma ideia de como ele morreu?

— Encontramos alguns ferimentos por arma de foto na cabeça e peito dele, deve ter sido algum caçados ou atirados.

— Que maldade sem tamanho, é uma pena.

— Sim senhorita, mais alguma coisa?

— Não, muito obrigado pela sua ajuda.

Me afastei e voltei para o banco, por que alguém faria uma crueldade sem tamanho com um bichinho tão indefeso? E eu nem tive tempo de tirar uma foto dele. Que merda. Queria chorar, mas estava no meio de um parque que estava lotado de gente, é claro que as pessoas notariam uma menina chorando e iam querer saber o porquê, mas eu não queria explicar nada para ninguém, então guardei as lágrimas para mim.

Depois de perambular pela cidade o dia inteiro, entrando e saindo de lojas, cheguei na minha "casa", era tarde, apenas peguei algo na geladeira e subi para o cafofo. Meu amiguinho, se eu soubesse que você iria ser morto de uma forma tão cruel, teria dado um jeito e trazido você para morar comigo.

Dessa vez, sozinha no meu cafofo, pude chorar a vontade, afinal, ninguém me perguntaria o motivo da minha tristeza. De novo, a dor invadindo meu peito, por que sofrer tanto? O que eu fiz para merecer isso? Se eu cometi algum pecado, me deixe saber, mas não me faça sofrer mais não, por favor...

Dezembro de 2014;

Tudo de novo...

Este ano fiz um novo vestibular, dessa vez para pedagogia, sonho da minha mãe, meu pai relutou no começo, mas aceitou. Não queria isso para mim, mas, para alegrar minha mãe, tentei mesmo assim. Agora é só esperar o resultado.

E as pessoas em minha volta continuavam a querer se meter na minha vida, isso irrita, me faz desejar que todos sumam, desapareçam e me deixem em paz. Eles me dizem o curso de pedagogia é ruim, que eu vou passar fome, que tenho que fazer outra coisa, bem, por esse lado eu concordo com eles, não quero ser professora, não levo jeito para cuidar de pirralhos.

Minha mãe diz que não, que eu tenho que fazer, depois se não gostar era só trocar o curso dentro da própria faculdade, como se isso fosse fácil e abrisse vagas á toda hora.

E então passaram-se as festas de Natal, Ano-novo, e as outras comemorações de final de ano, todo mundo reunido como uma família feliz, reunida, fachada, mentira, pelo resto do ano, vão um falar mal do outro, brigarem. Odeio falso moralismo, sempre odiei.

A única coisa boa na minha vida é o Gui, ele passou o natal comigo e com a minha família e eu passei o ano-novo com a dele, pelo menos um feriado não me estressou tanto, já que a família dele é super tranquila.

Durante a festa de ano-novo, uma tia dele chamou a atenção de todos.

— Guilherme, quando tu vai criar vergonha nessa tua cara e vai pedir a Vicky em casamento, eim?

— Em breve tia, estamos apenas esperando o momento certo, mas casados nós já estamos, não no papel, no coração, apesar de não morarmos juntos.

Dei muitas risadas nesse dia, a família do Gui é muito simpática e divertida, e se apoiam em tudo, uma verdadeira família perfeita. Queria que a minha fosse assim.

Estava deitada dormindo, quando me despertei, olhei para o lado, lá estava o Guilherme adormecido, fiz carinho nos cabelos dele, pedi desculpas por não ser a namorada perfeita.

Olhei para o meu braço e lá estavam as duas marcas, que ninguém ainda tinha visto graças a minha guerreira blusa de manga comprida. Tudo está tão intenso na minha vida, trabalho, faculdade, futura profissão, sonhos, Duque, Guilherme, pai, mãe, por que é tudo tão difícil?

— O que é isso no seu braço Victória? Você anda se machucando? Por que?

Não! Ele tinha acordado, ele tinha visto, não queria que isso acontecesse, não queria preocupar ninguém!