Regina é impactada e empurrada contra uma parede. Havia sentido um choque violento contra seu ombro, como se alguma coisa potente a tivesse atingido. Ela cai sentada, batendo as costas na parede.

— O que houve? – Ruby se aproxima correndo e a ajuda a sentar-se. – O que houve?

— Yose levou um tiro, agora! Eu senti o impacto!

Chloe bate palmas e vibra com a situação. Havia dado certo a sua experiência.

— Yes! Vocês têm conexão! Onde ele está?

Dois policiais que estavam na sala, também se avizinham para ajudar Regina a ficar em pé. Estranham o fato de uma mulher pequena, ser tão pesada. Mas não trocam questionamento.

— Ruby, convoque reforço! – Regina escapa daquelas mãos. – Eu sei onde Yose e Marcus estão! Chame reforço!

A Capitã corre na direção da porta, sendo seguida por Chloe. Olha por cima do ombro.

— Diga aos policiais para seguirem para a boate Falcões Noturnos! Enviem uma ambulância para lá! – ela aponta o dedo indicador para Akkinagbe. – O senhor vai ficar exatamente onde está! Coordene nossa operação daqui! Vamos apanhar armas de grosso calibre!

Quando Regina chega ao corredor, encontra-se abruptamente com o corpo de Taylor que também vinha correndo na direção oposta. Eles se abraçam, praticamente.

— Regina, este senhor sabe onde Marcus está! – ele aponta para um homem assustado que vinha logo atrás.

A policial encara o desconhecido com uma expressão de fúria, enquanto Chloe aprecia o cheiro do sangue agitado dentro dos corpos dos humanos ali.

— O que sabe?

— S-senhora...ele...me chamou para instalar um aquário gigante...- o homem grita. – Ele está na boate de Frank Mason, aquela que está nos n-noticiários!!

Regina agarra o homem pelo braço e o traz para perto.

— Quando foi isso?

— Há dois dias...eu a-acho... ele me ameaçou e me deu m-muito d-dinheiro... mas não pude f-ficar calado! – ele continua gritando.

Regina empurra o homem contra o corpo do policial Taylor.

— Cuide deste homem, Taylor! E depois vá para a boate! Quero esta testemunha, viva!

Disparando em carreira, Regina chega no ambiente daquele salão, onde ficava o nicho com as armas mais pesadas. Aquele arsenal era o orgulho de Kane.

Encontra Ruby distribuindo as armas para os policiais convocados.Ela apanha uma espingarda calibre doze e afasta-se, puxando Chloe pela gola do casaco. Iria precisar da força física e habilidades da garota, não se importando com o que os demais colegas iriam pensar sobre a presença dela na cena de batalha.

Não sabia o que Chloe provocava aos olhos dos humanos, mas algo lhe dizia que eles não a viam como criança. Não tinha tempo para investigar isso , agora.

Ruby fecha seu colete à prova de balas, ajeita duas pistolas nos coldres e vai apanhar a sua espingarda, quando é interpolada por um dos policiais que ficava responsável pelo atendimento ao público.

— O que está havendo?

— Vamos prender Marcus e salvar nosso Yose!

— E para prender um dos nossos policiais, precisam sair armados como se fosse guerrear com traficantes?

A morena prende os cabelos num rabo de cavalo e mantém os olhos atentos no colega. Que pergunta era aquela? Por que tanta indignação? Ele deveria estar feliz pela retirada de uma batata podre de dentro do saco!

— Como é?

— Marcus é um dos nossos policiais mais antigos e mais condecorados! Ele merece nosso respeito!

— Ele pode merecer o seu respeito. O meu não! – a morena fecha a carranca e deixa o colega para trás.

Antes de sair do Departamento, Ruby sente algo gritar dentro do seu peito. Ela para e olha por cima do ombro, flagrando o policial que a havia interpolado, indo para junto de uma coluna e começar a usar seu celular. O cara estava falando furtivamente com alguém.

— Não pode ser...esta mosca de varejeira é o informante de Marcus.

Sem hesitar, ela retorna para junto do cara e sem que ele percebesse, consegue ouvir algumas palavras dele ao telefone. De fato, estava avisando com urgência, para que Marcus saísse de onde estava porque a cavalaria estava a caminho.

— Ah, desgraçado! – ela golpeia as costas do policial e depois de derrubá-lo, o imobiliza contra o chão. – Alguém venha prender esse saco de merda! Ele é o nosso informante!

Duas policiais surgem apressadamente e obedecem a ordem recebida.

Somente depois de ver o traidor ser conduzido para fora dali, Ruby vibra e foge da visão de todos. Sua Capitã Regina a estava aguardando no campo de luta e não seria decepcionada.

Não muito longe dali...

Dolorido pelo novo espancamento sofrido, sangrando e lutando para manter a consciência, Yose tinha sido carregado nos ombros de Marcus, por alguns degraus de uma escada de alumínio, e atirado dentro do aquário gigante. Havia água pela metade do corpo do aquário.

Com o impacto contra a água fria, Yose tinha perdido parcialmente a capacidade de respirar. Debate-se e choca-se contra as paredes poderosas e de vidro grosso.

Lá dentro, um casal de lampreias-marinhas avança para o corpo do homem. O furo causado pelo projétil, a ferida da retirada do mamilo e os cortes feitos após os socos recebidos, inundam a água com o carmesim do sangue quente, atiçando a fome dos animais. Imediatamente, eles fincam seus dentes assustadores na carne de Yose e começam a sugar seu precioso líquido.

Tendo recebido o alerta confuso de seu informante e ouvido a confusão do outro lado da linha, Marcus fica ainda mais furioso, percebendo que não iria aproveitar os momentos frios de sua vingança.

Ajeita as câmeras para que captassem a agonia de Yose dentro da água. Depois, aumenta a luminosidade daquele ambiente do salão, que ficara o tempo todo na escuridão, para que o prisioneiro não visse o aquário. Agora, todos os seguidores iriam ver a morte de Yose, antes da chegada da polícia.

— Vamos testar o material deste belo aquário. – aciona o aumento de água no interior das paredes de vidro. Depois, sobe os degraus da escada e usa sua força para fechar a imensa tampa da prisão. – A primeira notícia boa é que a água não vai subir tão rápido e dará tempo para que lute um pouco mais pela sua vida. A segunda notícia é que há uma cânula que oxigenará a água para os peixes. Com sorte, você flutuará e usará o pouquíssimo oxigênio que sai dela, para manter mais alguns minutos. A terceira e má notícia, é que mandei instalar um sistema de boia, que impedirá a água de transbordar e tirar você daí de dentro.

Ele desce os degraus e para em seguida no meio da sala. Olha Yose por cima do ombro, de viés.

— Eu me esqueci. Você não pode me escutar aí dentro...então, acredito que não recebeu as informações para sua luta. Não posso assistir a sua derrocada, menino bonito. – Marcus acena em vão, porque Yose não estava em condições de perceber nada fora daquele aquário. – Boa sorte!

Lá fora, os carros da polícia vinham acelerados para a boate, abrindo espaço pelas ruas, com seus giroflex e sirenes ligados. Quem fosse esperto, deixaria aqueles carros livres para sua locomoção.

Em pouco tempo, toda a boate está cercada por carros e por um grupo de agentes da lei. Outro grupo, invade o imenso prédio para que todos os cômodos fossem vasculhados.

Regina é a primeira a entrar no prédio. Iria encontrar Yose e depois caçaria Marcus, mesmo que ele se escondesse nos Ínferos de Hades.

— Ouço. Ele está embaixo de nós. – Chloe fala e antes que usasse suas habilidades, é agarrada pelos cabelos e puxada para começar a correr.

Policiais se espalham pelos cômodos, enquanto mulher e menina velha se enveredam por andares mais baixos. Iriam para o porão e teriam de ser rápidas.

Regina estava ofegante e apavorada, pois sentia a agonia e o desespero de Yose em busca de oxigênio. As dores deles vinham como rápidos flashes ao seu corpo.

Quando a porta é aberta, um ambiente luxuoso e sofisticada exibe-se aos olhos das duas. Muito requinte e bom gosto, aliados a um pequeno arsenal de tecnologia para a exibição das imagens. Elas eram geradas naquele lugar, embora, o único fundo exibido pelos computadores era uma parede e a cama onde Yose dormia. Marcus não enviava imagens do cômodo, para evitar identificação.

Descendo as escadas com rapidez, Regina corre até junto do imenso aquário com águas já tingidas pelo sangue de Yose. Apanha sua espingarda e dispara várias vezes contra o vidro, desesperada por ver a água subindo e cobrindo a cabeça do amado.

— Isso não vai adiantar! – Chloe se aproxima da parede do aquário e desfere um violento soco contra a superfície.

Antes que Regina pudesse correr ou avisar a menina para proteger-se, uma imensidão de água explode na direção das duas, empurrando-as para um dos cantos da sala.

— Regina! – a voz de Ruby é ouvida no local.

Os disparos haviam atraído sua atenção e de outros colegas.

Sem responder ou preocupar-se com o que acontecia ao seu redor, Regina se agarra a Yose que estava caído no chão, tendo sido trazido pela água. Abraça-o e o coloca junto ao peito.

— Estou aqui! Fique tranquilo porque está salvo!

— R- Regina...olá...

Chloe enlouquece com o cheiro de sangue e com a visão daqueles peixes roliços, provavelmente, cheio do liquido precioso. Deveriam estar deliciosos! Ela segura o corpinho de um dos peixes e iria puxá-lo para arrancar da carne de Yose, quando ouve a voz sussurrante do homem.

— Regina...não deixe...que matem...os peixinhos...

A menina e a policial se entreolham, incrédulas.

— Vamos salvar todos vocês. – Regina se inclina e beija os cabelos molhados do amado.

Momentos depois, a ambulância levando Yose é escoltada por vários batedores da polícia local e por homens do Governador, avisados por Ruby antes de sua saída do Departamento.

— Quero que você e Taylor sigam com atrás da ambulância. Vou ficar um pouco mais com os outros policiais, para vasculharmos o prédio. Talvez Marcus tenha deixado alguma pista sobre seu local de fuga. – Regina esfrega uma mão contra a outra.

— Você está bem?

— Estou, Ruby. Mas não posso permitir que esses policiais ponham as mãos em Marcus, sem a minha presença. Eu sinto que esta noite, iremos prendê-lo e quero garantir a segurança dele.