Quebrei minha casca
33 Expostos
A tarde é intensa. Todas as formas de mídias noticiam a situação da juíza Anadette e sua ligação com o empresário Manson, seus benefícios e a liberação indiscriminada de habeas corpus para que carcerários pudessem sair para realização de trabalhos ilegais, ligados ao mercado do sexo. O nome Henrico Enos, Diretor do Presídio Estadual da capital também é citado como suspeito de participação numa quadrilha de tráfico humano, associado ao nome da juíza.
Manson não resiste à sua condução ao Distrito, quando dois carros sem logo da polícia chegam à sua boate. Colaborando, o empresário aceita ser levado para prestar depoimento, mas pede para não ser algemado. Akinnagbe, responsável pela prisão, atende ao pedido e decide preservar o homem daquele vexame, mas em respeito à sua simpatia pela juíza Anadette. Tudo acontece de maneira discreta e sem alardes.
Quando Yose chega à boate, uma hora depois da prisão de Manson, encontra o ambiente agitado, mas controlado. Tanto o gerente quanto Sergio haviam conseguido manter os ânimos acalmados, porque naquela tarde os dançarinos seriam levados à uma festa que aconteceria na mansão de um joalheiro, membro da lista perene da boate.
— Vamos continuar com o plano e cumprir o contrato. – Sergio se mostra tranquilo.
— Não sei se deveríamos, sem a presença de Mason ou de Vladimir. – sugere o gerente.
— Manson foi prestar depoimento e estará de volta até a noite. Devemos continuar com os compromissos. – o dançarino se volta para Yose. – Não concorda comigo?
Yose dá de ombros e não dispersa sua atenção a conversa.
— De que compromisso está falando?
— De uma festa na mansão azul. Temos de ir para dançar e alguns vão participar de atividades extras.
— Eu também devo ir? – Yose faz uma carinha inocente e derrete as defesas de Sergio.
— Todos nós devermos ir, meu bebê. Será um aprendizado e com toda essa confusão envolvendo nossa boate, poderá ser nossa última festa. Precisamos aproveitar a faturar bastante.
O policial sorri e concorda.
— E onde fica essa mansão?
— No lugar de sempre. – Sergio ignora propositalmente a pergunta, se afasta e começa a chamar pelos nomes dos outros dançarinos.
Com movimentos discretos e atitude disfarçada, Yose se afasta do grupo e procura um lugar seguro para comunicar-se com Regina. Escreve uma mensagem e a envia para precaver-se de algum percalço.
Neste mesmo momento, Regina se encontra no gabinete da Prefeita Cora, junto a Kane. Não iria abandoná-lo na decisão que ele havia honestamente tomado. Embora estivesse chocada com a descoberta, não o deixaria sozinho e queria acompanhar o desfecho da história.
Ao receber a mensagem telefônica, imediatamente, ela decide ler.
“ Gigia, vou a uma festa. Não sei onde é a mansão, mas deixo o localizador acionado. Encontre-me, porque estou apavorado!”
— Algum problema, policial? – a Prefeita pergunta ao ver a expressão no rosto da outra mulher.
— Não, senhora. Apenas preciso sair um pouco para dar um telefonema.
Momentos depois, no corredor fora do gabinete, Regina entra em contato com Akinnagbe.
“O que houve com Kane?”
— Está conversando com a Prefeita. Mas eu liguei porque preciso que localize Yose. Ele deixou o localizador do celular ligado e está a caminho da casa de um dos Vips. Entre em contato com ele e rastreie a ligação.
“Os caras foram chamados para depor, são suspeitos de assassinatos e ainda continuam agindo como se nada tivesse acontecido! ”
— Não sabem sobre nossas descobertas. Então, preciso que acompanhe Yose e quando descobrir o endereço da casa, envie reforços para as redondezas. Quando ele pedir ajuda, teremos de entrar.
“Já pensou na possibilidade de usarem a força e o drogarem?”
— Por isso preciso que rastreie com urgência. Passe-me o endereço e eu depois irei até lá, porque não levantarei suspeitas. Mas faça isso imediatamente! – ela altera o tom de voz.
“Acalme-se, Regina! Tudo ficará bem!” Akinnagbe desliga o celular e procura o número de Yose em seu aparelho.
Não percebe a aproximação de Marcus, que havia ouvido parte da conversa. Ele fica em pé ao lado da mesa e toma o outro policial de assalto.
— O que está acontecendo com Regina? Alguém fez algum mal a ela?
— Não houve nada com ela!
— Por que você pediu calma a ela? – Marcus grita. – Eu tenho de estar ao lado dela!!
Akinnagbe se levanta e espalma as mãos.
— Agora, eu peço calma para você, cara! Ela está bem! E está no gabinete da Prefeita com Kane! Estávamos conversando sobre Yose e do pedido de reforço que ele fez!
O homem grande abaixa a cabeça e apoia a mão sobre a mesa. Ofega por alguns segundos.
— Isso me assustou... – ele levanta o rosto. – Tem certeza de que ela está bem?
— Está. Agora, preciso enviar reforço para a proteção de Yose.
— Onde ele está? Eu poderei dar respaldo com alguns colegas.
O policial mais jovem balança a mão e consegue completar a ligação com Yose. Conversa rapidamente com o policial e imediatamente aciona seu computador para divulgar a localização dele. Observa o mapa e comemora ao observar a movimentação do homem.
— Aqui está você, menino!
— Deixe-me dar o apoio logístico para ele. Posso chamar alguns rapazes e ficaremos apostos.
Akinnagbe sorri, mas seu coração não conseguia confiar naquele policial. Marcus tinha comportamento dúbio e inconstante e isso impedia que a segurança fosse despertada em quem precisasse de ajuda. Era um homem amedrontador e intimidador.
Antes que ele pudesse solicitar ajuda a alguma unidade policial que estivesse por perto do endereço nas redondezas onde estava Yose, recebe um golpe muito violento e vai estabacar-se no chão. O impacto é tão forte, que a cabeça do homem bate duas vezes contra o chão e ele desmaia.
Para garantir o sucesso de sua maldade, Marcus ainda desfere um chute contra a cabeça do homem caído. Ele sai da sala e encosta a porta, para que Akinnagbe não fosse visto caído ali.
Dirige-se para a sala de interrogatório e fica do outro lado da parede de vidro, observando Ruby conversando com Manson. Mostra-se tão sereno que sequer desperta desconfiança.
— A escolha é sua, Sr. Mason. – a policial é gentil. – O senhor poderá assumir sozinho o crime ou poderá nomear as pessoas que participaram da morte do dançarino no vídeo.
— Eu sou apenas uma peça nessa engrenagem, minha querida. Minha responsabilidade era receber os dançarinos e treiná-los para as apresentações. Minha irmã os libertava das prisões, enquanto o Diretor do presídio estadual os selecionava dentro do sistema.
— E o senhor quer assumir tudo sozinho?
Manson fica em silêncio por alguns segundos.
— Aquilo foi um acidente horrível. O coração do rapaz não suportou o impacto das dores.
— O que fizeram com o corpo?
— Vladimir e eu o levamos de volta ao presídio. Lá, criaram um cenário e afirmaram que ele morreu devido a uma briga de gangue. Ninguém reivindicou o corpo...
— E onde está o cinegrafista que fez o vídeo? – Ruby usa um tom de voz suave.
— Ele nunca mais foi visto depois desta festa.
— Podemos afirmar que Radu estava usando o vídeo para chantagear a conseguir o investimento para a boate que ele queria inaugurar?
Mason concorda com a cabeça. Espreme os lábios e inclina rapidamente a cabeça para o lado.
— Ele e os outros dançarinos. Meu sócio decidiu colocar um ponto final nisso e os matou. Mas Radu foi rápido demais e fugiu dos perseguidores.
Ruby levanta as sobrancelhas e fica espantada com a frieza do empresário.
— E por que criar uma cena?
— Para desviar a atenção. Recebemos a orientação de alguém que lida com mortes diariamente e todos os interessados aceitaram que criássemos o cenário. Vladimir os seduzia para jantares e os drogava. Depois, o Limpador criava o cenário e injetava ar nas veias deles. Os médicos faziam a sutura para impressionar ainda mais.
— E por que o desenho da montanha japonesa?
— Foi ideia do Limpador que conhecia alguém que viveu no oriente. Ele criou a história para que as investigações ficassem mais complicadas e pudessem demorar o máximo possível dentro dos trâmites legais. O objetivo era esticar ao máximo para que tudo fosse arquivado.
— Precisamos de nomes, Sr. Manson.
O empresário sorri e fica ainda mais feio.
— Darei os nomes e confirmarei as presenças no dia daquela festa. Direi as funções de cada um da família, mas quero benefícios para minha irmã. Além disso, quero ser escoltado ainda hoje para uma cela fora desta delegacia ou não terão o final do depoimento por forças maiores. Quero ir para uma carceragem mais segura. Eu sei que aqui serei morto. Providencie o acordo com meus advogados.
Ruby olha para o advogado do empresário e concorda com um movimento de cabeça. Na ausência de Regina, ela e os outros membros da equipe tinham autonomia para tomar decisões e é o que a policial faz.
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