Horas mais tarde, Regina e Kane chegam ao gabinete da Prefeita e são recebidos pela secretária da política. Levados até outro escritório, ficam aguardando o momento de serem atendidos.

— O que há com você? Parece triste. – Kane toca o braço da pupila.

— Estou muito magoada.

— Foi Marcus? Você precisa pôr um ponto final nos comentários dele...

— Desta vez Marcus é inocente. É que eu fui seguir um conselho de Ruby e tomei a iniciativa de convidar um colega para um happy hours. Ele não apenas recusou o convite, como fez comentários pejorativos sobre mim e eu os ouvi. Estou envergonhada.

— Dê um tiro nos testículos dele.

Os dois começam a rir e somente param quando a Prefeita entra na sala. A política sorria, mas ela desfaz o sorriso ao ver Regina, como se estivesse diante de alguma figura surreal.

— Olá, Kane, meu querido! – ela beija o rosto do homem e depois estende a mão para Regina. – Olá, querida!

— Esta é a minha policial Regina Mills.

— Olá, Prefeita Cora!

A mulher mais velha não consegue esconder seu choque com a falta de vaidade de jovem. Uma mulher com belos traços, escondidos atrás de tanta simplicidade e desleixo! Aquela mulher nas mãos de profissionais da beleza, estaria disputada pelas mais poderosas capas de revistas do país e de fora dele!

— Sentem-se, por favor. – Cora se acomoda numa poltrona. É direta no assunto. – Estou muito preocupada com os crimes contra os dançarinos e a imprensa já nomeou o assassino, chamando-o de Maníaco da Boate. Como estão as investigações?

— Não avançaram em nada. Temos pouco contingente de pessoal e muitos outros casos. Confesso que este está parado.

— Mas não quero que continue parado, Kane. Estou sendo pressionada pela imprensa, pelos meus adversários políticos e as pessoas querem respostas. Além disso, as frequentadoras da boate são pessoas empresárias, políticas, artistas e influentes. Sabe que são essas pessoas quem financiam as campanhas e vou passar toda essa cobrança para o meu Chefe de Polícia.

— As eleições. – complementa Kane movimentando a cabeça. Espreme os lábios.

— Exatamente! As eleições e as contribuições para elas. – Cora exibe um sorriso discreto e lança um olhar nada discreto para Regina. – Peço que você crie uma força tarefa para estudar esses casos. Precisaremos dar algumas informações para a sociedade e para a imprensa. Mesmo que não descubram o autor, que arquivem o caso, quero que demonstrem boa vontade em investigar.

— A equipe do Chefe Colby entrou no caso...

— Eu o quero fora disso! Quero pessoas sensíveis nisso, Kane. Estamos falando dos dançarinos da boate Falcões Noturnos! São profissionais gabaritados e não apenas curiosos que rebolam! Não são viciados que dançam para comprar drogas!

— E por terem “tantos predicados” merecem mais atenção do que os jovens que estão se perdendo em drogas, nas periferias?

Cora se irrita com a pergunta.

— Jovens de periferia que usam drogas não financiam campanhas milionárias de políticos! Kane, estou falando que há um palhaço que matou três desses dançarinos e está rindo de todos nós! E pelo que sei, é alguém conhecido dos dançarinos! Enviarei alguma verba para financiar essa investigação e conversarei com alguns juízes para que facilitem emissões de mandatos de prisão ou de qualquer natureza! Mas quero algum avanço para ser apresentado em coletivas com a imprensa!

Já dentro do carro, Kane se mostra incomodado com a nova orientação dada pela Prefeita Cora.

— Ela está priorizando as eleições em detrimento à vida humanas. Deixou bem claro como ela distribui os pesos em sua balança.

— Ela não está errada, Kane. Jovens dançarinos ou jovens analfabetos de periferia, ambos estão em situação de risco. Ela apenas priorizou o caso, porque a imprensa está em cima. Sugiro que divida os casos entre todos os policiais, para que nenhum seja negligenciado, peça ajuda a algum outro chefe da cidade, para investigarmos estes homicídios brutais. Poderíamos unir forças com quem já investigou casos semelhantes.