Quebranto.

58 Cara ou Coroa.


Notas iniciais
É, esse veio na velocidade da luz! Na verdade, é como se esse e o anterior fossem duas partes de um todo, então foi bem fácil escrevê-los juntos. Espero que gostem! Boa leitura!

Fernanda.

Dava pra sentir o peso na minha coluna, a cada movimento. Era uma dorzinha incômoda, mas ao mesmo tempo, gratificante. Meus filhos estavam ali, estavam comigo. Era engraçado caminhar sem ver os próprios pés, e em cinco semanas, muita coisa havia mudado. Meus cabelos estavam mais vermelhos, quando eu me olhava no espelho. Eu me sentia bonita, e toda aquela situação da gravidez havia feito com que eu e Gabriel nos aproximássemos muito. Ele cuidava de mim, mesmo quando eu precisa pegar algo. Ele não deixava que eu me movesse, que eu me cansasse. E estava sendo muito compreensivo com relação àquilo tudo. Em nenhum momento, ele mencionara o fato de eu estar grávida de outro homem. E nem as circunstâncias nas quais aquilo havia acontecido. E eu sabia que já haviam contado a ele. Era o tipo de assunto que nunca me deixava confortável. E que me fizera hesitar muito, antes de aceitar que poderia haver algo entre mim e ele. Tânia também estava sendo especial, mas eu sabia que ela vinha me escondendo algo. Era complicado que eu soubesse que ia morrer no parto, mas a cara que ela sempre fazia ao me examinar era excruciante. Nunca foi fácil pra mim que as pessoas me olhassem com pena, o tempo inteiro. Não era algo bom. Mas parecia que eu não podia me livrar desse estigma, e a cada vez em que eu começava ser independente, algo me puxava de volta. E ainda tinha a asma. Faziam meses desde minha última crise, mas com os bebês, eu me sentia cansada com a respiração fraca o tempo inteiro. Era como quando eu nadava numa piscina durante horas, na natação. Depois, cada respiração me trazia uma dor desagradável ao respirar fundo. Uma coisinha nada legal. Ah, e tinham as pernas. Inchadas e doloridas. Certamente, era difícil de entender que Gabriel quisesse algo comigo naquele estado. Mas ele queria. E, bem, não era como se eu estivesse me negando. Havia algo intenso em fazer amor durante a gravidez. Era como se eu estivesse pronta o tempo inteiro. Até o menor estímulo era capaz de me incendiar. E isso era algo novo pra mim, que nunca fui uma grande amante.

– Pessoal, agora que todo mundo já comeu, eu queria falar algo com vocês. — pediu Victoria, sentada num dos sofás ao lado de Carolina e Jonas. Dante tinha parado de tocar há pouco, e estava comendo. Eu me sentia mais calma com a música. Era até mais fácil respirar. — Então, eu estava mexendo numas coisas, e encontrei a chave de um barco. Lembram? A que encontramos com os motoqueiros que nos atacaram ano passado. — todos concordamos. Aqueles de nós que não tinham visto os homens, apenas observaram. — Então, eu e Carol concordamos que seria uma boa ideia montarmos um plano pra chegar no Porto da Barra, e tentar achar o Princesa Sônia. Se... Ele estiver mesmo lá. Alguém sugere algo?

– Posso ver a chave? — pediu Cecília, se levantando. Todos os olhares se voltaram pra ela. — Bem, vocês entenderam. — ela riu, desculpando-se. Era fácil esquecer que ela era cega. Victoria entregou a chave na mão dela, incerta. A garota fechou a palma em volta do objeto, e virou seu rosto para o teto, refletindo. — Vamos encontrar esse barco no porto. O Princesa Sônia está lá. — ela abriu seus olhos enevoados, e estendeu o objeto na direção de Victoria. — É bom usar meu dom por vontade própria, pra variar. Topázio teria me obrigado a ver se onde o barco estava. Eu diria, é claro, depois de ferida e drogada. Podemos pensar num plano, no entanto. Ele está lá.

– Isso sim é GPS. — riu Carolina. Notei que estava rindo também, impressionada. Pelo visto, não era só sobre pessoas que Cecília via. Além de prever a minha morte com um presságio sinistro, ela podia sentir coisas boas também. Menos mal.

– Vamos pensar em algo. — concordou Ricardo. — Mas temos que pensar em Nanda, também. Ela está perto de ganhar os bebês. Um mês, no máximo.

– Menos que isso. — acrescentou Tânia, pesarosa. — Ela não vai suportar uma viagem como a que pretendemos fazer. E se as crianças nascerem prematuras, a coisa fica pior ainda.

– Temos que esperar os bebês. — disse Gabriel, alarmado. — Vamos esperar.

– Por mim tudo bem. — concordou Victoria. — Assim temos mais tempo ainda pra pensar.

Depois que todos se dispersaram, acabei sendo levada de volta pro meu quarto, por um Gabriel calado. Eu me sentia constantemente confusa, imaginando no que ele estaria pensando. Quase sempre na minha morte, imaginei. Era melhor que eu não soubesse de nada daquilo. Sentei na minha cama sentindo a barriga pesando sobre minhas costas. Estranhamente, eu podia sentir meus filhos se movendo contra mim, mas não tinha certeza sobre onde cada um deles estariam. Ainda não estavam se mexendo, mas eu os sentia. Mesmo que não faça o menor sentido o que estou dizendo. Gabriel começou a se despir, e senti a chama do desejo arder enquanto eu o observava. O que era totalmente esquisito, porque era ele quem vinha até mim, todas as vezes. Mas... E se? Eu não teria muito mais tempo, mesmo... Levantei-me com um pouco de dificuldade, e Gabriel parou com a calça de algodão preta que estava vestindo na cintura. Ele ficou me observando, enquanto eu caminhava em sua direção totalmente pesada. Meus cabelos se desprenderam do coque improvisado que eu fizera, e caíram por cima da jaqueta jeans que eu estava vestindo, com uma bata branca e uma calça cinza de poliéster.

– Hey, cuidado aí mamãe... — ele riu, amparando-me pelo braço. Sua calça caiu e ele se livrou dela, com os pés. — Viu algo que gostou?

– Eu e meus hormônios vimos. — corrigi, rindo. Ele concordou com um gesto, dando uma risadinha. — Aposto que os bebês não se importariam de sentir o nosso amor irradiando ao redor deles. É um pensamento bonito de se ter, não?

– É um pensamento lindo. — ele se aproximou, e me abraçou pela cintura, colando minha barriga enorme na dele. — Eles são meus filhos, sabia?

– É claro que são. O passado não importa. E você vai ser tudo que eles terão. — afirmei, tocando o rosto liso de Biel com minha mão gelada. — Preciso que os proteja pra mim, com os outros.

– Sempre. Mas você vai estar comigo. Cecília não é Deus. — ele disse, mencionando Deus pela primeir vez, desde que havíamos nos conhecido. Ele sabia da minha fé, mas nunca havia mencionado a sua. Toquei meu crucifixo por reflexo, sentindo as pequenas flores rasparem nos meus dedos.

– Se vier alguma menina, dê meu crucifixo a ela. — eu sorri, imaginando que estava acabando com o meu próprio clima. — Mas eu realmente não queria falar disso agora... Estou pensando em outras coisas...

– Bem, dona Fernanda, não vamos te deixar esperando... — ele tirou a jaqueta dos meus ombros, e beijou minha nuca, tirando os cabelos da frente. Virando-me de costas pra ele, permiti que me abraçasse por trás, enquanto eu desamarrava os cadarços da bata, em meus ombros. Gabriel pousou as mãos em cima de minha barriga, e deslizou acariciando-a. Então aconteceu. Como um solavanco, uma pancada de dentro pra fora. O pé de um dos bebês. Se movendo, dentro de mim. — Viu isso?! Um deles me sentiu! — ele exclamou, todo orgulhoso. Com um sorriso de orelha à orelha, ele me virou de frente para que nossos lábios pudessem se tocar.

Gabriel era o pai dos meus filhos. Eles o haviam escolhido, movendo-se para responder a ele. Um simples gesto, um pequeno chute. Mas com tantos significados que tornam quase impossível uma descrição fiel. Mas acredito que no fundo, todo ser humano saiba o que é isso. Amar tanto alguém, que você se torna o segundo plano, a auxiliar atrás da cortina de um espetáculo glorioso. Ninguém, jamais, verá o autor de um verso. Mas sua obra viverá pra sempre, tocando os corações de muitas vidas. Isso é ter um filho. É saber que uma extensão sua viverá pra sempre, que será amado e que amará também. Mas ninguém o amará tanto quanto você. Porque ele é seu. Concentrada nos toques e na presença de Gabriel, permiti que a luz do meu amor afastasse as sombras de um futuro obscuro. Todos morreriam, um dia. Eu não devia fazer tanto drama. Pouquíssimas pessoas passavam por este mundo, tendo a chance de vivenciar as emoções que eu tivera, em primeira mão. Se esse era o preço a pagar, então que fosse...

Manuela.

Quando Tânia terminou de limpar meu ferimento com um pouquinho de água doce e algodão, senti meu dedo arder como se ele ainda estivesse ali. Membro fantasma. Eu lembrava de ter ouvido algo sobre isso uma vez... Com um toque gentil, a enfermeira então derramou um pouco de uísque sobre os pontos que ela mesma improvisara. Mordi a língua pra não gritar, mas as lágrimas escorreram. Ela parecia extremamente sentida por mim, embora não houvesse nada que pudesse fazer. Realmente, eu fora estúpida o bastante para ficar parada durante uma fuga, e estava pagando o preço. A perda de Mirla era chocante, era como um demônio no meu peito, uma dor bem pior que a da minha mão. Era horrível olhar no espelho, e ver o rosto dela. Era horrível não ser completa, não ser mais eu. Aliado a tudo isso, havia a maldade e as mentiras de Topázio. Eu não fora capaz de ver nenhuma de suas nuances ruins, e havia convivido com ela durante mais de um ano, antes dos outros chegarem. Ela era sempre tão boa, tão solícita. Uma pessoa que parecia cuidar de nós, nos amar. Eu devia imaginar que assim eram os melhores mentirosos. Os que viviam e acreditavam na própria mentira. Tensa, senti uma onde de torpor me dominar, quando finalmente Tânia começou a enrolar a tala de volta em minha mão. Sorri pra ela em agradecimento, enquanto o suor escorria da minha testa. Aquela mulher sim era boa, eu devia entender a diferença. Mas, bem, essa nunca havia sido minha especialidade. Suponho que a vida que eu levava antes de tudo, tenha muito a ver com a maneira fácil com que Topázio me enrolou. Eu e Mirla éramos donas de um salão de beleza em Cabo Frio, e o gerenciávamos durante o dia. Mas à noite, nos apresentávamos pela WebCam, como strippers virtuais. O dinheiro era fácil, e nós tínhamos muitos clientes. Fazíamos parte de um site onde centenas de mulheres como nós se apresentavam. Nosso diferencial, era que éramos gêmeas, então nosso show valia por dois, pelo preço de um. Compensávamos no volume, porque muitos caras pagavam pra nos assistir ao mesmo tempo. Principalmente quando interagíamos, uma com a outra. Mas não, a gente não fazia sexo nem nada. Credo. Eram coisas sutis, como uma se vestir de diabinha, e outra de anjo. Bem, nos virávamos como podíamos.

– Pronto meu bem. Você deve dormir o mais rápido possível. O sono ajuda o corpo a se recuperar de traumas como esse. E, bem, você não sente dor dormindo. — disse Tânia, sorrindo. Ela beijou minha testa, e se virou para Lavínia, que dividia o quarto comigo. — A senhora também. Descanse, hein. — ela saiu e nos deixou ali, enquanto olhávamos uma pra outra.

– Eu gosto dela. — eu disse, rindo. — só a minha mãe me beijava desse jeito.

– Ela é meio mãe de todo mundo, né. Carol me falou que os filhos dela foram mortos. A Diana tinha perdido uma filha também. Ela virou inumana, e depois foi deixada pelos pais pra morrer. — aquilo fazia sentido. Vai ver era por isso que Tânia era tão apegada à Diana. Elas tinham muito em comum. Era fácil de entender o motivo para ela ter ficado tão abatida, ultimamente.

– Você anda conversando muito com a Carol. Vou sentir ciúmes. — provoquei, rindo. — Sabia que o Dimitri estava espionando a mim e à Victoria no banho, hoje?

– Pra mim ele sempre foi safado assim. Só estava mudado porque a Topázio tinha ele na coleira, como a nós. — ela riu. — Você, sua irmã, a Thaís e a Topázio estavam trabalhando pra ele e os amigos, quando tudo começou, né? — ela perguntou, pela centésima vez.

– Sim. Eu já te contei a história. Eu fiquei com o Dimitri, a Topázio com o Alexandre, e as meninas com dois carinhas que não estão mais vivos há muito tempo. — acomodei-me na cama, lembrando da cara de Lavínia no jantar, olhando pro Dante enquanto ele tocava. — Você não está afim do Dante não, né?

– Não... Só um pouco. Por que? — bufei. — Ah não! Você também acha que ele é gay?

– Hétero é que não é. — respondi, rindo. — Vai dormir Lavínia, é o melhor que você faz. — ela concordou, mas eu tenho certeza de que ainda estava inquieta.

Sem muito mais o que dizer a ela, apenas fechei os olhos esperando que o sono viesse, e diminuísse aquela insuportável ardência no dedo que eu não tinha mais...

Hugo.

As coisas estavam começando a se agitar, de novo. Rico estava sentado no banco do jardim, e enquanto o céu estrelado brilhava acima de nós, fazíamos uma pequena reunião sobre a chave que Victoria encontrara. Então, estávamos ali basicamente Victoria, Ricardo, Otávio, Cecília, Sabrina, Ana e eu. Os outros ou estavam dormindo, ou chegando perto disso. Eu me sentara o chão da área cheia de grama, com Ana e Victoria ao meu lado. Diogo segurava uma lanterna do lado de Rico, enquanto Otávio tinha uma vela ardendo presa à uma xícara lascada. Estava bem frio, comparado ao clima que tínhamos presenciado até duas semanas atrás, quando o vento gelado que vinha do mar nos obrigara a procurar roupas mais pesadas e alguns agasalhos. Eu não me importava com a chuva. Era o frio seco que me deixava deprimido. Não que o calor fosse muito melhor, na verdade.

– Vamos precisar de alguns medicamentos que não temos aqui. — começou Rico. Aquilo me surpreendeu. Não tínhamos praticamente nenhum medicamento ali. Só os poucos comprimidos pra dor que havíamos encontrado pra Manuela. — Remédios para hipertensão. Atenolol, Captopril. Qualquer um. Tânia me disse que Nanda vai precisar.

– Ela está hipertensa por causa da gravidez? — gemeu Victoria, nervosa. — Ok, temos que tentar achar uma bombinha de ar, também. As que ela tinha acabaram há meses.

– Vamos dar um jeito. — concordou Rico. — Fora isso, temos o problema de água, também. Logo vamos precisar reabastecer os galões com água do mar, e conseguir alguma água mineral também.

– Isso sim está cada vez mais difícil. — acrescentou Ana. — Deixem-me ajudar na próxima busca. Sou boa pra encontrar lojas que ainda não foram saqueadas. — ela sorriu, querendo ser útil. Eu não resistir em fazer uma comparação à um tempo atrás, quando ela mal estava falando. Eu realmente preferia a Ana ali na minha frente.

– Eu também quero ajudar. — ofereceu-se Sabrina, sem olhar na direção de Ana. Mas era óbvio que ela estava se oferendo para ficar perto dela. — Sou a melhor atiradora do grupo.

– Perfeito. Então, vamos eu, Ana e Sabrina. Mais alguém? — Ricardo perguntou. Eu odiava que ele se colocasse no meio de tudo, sempre. Nem era tão bom em correr como os outros. Mas desde que havíamos encontrado a pousada, ele estava mais insuportável que nunca com essas saídas. Diogo ergueu o braço (como todo mundo sabia que ele faria), e Rico fechou o grupo. Gemi de leve enquanto voltávamos em marcha para dentro. Aquele frio me fazia ter vontade de afundar nas cobertas e nunca mais sair.

– Ana, posso falar com você um instante? — Sabrina perguntou, tocando Ana no braço. A expressão no rosto dela poderia ter feito o coração de um passarinho gelar. Sá a largou, e Ana seguiu em frente, inabalável.

Sabrina olhou pro céu e fechou os olhos com força. Ela não ia chorar perto de nós. Ela virou-se de costas pro grupo e se enfiou no meio do mato, nos jardins. Devo admitir que sentia pena dela. A Ana era muito dura quando tomava uma decisão definitiva, e todos sabíamos disso. Além do mais, Sabrina dera um passo em falso, se achava que protegendo-a estaria contando pontos à seu favor. Não iria. Ana queria justamente provar que era independente. Não toleraria mais as interferências possessivas de Sabrina. Sobressaltei-me quando a mão de Rico tocou a minha. Ele estava me puxando pra dentro, no fluxo. Mas eu sabia que tinha algo a fazer, por um membro do grupo. E, se Sabrina estaria lá fora podendo ser a maior defesa da pessoa que eu mais amava, então eu faria o possível para que ela estivesse em condições de agir da forma certa.

– Por que você não vai na frente, Rico? — sugeri. — Eu vou ver a Sabrina. — Ricardo olhou na direção em que ela havia ido. Estava um pouco escuro, e cheio de locais em que nenhum de nós havia estado, ainda.

– Certeza disso? — ele indagou, fazendo uma careta entre a hesitação e a chatice. Franzi a testa em sua direção.

– Vai começar? Viu como a Sabrina terminou? Sozinha no mato. — ameacei, rindo. Ele levantou os braços em rendição, mas puxou a faca que levava em sua cintura.

– É precaução. Não obsessão. — ri enquanto aceitava a faca, e dei um beliscão na barriga dele, empurrando-o pra trás. Fui atrás de Sabrina o mais rápido que pude, enfiando-me naquele jardim escuro.

– Sabrina? — chamei, enquanto continuava a andar. Tropecei numa pedra, e acabei caindo por cima de um arbusto. Desmantelando o pobre coitado, acabei me atrapalhando e despencando na grama úmida de orvalho. Sabrina estava parada há alguns metros, a arma engatilhada apontando na minha direção.

– Que susto, Hugo! Parecia um zumbi caindo. — ela travou a arma, e sentou-se no banquinho onde estava antes. — Tudo ok?

– Tudo ótimo. — respondi, limpando as mãos sujas de terra no meu casaco. — Nem vou perguntar de você. Quer falar sobre o que houve?

– Sobre o quê? O modo como eu sou possessiva, controladora e sufocante? — fiz que sim com a cabeça. — Ok. Não sei o que acontece comigo, de verdade.

– Talvez você ainda goste dela, e a ideia de ela sair numa busca sozinha te deixe possessa? Isso é normal. Agora, você está agindo da maneira errada se quer ter alguma chance. — opinei, e ela concordou, esfregando as mãos no rosto. Ela era muito bonita. E isso me fez ter uma ideia. — Por que não tenta dar em cima de outra pessoa? Do Dante, por exemplo?

– Eca. — ela disse, com uma careca engraçada. — Ele é gay tapado, tá te olhando direto. — eu abri a boca, escandalizado. — É, isso aí. Cuidado pro Ricardo não socar ele, também. Mas, acho que seu plano pode funcionar. A Lavínia, por exemplo. Ou a Manuela.

– Lavínia está recebendo conselhos amorosos da Carol. — avisei. — Cuidado.

– Ela não é minha primeira opção. — Sabrina riu. — Valeu por ter vindo, Hugo. Significa muito.

Juntos, voltamos pra pousada. Eu pude sentir o humor de Sabrina renovado, e foi como vê-la novamente no Trocado. Engraçada, descontraída e muito sarcástica. Eu estava gostando do modo como aquele lugar estava trazendo a todos de volta às origens, ao que eram. Parecia como se as coisas estivessem ficando aos poucos, onde deveriam estar. Como um oásis no deserto. Havíamos brincado com a sorte por tempo demais, como num cara ou coroa ininterrupto. Estava na hora de termos bases mais sólidas, todos nós. Eu havia começado com os gêmeos, mas acho que havia muito mais trabalho a fazer por ali, até que todos estivéssemos bem, de verdade.

Notas finais
Ahh, nem sei o que dizer aqui, rs. Vai ver é porque postei esse capítulo rápido demais. Ok, deixa eu ver... Alguém curioso com o que vai rolar no próximo? Comentem, povo! E Mare, vou responder seu review, viu? Não precisa rastrear o meu IP e baixar aqui em casa! kkkk Bjão povo! Kisses by DroppingPieces!