Notas iniciais
Desculpem a demora, realmente esta semana foi uma correria e eu não tive tempo.

Assim que a aula terminou eu comprei um sanduiche natural e um suco de fruta, afinal já tinha estourado minha cota de bobagens da semana. Chamei um taxi e fui direto para a favela. Assim que cheguei lá me dei conta de que ainda não tinha aprendido e caminho. Ótimo, agora teria que pedir pra me ensinarem.

–Boa tarde!

–A tarde acabou de ficar boa agora princesa- não tinha vista esse homem aqui ainda, ele me deu medo.

–Eu sou a Laura, da ONG, vocês poderiam, por favor, me ensinar o caminho para que eu pudesse ir arrumar as coisas lá.

–Deixa que eu te levo princesa.

–Não quero incomodar.

Ele começou a se aproximar de mim, agora sim eu estava morrendo de medo.

–Eu te levo ate pro inferno se você quiser princesa.

–Que palhaçada é essa aqui Neguim, você tá ficando louco, o chefe já não avisou que não quer ninguém nem dirigindo o olhar pras meninas da ONG.

–Qual é Zé, a gente pode dividi, e o chefe nem vai ficar sabendo.

–Saia daqui agora Neguim, antes que eu chame o Leco e ele te mate aqui mesmo.

Ele saiu meio contrariado.

–Obrigada.

–Eu só estou cumprindo ordens moça.

Tudo bem então senhor mal humor.

–Você poderia me ensinar o caminho da ONG.

–Eu te acompanho até lá.

–Não precisa.

–Você realmente acha que eu quero te levar lá, mas é claro que não, eu não sou babá. Se eu vou te levar lá é porque me deram ordens pra levar a princesinha até lá.

Eu já estava morrendo de raiva. O que eu tinha feito pra receber todo aquele mal humor.

–O que foi que eu te fiz, hein? Deve ter sido algo muito grave pra receber tanta ignorância.

–Nem todo mundo aqui no morro é como o Leco, que aguenta os chiliques de patricinhas nojentas. Por isso abaixa tua bola ou tu vai achar alguém pra quebrar a tua cara. O Leco não vai de proteger para sempre, ele logo vai se cansar de tu e ai vai ter uma fila pra te matar.

Eu não tinha feito nada pra receber tanta raiva. Ele começou a andar e eu fui ao seu lado de cabeça baixa. Estava me sentindo totalmente humilhada e desprezada.

Cheguei na ONG e fui logo entrando, sem nem olhar pra trás pra ver o que o tal do Zé fez. E aquilo estava um cals. A Camila veio logo em minha direção.

–Ainda bem que a princesinha chegou porque tem muito trabalho a ser feito.

–Então vamos começar logo.

A Jamile me cumprimentou e fomos ao trabalho. Como já se era de esperar a Camila só ficou colocando ordem enquanto eu e a Jamile trabalhávamos.

Fiquei pensando em tudo que o Zé me disse e pensei em não voltar mais naquela favela.

Mas não faria isso, nunca. Eu estava amando tudo isso. E estava feliz em poder da outra escolha a essas crianças sem ser o crime. Eu podia proporcionar um futuro melhor a cada um deles. E além do mais, eu tinha outra coisa que me prendia naquele lugar, só não sabia muito bem o que era.

P.O. V de Leco:

Mandei o Zé ficar de olho na Laura.

Conversei com o Agulha e ele me disse que não foi ele que perseguiu as meninas. Ele tinha parado pra tomar pinga e quando saiu elas não estavam mais na ONG. O bar do Bago todo confirmou a historia dele.

Então quem foi que teve a ousadia de ir atrás delas quando eu disse que era proibido?

Só podia ser gente de fora porque aqui não tem ninguém louco o bastante para cometer a loucura de ir contra a minha ordem.

Seja lá quem foi já está com a morte decretada.

Estava na sala esperando a ligação de um fornecedor quando a Fafá foi entrando. Eu vou ter que tomar a copia da chave da mão dessa garota.

–O que tu quer aqui diabo? Não vê que eu tô ocupado?

–Não está na cara, eu quero você.

Ela veio e sentou no meu colo e começou a me beijar. A empurrei e ela caiu no chão com tudo.

–Ai amor.

–Cala a porra da boca Fafá, sua voz me dar ânsia de vomito. Você se esqueceu de como as coisas funcionam. Eu escolho quem eu quero, na hora em que eu quero e como eu quero. Você não tem chance de escolha sua vagabunda.

O simples fato de ela achar que mandava em mim me deu raiva. Comecei a socar a cara dela.

–Vamo Fatima, grita, pedi por socorro, chora...

Ela chorava muito e eu ria. Aquilo me deixa louco.

Quando cansei de bater nela tomei minha decisão.

–Fafá tira sua roupa.

–Pra que Leco?- ela disse entre lagrimas.

–Você não veio aqui com um objetivo, agora eu decido que quero lhe usar. — Comecei a me despi.