Quase Um Playboy

1 Natal é o c4ralho!


Notas iniciais
Heeeeeeeey!

Se tu tá lendo isso, quer dizer que se interessou pelo Pedrinho, né? Ou tu é do Team Pedro em SDP?

Pra quem não entendeu essa porra toda de SDP e pá é o seguinte:

Pedro Gonzales é um personagem da fiction Sex, Drugs and Problems, que eu escrevo há um bom tempo e já tá na quarta temporada!

Mas enfim, boa leitura!

Gif do capítulo: http://data.whicdn.com/images/42767710/tumblr_mct4wjZhEi1ribzt0o1_500_large.gif



As pessoas sempre dizem que seus problemas são piores que os dos outros.



Draminha.



Eu nunca gostei de abrir meus problemas pras pessoas, até porque eu tenho poucos e dinheiro não é um deles.



Claro, sou filho de Margaret e Olavo Gonzales. A socialite e o juíz mais influentes e poderosos do país.



Mas eu (por sorte) não tenho essa faminha toda dos meus pais. Tô muito feliz no anonimato.


Eu tava no meu quarto, de frente pro espelho, perdendo de mil a zero pra gravata que minha mãe me obrigou a colocar, pra festa de Natal dela.

Todo ano a mesma coisa. Ela chama as amiguinhas, meu pai os colegas de trabalho e nossa família pra festa de Natal na minha casa. Os pirralhos correndo, querendo entrar no meu quarto, no meu porão. Sim, meu porão. Depois eu explico.

Eu odeio Natal. Devia ser chamado de dia da falsidade. Um bando de gente que fala mal de você durante o ano todo e dia 24 de dezembro diz que te ama. Bela bosta.

A porta abriu e minha mãe encostou no batente e ficou me olhando. Ela tava linda, com um vestido comprido vermelho.

Mãe: Quer ajuda, filho?

Eu: Eu odeio gravatas.

Mãe: Mas você vai ter que usar quando for dar seu veredito. — falou enquanto dava um nó naquela porra de gravata.

Eu: Eu não vou seguir a profissão do meu pai.

Mãe: Não vem com aquela história de músico de novo.

Eu: Não. Eu quero ser jo…

Mãe: Jogador de futebol? Francamente, Pedrinho.

Eu: Jornalista, mãe. Da próxima vez, me deixa terminar a frase.

Ela respirou aliviada.

Mãe: Vou conversar com seu pai, tá bom?

Eu: Ele não vai decidir meu futuro.

Mãe: Mas vai opinar sobre ele. Agora coloca esse paletó e desce, que já tem bastante gente lá embaixo.

Ela saiu e fechou a porta.

Eu odeio quando ela fala com toda a certeza do mundo que eu vou ser juís. Pra começar, é uma das profissões que eu mais odeio no mundo. Ponto.

Terminei de me vestir, joguei um perfume e saí do quarto, trancando a porta e enfiando a chave no bolso interno do paletó.

A casa tava cheia de gente. A maioria das pessoas eu nunca vi na minha vida. E como sempre, os pivetes correndo e esbarrando na pessoas.

Andei pela sala, cumprimentei algumas pessoas e vi a senhora Gambinni. Márcia Gambinni. A melhor amiga da minha mãe, e a mãe do meu melhor amigo. Fui até ela.

Márcia: Pedro! Está muito bonito hoje.

Eu: A senhora que está. — mentira. Ela tava usando um vestido estampado, que me deu vontade de cobrir.

Ela deu um sorrisinho envergonhado e passou a mão no meu ombro.

Márcia: O Victor está no banheiro.

Agradeci e fui pra perto do banheiro, pra esperar a bicha do Victor.

Ele esbarrou em mim.

Victor: Tá boiando, maluco?

Eu: E aí?

Victor: Queria ser filho da tua mãe.

Eu: É, eu vi o vestido da sua mãe.

Victor: Meu pai que deu. Ela disse que odiou, mas como meu pai é… você sabe… ela teve que usar.

O Pai do Victor, Carlos Gambinni, batia na esposa. Mas nunca no rosto, pra não dar na cara. Covarde filho da puta.

O cara era rico pra caralho, então pagava qualquer fiança que mandassem. Mas ele nunca foi preso. A Márcia tinha medo de denunciá-lo.

O pior disso, é que o Victor é meio pirado. Não de bater nas mulheres, como o pai. Mas todas as vezes que ele fica com alguma garota, ele se torna obcecado por ela. Tipo, de verdade. E se ela não corresponde ele faz o possível pra foder com a vida dela, até que ele se fode e parte pra outra.

Victor: Quais são os planos pra hoje?

Eu: Ficar aqui até enlouquecer.

Victor: Porão. Agora.

A gente foi pro meu porão.

Ah, então, o meu porão era um porão normal, que não sei por que eu adorava ficar lá. Quando eu fiz dez anos meus pais disseram que eu podia escolher qualquer coisa.

Eu escolhi o porão, e eles tiveram que me dar, de tanto que eu enchi o saco.

Não era grande. Tinha uma porta, que dava pra uma escada, que eu coloquei luz negra e pintei as paredes e os degraus com tinta negra, com a ajuda do Victor. No fim da escada, outra porta que eu pintei de preto e finalmente o porão. Tinha um sofá, uma tv enorme, um home theatre e um aparelho de som gigante. Um frigobar que eu enchia de bebidas (minha mãe que me dava). Uma prateleira, com filmes, livros e umas revistas. E um banheiro. O piso era preto e branco, estilo restaurantes antigos e as paredes foram brancas antes de eu jogar uma lata de tinha preta e encher de frases, palavras e desenhos coloridos.

E meu pai colocou paredes com isolamento de som, pra não atrapalhar quando eu escutasse minhas músicas.

Era o melhor lugar da casa pra mim, depois do meu quarto e da piscina.

Eu e o Victor fomos pra lá e eu coloquei o cd do Skrillex. É muito foda.

Deitei no sofá e ele nos almofadões que joguei num canto e ficamos brisando.

Eu acabei dormindo.

Victor: PEDRO, ACORDA, FILHO DA PUTA!

Abri os olhos e vi o Victor quase me socando.

Victor: Cinco pra meia-noite. Sua mãe vai encher o saco se você não tiver lá.

Levantei, vesti o paletó, ajeitei a gravata, desliguei tudo e subimos.

Minha mãe tava falando com a Márcia e me chamou quando me viu.

Mãe: Fique aqui, filho. Já vai dar meia-noite.

Dois minutos depois começaram a contagem regressiva.

Olhei pro Victor, que tava com a mesma cara de bunda que eu.

O som dos fogos lá fora atingiram o ambiente e minha mãe me abraçou.

Mãe: Feliz Natal, Pedrinho.

Eu: Feliz Natal, mãe.

Abracei meu pai, os pais do Victor, umas tias pegajosas (daquelas que apertam a bochecha e perguntam das namoradas. Velhas mal comidas.) e minha mãe me arrastou até a garagem, que ela não me deixou entrar o dia todo.

Mãe: Seu pai e eu temos um presente especial pra você.

Eu: Ah, ele tá aí? Por isso eu não podia entrar?

Mãe: Exatamente. Não dava pra colocar em outro lugar, senão aqui.

Ela abriu a porta e além do Lexus do meu pai, tinha uma Ferrari prata. Devia ser de algum convidado.

Eu: Cadê?

Mãe: Como você não está vendo?

Eu: É a Ferrari?

Mãe: Claro que é. Seu pai não ia te dar esse Lexus velho.

Meu pai comprou o Lexus há seis meses.

FODA-SE! EU GANHEI UMA FERRARI!

Abracei minha mãe e falei uns doze mil “obrigados”.

Mãe: Vai dirigir, garoto.

Chamei o Victor, que quase enlouqueceu quando viu o carro e já pulou no carona e eu liguei aquela maravilha.

Victor: ANDA, DIRIGE!

Saí da garagem e tava minha família toda lá fora, olhando o MEU carro.

Todos eles sabiam que eu ia ganhar a Ferrari. Filhos da puta. Nem pra me falar.

Liguei o rádio e nem prestei atenção nas músicas. Eu tava fissurado na Ferrari.

Fomos pra casa da Isabela, uma prima do Victor que eu pegava de vez em quando e ela saiu com duas amigas.

Isabela: Carro novo do papai, Pedro?

Eu: Essa coisinha aqui? Presente de Natal. Entra aí.

Ela puxou as amigas pro banco de trás e eu dirigi sei lá por onde.

Sei que estacionei num lugar qualquer e todo mundo dormiu no carro.