Quase Um Playboy
2 Covardia te faz ver o sol nascer quadrado
Gif do capítulo: http://data.whicdn.com/images/41766001/tumblr_mbp2xf3uW11rdmkblo1_500_large.gif
Acordei com o celular do Victor berrando no meu ouvido e vi que era a mãe dele. Limpei a garganta, respirei fundo e atendi.
Eu: Alô?
Márcia: Pedro? Onde vocês estão?
Eu: Nós dormimos na casa de um amigo. Já estamos voltando pra casa.
Márcia: Tá bom, querido. — ouvi um grito masculino. — Eu tenho que desligar, tá?
Desliguei e acordei o Victor e as três vadias no banco de trás. Sim, elas eram vadias.
Mas a Isabela era gostosa pra caralho.
Foda-se, tem mais garotas mais gostosas que elas no mundo.
Muito mais.
Deixei as garotas na casa da Isabela e fui embora sem me despedir.
Victor: Vamo logo.
Acelerei o máximo que pude, mas numa velocidade que nos manteria vivos.
Parei o carro na frente da casa do Victor e ouvi gritos.
Carlos : CALA A BOCA!
Márcia: ME SOLTA!
Eu liguei pro meu pai e falei pra ele chamar o delegado amigo dele que (por Deus) tava hospedado em casa pra irem rápido pra casa do Victor.
Victor: Ele vai matar minha mãe, cara.
Eu: Eu entro primeiro, se ele te ver vai ser pior.
Entrei na casa e fui até a cozinha em silêncio. Coloquei meu celular pra filmar e deixei num canto estratégico, que além de ficar escondido, pegava certinho o Carlos espancando a Márcia.
Eu: PARA COM ISSO, CARLOS.
Carlos: Some daqui, moleque. Quer que sobre pra você também?
Eu: Você tá fodido.
Carlos: Vai me bater, garoto?
Eu: Não. Não sou idiota.
Márcia: Por favor, Pedro, sai daqui.
Carlos: CALA A BOCA, VADIA!
Ele deu um soco nela, que a fez cair e bater com a cabeça na quina da mesa e desmaiar.
Eu: VOCÊ É DOENTE!
Não sei por que, mas pulei no pescoço daquele filho da puta e comecei a socar a cara dele.
O Victor apareceu com meu pai e o delegado, e me puxou, me separando dele.
Victor: Relaxa. Ele é meu pai, cara.
Eu: Ele bateu na tua mãe.
Delegado: Carlos Gambinni, você tá preso. Por violência doméstica.
Carlos: Não, não podem fazer isso comigo.
Eu e o Victor levamos a mãe dele até o sofá. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas, e eu não sabia o que fazer, então coloquei a mão no ombro dele e o observei passar a mão no cabelo da mãe, enquanto tentava acordá-la.
Os gritos de Carlos, do delegado e do meu pai tomavam toda a casa, me deixando com dor de cabeça.
Um tempo depois chegou uma viatura e um monte de jornalistas. Claro, Carlos Gambinni sendo preso por bater na esposa?
Primeira página do jornal.
Merda.
Meu pai foi atá a delegacia e me levou meu celular com o vídeo da agressão pra usar como prova. Eu e o Victor ficamos com a mãe dele na sala tentando acordá-la, mas eu achei melhor levá-la pra cama e colocar gelo na cabeça dela.
Liguei pro meu pai e ele disse que ia demorar pra resolver aquilo tudo.
Pai: O Carlos vai a julgamento na semana que vem e adivinha quem vai ter que dar o veredito?
Eu: Você?
Pai: Exato. O Carlos é meu amigo, mas nós dois sabemos que ele é culpado, e eu tenho que fazer o certo, por mais que doa.
Eu: Você vai condenar ele?
Pai: É a coisa certa a fazer.
Eu: Mas e o Victor e a Márcia?
Pai: Eles não vão ficar na pior. Ela com certeza vai pedir divórcio e ele vai ter que pagar pensão. E eu já neguei a fiança, então ele não tem opção a não ser ir pra cadeia pagar pelo o que fez.
Eu: Pai, eu não posso falar isso pro Victor.
Pai: Você tem que falar. Mas fala com cautela. Vai ser mais um choque pra ele.
Desliguei o celular e entrou uma mulher na casa. A tia do Victor. Ela nem me viu. Subiu as escadas correndo e pouco depois o Victor tava lá embaixo sentado no sofá, com as mãos no rosto.
Eu: Teu pai foi preso.
Victor: Eu acho que já dava pra sacar. Mas ele vai pagar a fiança e vai embora. E tudo isso vai continuar.
Eu: Acho que não. A fiança dele foi negada. Ele vai ter que ficar na cadeia e vai ser julgado semana que vem. E… quem vai julgar ele vai ser…
Victor: Teu pai?
Eu: É. Desculpa.
Victor: Ele é um filho da puta. Tá tudo bem, cara. Sério.
Eu: Não. Eu sei que não tá. Teu pai tá preso e o meu vai julgar ele.
Victor: Mas teu pai vai livrar ele, não vai?
Eu fiquei quieto e olhei pra baixo.
Victor: Não vai, né?
Eu: Não.
Victor: Puta merda.
Eu: Eu tentei falar com o meu pai. Mas ele não mudou de ideia.
Victor: Cara, tá tudo bem. Eu sei que você tentou.
Eu: Desculpa.
Victor: Não tem que se desculpar.
Ele pediu pra ficar sozinho, então eu voltei pra minha casa e arranquei aquela gravata do inferno e a calça do capeta e me joguei na cama.
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