Saí do carro do Pedro e fui pro apartamento. Arranquei os saltos, o vestido e larguei em algum canto. Minha testa ainda doía, mas a pior dor era saber que o Pedro não gostava de mim. Eu nunca me “declarei" pra ninguém. Nunca disse o que sentia. E quando faço isso quebro a cara.

Eu queria ser correspondida.

Tudo bem que a Naty não era uma escolha tão ruim. Ela era legal, bonita e simpática. Mas ela me odiava. Sempre me odiou. Eu gostava dela, na boa. De verdade. Mas não sei o que ela acha tão terrível em mim.

Meu celular começou a tocar em cima da minha cama e só então percebi que o havia esquecido. Era a Mariana. Eu não estava com a menor vontade de falar com ela, mas atendi.



Mari: Onde você tá? Tá todo mundo preocupado!

Eu: Relaxa. Eu tô em casa. O Pedro me deixou aqui e foi embora.

Mari: E que ceninha foi aquela? Você traiu mesmo o Pedro?

Eu: Não. A gente fingiu que tava namorando. — expliquei a história e ela me xingou. Desliguei na cara dela e vesti uma camiseta larga pra dormir.

Recebi uma mensagem quando estava a segundos de pegar no sono.

Mari: Você sabe que ele te usa, né? Ele se aproveita de você, prima. E você cai igual à uma patinha.

Não quis responder. Era verdade. Ele só me usava. Eu era um brinquedinho pra ele e nem percebia.

Então comecei a sentir raiva. Raiva do Pedro por ser tão filho da puta comigo.

E liguei pra ele.

Pedro: Oi Má. Tá tudo bem?

Eu: Não. Eu cansei, Gonzales. Cansei de você me usar.

Pedro: Quê? — Cínico do cacete.

Eu: É isso o que você escutou. Você acha que é só ligar que eu vou de quatro por você. Tá entediado e pra ter o que fazer vem e trepa comigo, mas não vai mais ser assim. Cansei.

E desliguei. Bloqueei o número dele pra não receber ligações e nem mensagens.

Me enrolei no edredom, abracei o travesseiro e comecei a chorar. Eu estava realmente arrasada. Acho que eu gostava dele de verdade.

Como não devia gostar.