Quase Um Anjo
9 Cap. 9 – Melhor amigo.
Notas iniciais
Nos divertimos bastante no parque, brincamos em todos os brinquedos e lá encontramos Luna, que nos acompanhou e ficou querendo andar na Montanha Russa várias vezes.
Maior parte do tempo, ficamos em grupo, mas sempre tinha brinquedos de dupla e revezávamos: eu e John, eu e Phil, eu e Luna ou eu e Nathan; e assim eu pude conhecê-lo melhor.
Ele era novo na cidade e estudava na mesma escola que Phil, mas fiquei sabendo que os dois iriam estudar na mesma escola que eu, o que era um máximo.
Ele me fez falar sobre John e outros pretendentes, o que não existia. E do mesmo modo o fiz falar das garotas que ele sentia atração. Chegamos ao assunto beijo e fomos falando sobre o melhor, sempre ríamos quando o assunto foi mudando para o beijo mais nojento.
Mallory e Sam estavam se divertindo comigo, e só eu sabia da existência dela. Mas ao que parecia, Luna estava um tanto desconfiada.
– Você fala sozinha por quê? – riu ela enquanto perguntava.
– Não falo sozinha. – me fiz de desentendida.
– Ah, fala sim. Como se estivesse falando com outra pessoa. Te vi no baile falando só enquanto ajeitava os sapatos. – ela faz careta.
– Algo errado em fazer isso? – perguntei na brincadeira.
– Ah, então afirma que fala só? – ela cruzou os braços andando.
Fiquei calada e pouco tempo depois ela começou a rir. Revirei os olhos e então fomos andando até a entrada do parque; agora cada um ia para um canto.
Sorri satisfeita com o meu dia e segurei com força a mão de John, ele sorriu e me envolveu em seus braços, dei um leve beijo em minha testa, depois me acompanhou até um banquinho em uma pequena praça ao lado do parque.
Depois de ligar para Juan, apenas fiquei ali com ele. Por incrível que pareça, Mallory e Sam estavam caladas, acho que apenas curtindo o momento comigo.
John estava muito próximo e então começamos a nos beijar. Foi um beijo breve, mas doce e carinhoso. Suas mãos acariciavam minhas costas e minha cintura, as minhas estavam em seus cabelos loiros e o puxava mais pra perto.
Depois de certo tempo, ele apenas me abraçou e ficou assim por um longo tempo, longo mesmo. Juan chegou, John me acompanhou até o carro e eu fui para casa.
– Se divertiu, Sara? – perguntou Juan com um sorriso.
– Muito! – falei com um sorriso também.
– Ele é tão fofo, me completa! – disse Mallory.
Na mesma hora eu e Sam paramos, afinal, Mallory sempre dizia que se apaixonar não era para ela.
– Eu gostei do Nathan... – murmurou Sara. – Mas John é fofo demais!
Começamos a rir, até o Juan participou e então, no carro, peguei no sono minutos depois.
Acordei com Juan me chamando, mostrando-me que já havia chegado em casa, eu apenas corri para meu quarto e fui tomar um banho rápido.
A campainha tocou e continuei no quarto, estava lendo um dos meus livros favoritos de Sidney Sheldon, Conte-me seus sonhos, que falava de uma garota que tinha múltiplas personalidades.
Sam e Mallory, assim como eu, adoraram a história e começamos a discutir sobre isso, parecia muito conosco. A única diferença era que nós sabíamos da existência uma da outra.
Tina apareceu na porta do quarto, batendo antes.
– Sara? Você tem visita... Phil e um amigo dele, Nathan. Eles...
– Ah, sim. Peçam para que entrem! – sorri a interrompendo.
Ela saiu balançando a cabeça e eu corri para o closet, assim mudando o blusão para uma blusa mais arrumada, azul.
– Sara? – falou Phil entrando no quarto.
Sai do closet e fechei a porta, assim cheguei perto dos garotos que entravam no quarto o admirando com satisfação, e eu sorri.
– Olá garotos! O que os trazem aqui? – falei sorrindo.
“Olha como ele está lindo!” disse Sam.
“Ai ai, lá vem. Troca troca é?” bufou Mallory e eu ri baixinho.
– O Nate tava perturbando para vir te ver. Só vim deixa-lo e aproveitei para ver minha priminha. – ele riu com a última palavra.
– Hey, não estava... – negou Nathan.
– Tudo bem, ué. Podemos fazer milhares de coisas. – sorri.
– Ah, então façam ai. Eu tenho que ir logo. Faculdade.
Phil falou na maior pressa, deu um beijo em minha bochecha e saiu do quarto apressado.
– Então, o que quer fazer? – falei quebrando minutos de silêncio.
– Qualquer coisa...
– Podemos andar a cavalo até um riacho... – dei a ideia.
Ele adorou e assim saímos de casa, indo até a parte de trás dela e encontrando um celeiro com cinco cavalos.
“Riacho? Que tal nadarmos nu?” riu Sam.
“Sam! Quem é você?” Mallory riu.
“Não comecem!” reclamei e elas continuaram rindo.
Escolhemos um cavalo, o meu era o “Tufão”, um cavalo manso apesar do nome e muito rápido além de tudo. Já o Nathan escolheu o “George”, cavalo preferido do Mike. Montamos e então começamos a andar pelo enorme “quintal” da casa, indo em direção ao riacho.
– O garoto loiro é seu namorado? – perguntou ele depois de um tempo.
– Não, só ficamos. – sorri e Mallory bufou.
– Ah, sim. – juro que o vi sorrir. – Você até que é legal. E um tanto diferente, como se não fosse só uma pessoa ai. – ele falou e me olhou.
“Pronto, até você?!” pensei.
“Até ele” murmurou Mallory.
Demorei alguns segundos para responder, mas quando vi já estávamos no riacho. O céu estava um pouco claro, pois já estava escurecendo. Sai do cavalo e me sentei na beira do riacho.
– Você não parece muito bem... – falou Nathan se sentando ao meu lado.
– É só cansaço. – sussurrei.
– Então devia ter me mandado embora, poxa! – ele quase gritou.
– Não, ué. Gosto da sua companhia. – sorri.
– Mas está cansada. – ele reclamou e eu fiquei calada por um grande tempo. – Quem são as outras? – ele perguntou do nada.
– Como assim? – fiz careta e o olhei.
– Minha irmã, ela tinha múltiplas personalidades. Conheço de longe.
– Como? Ta dizendo que eu tenho uma doença, é isso? – me levantei do chão, cruzando os braços.
– Não! Isso não é doença, é até algo que possa se orgulhar, mas dependendo de como aconteceu. – ele se levantou, se pôs na minha frente e falou.
Fiquei calada, eu não tinha o que falar.
“Ele tem razão...” falou Mallory.
“O que?!” Sam e eu perguntamos ao mesmo tempo.
“É isso mesmo, além de lindo é inteligente” sussurrou ela.
Eu dei uma leve risada.
Part. Mallory –
A visão agora era a minha, Nathan estava na minha frente esperando uma resposta, ou algo do tipo.
– Seu rosto... – ele sussurrou.
– Sou a Mallory Blackwell. – falei pegando sua mão e o cumprimentando.
– Que loucura! – ele arregalou os olhos com um sorriso enquanto segurava minha mão. – Seu rosto mudou completamente! Suas expressões se tornaram mais frias e...
Part. Samantha. –
– Frias? Só podia ser a Mallory, não é? Sou a Samantha Blackwell. – apertei com menos força a mão dele e sorri.
– Samantha? Duas? – ele riu baixinho, mas não de medo, como se gostasse disso. – Seu rosto novamente mudou!
– Ah, sim. O motorista Juan, disse que é assim que nos conhece. – dei um leve sorriso.
– Entendo!
Part. Sara. –
– Entendo muito bem! – falou Nathan.
– É, né. Mas olha, não conta pra ninguém. Não quero que ninguém saiba disso. – falei um tanto apressada.
– Não se preocupe, dou minha palavra.
Ele então levantou seu dedo medinho e eu fiz o mesmo com uma gargalhada.
– Melhores amigos? – ele falou com um tom de satisfação.
A palavra ecoava em minha cabeça. Não fazia tanto tempo que nos conhecíamos, mas ele já sabia “metade” da minha vida. Talvez eu realmente o achasse um melhor amigo, e pelo visto, podia contar com ele para tudo.
– Melhores amigos, então. – falei sorrindo.
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